2012: Relantando antes que o mundo acabe.


Semana passada, antes de ficar surdo com gritos histéricos por causa de uma das fases da lua, me aventurei em assistir o filme-catátrofe 2012.

A premissa do filme é simples: o mundo vai acabar em 2012, conforme os mais previram... E?

Não precisa de sinopse, apesar de ter uma. É um filme que se resume a efeitos especiais, destruição, efeitos especiais, destruição, um pouco de diálogos entre uma catástrofe e outra e mais destruição.

O que fica mais claro em todo o filme é que seu diretor, Roland Emmerich, especializou-se em destruir o mundo nas mais diversas formas.


Talvez quando criança pegasse seus bonecos do Falcon (ou algo similar) e se divertisse com sadismo ou simplesmente tacava fogo nos brinquedos de outras crianças para vê-las chorar. Ou melhor, provavelmente ele ERA uma dessas crianças e decidiu descontar sua frustração pessoal com a raça humana destruindo o planeta Terra ou sua cultura.

O pano de fundo está lá e todo o pacote básico de suas filmagens. O personagem principal em crise, o Presidente benevolente demais, e o pacote que acompanha essa fórmula, como crianças, cachorros, patricinhas e pessoas malvadas de todos os tipos, desde burocratas a gangsteres. Uma verdadeira salada de clichês (boa parte deles politicamente corretos, como dita a moda) que entrelaçam entre uma destruição e outra.

Se você planejava ou planeja assistir o filme procurando respostas, esqueça. Não porque não existam, mas porque elas não respondem na mesma proporção do fim do mundo. Se você assistiu outro filme dele, "O Dia Depois do Amanhã", os sinais tecnicamente são os mesmos. Algumas falhas, um derretimento ali, outro acolá, um pesquisador desacreditado, etc.

Me identifiquei particularmente com o protagonista dessa vez, admito.
John Cusack faz um escritor de livros de sucesso sem sucesso (basicamente: pelo que se entende e demonstra-se no filme só quem lê o que ele escreve é gente importante, mas SÓ). Aquela história de "qualidade X quantidade", mas que quando temos que pagar contas saber que a filha do presidente leu seu livro não significa mais do que um "e daí, pague suas contas" de um credor. Em suma, ele escreve, mas para pagar suas contas é motorista profissional.

Das cenas de destruição a que mais me fez rir no cinema (e podem me chamar de sádico por isso) foi a cena em que as pessoas estão desesperadas no Corcovado, nitidamente pedindo ajuda ao Cristo Redentor e ele em sua resplandecência literalmente os "abraça" para uma morte dolorosa e cruel. Uma enorme ironia religiosa para meios entendedores, principalmente os cariocas. Só faltava a bandeirinha do Rio 2016 tremulando na mão de Cristo para aumentar mais ainda a piada.


E só.

Não há realmente muito que se falar sobre o filme, simplesmente porque seu enredo é curto. Comentar cenas, algo, enfim, dizer qualquer coisa é fatidicamente entregar a pouca história que tem, e sinceridade: quem vê filmes desse tipo não quer exatamente uma história, quer sim, saciar aquela sua veia sado-masoquista enquanto vê tudo ruindo que nem em um castelo de cartas e devora um saco de pipoca com um refrigerante do lado, ou usa os sons de destruição para poder "namorar" sem muito incômodo.

Mas, se procura história, auto-reflexão, motivos, personagens com propósito, escolha outro filme.

E de bônus Top 5 lições que aprendi sobre 2012 e todos os filmes de Roland Emmerich:
- O importante não é ser famoso, é ter 1 bilhão de euros;
- Direção defensiva e pilotagem de aviões são cursos fundamentais para sobreviver a hecatombe mundial, . Assim escapo do fim do mundo;
- Só os ricos se salvarão. Aos pobres a morte;
- Os presidentes dos EUA sempre se sacrificam pela nação nos filmes. Sempre são heróis. Sempre;
- Não adianta correr para as montanhas, as ondas sempre atingem as montanhas, mesmo que digam "a onda tem 1,5km de altura" e a montanha tenha 2.500km.

Dou um 8 pelos efeitos e um 4 pela história. Com esforço.

Trailer:


Em off: se considerar que depois de 2012 veio a Lua Nova, para mim o mundo acabou... em gritos histéricos e adolescentes marombados sem camisa.

2 comentários:

  1. Desde que vi o segundo filme desse cara sempre que ouvia o nome dele envolvido em algum filme já ficava com os dois pés atrás. Pelo visto minhas previsões não foram erradas, afinal quem já errou 3 vezes antes e da mesma forma, não acertaria desta vez e pelo vista nunca certará.

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  2. Vai acaba memso essa po.... quero mais eh que se foda........ 2012 até .... quem mando nao cuida do mundo... agora aguenta.... galera....... e o filme eh um tesao.... dou 10 pra tudo.... falowe

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