Os capetinhas do final de semana destruindo o ano novo.

Primeira vez que os capetas soltaram fogos, hoje chamado de Big Bang.

Quando desejei semana passada que 2010 fosse igual a 2009 (pelo menos), não queria de modo algum inserir meus personal-capetas nisso. Vocês do C.U. e do F.U.D.E.U. poderiam ter ficado em casa, no passado, mas decidiram que enquanto outros departamentos entraram em recesso, vocês fariam serão. Afinal de contas, da última vez não conseguiram tanto assim.

Tudo começou semana passada...

Diário de bordo do C.U., data An(u)al 23 de Dezembro de 2009.
Dentro de sua sala confortável e climatizada (usando os equipamentos de resfriamento retirados da empresa do Dragus, claro), o líder dos capetas bebe um saboroso milkshake ninho solei com flocos de bons meninos caramelizados pela bruxa de João e Maria. Ele assiste pela décima vez consecutiva Xuxa e os Duendes para estimular seu córtex cerebral e imaginar novas torturas para seu alvo.

Ele então coloca o canal de sua televisão nas câmeras de segurança da empresa onde trabalha a esposa de Dragus. Ela conversa com a esposa de seu primo a respeito de viagens e o capetinha ao escutar a conversa aciona uma série de monitores complexos e burocráticos. E ele começa a sorrir.
- Tem um lugar legal para passar o ano novo. - Diz a esposa do primo. - A gente vai alugar um carro e viajar, e queria que vocês fossem conosco. Vai ser legal.
- Onde? - Pergunta a esposa de Dragus.
- Na casa da... - O capeta aperta o botão um botão e apenas sua voz é escutada. - "minha mãe, em Araruama. Um sítio foda.".
- Não sei se o *nome do Dragus* vai querer.
- "Insiste. Ele sempre cede." - Diz novamente a voz do capeta, disfarçada e cheia de boas intenções.

Pronto. No mesmo dia a esposa de Dragus vai até ele e comenta dessa viagem. Ele estava dessa vez decidido a passar o ano novo em casa e nega. Mas é tarde demais, estava plantada a semente. O dêmonio aperta a tecla "repeat" de seu gravador e deixa a insistência persistir na mente de Dragus até que ele finalmente concorda no dia 29 de Dezembro de 2009, mas não sem antes surgirem teóricas vantagens, como diminuição dos custos de viagem. Ele também aperta o botão do F.U.D.E.U e uma chuva torrencial começa nesses dias, prenunciando um ano novo debaixo de muita água.

E foi quando os demônios começaram a causar seus problemas em série...

A viagem estava programada para acontecer na manhã do dia 31, mas as esposas decidiram que era melhor ir no dia 30 a noite. Ok, tudo seria perfeito SE e SOMENTE SE o Dragus não tivesse combinado de lavar o prédio da Cyber neste MESMO DIA contando que a viagem seria apenas dia 31.

Ele é comunicado da alteração da data ainda no dia 29, sendo que nesse mesmo dia ele trabalhou depois do expediente. Ou seja, ele teria ao chegar em casa pouco mais de quinze minutos para montar a mala e rezar para não esquecer nada. Mas ele está lidando com capetas, e não com anjos. E quando chega em casa ele percebe isso muito bem:
- Tem que levar colchonete, travesseiro, lençol e toalha. - Avisa sua esposa, dando calafrios em Dragus. - Já coloquei roupas suas aí e só falta colocar uma coisa ou outra.
- Mas a pessoa que mora lá não tem essas coisas? Ela dorme no chão duro? - Apenas pensa Dragus, preferindo guardar para o blog essa frase.
- E onde coloco minhas coisas? - Pergunta Dragus, recebendo um olhar assassino de volta e colocando cinco blusas na bolsa.
- Para que tantas blusas? - Espanta-se sua esposa. - Só vamos ficar até o dia 2!
- Ok.
- E não esquece, amanhã estamos saindo as SEIS da tarde, onde você vai estar?
- Limpando a empresa, esqueceu? Dou meu jeito.
- Não vai se atrasar! Disseram na rádio que dia 31 vai ter 7 horas de engarrafamento.

Enquanto Dragus sentia as informações passarem por seus ouvidos como água passa pelas pedras de um rio, no inferno o capeta sorria. Era muita coisa para pouco dragão rosa.

Devido ao curto espaço físico e de tempo, Dragus esquece de coisas fundamentais. Ele separara para o ano novo a filmadora, o notebook, uma câmera fotográfica e seu fone de ouvido para escutar suas mp3 na viagem. Tudo isso foi esquecido. Apenas não esqueceu de levar o carregador do celular, e só lembrou porque semanas antes tinha se esquecido dele e sofrido horrores quando o esmo desligou sem piedade e nem mesmo um gasto imbecil com carregador de camelô (cuja garantia "soy jo" e veio quebrado) o fez sair do estado de coma.

Certo de que estava tudo aparentemente bem, Dragus partiu no dia seguinte de manhã cedo com a mala e sua esposa com os dois colchonetes (que já se transformaram em "panonetes" ou "calombonetes" em alguns pontos, mas de qualquer jeito, um "desconfortonete") e apenas 250 reais no bolso para TODO o ano novo.

Seu dia foi: trabalhar até as 15:00, depois disso faxinou o prédio da empresa, encharcado de suor voltou para sua masmorra e secou-se com a blusa que usava (e era a que até então usaria para viajar). Tomou um banho de perfume e desodorante (pois o chuveiro da Cyber é um belo enfeite) e deixou a blusa após constatar que causaria sofrimento demais nos outros e em si mesmo quando estivessem no carro. Fedia a mendigo.

Quatro e meia tudo terminara, e curtia um pouco de internet quando o celular de Dragus toca. Obviamente era coisa do capeta.
- Estamos indo para o lugar tal, vai para lá AGORA! - Ordenava a esposa de Dragus.
- Mas não era as seis?
- Não podemos NOS ATRASAR.

Soa o sinal de fax assim que o telefone desliga. Dragus teve um piriri pré-saída. Como no carro alugado não tem privada (sequer um pinico), ele vai pela última vez do ano no banheiro da Cyber. Passado o fax, ele pega a volumosa mala e parte correndo e na chuva - sem guarda-chuva. - em direção do ônibus. Atravessando a Presidente Vargas e desafiando a morte o intrépido burro rosa (porque tem que ser muito burro para atravessar fora do sinal uma das vias mais perigosas do Rio de Janeiro) fala no celular, carrega a mala e corre na chuva desviando de ônibus.
- Você já deveria estar aqui! - Diz a voz do outro lado.
- Eu precisei ir no banheiro.

A ligação cai. Ele se encharca todo, mas sobrevive. Pega o ônibus e chega no horário. Ali os capetas começam a rir. São 17:30 e sua esposa pega o celular e liga para a esposa do primo.
- Sim... Sim... Entendi... Sim.

"Isso vai dar merda", pensa Dragus enquanto sente as más notícias se acumulando como se fosse um pênis sendo coberto por areia e arame farpado. O telefone desliga e a esposa dele o encara alguns segundos, sem sorrir. Tensão no C.U., tambores são batidos com ritmo quase clássico.
- Vamos ter que ir até o prédio deles, deu merda no aluguel do carro e eles vão SE ATRASAR. - Anuncia a esposa de Dragus.

A viagem ainda nem começara e a torcida no inferno vai ao delírio.

Capetas 1 x 0 Dragus.


A maratona de sofrimento continua no próximo post.

Um comentário:

  1. só em saber que a viagem poderia levar 7hs eu já teria dito boa viagem e se divirta

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