Dilemas de 2016: Transporte Público - Aeroportos.


Ok, apesar de eu continuar sendo contra a realização dos jogos Rio 2016, só posso me juntar ao formigueiro e conviver com o fato.

Parabéns a quem queria tanto e lamento informar que só poderei aceitar palavras como "Chupa pessimista!" e outras do tipo no dia seguinte ao último dia de competições e ver tudo que foi prometido se converter em benefícios a população. Até lá serei tal São Tomé: duvidarei enquanto faltarem provas.

Mas diferente da grande maioria não posso de modo algum esquecer dos problemas que existem na cidade, que prometeram resolver em 2007 e que, muito pelo contrário, apenas pioraram.

O primeiro dos dilemas e legados da cidade do Rio de Janeiro é o sistema precário de transporte público. E hoje falo apenas de aeroportos, nem falarei direito sobre os demais.

O Rio de Janeiro possui para usos civis apenas dois aeroportos comerciais (Aeroporto Santos Dumont e Aeroporto do "Galeão") e um de uso privativo/particular/fretado localizado em Jacarepaguá/Barra.

O aeroporto Santos Dumont tem problemas de frescura dos moradores da Zona Sul, que por motivos de barulho dos aviões ao invés de tirar o amante trocaram o sofá. No entanto, para quem tem que realizar viagens constantes dentro do território nacional é sem comparação o melhor aeroporto de todos. Fica exatamente no centro da cidade do Rio de Janeiro, perto de tudo e se não estiver perto, com certeza tem transporte para lá.

O Aeroporto de Jacarepaguá segue cada vez mais seu potencial repetir a trajetória do Aeroporto de Congonhas: ser cercado pela exploração residencial e sofrer as consequências do descaso e da omissão público-privada até se transformar em problema e risco de vida - algo fundamental e ao mesmo tempo desastroso. Hoje, 2009, um aeroporto isolado próximo apenas de quem mora na Barra e que não tem a infraestrutura necessária para comportar rotas comerciais e pela quantidade de condomínios. Mas quebra bem o galho de quem tem dinheiro para ter o avião próprio (ou alugar/fretar um) e mora na região (boa parte dos que moram lá há mais de dez anos).

O Aeroporto Internacional (ou Galeão ou Tom Jobim) é a atual pérola nas mãos do governo do estado e do federal. Com potencial para se tornar até 2016 uma das portas de entrada mais rentáveis do Brasil o plano de nossos governantes é vendê-lo porque alegam que não tem dinheiro para arcar com os custos de manutenção e que sairá mais lucrativo entregá-lo a iniciativa privada. De fato, é um aeroporto fantástico, mas subutilizado pela própria população por problemas não necessariamente oriundos da sua infra-estrutura, dado que:
  1. O transporte público é precário, poucas linhas de ônibus passam na região, e as que tem são pouco atrativas ou fazem trajetos nada convidativos a quem tem pressa. Ou se pega ônibus especial ou se arrisca com táxis-armadilha.
  2. Para chegar até ele tem que passar por favelas extremamente perigosas e que são constantemente matéria de capas de jornal, além, óbvio da péssima primeira impressão que causa ao turista (primeira coisa que vê ao chegar é tiro e/ou barracos - e um forte apache da polícia se passar pela Linha Amarela).
  3. Não tem metrô próximo ou mesmo uma integração. Ou seja, inviável para o usuário econômico ou executivo.
Problemas que não são de forma alguma resolvidos vendendo o aeroporto. Aliás, acabam virando desculpa para serviços precários alegando justamente o que disse acima. A famosa "conversa para boi dormir" tradicional de quem quer mais $$$ por menos trabalho.

E teoricamente, em um país com fiscalização rígida e leis que punem concessões realmente procede. Mas estamos falando de Brasil.

Um país que permite que concessões do transporte público sejam mal administradas, quando não vilipendiadas, dilapidadas dia a dia por empresas que querem apenas sugar o dinheiro de seus usuários sem nenhuma espécie de contra-partida. É exploração sob a terra, por sobre a terra e no mar.

Viações como a Oriental circulem pelas ruas matando pessoas com seus veículos mal conservados em péssimo estado de conservação, que não pune a empresa Barcas S/A pelos péssimos serviços de transporte aquaviário (aliás, dá bônus na forma de um empréstimo de R$ 8.000.000,00 como "penalidade", obrigando a empresa apenas a reformar as embarcações com esse dinheiro, ou seja, sem tocarem no próprio bolso, só no meu, no seu e no de contribuintes - o que não aconteceu efetivamente - pintar não é reformar).

Só para citar mais exemplos, alguém (ainda) se lembra da crise aérea?

Se as empresas de avião não conseguem nem controlar suas próprias operadoras e aviões, o que esperar que aconteça quando essas coordenarem o Galeão? Empresas privadas, ainda mais brasileiras, não investem no que gera custo inútil (como manutenção de aeronaves ou modernização das mesmas). Em prol dos lucros somente investem naquilo que gera retorno: publicidade. Afinal de contas, um avião pode cair que eles sequer pagam o seguro.

Imagina então elas controlando todo o processo?

Vamos simplesmente alugar a porta de nossa casa, deixar um estranho cuidar dela, cobrar para nós utilizarmos nossa porta e ele não terá nenhuma sanção caso a danifique ou deixe quebrar? Teoricamente dirão que não será assim, mas a prática infelizmente não mostra muita variação...

Não deixemos isso acontecer. Querem privatizar? Que façam direito, não é sucateando ou fazendo lobby contra o aeroporto e entregando-o a preço de banana que conseguiremos alguma melhoria no transporte.

Conseguiremos morte, caos e problemas, isso sim.

Como impedir isso?

Primeiro esperando que passe o projeto "Ficha Limpa" sem nenhuma distorção - conforme prega o Arthurius - e depois, mesmo que não passe, votando em quem está comprometido mais com bom mandato do que em aparecer na televisão. Isso, claro, exige fazer algo que o Brasileiro não faz desde pequenino: se informar.

Ou seja, ler.

Infelizmente a moda agora é ter 140 caracteres e nenhum conteúdo.

Pense nisso.

Um comentário:

  1. E você foi, mais uma vez, brilhante. A população esquece rapidamente dos problemas acontecidos no PAN e do tal "legado" que ficaria para a cidade. O pequeno detalhe foi que o único legado que o PAN deixou foi uma epidemia de dengue que matou mais de duzentas pessoas, enquanto a prefeitura dizia que "não havia epidemia alguma. Tudo porque tentava mascarar o fato de estar sem qualquer recurso para combater a doença e o mosquito; pois, esses recursos, haviam sdo exauridos pelo PAN e pelo superfaturamento descarado que aconteceu.

    As olimíadas e a Copa do Mundo, trarão enormes oportunidades de enriquecimento para muitos; mas, para o povão, deixarão quase nada.

    Espero estar enganado e morder minhalíngua maldita. Mas, pela experiência do PAN, fica difícil imaginar algo diferente.

    Agradeço a citação e reintero dizendo que o projeto Ficha Limpa deve ser objeto do empenho de todos nós.

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