Teoria do sucesso em pequenas empresas.


Vou falar de mundo real (?) agora.

Ano passado fui dono de uma empresa. Peguei ela em um estado X de faturamento e consegui passar adiante com faturamento 2x. Muito para apenas oito meses administrando. Atualmente sou administrador de uma sede da UFRJ. Não existia uma política administrativa onde estou, existia apenas o método do tapa-buraco.

Ainda estou engatinhando, afinal de contas, sou uma formiga contra o incêndio, mas vou tentando. Quando técnico, assumi empresas que estavam a beira do caos de TI e consegui minimizar esses problemas. Não resolvi (até porque a solução correta em TI é cara ou tida como "inútil" por alguns empresários quando avaliam custo-benefício imediato).

Não sei se é dedo verde para administração ou sorte. Acredito mais na segunda, com uma salpicada de muito esforço. Mas existem algumas experiências que considero injusto não compartilhar num universo em que desde a aprovação da regulamentação do micro-empreendedor individual se expandiu muito.


Aspectos importantes para obter o sucesso:
Existem diversos livros que abordam o tema. Sem no entanto querer citar um ou outro, prefiro listar alguns desses aspectos com a minha visão. Até porque o material didático utilizado em geral baseia-se na experiência estrangeira, logo, não inclui o fator tupiniquim de gerir as coisas. E existe uma diferença ENORME entre ser dono de pequena empresa e ser diretor ou gestor de uma enorme.

Seguem abaixo os tópicos que julgo serem interessantes citar, se você, leitor, tiver algum outro ponto sinta-se livre para deixar nos comentários, havendo como até os incluirei (com créditos, óbvio).

Sacrifício:
Vida pessoal, amigos, família, sexo? Esquece. Você quando assume uma empresa, ainda mais pequena, você é o contador, o fiscal, o faxineiro, o manobrista, o carregador, o encarregador e dependendo do desespero até o faz tudo. No início a batalha é árdua e como numa guerra você vai deixar algumas coisas para trás, mas relembrando delas a cada batalha vencida.

Atendimento:
Atendimento é tudo. Se você tem uma empresa, você tem um cliente. E se tiver funcionários, ele também é cliente. Trate bem sem olhar a quem. Mesmo que seja um completo filho-da-puta e você queira matá-lo com o olhar, respire fundo, tente relaxar ao máximo e sorria. Já conquistei clientes assim. Mas se sentir que não vale a pena, não tenha receio de perder esse cliente. Cliente-problema-sem-solução só vai desestimular ainda mais, a não ser que ele pague suas contas TODAS. Pense como parte do sacrifício.

Qualidade do serviço:
Não adianta nada sorrir e o cliente encarar seu serviço como uma porcaria (e até você considerar assim). Especialize-se ou a sua empresa. Forneça um serviço que faça o cliente querer voltar por mais. Cliente que só fica pelo atendimento só fica por pena, não pela empresa. Se for atendido melhor em outro lugar ele vai embora sem dar tchau.

Capital:
Nunca gaste mais do que tem. Nunca gaste menos do que tem. Não tire lucros. Lucro é uma ENORME ilusão. É o lucro de hoje que paga o prejuízo de amanhã. Não perca o controle do fluxo de caixa, do que entra, do que sai. Não confie completamente em ninguém para fazer as SUAS contas, porque não será essa pessoa no final das contas que terá que arcar com os prejuízos. Mantenha sempre um dinheiro reservado para problemas. SEMPRE existem problemas, e em empresas TODOS envolvem dinheiro.

Conhecimento:
Tenha domínio daquilo que faz. Não dependa do conhecimento alheio, porque ele induz a relação de dependência e no dia que um lado roer a corda a casa cai. E mais do que isso: conhecimento não se resume somente a conhecer o produto, o concorrente, o cliente, etc. Saia da empresa, socialize-se com todos a sua volta. Trate bem tanto o dono da sapataria quanto o camelô que grita na sua frente.

