Inauguração e Quebra do Express Macaé.


Uma boa notícia para Paquetá! (pulem e festejem, saltem de alegria e explodam fogos).

A empresa Barcas S/A usando os R$ 8.000.000,00 que recebeu do Governo do Estado do Rio de Janeiro (como punição (sic) pelos serviços mal prestados no transporte aquaviário) inaugurou na terça-feira a nova velha embarcação Express Macaé.

Um catamarâ que era do tipo hovercraft, mas que por razões econômicas fizeram uma intervenção no design e na própria função principal do navio e modificaram o casco, transformando-o em um catamarâ. Mais ou menos o mesmo que pegar uma Ferrari 250 GTO e colocar nela o motor de um Fiat 147. Ou melhor, ter a mesma Ferrari 250 GTO e colocar nela rodas de carrinho de rolimã.

Houve festa, estardalhaço, matérias/notas nos jornais compradas através de ações de assessoria de imprensa com esses mesmos R$ 8.000.000,00 (que são dinheiro do contribuinte carioca, que paga duas vezes pela mesma coisa: o dinheiro da passagem que teoricamente serviria para isso e o de nossos impostos que foram desviados de suas funções para suprir a carência deles).

Só que a realidade é muito mais cruel que a ironia dos meus últimos parágrafos...

Ontem, cansado e esgotado de mais um dia de trabalho fui seguir meu cansativo ritual diário: pagar caríssimos R$ 4,50 (em breve R$ 5,00) de passagem de ida e embarcar na Praça XV para minha viagem a Paquetá. Tecnicamente esperançoso (afinal de contas, esperança é a última a morrer, mas morre) vi atracar o Express Macaé.
- Ele foi inaugurado ontem! - Ouvi alguém falar.

Embarcamos. Já conhecia o Express Macaé de outros tempos, de quando ainda existia a Transtur e essa fazia concorrência com as Barcas S/A (isso antes de ser comprada pelos mesmos donos/cartel das Barcas S/A, sucateada e transformar-se em passado). O Express Macaé continuava confortável. Trocaram estofados, ar condicionado funcionando. Área com conforto e tudo parecendo funcionar.

Mas o problema das Barcas S/A nunca foi com Ivo Pitanguy, mas sim de Hardware. Barcas S/A é que nem sistema operacional de computadores (para não dizer Windows e os demais) esteticamente lindos, mas uma merda por dentro.

E como é de praxe, depois de navegar por pouco mais de um quilômetro o motor desligou e começamos a sentir o cheiro de óleo queimado (se com princípio de incêndio, nunca saberemos, mas com certeza deu pane no motor). Passados quase dez minutos a deriva, o motor religou e o comandante comunicou que retornaríamos ao cais e trocaríamos de embarcação. Foi aí que começou o problema.

Primeiro saímos. A barca que saiu as 19:00 do Rio de Janeiro, e deveria chegar em Paquetá até 20:10, estava atracando no Rio de Janeiro por volta de 19:30. Obviamente os passageiros manifestaram insatisfação, ainda mais dado o histórico da empresa. Alguns socaram a barca, mas não houve danos visíveis, apenas audíveis (ninguém espera que uma turba reaja pacificamente a problemas, ainda mais recorrentes) e isso comprovado por fotos tiradas pelos passageiros.

Vejam algumas dessas fotos, essas tiradas com minha nova máquina de desfocar, entre o momento em que recebemos a notícia e até que saímos:

Dentro da embarcação, aguardando o retorno.

Descendo para o primeiro andar, próximo do desembarque.

Detalhe do modo como colaram mal a batente da porta com alguma cola plástica qualquer.
Se essa é a conservação VISÍVEL
- que diga-se de passagem: foi recém inaugurada a embarcação -,
imagine a que olhos civis não podem ver?



Saindo da Barca, sendo informados que aguardaríamos a Barca Ipanema para seguir viagem.

Esperando na estação, detalhe para a embarcação, atrás.

Pensam que acabou?

Depois de sairmos da barca vimos a fumaça preta e fétida que saía de seus motores (e que infelizmente pelo horário e pela minha máquina de desfocar não aparece em fotos). Após longos minutos esperando pela Ipanema e vendo a Barca Charitas se aproximar, não é que o comandante ordenou o reembarque?

