Royalities, Cabral e o descobrimento da ironia.

(ou: Na Contramão do Cabral)

Semana passada o governador Sérgio Cabral organizou um verdadeiro bloco de carnaval tendo como pano de fundo o desejo de se projetar em ano de eleição e lá no fundo de reclamar da emenda Ibsen.

Se você, como acredito, lê jornais, já está cansado de escutar o chororô carioca, e o modo como nosso governador transformou a cidade maravilhosa em uma cidade de mendigos. E porque digo isso?

Por causa da ironia do destino. O que algumas pessoas religiosas chamam de justiça divina, outras de equilíbrio e eu considero apenas ironia mesmo.

Moro no Rio e também em Paquetá. Segundo a lógica dos royalities, o dinheiro da Petrobrás deveria TECNICAMENTE ser aplicado na conservação, melhoria e investimentos nas comunidades próximas as instalações da empresa. Paquetá, como podem ver pelo mapa abaixo, fica a poucos metros de instalações da Petrobrás, a Ilha Redonda.


Exibir mapa ampliado

(a ilha redonda está bem abaixo de Paquetá, pequenina e cada vez maior)

Na lógica do chororô de Cabral, o Rio de Janeiro estaria sendo prejudicado porque a distribuição dos royalities tiraria dinheiro do estado. Ok. E onde Paquetá se encaixa nisso?

As imagens, obtidas na página do Globo e retiradas por um dos meus amigos de lá, falam sozinhas:


São apenas exemplos. Sem contar o transporte PÉSSIMO para a Ilha, que é feito sob MONOPÓLIO da empresa Barcas S/A, ao custo nada módico de R$ 9,00 por dia, valor esse que se traduz em desemprego ou subemprego a todos os paquetaenses.

E essa é a ironia, pura e simpes.

O governo que prega uma distribuição justa do dinheiro dos royalities, mas em seu próprio quintal não faz o que diz ser justo. Com que moral chora na televisão por um dinheiro que no final das contas não é usufruído pela populações verdadeiramente merecedoras? E falo apenas de Paquetá.

Se fossem aplicados em Paquetá e nas regiões que beiram as áreas de risco de acidente de Paquetá muitas localidades que hoje vivem literalmente na merda, hoje seriam caribes. O maior erro do povo de Paquetá foi ter sido omisso quando Búzios se transformou em município na onda das emancipações nas décadas passadas. Hoje teria o dinheiro que seria dela por direito se esse direito não fosse transferido para outras áreas.

Tente pegar metrô na hora do rush, andar nos ônibus da cidade/estado com a maioria em péssimo estado de conservação (quando não ilegais, mas nas ruas) e com motoristas acumulando a função de cobrador o que é uma afronta ao código de trânsito e as leis que regem a categoria (como se o sindicato do Rio fosse algo mais que rascunho).

Independente de olímpiada, de UPPs ou de qualquer outra merda coisa que saia da boca eleitoreira. Eu estive na passeata, e me arrempendi. Era apenas um monte de político fazendo showmício e na hora em que alguém deveria usar o momento para fazer uma manifestação, o governador preferiu continuar com a festa. Ou seja, fez alarde e na hora de falar preferiu ficar calado.

Uma verdadeira piada.

Sim.

A passeata foi apenas uma festa que prejudicou mais do que ajudou. Festa essa nos mesmos moldes daquela que ocorreu também aqui no Rio de Janeiro no final do império enquanto os republicanos davam o golpe.

Bela imagem passa o povo do Rio (que o diga do Brasil no final das contas) para o mundo: de que (de fato) somos todos masoquistas.

Triste isso.

Enquanto isso o povo prefere falar de césares e de peixes dourados. =/

3 comentários:

  1. É por causa de "festas" assim que tenho um pensamento em que o Rio tem mais é q sofrer com esse negócio dos Royalties, para aprenderem NA MARRA a enxugar a máquina pública, saber ter controle de gastos, pra acabar de vez com mta maracutaia pública .

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  2. Eu estou por fora desta lei do Ibsen mas, minha opinião é que sou contra a guerra entre os estados. Vejo o País como uma só nação. Ser gaúcha é apenas uma condição porque se eu decidir ser maranhense, morarei no Maranhão. No momento estou gaúcha porque nasci aqui.

    É natural que se defenda o local onde more. Também faço isso mas acho que tudo o que de valor é encontrado em solo Nacional, pertence a Nação e deve reverter em benefícios para a todos, acredito que essa riqueza mineral emcontrada aí, é de todos assim como o que for encontrado aqui.

    É digno esta tua luta por Paquetá e patética a atitude de dos que a governam.

    Vou estar "sumida" por conta de minha conexão a Internet.

    Um abraço!

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  3. Não houve manifestação. Houve um show de música que políticos compareceram. Foi uma vergonha. Cabral agora quer posar de líder quando, as suas próprias preguiça e inação foram responsáveis pelo que aconteceu.

    Eleger político medíocre dá nisso.

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