Eles, Nós e uma dura realidade.


Dica: deixe tocar a música do vídeo no final do post e leia, ajuda muito na interpretação.

Esse é um ano eleitoral. Até aí, nada de novo.

Só que quando for utilizar a privada, ops, urna em 2010 pense em algumas coisas muito importantes e que vão decidir o rumo de sua comunidade.

Primeiro, esqueça se você gosta de Edmundo, Frank Aguiar, Romário ou (deus me livre) do Eurico Miranda. Esqueça. Desde que foi considerado que o cargo eleito para o legislativo pertence ao partido e não interessa mais se o "candidato-famoso" será ou não honesto, ele só serve para atrair o gado para o matadouro e obter algumas cabeças.

Aliás, seu voto efetivamente não faz a menor diferença, dado que se anular ou votar em branco não fará diferença alguma na prática ou mesmo escolher alguém por sua história pessoal, ele será apenas um de muitos em um partido. Escolher um candidato se tornou simples (você não escolhe um) e complexo ao mesmo tempo (você precisa conhecer o todo, e não o específico, é mais trabalhoso).

Agora quem manda MESMO no sistema legislativo não foi SEQUER eleito pelo povo, foi, sim, colocado no poder do partido por seus amigos-dos-amigos. Você pode até lembrar em quem votará em 2010, mas te pergunto: sabe quem é o presidente do PP? Do PR? Do PTB? Sabe se ele tem uma história zeolosa? Conhece as fontes de rendas dos partidos? Claro que não.

Entquanto um mandatário eleito pode ser perseguido pelos mais diversos orgãos de imprensa os verdadeiros caciques agora se protegem no conforto do lar ou das sedes regionais de seus paritdos. E nem precisa pensar muito.

Procurem pelos envolvidos nos escândalos de mensalão (tanto de oposição quanto de situação).

Roberto Jefferson, por exemplo, saiu da vida pública para dar ordens de dentro de sua sala como presidente nacional do PTB. José Dirceu continua sendo influente dentro do PT. Arruda é um nome forte dentro do DEM e do PSDB (caso contrário hoje estaria fora do governo de Brasília), Garotinho, que deixou o governo do RJ e se tornou por algum tempo presidente do PMDB do RJ. E por ai vai.

Coincidentemente, naquelas situações que só ocorrem em nosso país, a fortificação das legendas veio no exato momento em que há uma mobilização popular contra antigos símbolos da política, em que eles aparentemente somem dos cargos eleitos, mas ocupam em definitivo cadeiras nos partidos aos que fazem parte e deixando as cadeiras ocupadas por pessoas de seus currais políticos, que fazem apenas figuração diante do gado enquanto celebridades se candidatam para aumentar o coeficiente eleitoral. E só.

Daí vamos raciocinar.

Você se comporta como gado. Fato. Na visão DELES é isso o que somos: gado. Só precisamos de um touro ou de alguém com berrante para guiar-nos. Fomos todos castrados por décadas e décadas de uma massificação da burrice e da omissão enfiada em nossos cérebros através daquele aparelho que todos temos em casa: a TV (antes, pelo rádio).

Falar em passeata em casa, em lutar pessoalmente por seus direitos é algo que não existe. Eu discuto em casa e já dizem que serei preso. Todo dia escuto isso, tanto que perdi o tesão em discutir com minha família a respeito. Só não estou completamente castrado porque tenho o blog. E admitir isso dói, porque a vergonha é muita.

Continuando o raciocínio... Você ao menos foi adestrado para acreditar no nosso modelo de democracia omissa, aquela sem participação popular (e não falo de blog, twitter), onde o político diz que amanhã todos terão que pagar por respirar e todos vão pagar porque de algum modo não acredita mais na saída. Ponto.

Mas ainda assim lá no fundo temos um animal em nós, um animal acuado. Ele precisa liberar a tensão ou pode explodir. Por mais adestrado que o brasileiro seja, ele precisa expurgar a decepção dele em algum lugar. Daí pipocam feriados e festas para aliviar a tensão. Não somos festeiros porque somos felizes, somos festeiros porque fugimos da nossa realidade. Aprendemos a tampar tudo com peneira.

Tem limite. Tudo. O rio continua enchendo e inundando sua casa ano a ano, as favelas continuam cada vez mais violentas, agora não te roubam na rua e sim em casa quando liga o pc, o ônibus está cada vez mais lotado e até andar de metrô virou uma aventura. O calendário não comporta mais tantos feriados e festas, e até mesmo o antigo ópio do povo (futebol) não funciona mais, a seleção brasileira que antes ao jogar decretava feriado foi tão usada que perdeu o efeito. Empolga tanto quanto sexo com a mesma pessoa todo dia da mesma forma sem variantes.

Pequenos problemas localizados ocorrem. É um ônibus queimado ali, uma manifestação acolá e um monte de pessoas que passam a reclamar pela internet e o pior: são lidas. O sistema existe desde que o mundo é mundo, e não vai ser agora que vai ruir. Ele sente o cheiro de manifestação popular antes que comece a feder.

A solução é enganar os trouxas. Assim como houve a transição em 1988 para calar o povo que começava a falar, é necessário mudar algo agora. Eles fingem que punem os políticos com algumas renúncias pontuais que são exploradas pela imprensa como se fossem condenações, quando são apenas mudança de status. É uma olímpiada aqui, uma copa do mundo ali, celebridades eleitas acolá, blogs sendo silenciados pela lei com a imprensa sendo conivente, e com sorte o povo continua alienado como sempre.

Perde-se a exposição para eternizar-se no poder. Maquiavel comenta disso em seu livro, mas não diz para o Príncipe claramente.

E agora, em 2010, o golpe se estatiza. A eleição já está marcada pela presença de celebridades para os cargos que fazem as leis, na reeleição dos que já estão e na substituição de outros por figuras conhecidas que se alternam no poder para nele permanecerem. Quando era apenas entre São Paulo e Minas Gerais, chamavam de Café-Com-Leite, mas depois de cem anos disso, virou mesmo é uma sodomia.

Entenda, não existe Lula, Serra, PT, PSDB, SArney, PMDB, Gaortinho ou qualquer outra personalidade.

Existem eles e nós, o gado.

Ainda que só consiga ter coragem para votar, escolha muito bem o partido. Ele manda mais que o candidato e por sorte ainda são poucos partidos.

Seria muito bom se tod0 candidato fosse que nem o Clodovil (que provou ter mais culhão que muito machão ao ir contra a maré das celebridades eleitas de apatia total pós-eleição), mas sabemos que a roda viva não gira assim.

Pense, enquanto pode. Não concorde, não discorde, mas reflita, questione.

Seja um touro.

Roda Viva - Chico Buarque.

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