Metrô, jeitinho brasileiro e uma contagem regressiva.


Algumas semanas atrás abordei o assunto, hoje falo novamente. Ontem o governo do estado do Rio de Janeiro acompanhado por nosso então presidente inauguraram o que considero uma das maiores burrices cometidas por governantes em nosso estado.

Eles inauguraram a conexão Pavuna-Botafogo, mas para que leitores de fora do estado possam conceber o tamanho da c*gada, convém colocar um mapa do metrô do Rio de Janeiro:


Esse é o mapa. O metrô do Rio de Janeiro é representado como duas linhas retas que só se cruzam em um único ponto, a estação Estácio de Sá, localizada atrás da prefeitura da Cidade em um dos lugares mais perigosos da cidade para pedestres (mas isso é outro assunto).



Basicamente todo o fluxo metroviário da cidade se encontra nesse ponto e a estação Estácio, ainda que hoje praticamente superlotada, foi projetada para isso, (baldeação entre linha 1 e 2) nos mesmos moldes que a Estação da Sé em São Paulo, basicamente um centro de Baldeação.


Só que o metrô foi projetado em cima de um maior, que era até então um plano piloto para o Estado, onde - na teoria e somente nela. - o metrô se interligaria em outros pontos da cidade conforme vemos pela figura acima. Lindo, bonito em teoria, mas se considerar que o tempo médio de conclusão de uma estação no Rio de Janeiro é de uma a cada 4 anos, em menos de 40 anos não completarão nem uma linha inteira.

No projeto original do metrô a Linha 2 não iria somente até a Estácio, ela continuaria se prolongando por debaixo da terra até a altura da Praça Mauá (ou até a Praça XV, em outra versão já dita nos jornais), a pouco mais de três quadras da estação da linha 1 da Uruguaiana, ou da Carioca, o que desafogaria consideravelmente o fluxo de pessoas passando da linha 2 para a linha 1 que fazem apenas o trecho para chegar ao centro.

Em suma, exceto por essa estação citada, NENHUMA OUTRA do estado foi planejada imaginando a ocorrência de baldeações, servindo apenas para entrar e sair dos vagões. E só. Cálculos foram feitos em cima disso. Fazer qualquer estação como ponto de baldeação, principalmente nas subterrâneas da Linha 1 (que nem mesmo teria como ampliar os corredores), significa apenas uma coisa a população: desconforto, superlotação e caos.

Só que os autores da c*gada, para fazer cumprir o que está no edital, viajaram nos números e embonecando as coisas e pagando muito bem a assessores de imprensa (para calar a única voz) fizeram isso. Eles passaram o ponto de baldeação da Estácio e fazendo de toda o trecho da linha 1 entre a Central e Botafogo como estações de baldeação.

Superlotação + Integrações Capengas.
A coisa não está ruim de hoje. Por causa dos inúmeros jeitinhos que deram hoje o metrô beira o caos. Quando anos atrás o prefeito do Rio de Janeiro teve a oportunidade de implementar o plano de tarifa única na cidade (onde você paga um preço X e pode usar como quiser por duas horas) ele preferiu fazer isso APENAS com um modelo de integração ônibus-metrô-ônibus controlado pela Rio Ônibus e pela empresa do Metrô.

É um modelo bom, mas que quando aplicado dessa forma faz com que some-se ao fluxo de pessoas que o metrô recebe dos arredores o de pessoas mais distantes. Por exemplo, se antes por trem entravam 100 pessoas na estação São Francisco Xavier, hoje entram 200 ou mais. E se você observar bem, existem ônibus em quase todas as estações de centros comerciais ou para esses. Isso sem contar quem pega o trem e salta na Central, um afunilamento de virtualmente cinco linhas férreas (sem contar a quantidade de estações e subdivisões nessas linhas) em uma de metrô que já recebeu todo o montante de pessoas da linha 2.

Mais um paliativo: O Bilhete Único.
Isso leva a superlotação do sistema. Praticamente TODO o fluxo de passageiros do Rio de Janeiro hoje trafega pela linha 1 muitas vezes para lugares que seriam possível ir de ônibus ou outros meios se existisse o bilhete único (vale transporte não conta, porque apesar das aparências o peso no bolso do empregador é muito, mas muito, significativo).

Com essa alternativa ma pessoa poderia optar simplesmente por não pegar o metrô e seguir viagem no que fosse menos desconfortável, equilibrando as coisas e diminuindo a concentração.

Aí surge essa idéia. O metrô não para mais na estácio, vai direto na linha 1, interferindo de modo perigoso (pois de agora em diante há o risco real de choque subterrâneo de trens se algum cálculo, funcionário ou sistema eletrônico falhar, e vai ser um "como nunca se viu antes na história desse país").

O Jeitinho Brasileiro formalizado.
O problema de superlotação do metrô, como disse, não é causado somente pela linha 2. É o mesmo tipo de pensamento que gera aquela retrógrada (para não dizer preconceituosa) idéia que existe em relação a favelas, como se - salvo as más exceções. - o morador de uma favela não preferisse morar em bairros mais distantes ao invés de em morros em condições precárias (ok, hoje em dia nem tanto, dependendo do morro moram melhor que eu e pagam menos contas) se o tempo e o bolso não pesassem tanto.

Esse sistema "jeitinho" vai dar errado, aliás, já deu, como foi noticiado ontem e hoje. Não funciona porque não cria solução, apenas transfere o problema para algumas estações na frente. E ainda confunde.

Enquanto isso, em pleno ano de 2010, o governo Sérgio Cabral conseguiu criar pelo próprio esforço o que será o calcanhar de aquiles de sua reeleição e até da eleição da candidata de Lula.

Se César Maia teve sua Cidade da Música, Sérgio Cabral tem sua Lata de Sardinha Chique.

Basta apenas um acidente (porque os atrasos já estão aí), para que essa tragédia anunciada se torne realidade e se isso acontecer antes de outubro, espero que você eleitor se lembre disso e não repita o erro.

É o que acontece quando a classe política para de prometer soluções e passa apenas a prometer promessas, e o povo acredita.

Pense nisso, 2010 vem aí e cabe a você interromper a política do piru com leite político, ops, café com leite.

Ou continue sofrendo, porque todo castigo para burro é pouco.

2 comentários:

  1. Se as barcas até Paquetá pertencem a linha 666, o metro seria o 171?


    Uma tragédia no metro está vindo ai, apenas peço para que eu não tenha amigos envolvidos

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  2. Apesar do não "preparo" das demais estações percebi três coisas: 1- A linha 1 ficou bem melhor, sem confusão e somente com pessoas educadas. :-) 2- Acho que criamos um novo "apartheid", assim como tinhamos nos trens que a classe dominante não usa e não se incomoda, agora o metro linha 1 usado por esta mesma classe, nao vai mais sofrer com a turma da linha 2. 3- Os tijucanos estão rindo a toa....

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