Esse é o futuro da nação.


Enquanto a sociedade brasileira se preocupava em discutir as ramificações da votação dos últimos BBBs, em paralelo um outro paredão se forma dia a dia, onde os eliminados não vão para nenhum paparazzo ou são convidados para entrevistas no Fantástico.

Quando me inscrevi para o concurso da UFRJ me impressionei com os diversos relatos que vi sobre de profissionais da educação pública ansiosos por debandar da educação fundamental e média devido a inúmeros problemas causados pela omissão da sociedade em reavaliar o modo cruel como ela trata aqueles que a formam.

Em 2008 o PK escreveu um artigo comentando sobre o retorno da disciplina Educação Moral e Cívica, até hoje um dos mais comentados do Pensamentos, entretanto prefiro ir mais além.

Falo dos professores e do tratamento que a classe recebe.

Quando era criança, o simples ato de afrontar um professor era digno de uma surra em casa. Minha família sempre exigiu que respeitasse um professor como membro de casa e que compreendesse que ele era fundamental na minha formação tanto como profissional quanto como pessoa.

Hoje de certa forma compreendo isso, não como entendia na minha mente infantil. Afinal de contas, em uma sociedade onde cada vez os pais - por pressões econômico-sociais - ausentam-se de casa e deixam os filhos mais tempo na escola, é importante pensar que a escola sim, mais até do que antes, faz parte da formação do caráter de uma criança.

Saí da escola com a imagem do professor como uma figura importante na minha vida.

No entanto a coisa mudou demais de uns tempos para cá, o sistema educacional, que faz da criança uma santa e transforma o professor em figura opressora (ainda que de fato não seja), criou uma verdadeira hecatombe na profissão e um enorme vácuo nas necessidades do país.

Um dos novos episódios que a imprensa trouxe a tona ocorreu agora, no Rio de Janeiro.

Uma turba de monstros uniformizados espancou diretores, ameaçou professores, quebrou a escola e, obviamente, no apagar das luzes serão considerados vítimas enquanto as vítimas verdadeiras levarão a culpa, na tradicional inversão de valores brasileira que visa tão somente jogar panos quentes e democratizar a impunidade.

Ok. Que venham os argumentos de alguns comentaristas para vitimizar o culpado e culpar o professor. Ainda que digam "é exceção", lembro que para uma pessoa morrer é necessário apenas um tiro, logo, uma "exceção" é risco, e é função da lei coibir o comportamento das "exceções" antes que se torne hábito.

E se tornou hábito. A exceção agora no mundo cão carioca são alunos calmos e escolas tranquilas.

Converso com vários professores, tenho amigos professores e até parentes que teimam em ainda lecionar. Fazem por amor a profissão, acordam as 4:30 da manhã e vão dar aula onde judas perdeu as botas porque amam dar aula. Mas antes de ter amor a dar aulas, eles também tem amor a vida. Muitos dão aula em áreas tidas como de risco e lá a aula acontece quando o aluno traficante deixa, quando ele não quer assistir aula o professor coloca o rabo entre as pernas e deixa.

E o professor que tenta passar por cima disso - e existem. - ou é espancado ou é proibido de aparecer novamente. E acham que alguma autoridade se importa? Claro que não. A esses alunos dão aprovação e deixam o problema para a sociedade, até porque a expulsão do aluno-bandido não o tira da criminalidade, apenas o libertaria do pouco de regra que ainda existe. Como a lei não o pune por ser "dimenor", quem é punido é aquele que lida com isso diariamente, ou melhor, lidava.

Há atualmente uma debandada de professores das escolas e faculdades públicas. Por medo da violência e do descrédito a profissão de professor deixa de ser opção, virou falta de opção. A pessoa só está professor enquanto não arruma algo que pague mais.

Amor a profissão fica para poucos tidos como "loucos" ou "apaixonados".

Professores apanham em São Paulo:


Isso quando o professor não apanha do governador por querer deixar menos pior o que está demasiadamente ruim por demais (sim, com exagero mesmo).

E não falo apenas de escolas públicas. Nas particulares quem mede punição é quem paga mais. E professor não paga, logo, é o último da fila. Qual professor nunca escutou a frase "EU PAGO SEU SALÁRIO!" acompanhado de ofensas quando o moleque recebe alguma punição e reclama com os pais? A escola para não perder a mensalidade opta por vender barato a credibilidade e dá voz ao pai. E nem adianta punir por notas, em algumas escolas existe o famoso esquema chamado de PPP (Papai Pagou Passou) onde criam-se mecanismos que acabam até com a repetência. Ao professor resta apenas se submeter.

