Bombeiros RJ - Desobediência Civil uma lição de Gandhi.


Desobediência Civil é um termo muito utilizado pela galera do paz e amor quando citado em passeatas, muito em voga até mesmo na abertura da atual novela do SBT de certa forma dentro do aproveitamento daquela cena em que a menina coloca uma flor em uma arma.

Gandhi pregava o uso da desobediência civil (uso, não foi seu criador ao contrário da crença popular) como uma forma de protesto no qual através do uso da não-violência física, pois era contra isso. Um exemplo de protesto de desobediência civil ocorreu anos atrás, no Rio de Janeiro, quando moradores da Zona Sul insatisfeitos com os índices de segurança decidiram se organizar para não pagar mais o IPTU até que esses índices fossem melhorados. Se você está relacionando isso com o projeto das UPPs (de forma apartidária), então pensamos juntos.

Semana passada os bombeiros do Rio de Janeiro dando prosseguimento a sua onda de prostestos ocuparam. E a imprensa dizer "invadir" é um exagero muito bem pago, afinal de contas, ninguém "invade" o próprio emprego.

Seguindo os preceitos de desobediência civil entraram no quartel central e sentaram-se. Somente saíram quando fossem atendidos, já que o sr. Sérgio Cabral não atende demandas da população, que o diga daqueles que a protegem.

(como morador de Paquetá sei bem como é não ser representado pelo governo do estado)

Por sinal, protestos esses que tiveram origem desde que o Governo Federal e os Governos do Estado descumpriram a promessa do piso nacional da segurança, que faria com que os profissionais de segurança pública (aqueles que mantém você vivo quando sua casa pega fogo ou começa a chuver chumbo) recebessem o mesmo do Oiapoque ao Chuí. O protesto não acontece apenas no Rio de Janeiro, mas também em outros estados (mas apenas no Rio de Janeiro é notícia).

Só que existe o sistema. Aquele do filme Tropa de Elite. O sistema não joga pra perder. O sistema já paga o piso nacional, por fora. E o sistema não vai tolerar que as pessoas queiram sair dele. A única utilidade da existência dos bombeiros no Rio de Janeiro para os políticos é que eles servem para cobrar a taxa de incêndio e garantir uma grana extra nos cofres públicos (afinal de contas, veículos só precisam ser comprados a cada troca de mandato e a taxa cobra-se todo ano).

O PMDB então, o partido que destruiu o Estado do Rio de Janeiro e transformou em suas décadas de poder a PM de Polícia Militar em Polícia Miliciana decidiu. Ia jogar policial militar contra policial militar. Como a PM é formada em sua maioria de policiais em estágio probatório (ou seja profissionais que podem ser exonerados) eles são obrigados a cumprir ordens. E os demais estão no sistema. Logo, basta ordenar.

Deu no que deu. E a faceta que sempre imaginei para a qual serviria o aparelhamento da PM do Rio de Janeiro foi posta em prática: o silenciamento da população. A porta foi fechada no cair da madrugada.

Largaram o dedo. Bombeiros, imprensa, crianças e mulheres foram baleados (ainda que de borracha) e como com Gandhi o pacifismo foi esmagado a base da truculência oficial do estado. Assim como em São Paulo o PSDB esmigalhou a marcha da maconha na base dessa mesma porrada, no Rio de Janeiro o PMDB esmigalhou os bombeiros comprovando por A+B que nossa classe política é IGUAL, e que nós - eleitores - também somos. Somos palhaços. E de olho roxo agora.

Por final 439 bombeiros foram presos por fazem protesto pacífico dentro do local de trabalho, suas famílias foram vítimas da truculência da polícia e no final...

O que faz nossa imprensa local?

Fica do lado do Sérgio Cabral. Nem no meio, nem independente (se bem que o rato sempre fica do lado da geladeira).

Esse é mais nojento. Nossa imprensa, aliás, nossa corja se posiciona a favor de quem bate. Ou seja, como no tempo da ditadura (que sempre disse aqui no blog que vivemos uma, e que estamos cada vez mais piorando) se cala, abaixa a cabeça e abana o rabo. E ganha o biscoito.

Se bem que não é de hoje isso, afinal de contas... Quando Barca quebra não é notícia... Metrô que dá pane todo dia e não aparece em NENHUM jornal... Quando o transporte de Van das regiões com UPP é controlado pelas mílicias não vira matéria... Quando a Baía de Guanabara volta a ficar tão polúida que fede a peixe podre dos pescadores que descarregam os peixes podres no entorno de Paquetá... É o dinheiro das duas ilhas da Petrobrás na Baía de Guanabara que deveria ser usado nas comunidades no entorno da própria que desaparece por mágica... E por aí vai...

É o milagre da multiplicação da verba de assessoria de imprensa fazendo o Rio de Janeiro virar um paraíso.

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