Pior que tá não fica... e ele está errado?

Com a aproximação das eleições, logo vieram os vídeos dos candidatos mais inusitados do horário eleitoral, uma ótima oportunidade de pessoas que não lembram em quem votaram postarem comentários no YouTube pedindo seriedade.

Em época de censura ao humor, em rádio ou TV, envolvendo candidatos, logo um deles ganhou destaque: Tiririca. O humorista é candidato a deputado federal, com piadinhas e um slogan de fazer inveja: "Vote Tiririca, pior que tá não fica".

A revolta (virtual) da população (Orkut) incendiou (flames) um movimento (#) por respeito (Xingar muito no Twitter).

Mas candidatos assim sempre tivemos, eles vêm, vão, e ninguém liga tanto assim pra eles. Tiririca, no entanto, permaneceu assunto, denotando algo incomum. Seu slogan estava ecoando, hora por revolta (puta falta de sacanagem), hora pelos risos que causava.

Dizem que as melhores ofensas, assim como as melhores piadas, são as que dizem a verdade. Teria Tiririca pisado no calo que nosso senso comum nos impede de ver? A lógica de Sherlock Holmes dizia que uma vez analisados os fatos, eliminando-se o sobrenatural e o impossível, o que sobrasse provavelmente seria a verdade.

Há quanto tempo temos eleito pessoas ditas sérias para cargos onde tomam decisões pelas nossas vidas? Considera que algo melhorou? Quantas leis trouxeram benefícios reais? Quantas trouxeram malefícios? É bem possível que o placar esteja negativo do seu ponto de vista.

Em sua propaganda, Tiririca diz: "O que é que faz um Deputado Federal? Na realidade eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto". Obviamente Tiririca não tem conhecimento sobre questões técnicas, logo não está qualificado para o cargo. Mas será que alguém está?

Quando dizem que de boas intenções o inferno está cheio é porque constantemente uma boa idéia é distorcida até se tornar algo prejudicial ou simplesmente seu conceito inicial era falho e suas consequências trazem problemas.

Passagens gratuitas, meias-entradas para estudantes, cotas nas universidades, são alguns exemplos fáceis de citar. Gratuidades e descontos normalmente vêm com as eleições, mas nunca é explicado para os empresários como manterem-se no mercado visto a tamanha inserção de variável caótica. Hoje em dia defende-se limitação das gratuidades.

Os responsáveis por essas leis estavam preparados para os seus cargos? Qualquer um que entenda de economia pode prever as consequências de gratuidades e descontos, mas os políticos envolvidos não o fizeram.

Constantemente pedimos por redução de impostos, mas quantos de nós sabem que nossa economia poderia quebrar mediante tal ato? Como podemos conviver com um sistema onde exigimos líderes que nos digam o que queremos ouvir mas são obrigados a tomar decisões contrárias pela nossa sobrevivência?

Por esse pressuposto, todas as boas intenções dos políticos que elegemos são como se debater na areia movediça, para não falar das más intenções. Seria tão difícil assim fazer um trabalho melhor nessas condições?

Tiririca é nordestino, trabalha como palhaço desde a infância, um ser humano com seu valor com certeza mas que não tem preparo para o cargo, sequer sabe a função que exerceria. Mas não estaria ele sendo um reflexo mais convincente do Brasil do que outros candidatos?

Um homem que trabalhou a vida inteira dignamente, se fosse eleito, poderia vir a ser corrupto? Teria competência para tal? Acredito que assim como ele não tem capacidade técnica para ocupar o cargo, também não teria para distorcê-lo a seu favor. Pelo menos sabemos que se elegermos uma mulher fruta e ela estiver envolvida em escândalos de lavagem de dinheiro, será fácil pegá-la em flagrante quando for estender pra secar.

Seriam os inelegíveis tão inelegíveis assim? Dá pra ficar pior do que está?

4 comentários:

  1. Entendi o post, mas você votaria nele somente porque "pior que está não fica"?

    Eu tento votar em alguém compatível com a minha ideologia, que me convença que PODE ocupar o cargo que pleiteia, e que não seja reconhecidamente pilantra.

    SEMPRE pode ficar pior do que está. Ao menos fazemos parte de um país com um mínimo de liberdade.

    Se o tiririca quer ser eleito, que seja utilizando argumentos minimamente decentes.

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  2. Teoricamente o slogan dele "pior que está não fica" é um argumento.

    Profundo como uma folha de papel lisa, mas ainda assim um argumento.

    (óbvio que com MUITO esforço).

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  3. Foi vai no fundo da questão. Muitos dos que se mostram indignados com a propaganda de Tiririca sequer se lembram em quam votaram ou não acompanham a política. Não erguem a bunda do sofá para participar de passeatas e não abrem mão do conforto do lar e da mansidão de seus umbigos para nada. Ficar só reclamando e ter ataques de indignação de botequim é bem próprio do brasileiro.

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