Crítica: Tropa de Elite 2


Imagine um soco no saco. Lembre. Doeu, não? Essa foi a sensação que tive ao assistir Tropa de Elite 2 no cinema no sábado: o de levar um chute no saco.

Tropa de Elite 2 é um filme de ficção sem nenhuma ficção. A não ser que você more em um dos milhares de condomínios-bolha das zonas mais favorecidas da cidade toda a politicagem, nojeira e vergonha que todo brasileiro comum - leia-se pobre ou classe média baixa - convive dia-a-dia está lá, com os mesmos personagens só que com nomes diferentes.

Se no primeiro filme Padilha através da interpretação do elenco capitaneado por Wagner Moura conseguiu chocar pelo excesso de violência nesse o choque é justamente o excesso de realidade. Vê-se isso claramente pelo modo como o filme teve sua estréia adiada para depois das eleições (assista e entenda esse minha afirmativa).

É um filme bem dirigido, bem finalizado e com uma história fantástica. Coerente do início ao fim, sem desprestigiar de forma alguma o primeiro e conseguindo até melhorá-lo, já que agora compreende-se ainda mais, por exemplo, a complexidade da alma sofrida do eterno Capitão Nascimento.

Outro aspecto positivo do filme é que ele coloca o Brasil definitivamente num ramo até então somente explorado nos filmes de hollywood: ação. É um filme de ação convincente, onde as tomadas tensas são extremamente bem exploradas e onde a morte é muito mais real (nossa realidade, claro) e próxima do que em qualquer filme estrangeiro.

Esse segmento até então mal explorado pelo menos vê nas cifras e no público do filme uma certeza que com bom enredo, enredo, trabalho de direção é possível fazer cinema-pipoca com elementos nacionais.

Existem falhas? Sim, por exemplo, o final do filme me pareceu corrido, podia ter dedicado pelo menos mais alguns minutos para conclusões. O Matias dessa vez foi mal explorado, se no primeiro ele era o principal, nesse foi apenas um importante coadjuvante. O Fábio se destacou mais do que o Matias, diga-se de passagem, entretanto esses erros são mínimos considerados a obra como um todo.

Claro, que, se você curte finais felizes, vive em uma realidade distante da realidade, nunca discutiu política ou confia cegamente nas pessoas, Tropa de Elite 2 será um filme horroroso, enfadonho e mentiroso. Como eu infelizmente convivi com parte dela, fiquei até assustado de me identificar em algumas situações.

E quando o filme terminou eu entendi porque o subtítulo é "o inimigo agora é outro".

Só que ao contrário do é dito em boa parte do filme, o verdadeiro inimigo é revelado por Nascimento nos minutos finais, quando Brasília aparece no cinema.

Isso explica porque a estréia só podia acontecer depois de 3 de Outubro... Alienação é parte do sistema.

Nota? 9,5.

4 comentários:

  1. Na verdade o inimigo sempre foi esse. E todos nós sabemos disso. O grane traficante, o grande chefão não está nos morros e nem escondido aqui e ali. Ele está nos palácios de governo, nas altas esferas e nas mansões.

    Quem imagina que um cara que jamais saiu da favela e que mal sabe falar vai gerir um mega esquema internacional de armas e drogas está por fora do riscado.

    O filme é empolgante e já provoca "revolta" nos meios políticos que o classificam como "ficção barata". É... eu sei...

    ResponderExcluir
  2. Eu vi ontem o filme e em uma das cenas eu, por acaso, lembrei de você. Eu pensei "Putz, o Dragus mora no RJ...". Não foi um pensamento muito útil na verdade. rs
    Eu não tinha pensado sobre a data da estreia do filme e as eleições, mas você pegou um ponto importante aí. Como você falou é uma ficção sem nenhuma ficção. A podridão está lá escancarada para quem quiser encarar ela de frente. E esse é o maior problema, as pessoas não querem.

    ResponderExcluir
  3. Ana,

    Na verdade eu gostaria muito de não encarar de frente isso. =/

    ResponderExcluir
  4. Esse filme só mostra todos os clichês presentes na mentalidade brasileira. Muito bem montado e dirigido, atuação fantástica do elenco, como qualquer produção da Globo. O tema, no entanto, foi demasiado abrangente para o tempo de filmagem e, em comparação com o primeiro filme, pareceu mais um filme de ação americano, com o herói na figura do Capitão Nascimento e os vilões representados pelos policiais e políticos corruptos.

    ResponderExcluir

Cuidado com sua postura ao comentar:
A responsabilidade pelas opiniões expostas nessa área é de de seus respectivos comentaristas, não necessariamente expressando a opinião da equipe do Pensamentos Equivocados.