Os Capetas Contra-Atacam.



A sala de cinema estava cheia no inferno. Era semana de estréia.

O filme se chamava "Dragus Na Terra dos Monstros (hormonais)", mostrava as peripércias de um dragão rosa desiludido com a vida ao ter que assistir o filme Lua Nova três vezes, duas das quais com gritos de terror.

Alguns demônios mais novos choravam no colo das mães a cada grito pavoroso dos monstros (hormonais), pedindo clemência. Os mais velhos riam, vendo Dragus se contorcer na cadeira do cinema com o sonoro agudo intermitente.

Os capetinhas encontram um vampiro
e pensam que é o que torturou Dragus.


Quando saem do cinema, os demônios voltam para o C.U. de Dragus e retomam a labuta. Com Dragus de dieta, desistindo de jogar Batman, tendo que manter uma empresa funcionando, estando de mudança e trabalhando que nem um corno, havia pouca coisa para fazer para deixá-lo mais triste, na verdade, até podiam, se quisessem que ele fosse chamado por Lombardi para o Show de Calouros no Purgatório.

No entanto um deles, que ficara de plantão, já abriu na página do Google a composição de um misterioso composto que poderia render gargalhadas.
- O que é isso? - Pergunta o primeiro a entrar.
- Molho inglês. - Diz o demônio de plantão, mostrando a receita da fórmula.
- É para enfiar ou para tomar? - Pergunta um terceiro.
- Os dois.

Eles ligam o enorme telão que monitora a vida de Dragus. Com um rádio nextell comprado num camelô (e vindo no pacote os "dvdês" genéricos 2016 e Lua Minguante) comunica-se com outro demônio, alojado no entre uma alface da semana passada e um tomate podre da geladeira da casa de Dragus.
- Na escuta?
- Na escuta.
- Trocou os potes de molho inglês?
- Não precisa, esse é de 2008.
- Fabricação?
- Vencimento... Esse aqui tá quase andando já.

O nextellagora chama mais um demônio, esse alojado na área "oculta" da Cyber, onde Dragus costuma almoçar, enfiado em uma caixa de componentes de computador..
- O que ele vai comer?
- Estrogonofre. - Responde.
- Muito?
- Não.
- Foi feito quando?
- Vou cheirar, um momento...

Escutam o capeta abrir algo e um longo grito. Depois um mórbido silêncio. Tentam ligar novamente, mas o nextell não dá mais sinal. Dentro do C.U. os demônios consideram por eliminação (literal) que o estrogonofre está apto para ajudar no plano de destruição mundial do Dragus.

A hora está chegando.

Dragus chega em casa, com a esposa e depois dos afazeres domésticos vão para a cozinha, preparar a refeição do dia seguinte (a tradicional marmita). Conversam e papeiam. Dragus pensa em dizer que está se sentindo "feliz". Mesmo sem dizer, a palavra soa todo o alerta no inferno. Os capetas quase apertam o botão do F.U.D.E.U., mas esse já está reservado pela equipe de outro infeliz de São Paulo.
- Vou colocar shoyo no bife. - Diz a esposa de Dragus.
- "Coloque molho inglês no meu". - Diz um capetinha no microfone ligado diretamente ao cérebro de Dragus.
- Coloque molho inglês no meu. - Repete Dragus.
- "Muito".
- Muito.
- "Deixa que eu ponho."
- Deixa que eu ponho.

Dragus pega o vidro na geladeira, e derrama uma boa quantidade do líquido na frigideira. O bife é frito no molho inglês, ele prepara sua quentinha básica: purê, salada verde e meio bife. E come o resto. Sente sua língua arder que nem naquele dia em Búzios, mas não percebe nada. É estúpido demais para compreender.

E a galera do inferno vai ao delírio.

Um demônio com camisa vermelha e preta chega a gritar "É Hexa!", mas é contido por outros dez com blusas vermelhas, pretas e brancas. Contido a socos, chutes e pauladas. Durante a noite inteira os capetas gravam as levantadas constantes de Dragus em direção a algum lugar para vomitar. A cada jorro Dragus esforça-se em não estourar novamente as veias oculares. A cada jorro os demônios exigem olhos saltando, e berram "uuuuu!" quando não acontece.

Dessa vez Dragus não espera os olhos explodirem para procurar ajuda e vai ao médico. A médica escuta o relato, analisa o caso e manda Dragus tomar... injeção. Dragus se levanta resignado e vai até a sala onde receberia o remédio.
- Rápido! Façam o enfermeiro dar Benzetacil! - Berra um demônio pelo rádio, alertando os capetas do hospital.
- Ninguém atende.
- Merda, chamem alguém! Chamem o PMDB!

Infelizmente para o inferno, não foi dessa vez. O capeta do hospital é funcionário público, e paletó ainda não atende rádio e o PMDB está com problemas de mau olhado gerado por "arrudas". Dragus toma uma injeção, apenas de Plasil, e volta para casa. Depois recuperado vai trabalhar e resolver parte do dia perdido.

Dessa vez não foi uma vitória perfeita. Dragus ainda conseguia andar.

Mas eles sempre podiam contar com a pimenta.

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