Inútil, a gente somos IDEB.

Anos atrás um ministro foi pego revelando a um repórter que os indicadores econômicos do Brasil são todos maquiados. Dados são suprimidos ou adicionados de modo a garantir que se divulgue aquilo que interessa e não a verdade de fato.

Porém, desde o escândalo do mensalão e a percepção por parte dos mandatários da quadrilha que se apoderou do país (e é a mesma desde sempre, vide algumas peças-chave comuns, como Marcos Valério), nada muda... Aliás, mudou. Perceberam que podiam fazer tudo na cara limpa que o povo não se importaria contanto que tenha futebol, mulher e o som do verão.

Ao contrário do que pregou Tiririca quando eleito, pior do que está fica sim.

Semanas atrás o governo anunciou o fim da aplicação do ENEM para alunos oriundos das escolas públicas. Não sabia? Verdade, a notícia veio camuflada pelo estardalhaço feito pelo estupro da autonomia universitária da reserva de vagas (aquela boa intenção que lota o inferno).

Não sabe do que estou falando? Claro, o objetivo é desinformar mesmo, mas vamos continuar...

No texto da proposta de lei das cotas, segue o seguinte parágrafo:

(...)Art. 2º As universidades públicas deverão selecionar os alunos advindos do ensino médio em escolas públicas tendo como base o Coeficiente de Rendimento (CR), obtido por meio de média aritmética das notas ou menções obtidas no período, considerando-se o currículo comum a ser estabelecido pelo Ministério da Educação.

Isso mesmo que você leu. Aliás, não leu.

É o fuzilamento da disputa por mérito em detrimento da abertura de portões para alunos de escolas públicas. Alunos que muitas vezes obtém notas altas nas escolas públicas por assédio (moral, físico, sexual, etc) contra professores, isso quando não é a direção da escola que obriga os professores a aprovarem alunos para, digamos, alimentar índices (e me baseio em relatos, não em achismos). E alunos que perseguem aqueles que possuem qualidades para serem aprovados (e que são aprovados todo ano).

Como o ENEM (ou vestibular) desconsidera esses "macetes", quando esse aluno faz a prova se afunda e não existe pai de santo que levante as notas de quem só passou de ano a base do cassete (no professor). Se sabe, passa. Se não sabe, adeus. Fim.

E também leva-se em consideração que existem escolas e escolas. O 10 obtido em uma escola pública renomada não tem o mesmo peso de um 10 obtido em uma escola deficitária (como a maioria), são provas e avaliações diferentes. E ao aplicar a lógica do ENEM, de nivelar por baixo, apenas vão piorar a qualidade de ensino da escola renomada (se o aluno tem que se esforçar menos para tirar 10, vai estudar menos, é simples acomodação estudantil, pois o esforço não é recompensado).

Portanto, com a aprovação dessa lei, o ENEM será feito exclusivamente para quem? Para estudantes não beneficiados pela lei e que precisam estudar para disputar vagas.

Daí vamos falar do IDEB.

IDEB é a avaliação da qualidade de ensino no Brasil. Ela mede o quão ruim é nossa capacidade de lecionar e aprender. Digo ruim mesmo, porque a coisa não vai nada bem (tanto em públicas quanto em particulares).

Só que o nosso governo, provavelmente aprendendo lições com o PMDB - pois isso é feito aqui no Rio de Janeiro habitualmente, por exemplo. -, considera a possibilidade de alterar os critérios do IDEB.

Ao invés de utilizar as avaliações atuais, o Ministro Aloizio Mercadante quer utilizar o ENEM.

ENEM... Mas?

Nas palavras do senhor ministro (lidas neste link: MEC estuda mudar fórmula de cálculo do Ideb em 2013):

- Evidente que não (se trata de maquiagem). Só estou pegando um indicador que é mais preciso, que é feito com mais rigor - declarou ele.

Não é maquiagem, é manipulação mesmo.

Ele mesmo admite que a qualidade dos estudantes é superior, logo, os indicativos que forem produzidos com dados do ENEM (e fala dos dados atuais) seriam melhores do que os obtidos pelo método atual do IDEB.

Imagina então quando utilizarem esses dados SEM a participação os alunos oriundos da rede pública deficitária? É a mais pura distorção estatística visando tão somente fabricar dados infundados.

(e quem vai avaliar a rede pública? Os professores das universidades, claro)

É que nem institutos de pesquisa que só levam em consideração opiniões positivas de produtos e excluem de seus bancos de dados aquelas que criticam, por que o cliente não está disposto a ouvir notícias ruins (e por fim vendem mentira).

A partir do ano que vem, e acredito que essa idéia vai vingar - ela beneficia todos os partidos políticos e prejudica o povo sem que ele perceba. -, os métodos de distorção estatística que geraram a crise de 2008 serão aplicados a nossa educação.

Soma-se a isso o REUNI, que criou vagas demais e instituição de menos. Enfiaram os métodos de avaliação da progressão dos professores universitários, que prioriza que eles aprovem alunos e publiquem qualquer tipo de artigo (para bater metas).

Nossos filhos pagarão esse preço.

Ou não.

Depende de nós.

[Atualização: 29/08/2012 - 23:42] A lei foi aprovada, mas num sinal de lucidez a Presidente Dilma vetou o artigo 2º desse projeto de lei, de modo que os cotistas terão que fazer vestibular entre eles. O que mantém o mérito.

Segue link da notícia:
O Globo - Dilma sanciona Lei de Cotas para ingresso em universidades federais.

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