Barcas S/A: muda a teoria, permanece a prática.



Existe algo no Brasil que funciona. É nosso principal produto e praticamente uma instituição com poder similar ao da Igreja Católica na idade média. Pensa que falo de corrupção?

Falo do "jeitinho". 

Seja para o lado "bom" ou, principalmente, para o lado ruim da coisa. Ele está sempre ali, do seu lado, nos dando bom dia e indo dormir conosco diariamente. Você pode não praticá-lo, mas indiretamente colabora, mesmo quando pensa que está fazendo tudo certo em geral do outro lado há alguém dando um "jeitinho" para que você consiga o que quer.

O "jeitinho" é o sujeito praticante no ditado popular "toda regra tem sua exceção". Utilizado quando as regras não são benéficas ao indivíduo, não dispomos de dinheiro para tal (o mais comum) ou quando o procedimento correto é considerado trabalhoso demais. Por exemplo, quando ao invés de trocarmos uma mangueira furada optamos por emendá-la com qualquer coisa (não necessariamente o material adequado).

E quando falamos da Barcas S/Ao "jeitinho" não pode faltar. Porém, para essa empresa a cada notícia que surge no jornal (e olha que os jornais falam muito pouco, dado que os incidentes são diários) percebe-se que o uso desse artifício não é exceção, é a regra.

Vide vídeo (curto) abaixo:


Se não pode assistir, descrevo.

Hoje peguei a barca Paquetá/Rio de 7hs da manhã, com o nome irônico Boa Viagem. Enquanto a barca veleja com ritmo de lesma observo uma movimentação interessante. Um marinheiro e alguém que usa macacão (que julgo ser do setor de manutenção) pegam fios e amarram parte dos dispositivos de segurança da embarcação.

Em 2012 isso significa sacar o celular e filmar.

Não sei o motivo, pode ser qualquer coisa, mas o equipamente obviamente está fora do ideal (senão deixariam quieto). Depois de realizado o jeitinho eles voltam a seus afazeres. O dispositivo em questão é uma alavanca com uso de roldanas e cabos libera fileira de coletes salva-vidas. Nada justifica a gambiarra, já que em caso de acidente as pessoas dependem desse equipamento (a tripulação não, eles tem seus próprios coletes, porque não confiam nos das embarcações).

Indago então: se essa é a manutenção que a empresa pratica aos olhos de seus consumidores/clientes/vítimas (prefiro o terceiro termo), imaginem que tipo de consertos praticam onde os olhos comuns não podem ver?

É. Pensar nisso te faria optar por outro meio de transporte público (ou por comprar um carro). E pensar que que a barca mudou (teoricamente) de dono, preocupa ainda mais.

Só que em Paquetá a opção é não ter opção.

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