Quando a sensatez é morta pela ganância.


O ano não lembro qual é, mas anos atrás tinha uma vinheta na MTV (nos tempos em que o M da sigla tinha algum significado) onde uma mensagem surgia nas telas: desligue a televisão e vá ler um livro. Eu era moleque e quando aparecia essa vinheta fazia o que toda pessoa faz: trocava de canal.

Os anos passaram e chego ao início desse blog. Desejando melhorar as opiniões aqui emitidas (ou tentar ser menos equivocado) comecei a pesquisar na internet. Salvo alguns extremismos isso acabou me abrindo um mundo que antes não via. Antes do Pensamentos eu partilhava a visão de que a televisão possuía alguma verdade (pois satisfazia uma premissa de São Tomé: via e acreditava).

Até que veio meu ciclo da Rio Cyber em 2009 e o período em que mantive-me preso em Paquetá entre 2007/2009 (com uma pequena pausa). Em Paquetá, por volta de 2008 se não me falha a memória, ocorreu uma situação em que a empresa Barcas S/A retaliou um protesto de moradores da ilha suspendendo as viagens de barcas, isolando completamente o povo local. Quando os helicópteros de algumas emissoras de televisão chegaram todos pensaram que seria feita uma devassa nos anos de tortura do povo local. Ledo engano. A matéria feita pelos telejornais classificou o povo de Paquetá de "baderneiro" e deu razão a empresa. Tapa na cara de quem acreditava em televisão.

Já em 2009, na cyber-café, isolado por horas do mundo exterior e sem qualquer contato humano senão com pessoas interessadas em qualquer coisa que não precisem pensar passei a ler. Devorava jornais online, blogs, periódicos, tanto que 2009 foi um ano que produzi absurdamente para o Pensamentos. E, já em 2010, quando minha vida voltou a ser uma que me permitisse entrar nos "eixos" do que muita gente considera como certo (acordar, trabalhar, ver jornal, ver novela, dormir) não deu.

Afastei-me de tal modo daquela informação que pouco a pouco percebi e transformei esse "distanciar" em uma decisão pessoal que até hoje sigo com afinco (quando me permitem): não assisto mais telejornais. Minhas fontes de notícias se resumem a internet, seja na forma de blogs de opinião (qualquer que seja), portais de notícia ou mesmo twitter. Apesar que o que se percebe lendo jornais que a função da imprensa hoje em dia é basicamente contar histórias de terror do mundo real, seja em jornais, revistas ou portais (e até nesse blog, quando influenciado pelas fontes). Causar medo mesmo.

Daí chegamos aos dias atuais. Depois de uma eleição marcada por jogo sujo e pela demonstração do que há de pior do povo brasileiro - de ambos os lados. - eis que abro os portais de notícia e vejo placares como na Copa do Mundo, só que ao invés de gols estão contando mortos.

A que ponto chegou nossa imprensa?

Tudo bem que é sabido que tragédia VENDE porque tem quem COMPRE, mas até aí sadismo era demais. A espetacularização da tragédia mascarada de "direito a informação" chegou a tal ponto que dá-se mais vazão a um "placar" do que a informação em si. Não se informa, dissemina-se apenas medo e informação fora do prumo, visando apenas causar mais dor aos familiares, paranóia em quem está distante e quem sabe com isso garantir que daqui a uns dias alguns programas matinais estarão entrevistando pessoas que perderam familiares e outros fazendo pseudo-caridade exibindo-os em programas de reconstrução de casas.

Desespera-me perceber que a decadência da sociedade chegou a tal ponto agora o tal "valor incalculável da vida" seja medido em pontos de ibope (ou outro mecanismo), medidores de acesso de sites ou por um lugar nos TT de Twitters da vida.

E se for pra continuar assim, torço para que 2012 não seja uma teoria furada ou uma das várias previsões que não se concretizam.

Do jeito que está não pode.

É que nem na informática, faz backup dos dados e formata-se o sistema. Estão lavando nossos cérebros com sangue.

O que acha?

Imagem -> Fonte

4 comentários:

  1. Quando comecei a blogar já não assistia tv. Com o trabalho e faculdade não dava tempo. E quando em 2008 descobri a Internet, percebi que poderia me informar muito melhor sobre diversos fatos.

    O fato de por cinco anos não assistir tv, tornava cada comercial que via de relance, uma novidade para mim.

    Pretendo não ser tão radical quanto a TV agora, pelo menos, vou ver um documentário qualquer.

    Na época das eleições, que acompanhei pela Internet, sofri demais, pois a Internet quando a gente acessa e lê o que destrói, pode ser mais corrosiva do que a TV.

    Eu acompanhava o twitter e via pessoas se transformando do dia para a noite. E aquilo tudo me deprimia. Decidi que em período eleitoral não vou ler nada relativo. Só lerei até antes que comece.

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  2. Oi Dragus!
    Pois é, menino.
    Eu me lembro de um jornal, aqui em Sampa, que era um verdadeiro banho de sangue.
    A capa era sempre estampada por um cadáver explícito, com cabeça arrancada e toda e qualquer bizarrice em forma de imagem.
    Depois de um tempo, ele saiu de circulação por chocar a população que ficava traumatizada com as imagens.

    Agora é a vez da tv, a tão conhecida máquina de fazer doido.
    Os noticiários estão cada vez mais apelativos.

    Não bastasse isso, tem a Sônia Abrão.
    Gente!!!
    Como essa pseudo-jornalista adora explorar a tragédia alheia!!??
    É impressionante.

    Imagino os produtores dela, feito urubus, farejando e "caçando" as famílias, vítimas de toda sorte de tragédias, para levar ao programa.
    Daí vem aquela musiquinha de fundo (aquela que provoca mais comoção ainda), um ou outro "jornalista" da vez, narrando a história e a exposição da própria vítima.
    Lembrando que, o Rafael Ilha (pilha) ex-polegar, suicida, drogado, evangélico, etc... é o mais recente contratado como jornalista.
    Dá pra acreditar?

    Depois que a tal da abertura foi liberada, formou-se um circo na tv.
    Pode "de um tudo".
    Lamentável.

    Beijo grande.

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  3. Concordo que há excessos. Mas acho que a informação deve ser prestada. Quer um exemplo? O desastre da Serra das Araras ficou esquecido e nem teve o número de vítimas computado graças ao regime militar e a censura.

    Pior que o sensacionalismo é a ausência de informação. Afinal, o primeiro você pode filtrar e punir não assistindo o canal ou não comprando a revista e o jornal; o segundo não há escolha.

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  4. Arthurius,

    Ausência de informação já existe, quando incidentes acontecem em redes de supermercados ou bancos e não são noticiados porque ferem interesses econômicos.

    A única diferença é que o censor não é figura pública, logo, livre para fazer o que quiser dentro das normas do capitalismo sem regras.

    Sei porque tenho inúmeros amigos jornalistas, e até na família. A coisa está pior que na ditadura.

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