Crítica: Avatar (o último dobrador de ar).


Para quem no passado tinha as manhãs livres e nenhuma televisão por assinatura, um dos poucos prazeres que eu dispunha era assistir a saga de Aang e seus amigos no desenho animado Avatar. Apesar de ter passado na TV Globinho e/ou na Nicklodeon, Avatar carrega muitos questionamentos da transição "criança-adolescente-adulto" e de peso de responsabilidades que por muitas vezes não foram resolvidos por muita gente barbada (eu, incluso) e que dão um tom muito menos infantil do que se pressupõe os canais/horários de origem (como um Rei Leão ou alguns desenhos mais atuais).

O desenho fez um enorme sucesso, e foi uma exceção a regra de produções norte-americanas: tinha final. Como de se esperar não tardou a virar filme, mas no meio do caminho a produtora deparou-se com um problema que seria o estopim de diversos outros que mesmo que sendo de fora acabaram afetando o filme.

Para começar a adaptação não poderia carregar o nome do desenho. Avatar estava registrado pelo James Cameron e o uso implicaria ter que dar algum $$$ a mais para o cara. No mínimo. A solução foi mudar o nome, mas quando você faz isso pode acabar acontecendo o pior: na tradução do mesmo para outros países ocorrem distorções que podem fazer o público não identificar o filme como sendo adaptação. E é uma coisa séria, onde por exemplo, ainda mais pressupondo que desejam fazer continuações (são mais duas, segundo a série).

Falando do filme em si...

The Last Airbender começa quando os irmãos Sokka e Katara encontram Aang preso em uma redoma de gelo no meio da terra dos mestres da água do sul. Aang livre é levado para a tribo da água e apresentado a população de lá. Depois a tribo do fogo (Zuko) chega e levam o Aang embora e a história segue seu rumo.

Salvo adaptações é praticamente igual ao desenho animado (tem até a abertura). Mas para quem assistiu o desenho é extremamente corrido e raso. Não sei se foi problemas de roteiro ou pressão da produtora em querer apenas 2 horas de filme, mas o filme termina com a sensação de que falta algo. É como se o Shyalaman tentasse construir uma parede de pedra sem cimento. Os elementos do desenho estão ali, mas falta algo que os ligue.

Não me cativa a relação entre Katara e Aang, por exemplo. No desenho, só no primeiro episódio, pelo menos dez minutos são gastos para mostra o casal protagonista passeando e conversando. Nesse perde-se mais tempo explicando o mundo e coisas que se descobre no transcorrer da série do que fazendo os personagens conversarem sobre trivialidades. Há apenas a história em si, a única exceção a isso é o tio de Zuko, que pelo menos no pouco que aparece está bem fiel ao original.

Outro personagem que decepciona é o Sokka. Interpretado por um dos vampiros Cullen o personagem perde justamente o seu diferencial: o humor. Poucas palavras engraçadas e não é controverso como o do desenho. Não dá para rir porque não investiram nisso. Cai no que citei acima, de falta de convívio dos personagens.

Os efeitos especiais estão muito bem feitos, entretanto não vale a pena ver em 3D, apenas dói a vista ainda mais se for a versão legendada. A conversão forçada não vale a pena o dinheiro que eles gastaram. Em alguns momentos até atrapalha, quando a tela chega a desfocar.

No fim é um filme bom, fiel dentro das limitações (o que aparece é praticamente igual), mas que se comparado ao desenho fica medíocre. Minha esposa, que não assistiu a série, disse que é bom. Acredito nela, mas para quem viu o desenho fica a sensação de "algo está faltando".

Mas mais uma vez M. Night Shyamalan se destaca como ótimo tecnicamente, mas péssimo quando faz o roteiro. Um dia ele aprende que ou faz uma coisa ou outra, até lá vai colecionar críticas negativas.

Dou um sete pelo que vi, mais pela parte técnica da coisa.

Informações técnicas:
Direção e Roteiro: M. Night Shyamalan
Estréia: 20/08/2010
Elenco (parte):
- Noah Ringer, interpreta Aang;
- Dev Patel, interpreta Zuko;
- Nicola Peltz, interpreta Katara;
- Jackson Rathbone, interpreta Sokka;
- Shaun Toub, interpreta Tio Iroh.

Maiores informações IMDB: The Last Airbender (2010).

2 comentários:

  1. O desenho sofre do mesmo mal do livro que vira filme. É simplesmente impossível carregar a profundidade de algo que é feito em diversos capítulos e que pode ser descrito em detalhes, para meras duas horas de projeção. Um filme, para ser um pouco fiel a uma história que já foi descrita assim, tem qe ter pelo menos umas três ou quatro horas.

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  2. Dragus eu não vi o filme. Circunstâncias de minha vida sem televisão. Fica a resenha bem feita para que em um dia que eu resolva ver vídeos. veja essse e lembre de ti e de tua resenha.

    Me atrevo a fazer dois pedidos:

    Para ti: Posta mais alguma coisa sobre o diario de um servidor.

    Para o PK: Fale um pouco sobre as curiosidades de uma lan house.

    Se não quiserem, podem me ignorar ou me xingar, mas de antemão saibam que adoro vocês e sempre leio, tudo o que escrevem.

    Abraço!

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