Mais uma da Barcas S/A



Não é a primeira vez que você, leitor, vê esse maldito nome nesse blog, muito menos será a última. Sim, mais uma vez a Barcas S/A demonstra todo seu descaso, despreparo e má fé em relação aos usuários de seus serviços. E mais uma vez o problema ocorre na linha Rio-Paquetá.

A Ilha de Paquetá localizada no fundo da Baía de Guanabara não é apenas o bairro mais antigo da cidade do Rio de Janeiro, Paquetá é mais velha que o próprio Rio de Janeiro (a fundação da cidade só ocorreu dez anos depois do descobrimento da ilha). Diferente da Ilha do Governador, Paquetá não está próxima do continente, a única forma de chegar até lá é pela água e o único meio viável e legal para a travessia é através do serviço mal prestado da empresa Barcas S/A, que detém o monopólio da exploração de serviços dessa espécie na cidade do Rio de Janeiro.

Pois bem, além de depender unicamente do serviço prestado por essa empresa, os moradores de Paquetá convivem com passagens de valor abusivo, atrasos constantes e diários, embarcações em péssimo estado de conservação e os horários escassos. Basta ir a estação Praça VX, no Centro do Rio para verificar como a coisa funciona, para Niterói é reservado a melhor parte da estação, as melhores, mais rápidas e novas embarcações, que saem em intervalos curtos e regulares, sem muitos atrasos. Para a Ilha do Governador os horários são mais espaçados e os problemas com atrasos são um pouco maiores, porém quando o assunto é Paquetá o descaso é evidente. Supressão de horários sem aviso prévio, atrasos grandes ultrapassando, às vezes 30 minutos, lembrando que Paquetá é o único local dos outros já citados que depende exclusivamente do serviço da Barcas S/A.

No dia de ontem, 10/04/2011, domingo, minha esposa e eu pegamos a barca Ipanema que deveria sair no horário de 13:30, com dois minutos de atraso a barca deixa a estação, então começaram os problemas. O normal seria ela sair, virar e seguir viagem em direção a Ilha, porém ela ficou a deriva por cerca de 15 minutos, girando lentamente de um lado para o outro. Após esse tempo e depois de muita correria por parte dos tripulantes, o comandante da embarcação informa que está com problemas e logo seguirá a viagem. Passado mais 5 minutos, nada foi resolvido e o comandante anunciou que retornaríamos para a estação, ao chegar foi informado que deveríamos permanecer na embarcação até que soubesse para qual outra embarcação iríamos.

Agora vos pergunto, se a baca já havia atracado, porque não desembarcar todos os passageiros ao invés de mantê-los encarcerados na barca? Não se assuste com o cárcere, os tripulantes não permitiam a saída dos passageiros, a ponte móvel que possibilita a saída pela parte da frente estava erguida e os portões laterais fechados. Precisou que um passageiro abrisse o portão lateral para possibilitar a saída dos outros e eles finalmente baixarem a ponte.

Alguns passageiros reclamaram, outros simplesmente desistiram da viagem e foram embora da estação, logo depois fomos remanejados para a barca Martin Afonso que saiu da estação as 14:00, tudo parecia bom demais quando novamente  abarca começa a retornar outra vez para a estação. Desta vez o comandante anunciava que uma senhora estava passando mal e que retornariam a estação, pouco antes da nova atracação algumas pessoas disseram que a senhora já não estavam bem quando foi anunciado o problema na barca anterior, mas mesmo assim sem embarque foi permitido.

Depois de deixar a senhora na estação a barca seguiu viagem normalmente as 14:10 e chegou a ilha as 15:15, sendo que seu horário de chegada previsto e tolerável é, para no máximo, as 14:40. Tão logo deu-se o desembarque eu e mais um grupo de pessoas, todos moradores da ilha, fomos reclamar e tivemos que aguardar o embarque dos passageiros que aguardavam a saída das 15:00. Fomos atendidos somente as 15:30 pelo Sr. Alexandre Anderson, Fiscal de Terminal, que inicialmente se recusava a reconhecer os problemas e o atraso real da viagem e após receber ordens superiores colocou na declaração apenas o atraso na chegada.

Agora vamos a alguns esclarecimentos, o tempo total de viagem previsto é de 70 minutos, levando em consideração que a travessia se dá em no máximo 60 minutos. Por lei os horários de saída e chegada devem ser informados com antecedência e qualquer atraso ser informado previamente. É claro existem exceções, como condições climáticas adversas, mas falta de embarcação ou quebra da mesma não é algo justificável, e antes que digam que acidentes acontecem e quebras são fatos imprevisíveis, até concordaria com tal afirmação, caso as embarcações não tivessem mais de 50 anos de idade e lembrando, se houvesse manutenção e inspeção preventiva séria e periódica, esse tipo de coisa não aconteceria. E que tipo de governo estadual e agências reguladores permitem que transportes de mais de 50 anos levem passageiros diariamente, ainda mais por via marítima?

Outra coisa que deve se salientar, há uma lei que obriga a qualquer tipo de transporte aquaviário a ter pelo menos dois enfermeiros presentes na embarcação e qualquer pessoa sensata sabe que qualquer tripulante deve conhecer primeiros socorros. Caso houvesse algum enfermeiro, ou médico presente, provavelmente não haveria necessidade da barca voltar a estação para deixar uma passageira que estava se sentindo mal. Nem mesmo na estação, em nenhuma delas, há sequer uma pessoa que seja capaz de atender alguém que necessite de cuidados imediatos. Sabe qual é o motivo dessa lei não ser cumprida? O simples fato dela não prever punição para quem não a respeitar, infelizmente, nesse país, lei que não prevê punição não é respeitada. Nem as que preveem são, normalmente.

Em resumo, mais uma vez a Barcas S/A faz o que quer com quem depende de seu serviço porco, coage seus funcionários a não defender o direito do cidadão e ainda desrespeita as leis e tudo isso debaixo dos olhos da AGETRANSP, que tem uma sala dentro da estação Praça XV, que serve de confortável abrigo para seus ociosos funcionários. E nosso governador, o Sr. Sérgio Cabral ainda dá rios de dinheiro para essa empresa fazer o que bem entende.


3 comentários:

  1. E pensar que uma empresa que presta um péssimo serviço como este ainda teve a concessão estendida por mais vinte anos. O RJ tem mesmo um governo que odeia o cidadão.

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  2. É camarada. Como você disse, as diferenças entre as barcas para Niterói (com saídas a cada 4,5 segundos) e para a Ilha já são enormes, mas a questão de Paquetá ainda fica mais gritante pelo fato da via marítima ser a única opção.

    O negócio deles, e de todos os pendurados nas mamatas do governo, é mesmo ganhar o máximo de dinheiro com o mínimo de gastos.

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  3. Eu estava com o PK nesse dia, realmente o ocorrido foi exatamente esse, e como relatado, é revoltante saber que eles tem privilégios do Governo do Estado, pois assim como a SUPERVIA, as BARCAS S/A tiveram seus "Contratos" extendidos. tudo isso por que a Advogada de Ambas as empresas + o METRÔ RIO é a Ilma. Adriana Ancelmo Cabral, como o último nome já declara, esposa do Ilmo. governador do estado do Rio de Janeiro; Sérgio Cabral.

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