Começou a farra da eleição 2010.


Conforme previ ano passado, a temporada de caça a celebridades e pseudo-celebridades está aberta.

Ano passado foi posta em prática a Fidelização Partidária... E porque fizeram isso?

Antes, em um tempo ainda recente, um determinado político podia trocar de partido como trocava de amante ou de ideal. Ele acordava no PSDB, ia almoçar no PT e dormia com o PFL (ou DEM, atualizando o nome apenas). Era definitivamente uma bagunça, fato. Como no nosso país as coisas não funcionam de acordo com nenhuma teoria, por sinal, é tradicional a lei dizer azul e fazermos marrom sempre, seja lá no Planalto ou mesmo quando deixamos de ceder nosso lugar no ônibus para idosos (só para citar um exemplo, existem outros, claro).

Exatamente pela teoria ser diferente da prática, munidos das mais boas intenções (daquelas que lotam o inferno) foi decidido que eu e você, eleitores, não votamos no candidato, e sim no partido.

O que significa? Que quando você diz "Voto no Suplicy! O PT é corrupto demais..." você está fazendo uma bela piada. E sem graça. Quando você vota no Suplicy na verdade você votou no PT, ou seja, se por um acaso o Suplicy sair do PT amanhã de manhã porque o Partido não pediu a cabeça do Sarney, provavelmente perde o cargo a que tem direito se assim os caciques do PT quiserem.

Isso aconteceu, por exemplo, com o falecido Clodovil. Ele foi candidato pelo completamente desconhecido PTC. A popularidade enorme do então estilista foi suficiente para receber 493.689 votos e com isso assegurar ao PTC cadeiras da câmara. Obviamente usaram a "fórmula Enéas", o quociente eleitoral, um procedimento (complicado para leigos, diga-se de passagem) que em teoria deveria equilibrar a quantidade de cadeiras ocupadas pelos partidos, mas que na prática usam a fórmula para eleger laranjas sem expressão usando celebridades ou pseudo-celebridades.

Anos depois, dada a inexpressividade total e completa do partido, além da falta de apoio deste a Clodovil em uma situação desagradável, fez o então deputado sair do partido. O PTC recorreu a essa nova regra e pediu o cargo de volta, mas Clodovil morreu antes de tudo se dar por concluído, mas o suplente - do PTC e completamente homofóbico. - assumiu, ou seja, no final o mal sempre vence.

Agora, as vésperas das eleições de 2010, os partidos cientes do que está em jogo e depois da reforma eleitoral padrão Lex Luthor, que apenas tornou mais fácil roubar e desviar nas eleições, os primeiros movimentos em busca dos eleitores foram dados.

Romário é a primeira celebridade do Rio de Janeiro, ao menos que vi nos jornais, com potencial verdadeiramente eleitoral que se filia a um partido político, no caso, o PSB, o mesmo partido que o do presidenciável Ciro Gomes, obviamente com o objetivo "nobre" de trazer os fanáticos pelo ex-jogador para votar no partido ou de pelo menos conquistar vagas na câmara graças ao "macete" que comentei acima, do quociente eleitoral.

Provavelmente outros jogadores, artistas e ex-BBBs se candidatarão também. Obviamente que boa parte deles estará munida de boa vontade, mas quando chegarem na Câmara e descobrirem que na verdade o ritmo e os interesses são beeeeeem diferentes, se não saírem da vida política por ela serão envenenados.

Ou terão o mesmo fim triste de Clodovil.

Pense nisso quando votar em 2010.

Nossos governantes são o reflexo de nossa nação.

Imagem obtida no Google Imagens, do seguinte site:
- Ivan Cabral: Charge do dia: candidato sem proposta

4 comentários:

  1. Então, né...
    Já fiquei indignada, quando Serginho Mallandro e Netinho de Paula conseguiram se eleger.
    Quando penso que parou por aí, a coisa fica ainda pior.
    Para 2010, temos os "candidatos": André Gonçalves, Mulher Melão, e sabe-se lá o que mais está por vir.

    Complicado, né.
    Bjos.

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  2. A proporcionalidade, a vilã real da parada, é que promove o culto a personalidade e o candidato celebridade. Sem ela o quoeficiente eleitoral seria uma barreira para esses partidos de aluguel e os espertalhões gerais. As personalidades da mídia são convidadas justamente para garantir um grande volume de votos que, em proporção, permitirá que o partido eleja s "Zé Ninguém" sem projeto e só afim de arrumar um qualquer. Uma vergonha.

    Por isso, todos os partidos são contra a eleição majoritária ou distrital. Muito mais justa e onde só entra quem recebe voto.

    Na proporcionalidade, você pode ter 100.000 votos e não levar e Zé das Couves ter 1 único voto e ser eleito. Como aconteceu com vários deputados que estão hoje em Brasília.

    Cerca de 45% dos deputados que estão hoje lá, jamais conseguiram votação suficiente para se elegerem. O próprio presidente da Câmara é um. Milton Temer só entrou na proporcionalidade.

    Um cara sem votos, controla os destinos da casa mais representativa da nação.

    Brasilllllll!

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  3. Bah! Me perdi. Eu, que antes votava em pessoas por não acreditar na devoção total das pessoas a uma causa partidária, agora, fiquei sem saber muito o que fazer.

    Onde é que nós vamos parar? :(

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  4. Bah! Me perdi. Eu, que antes votava em pessoas por não acreditar na devoção total das pessoas a uma causa partidária, agora, fiquei sem saber muito o que fazer.

    Onde é que nós vamos parar? :(

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