Paquetá e o bilhete único.

Em alguns meses o bilhete único municipal do Rio de Janeiro será implantado e beneficiará grande parte da população da cidade, porém, como sempre uma parcela dos moradores da cidade, especificamente do bairro mais antigo da cidade (mais antigo até que a própria cidade) não serão beneficiados, estou falando de Paquetá. E por que não serão beneficiados? Por motivos geográficos, já que Paquetá é uma ilha localizada no fundo da Baía de Guanabara e só é possível chegar até ela por meios marítimos.

O bilhete único municipal do Rio de Janeiro só irá beneficiar usuários de ônibus, deixando de lado milhares de usuários de trem e metrô, o que significará uma procura ainda maior pelos ônibus, super lotação, atrasos e muitos outros problemas mais. Não bastando apenas isso, a prefeitura da cidade anunciou uma nova licitação para ônibus que visará, entre outras coisas, reorganizar a frota na cidade e, também a diminuição da mesma. Fora o fato de que a tarifa será aumentada.

Voltando a falar de Paquetá, a ilha sofre há anos com transporte, seja por causa dos constantes atrasos, a falta horários e de alternativas de transporte, já que a linha das barcas é explorada apenas por uma empresa (monopólio), não esquecendo a tarifa abusiva cobrada dos passageiros, tanto de turistas quanto de moradores.

A tarifa para quem queira ir ou sair da ilha é de R$ 4,50 e moradores não têm desconto nessa tarifa, a justificativa para isso é que o trajeto é demorado e gastasse muito combustível. O que a empresa que monopoliza a linha esquece é que Paquetá é um bairro da cidade do Rio de Janeiro, e que o transporte até a ilha nada mais é do que um transporte diferenciado, devido a sua já referida condição geográfica. Entretanto esta mesma empresa cobra dos usuários da linha a tarifa de um transporte intermunicipal diferenciado, quer dizer, até mais do que isso, já que os usuários de barcas para o município de Niterói pagam menos de R$ 3,00 pela passagem.

Em todas as reportagens mencionando o tal bilhete único municipal vê-se que há uma ponta de interesse em integrar trens e metrô, mas nada é dito quanto a barcas. Ou seja, a mesma prefeitura que nos primeiros dias de sua administração foi até Paquetá e disse que daria mais atenção ao bairro, agora, mais uma vez, se esquece da ilha que está visivelmente abandonada e agora será mais uma vez deixada de lado. Enquanto isso sua população que já sofre diariamente terá que continuar amargando o fato de ter de pagar a tarifa mais cara para trafegar dentro do próprio município, o que é um absurdo.

Quem mora no Rio sabe bem o tipo de serviço que a Barcas S/A presta a seus usuários, e quem utiliza seus serviços sabe melhor ainda. Super lotação, atraso, desrespeito, são só alguns dos problemas. Basta ir para uma de suas estações em horário de pico e ver o caos que lá se instala; filas imensas e demoradas, barcas superlotadas, atrasos... Isso em todas as linhas, mas o serviço prestado para Paquetá é de longe o pior de todos, poucos horários, embarcações em péssimo estado de conservação e a tarifa mais alta de todas.

Alheios a tudo isso, governo e prefeitura fecham seus olhos para aquela que um dia foi chamada de "Pérola da Guanabara", mas hoje anda esquecida e abandonada pelas autoridades e seus moradores entregues a própria sorte e aos abusos de quem monopoliza o transporta para a ilha.

Um comentário:

  1. O grande problema são os interesses poderosos por trás disso tudo e as mamatas que rolam para manter essas concessionárias incompetentes a frente desses serviços essenciais.

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