E tal como ovelhinhas obedientes um a um foram todos entrando. Até que um passageiro questionou algo com o comandante da embarcação, que disse que o povo de Paquetá seria responsabilizado por qualquer vandalismo que ocorresse. Imediatamente alguém disse a frase "o senhor também é responsável pelos riscos que corremos aqui, não é?", o que fez com que o comandante se calasse e fosse para sua cabine.

Minutos depois nova notícia! Ordenaram MAIS UMA VEZ que saíssemos. Tal como gado guiado no pasto (e somos, consideramos que quem poderia resolver a situação, e não resolve, é eleito pelo povo e tem poderes acima do bem e do mal), estávamos do lado de fora. em poucos minutos Nesse momento houve mais protesto, ainda que menor e finalmente vimos chegar a prometida Barca Ipanema.


Pessoas ligam para parentes, tranquilizando-os e informando do ocorrido,
já cientes do enorme atraso do segundo desembaque.



Obviamente essa dança das cadeiras para trabalhadores não foi sem querer. Eles queriam enfiar o povo de Paquetá na Barca Charitas/Brizamar - que vimos chegar ao longe. - mas cientes que até um povo de cordeiros submissos como o Paquetaense tem limites decidiram não arriscar dar palha para a pequena fagulha (poucos reclamam mesmo, e do jeito certo).

Precisamente as 20:05 estávamos embarcados na Barca Ipanema e sendo enviados para Paquetá, onde chegamos as 21:10. Mas a humilhação não para por aí! Cientes dos processos que podem levar, quando chegamos fomos apresentados a uma nova modalidade de fingir que nada aconteceu, a devolução forçada de bilhete.

A saída da estação de Paquetá estava fechada e todos eram encaminhados as roletas, onde pelo poder opressor da situação éramos obrigados a andar em fila quase indiana pelo pequeno espaço de uma varanda que existe entre a janela da estação e o mar. A sensação que eu tinha enquanto passava pelo espaço era como se fosse um corredor da fila de bois ou mesmo de um campo de concentração.

Todos caminhando sem o direito e mínima condição de optar por sair pela porta da frente, com ao menos um mínimo de dignidade depois da péssima viagem. A massa popular foi encaminhada diretamente para as catracas da estação onde éramos obrigados a utilizar essa saída e recebíamos, mesmo que contra nossa vontade consciente, os bilhetes de volta.

Não porque era opção receber, convém ressaltar, mas porque a pressão psicológica era tanta que confundia qualquer mente, como me confundiu e a de muitos. A única vez que me senti tolhido dessa forma foi quando fui assaltado, e ainda assim não paguei para ser assaltado. E pior ainda que o (ou "um") assalto, me levaram algo que nunca ninguém vai me devolver: tempo.

Como se a devolução do bilhete e forçar o povo a passar pelas roletas para fingir que todos aceitaram o dinheiro de volta não fosse uma forma mais odiosa de coação. Isso apenas facilita a empresa Barcas S/A a alegar que todos aceitaram de bom grado o bilhete, o que é a mentira mais deslavada de todas. Apenas alguns idiotas aceitaram isso. E poucos.

Vejam o vídeo onde até caçoo da coisa, mas não consigo impedir (afinal de contas, antes que me dê conta já me entregaram o bilhete):



Quem fazia muito essas coisas era Hitler.

Abaixo mostro a declaração que a Barca dá quando ocorre um acidente, reparem que eles prezam pela falta de informações detalhadas, ao não incluir dados que deveriam dar às vítimas de seus incidentes constantes, no caso: horários de saída e chegada da embarcação, horário previsto, carimbo timbrado e identificação do funcionário.

Colocar apenas o tempo de atraso é somente produzir uma declaração de valor legal nulo, do tipo que vem causando problemas aos moradores de Paquetá nos processos contra as barcas.



E assim caminha a Ditadura Democrática Brasileira... Primeiro sofrem as pequenas comunidades, fumantes, vestibulandos... Até que um dia chega a sua vez.

2010 vem aí, não deixe que merdas como essas aumentem ainda mais.

Isso depende de você.

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