Em contrapartida a cada ano que passa passam a exigir maior e melhor formação de professores. Exceto pelos federais, que estímulo tem um profissional para se capacitar se o país não dá condições mínimas de trabalho? Só se a intenção é aumentar ainda mais a debandada.

Como resultado temos...

Professores que fingem dar aula, para alunos que fingem que aprendem e um governo que finge solucionar o problema criando cotas que fingem que resolvem o problema formando alunos sem formação e jogando a bomba para as faculdades.

Faculdades essas que fingem que formam bons profissionais e o mercado fica inflado de profissionais com diplomas que não servem nem para limpar rabos e que apenas estufam estatísticas falsas de qualidade de ensino ou de formandos para fazer de você, eleitor/pai/mãe, o corno da relação, tendo um filho em casa até os trinta anos porque o cara apesar de formado e diplomado não sabe porra nenhuma de vida real (isso quando não foi fichado).

Afinal de contas, com dados tão realistas quanto nota de 3 reais, porque você não vota naquele candidato safado? Porque se importar com isso se o quadro da sala tem o diploma?

Pense nisso, se a coisa está ruim agora, se nada for feito a tendência é piorar ainda mais.

Logo, quando seu filho reclamar do professor, pense seriamente antes de ir na escola dar razão a criança.

E quando for votar, desconfie de quem acha que tudo se resolve com cota. Cota na nossa realidade apenas democratiza a falta de qualidade.

Fontes:
O Dia.
- Alunos espancam diretora;

CONTEE
- Violência contra o professor no RS

Jornal da Ciência:
- Professores apontam violência nas escolas;

3 comentários:

  1. Olá Dragus

    Eu não sei como será o futuro da nação, mas o presente já nos dá uma previsão do que nos aguarda.

    É verdade que a violência sempre existiu, mas não com estas proporções, antigamente quem cometia crime era bandido, hoje qualquer um comete até crianças como você bem exemplificou.

    Eu acredito que estas coisas tem piorado também em virtude da má interpretação do ECA (estatuto da criança e do adolescente), pois hoje as crianças e adolescentes sabem que não serão punidas pelos pais porque os pais não podem mais bater nos filhos e também a polícia não pode prende-los. Além disso, mudaram as regras para a aceitação de jovens aprendizes no mercado de trabalho, burocratizaram ainda mais o acesso de jovens estagiários no mercado, visto que os jovens não podem mais exercer nenhuma profissão, logo ficam a toa, pensando e fazendo besteiras, entregando-se a rua e as más companhias, o que eles irão aprender com o ócio? Aprendem a roubar, aprendem a matar, aprendem a se prostituir, aprendem coisas erradas porque não podem mais contar com a atenção dos pais porque eles precisam trabalhar pro sustento da casa e da família.

    Antes os professores tinham autoridade na sala de aula, porque aprendíamos em casa que o professor é uma figura de respeito na sociedade, mas hoje a família não tem mais esse tempo de repassar estes valores e muitos nem os tem pra passar, porque é mais urgente lutar pelo sustento quando é pobre ou é mais urgente dá bens materiais pra distrair o filho quando se é rico.

    Acho que o que nos falta é humanidade, bom senso e respeito pelo próximo, mas só cultivaremos isso se aprendermos em casa e no meio social que nós convivemos, se em casa não temos nada nem lá fora que adultos serão nossas crianças?

    O meu receio é que o respeito seja uma coisa extinta ou praticada apenas conforme a conveniência de cada um, não sendo mais um valor social.

    é isso, um abraço :)

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  2. Esse episódio que você relatou (da escola depredada) serve muito bem como exemplo do que vem por aí. No caso, o mais terrível e exemplar, é que a mãe do aluno que promoveu a pancadaria na escola trouxe uma turba de parentes para destruir a escolar pelo fato do seu "filhinho" ter sido advertido pela diretora (que acabou sendo espancada por ele e seus amigos). Esse é o exemplo de muitas famílias que tratam seus filhos (verdadeiros psicopatas) como seres puros e sem qualquer defeito. O resultado óbvio é esse que vemos por aí.

    O que conforta é que esses viverão pouco ou serão cada vez mais confinados a uma vida miserável e dependente da caridade estatal e alheia, pagando o preço mais terrível pelo seu modo de vida. Os pais, como responsáveis em primeiro lugar, é que deveriam sofrer, nesses casos, as punições mais duras. No entanto, como você bem disse, sempre haverá um político oportunista e populista para passar a mão na cabeça desse pessoal e tratar bandidos como coitados.

    O resultado imediato disso tudo é que a vítima, a diretora, acabou afastada de seu cargo e está sofrendo ameaças de morte apenas porque tentou impedir "o menino" de assassinar um colega a pancadas.

    É muito triste.

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