Do mesmo jeito que na vida NUNCA sabemos quando vamos precisar de ajuda e ser mal falado pela vizinhança apenas fecha portas. E não tenha um bom relacionamento esperando algo em troca, só não ter problemas já é uma ENORME vantagem. Já escapei de muitos problemas só de dar bom dia a todos por perto. E conhecimento também inclui, por exemplo, saber quando vai entrar dinheiro no ano e quando vai se perder, coisa que só se obtém com o passar dos meses/anos, dependendo do seu segmento.

Objetividade:
Não adianta dizer que vende frutas e ter carne-seca na sua feira. A não ser que seu objetivo seja abraçar o mundo comercial com as pernas você não pode fugir do objetivo. Quando você abre uma empresa você diz qual é a função básica e quais são segmentos secundários. E só. Foque naquilo em que você é bom, não naquilo que deseja fazer para aprender.

O mundo dos negócios está cheio de empresas que experimentam e que ficam só nisso. Se o cliente não souber o que encontrar quando for na sua loja ou te chamar, ele não vai repetir o erro. Salvo raras exceções, em geral ninguém gosta de encarar o desconhecido ou o instável. A não ser que ESSAS sejam seu objetivo. Tenha uma missão clara, e agarre-se nela como Moisés agarrou-se aos mandamentos.

Público-Alvo:
Qual seu público alvo. Para quem você quer vender, e porque? Sério, muita gente abre empresa pensando em atender pessoa X ou Y apenas pelo fator "grana" ou "moda". Se você vai para o mundo dos negócios sem saber porque determinado segmento/nicho de público é seu alvo, você vai falhar. Se o público-alvo não se identifica com a empresa que o atende, ele vai embora para outra. E se você não souber como é seu público alvo, você não vai perceber, por exemplo, a hora de mudar para minimizar esse efeito.

Sorte.
Sem sorte nada anda. Nada. É um dos fatores fundamentais. Competência é bom para lidar com os problemas que surgem, mas a sorte é aquele tempero a mais da vida que impede as grandes merdas de chegarem no seu precioso traseiro empresarial. Como eu, que em ano de crise internacional consegui lucrar em 2009 (mesmo com uma série de problemas).


Enfim, acredito que levando em consideração esses pontos (e outros, porque cada realidade é independente da outra) talvez ajude um pouco alguém que esteja com dificuldades em gerir sua empresa ou mesmo querendo arriscar-se no meio empresarial.

E, lembre-se, por menor que seja sua empresa, ela sempre será a maior do mundo para alguém: você.

Tenha sempre isso em mente.

2 comentários:

  1. Um ótimo artigo e uma visão correta do que é ser microempresário num país onde isso é sinônimo de muita luta e quase sempre pouco lucro.

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  2. Dragus querido, quanto tempo!

    Então... concordo com, absolutamente, tudo que você mencionou.

    Eu me ví em todas os tópicos que você citou, quando eu estava na ativa.
    Assumí um setor(faturamento) com estado 0x e, conseguí levá-lo à um estado 3x (extremamente acima do esperado e satisfatório). Então, me afastei por motivos de saúde.
    Não deu outra... em menos de 6 meses o estado caiu para 0,5x e assim se arrastou por 4 anos.
    Nesse período, eu continuava afastada, até a minha aposentadoria definitiva.
    E não demorou para cair para -0x, e declarar falência.

    O que aconteceu? Simples.
    Ninguém se dedicou, se importou.
    Eu sacrifiquei minha família.. cheguei a trabalhar 17 horas/dia, inclusive, sábados, domingos e feriados.
    Praticamente, não via meu marido, nem meu filho.
    Detalhe: eu adorava o que fazia.
    Mas, as demais pessoas não tinham o menor interesse e achavam que a fonte nunca secaria.
    É uma pena. Hoje quando lembro, me dá uma tristeza, sabia?

    Mas, é isso, né.
    Se não houver entrega e dedicação, não róla.

    Obrigada pela estima da minha melhora.
    Beijokinhas cheias de energias azuis!

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