Artigo do leitor; Vagas para cadeirantes ou vagas para analfabetos funcionais?



Olá Povo!

O artigo de hoje foi escrito por uma amiga e leitora do blog, a Carolina. Ela me enviou um texto onde ela expõe sua indignação com dificuldade de se conseguir vagas para cadeirantes aqui no Rio de Janeiro.

Em uma mistura de denúncia e desabafo ela fala da dificuldade, do descaso e da falta de educação da população. Um fato que duvido que seja exclusividade do povo carioca!

Segue o texto:

Minhas avós sofrem de artrite/artrose (doenças que degeneram as articulações) e uma delas tem carro e a doença num estágio mais evoluído, obrigando-a a usar cadeira de rodas.

Quando nós saímos para algum lugar público que reservam vagas para pessoas com esse tipo de necessidade, sempre nos deparamos com um problema: quase nunca essas vagas estão disponíveis.

Se as vagas fossem ocupadas por outras pessoas que realmente precisam delas, tudo bem, o direito delas está sendo muito bem exercido. Mas como todos nós sabemos, a maioria dessas pessoas que ocupam esse tipo de vaga anda muito bem com suas pernas.

Acho que essa gente (gente?), além de não ter um pingo de educação, nunca imaginou que um dia podem PRECISAR dessas vagas. Afinal moramos numa cidade violenta onde a qualquer minuto podemos ser baleados, atropelados ou sofrer qualquer outro tipo de mazela que inutilizem nossos movimentos. Creio também que pensam que a velhice, e por conseqüência dela essas doenças, nunca vai chegar e que continuarão a ter suas perninhas funcionando muito bem com o passar dos anos.

Aí nós perguntamos “mas ninguém fiscaliza esse negócio?”. Nos lugares onde existem essas vagas às vezes tem guardas que deveriam fazer isso, além de cuidar da sinalização do estacionamento, mas eles preferem ficar conversando e ignorar o que acontece. Talvez eles se encaixem no mesmo tipo de pessoa citada no parágrafo acima.

Mas nem tudo está perdido, acredito que nós (eu e meus avós) salvamos uma alma sexta passada. Fomos ao shopping e por milagre tinham duas (isso mesmo: DUAS!) vagas para cadeirantes disponíveis. Meu avô escolheu uma e a outra logo foi preenchida por outro carro e então começamos o ritual de sempre: Enquanto eu ajudo minha avó a se levantar do carro, meu avô abre a mala e pega a cadeira. Reparamos que as pessoas que estavam no outro carro não saíram dele e logo depois se retiraram e ocuparam outra vaga comum. Acho que quando eles viram que realmente existem pessoas que necessitam dessas vagas, a consciência pesou.

Mas como nem tudo é perfeito, na volta quando estávamos fazendo o contrário (eu ajudando minha avó a entrar no carro e meu avô guardando a cadeira na mala), um distinto senhor estaciona na outra vaga e sai andando como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Se vocês não têm um conhecido que usa cadeira de rodas, acho que não fazem idéia de como é complicado para eles saírem do carro numa vaga comum. Se você, que graças aos deuses não precisa de uma cadeira, já acha a vaga apertada, imagine a minha avó, por exemplo! Quando somos obrigados a estacionar numa vaga comum, temos que nos arriscar (arriscar mesmo porque tem gente que anda em estacionamento como se estivesse em um rally) no meio da pista para ajudar a minha avó a sentar na cadeira.

Espero que esse relato tenha aberto um pouco a cabeça de quem insiste em ocupar essas vagas (e que por ventura estejam lendo) e alerte quem não faz isso nunca fazê-lo, porque eu vou achar muito bem feito se um dia precisar e não achar a tal “vaguinha”.


Espero que tenham gostado, e se você leitor e amigo daqui do blog tiver algum texto interessante seja ele uma denúncia ou simplesmente sua opinião sobre o que quer que seja, envie-nos.

Até a próxima!

2 comentários:

  1. Tudo passa por uma questão básica e sem importância: educação.

    Num país de ignorantes e de bestas humanas que pensam apenas em seus próprios umbigos, seria estranho que fatos assim não se repetissem.

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  2. Concordo com sua amiga.Boa prova da ignorância das pessoas são aqueles que denomino como "deficientes de caráter":desrespeito aos direitos daqueles que possuem algum tipo de limitação física ( inclusive, mental)e/ ou preconceito ( não querem que os filhos nadem na mesma piscina com alguém que possui Sindrome de Down, fazem gozação da limitação alheia ou ainda usam a curiosidade - típico dos ignorantes- para perguntar pq uma pessoa é ou tornou-se diferente daquilo que a sociedade classifica como perfeito.
    As pessoas não percebem que o Amanhã é uma incógnita para todos e que, a clamada "perfeição" física só poderemos dizer que a possuímos ao morrer, porque se algum orgão nosso falha ou o anjo da guarda dá uma "cochilada" , ela deixa de existir....Aliás, preconceito e / ou desrespeito já é uma monumental imperfeição.

    Sophia Noah

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