Pelo direito da abstenção.

Esse ano vou abster meu voto.

Simples assim, que nem digitar 00 na urna eletrônica e sair com a consciência tranqüila sabendo que não colaborei na eleição de um "menos ruim" na falta de bons.

Nos primórdios desse portal, 2007, quando ainda engatinhava nos corredores sem fim (e sentido) da blogosfera, fiz um artigo sobre a democracia brasileira. Por incrível que pareça esse artigo fez três anos.

Hoje, enquanto transitava até meu trabalho, me deparei com a propaganda eleitoral de um elemento cuja candidatura até semanas atrás estava impugnada (segundo a imprensa), famoso por ser o "coroné" de Campos, e o qual não cito o nome por saber que nesse período de ditadura (fica para outro artigo) não quero ser eu o queimado na fogueira dos processos das vaidades.

Daí veio minha constatação.

Não existem candidatos que vejo até o momento que amparem meus anseios morais, não consigo aceitar nosso modelo democrático onde vou enfiar um qualquer no poder e passarei quatro anos (no mínimo, se for senador são oito anos) me lamentando de minhas escolhas. Não sou o tipo de pessoa que se perdoa por errar, imagina então votar?

Votar é como assinar um cheque em branco, mas ao invés de unidades monetárias, o que está em jogo são vidas humanas. Quando você vota é moralmente RESPONSÁVEL por tudo que o seu escolhido fizer. E pelo que não fizer idem.

É uma responsabilidade ENORME para ser tratada como é tratada.

Isso me remete ao meu passado. Quando era mais novo e recebi um documento para assinar onde nele exigia um compromisso com o qual não me considerei apto, que o diga capaz, de honrar. O que fiz? Não assinei. A reação de espanto das pessoas em minha volta foi grande, porque infelizmente "é hábito no Brasil assumir responsabilidade sem honrá-las". Algo que me disseram, não que eu tenha concluído. É certo ser errado e é errado ser certo. Sou errado então.

Do mesmo modo lido com o voto.

Enumero dentre eles os motivos pelos quais anulo meu voto:
1. Sou obrigado a votar e não concordo. Ao escolher alguém - só por isso - estarei sendo hipócrita comigo mesmo;
2. Não sou apolitizado, sei que não existe político santo, mas entre escolher o menos pior ao pior prefiro não escolher;
3. Falta um mecanismo que permita ao povo fazer mais do que apenas sentar o dedo de quatro em quatro anos, mas de REMOVER aquele considerado inapto. Ou ao menos um compromisso legal do candidato ser OBRIGADO a seguir o plano de mandato ou ser expurgado dele como um cravo dolorido (pior do que impedir a merda de chegar ao rabo é ser impedido de limpá-la quando esta surge sem avisar);
4. Não acredito na nossa classe política, já me decepcionei muito. Se um dia houver uma revolução diferente da de 1964, como disse Cazuza, quem sabe... Agora não;
5. Prezo demais a liberdade individual para sacrificar o pouco que resta da minha proibindo-me de abster-me porque maior que a obrigação de se deslocar para votar existe uma pressão para ter que escolher.

Parafraseando Pôncio Pilatos, Ecce hommo.

Que aqueles que querem escolher Barrabás que escolham Barrabás. Não vejo motivo para crucificar cristo (o povo) ao escolher Barrabás.

E que cada um arque com suas conseqüências.

3 comentários:

  1. Fico feliz em saber que existe alguém que pense exatamente igual a mim em relação a isso e que vai tomar a mesma atitude.
    =)

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  2. Respeito sua decisão. Mas ela só contribui para facilitar a vida do mau político. Não cabe a mim "iluminá-lo" e você me conhece o suficiente para saber que eu nem tentaria. Mas, assim como respeito a sua opinião; esta é a minha.

    Esse é o motivo pelo qual prego o voto facultativo.

    Um abraço.

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  3. Sou obrigado a discordar apenas quando diz que alimenta o mau político.

    Não tem como saber qual político é bom ou mau, só depois que ele é eleito. Vide sua decepção já declarada com Lula.

    Votar em alguém com todas as imunidades que possuem é como jogar roleta russa com o destino do povo. Não rola.

    Não quero esse peso na minha consciência. Sou paranóico demais para isso. =p

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