Crítica: A Origem.


Imagine que um mundo onde uma pessoa pode invadir sua mente durante seu sono e roubar suas idéias na sua origem. Pior, imagine alguém invadindo sua mente e mudando suas idéias na origem. Essa é a premissa do filme.

Leonardo DiCaprio consegue provar que com a idade e as rugas deixou de ser apenas um rosto bonito para ser um ator e Christopher Nolan prova mais uma vez por A+B porque é um dos mais bem sucedidos diretores de Hollywood da atualidade.

Pra começar, apesar de TODO o enorme blábláblá que existe em torno dessa produção ser ou não um novo "matrix" quem assistir esperando isso vai ficar decepcionado. Não há pretensão em nenhum momento do filme em fazer algo desse tipo. Apesar de sutis, não existe alguém dizendo "olha, isso é um sonho, blábláblá pílula do sonho blábláblá". Não a história é simples.

Cobb (DiCaprio) vive de roubar idéias em sonho até que algo dá errado e uma de suas vítimas (Saito, vivido por Ken Watanabe) se o persegue e exige em troca de não matá-lo que ele faça um serviço. Como Codd não se importa em morrer (por não acreditar ter uma vida, como será explicado durante o filme) ele então oferece a Codd a chance de redenção em troca do serviço.

O serviço é inserir uma idéia na mente do maior concorrente de Saito. E só.

O filme, pelo menos do meu ponto de vista, segue o mesmo desenrolar de Onze Homens e Um Segredo onde Cobb vai selecionando entre outros invasores de sonhos sua equipe para realizar o golpe perfeito. E Christopher Nolan prova ser um exímio diretor ao conseguir fazer isso sem fazer o espectador se sentir idiota, exceto se ele tentar tirar sentido do nome nacional do filme, que NADA tem a ver com o foco do filme em si (tem a ver, mas não é O motivo, apenas parte dele). Chamar apenas de "Origem" seria mais de acordo com a idéia e com o próprio entendimento da palavra no filme.

Durante o tempo todo do filme pensei no termo "família Nolan" (ou em Tim Burton), trazendo atores de suas outras produções fazendo pontas ou mesmo papéis chave no filme. Alguns deles, inclusive, livrando-se de estigmas (ou seriam espantalhos?) criados pelos sucessos do diretor. Por sinal, é interessante ver atores tidos como "de filme de super-herói" interagindo com os do "de filme de cinema-pipoca-de-mulherzinha", quebrando paradigmas do comportamento dos produtores de cinema de Hollywood em que determinados atores só servem para determinados filmes.

(admito que quebrei a cara com Leonardo DiCaprio, pois gostei da atuação dele, e estou até o momento colhendo os cacos disso)

O final do filme é aberto. Causa, sim discussões, mas nada com a petulância de Matrix ou de outros que tentam nos induzir a questionar onde vivemos. É um final que, infelizmente, dará margens a continuações como se o filme precisasse de uma.

Resumindo, um puta filme que vale cada centavo caro do cinema. Não muda a sua vida, não faz uma revolução na sétima arte, mas entretém em cada segundo e não saio do cinema com a sensação de que sofri um assalto. E não seria esse o objetivo do cinema?

Nota 9.

Maiores informações em:
- A Origem - IMDB.


Um comentário:

  1. Eu também vi e fiquei maravilhado. O filme é muito bom e o Leonardo está mesmo nota 10. Aliás, desde O Aviador, ela já tinha me provado que não era apenas mais um boneco de cera. Recomendo o filme sem pestanejar.

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