Revelações de Jonas: Apocalipse - Cisma, 5.

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5


Na manhã seguinte a conversa entre Albano e Jonas tudo pareceu tremer. Os dois mal conseguiram se apoiar no chão tamanha a intensidade. Não durou mais que trinta segundos, mas foi suficiente para rachar parte da estrutura da Igreja e derrubar móveis.

A luz, como de se esperar, foi cortada e completamente no escuro conseguiram sair da igreja com rapidez. Um rádio de pilha de um mendigo apenas chiava e de repente entrou no ar o locutor da Rádio Tupi. Várias pessoas se aglomeraram em torno do aparelho, pois era a única fonte de informação na rua Uruguaiana.
- Saímos do ar por alguns minutos porque a mesa de som quase caiu, caros ouvintes. - Dizia a voz do rádio. - aos poucos estamos restabelecendo contato com nossas operadoras pelo Brasil. Novidades nas próximas horas sobre esse assombroso temor de terra que assolou nossa

Albano e Jonas entreolharam-se e caminharam sem rumo pela Rua Uruguaiana. Muitos prédios se danificaram com o forte tremor e muitas pessoas feridas perambulavam desnorteadas. A capital carioca nunca se preparara para tal ocorrido, pois geograficamente a cidade se situava em uma área privilegiada pela natureza. Um terremoto dessas proporções era tido como impossível até minutos atrás.

Nada parece organizado, mas aos poucos as pessoas se arrumam e retomam suas vidas pacatas e sem graça. Albano e Jonas continuam vagando até que sentam em um boteco próximo da Praça XV. Por sorte os prédios antigos das estações de barcas resistiram e nada de mais grave ocorreu além do que já se passara. Quando já estão na segunda cerveja, onde trocam poucas palavras além de observar o burburinho, a luz finalmente retorna.
- ...Até agora não temos notícias de nossa retransmissora, Bonner. - Diz o repórter ao apresentador, já com a frase cortada, mas com o volume da televisão um pouco baixo. - Nenhum retorno ou ligação.
- Obrigado, Roberto. Agora vamos falar com nossos correspondentes em Washington que trazem informações a respeito desse enorme meteoro que atingiu a região central do Brasil.
- Aumenta esse volume! - Reclama um visitante, que para ao escutar a mesma notícia que prende a atenção dos transeuntes, sendo prontamente atendido por um garçom.
- ...Carlos Nascimento, a NASA tem alguma idéia de como os satélites de vigília não conseguiram captar esse imenso meteoro?
- Nenhuma idéia, William. Os técnicos da NASA estão estupefatos em diversos níveis. Primeiro, eles não sabem como um bólido desse tamanho consegue atingir a terra sem ser detectado. Segundo, um objeto desse tamanho causaria um estrago muito maior do que o que causou, a onda de choque devastaria nosso continente, no entanto a cratera vista em satélite e os restos encontrados dão a entender que o objeto veio de menos distante do que se imagina. Amanhã será divulgada uma nota a respeito, e uma equipe de especialistas em meteoros está se dirigindo hoje para o local do impacto.

Albano e Jonas não escutaram o final da matéria. Já estavam voltando para a Igreja.



Jéssica assistia a televisão, nervosa. Seu prédio tinha gerador, e por essa vantagem soube da tragédia muito antes. A região de São Felix do Araguaia, situada entre Mato Grosso, Goiás e Tocantins ficou completamente devastada. Onde antes existiam montanhas, algumas cidades e um pouco de natureza agora exibia uma enorme cratera laranja ainda emanando fogo. Helicópteros das forças armadas percorriam a região em busca de sobreviventes e desabrigados pelo tremor.

Ela acorda Emerson, que observa súbito tudo aquilo calado. Minutos depois abre um largo sorriso e sua voz nitidamente se altera. Ele que tem uma voz suave começa a afinar a voz e esganiçar, como se fosse um corvo. Corre até a geladeira e pega uma garrafa de vinho, que bebe completamente pelo gargalo em poucos segundos. Jéssica permanece no quarto, assistindo notícias.
- Isso não era para acontecer! - Reclama Emerson. - Ainda não! A Organização está completamente desestruturada... Como vamos resolver isso?
- Eu sabia que ia acontecer. - Responde Jéssica. - Quando nosso ex-aliado saiu de nosso pacto sabia que não demoraria muito.
- Você está reconhecendo esse pedaço de terra, Jéssica? Está reconhecendo? É pior!
- Como assim... - Jéssica observa os destroços e se concentra. Sua mente viaja, transgride a fronteira das distâncias e vê os destroços como se estivesse na região. E ela está, ao menos em espírito.
- Nepomuceno! - Berra Emerson, quebrando a concentração de Jéssica. -Arremessaram Nepomuceno contra a Terra! Caralhos fodam Miguel!
- Isso é pior que péssimo... Os emplumados vão se depenar discutindo isso.
- Precisamos saber quem levou a culpa por isso, ou quem assumiu... Nós dois sabemos quem fez, mas não podemos falar. Estamos de mãos atadas! E asas!

Jéssica junta-se a Emerson e pega uma garrafa de vinho. Ela precisa relaxar muito para as próximas horas que virão.




Continua... Aqui.

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