Sobre Amazon, Google Books, Amigos, as Editoras Gananciosas e os Consumidores (Nós)


Se você acompanha portais de notícias ou simplesmente gosta de ler, provavelmente morria de inveja (quando não comprava e lia em inglês) dos sites de compra e aluguel de conteúdo online disponíveis na terra do Obama. E se acompanha dessa forma, também já deve ter visto.

Sim, ontem finalmente chegaram com alguns anos de atraso os aplicativos e leitores digitais ao nosso país, no caso, aqueles tidos como os principais: Google Livros, Amazon e, um pouco antes, os da Apple.

Porém, não solte fogos.
Melhor, não pegue seu cartão de crédito e deixe até ímpeto consumista (e de que querer se sentir ao menos parecido com aqueles que podem) e compre transloucadamente tudo que vir pela frente.

Os preços estão caros. Caros em comparação com o mercado de origem, em relação a filosofia disseminada por trás dos livros digitais e também em comparação com a nossa própria realidade.

Até ontem a idéia vendida era: livros digitais são mais baratos que os impressos.

Hoje: não é bem assim.

A política de cobrança de livro digital a preço de impresso praticada pelas editoras (e digo logo, não é assim pela Amazon, Google, Apple, Cultura ou seja lá qual venha - convém lembrar que a Amazon quis, mas foi rechaçada como foi noticiado meses atrás).


Prova disso é que o leitor Kindle, da Amazon, entrou com um preço, digamos, apetitoso para a nossa realidade, a partir de R$ 299,00, um preço muito mais em conta que boa parte dos tabletes (como diz o Bial) a venda no país (inclusive alguns xing-ling de americanas), apesar de simples e sem as frescuras a que nos habituamos (como falta de tela sensível ao toque e cores), mas eficiente para o que se propõe.

Daí pode-se dizer "cobram 70% ou 80% do valor e imimimimi", mas é 80% do valor da versão mais cara, o que dá na prática o preço do mesmo livro em promoções, por exemplo, como as que tem no submarino vira e mexe.

Pesquisei hoje (06/12/12), por curiosidade, o livro Guerra dos Tronos - As Crônicas do Fogo e Gelo, para exemplificar. Vejam abaixo.


Versão digital no Amazon: R$ 27,31. Não parcela.


Versão impressa no Extra: R$ 31,80, se for cadastrado 30,21. Parcela.


Versão impressa no Submarino: R$ 44,90.

Se considerar a edição vendida no submarino, vale a pena e a diferença é de R$ 17,59. Se pesquisar de leve, porém, a diferença fica em ridículos R$ 4,49.

Em sebos cadastrados no Estante Virtual o livro (impresso, diga-se) sai por R$ 25,00.

E não se pode alegar ser culpa do custo-brasil.

As empresas vendedoras podem armazenar esses arquivos em qualquer lugar do mundo. Dispomos de infraestrutura legada/tercerizada e o tamanho dos arquivos de e-books é ínfimo. Também não existem custos de logística, almoxarife, salário de vendedor, aluguel de loja dentre outros. E por fim, sabe-se lá desse valor (dependendo da manobra contábil) quanto efetivamente cai no bolso do autor ou beneficiário.

O que parece, e tem todos os sinais, é se tratar de um teste de mercado.

Se parte significativa do pessoal pagar o preço de impresso por livro digital e conseguirem aplicar o método brasileiro de vendas (poucas vendas, grandes margens), os preços maravilhosos da Amazon nunca virão para cá porque não será preciso, os otários terão pago.

Do mesmo jeito que pagamos caro por tantas coisas e aceitamos, muitas vezes motivados por necessidades fúteis. Para somente alimentar nossos egos.

Só que com a diferença é que é um mercado incipiente. Temos mecanismos e como ditar as normas. Não é algo obscuro, eu pesquisei os preços acima no Google, você pode pesquisar.

E olha o mais legal: não precisa sair do sofá.

Portanto, pensemos antes de comprar.

(falo isso para mim mesmo, afinal de contas, cada um sabe onde o sapato aperta mais).

2 comentários:

  1. "E não se pode alegar ser culpa do custo-brasil."

    Por que não? É como o carro Brasileiro, existem uma centena de impostos e custos mas ainda assim as pessoas pagam 30 mil em um carro. Por que as empresas iriam reduzir o valor do produto para o "justo"?

    Não acho que seja prerogativa da Amazon de colocar o preço que eles acham justo para a publicação e sim das editoras que não tem interesse no Brasil que se vendam e-books, o que é uma burrice sem tamanho. O e-book entre outras coisas funciona com a mesma lógica do app de celular, "por que eu vou piratear uma parada que custa 0,99?". Até onde eu sei, a amazon só distribui os livros, ela não estabelece o preço que o autor ou editora vão cobrar. Vide a empresa Jovem Nerd que deixou claro que ELES resolveram botar um livro a U$9,90 como teste, e se desse certo, iriam aumentar o preço.

    Não é a Amazon maligna manipuladora mega corporação que quer explorar os pobres coitados Brasileiros, a Amazon oferece um serviço, que infelizmente a mentalida corporativa brasileira de livros não está pronta para implementar.

    O mesmo acontece com CD, enquanto lá fora, gravadoras estão conseguindo sobreviver com venda de MP3, aqui esse mercado fora da area independente, prativamente inexste.



    "As empresas vendedoras podem armazenar esses arquivos em qualquer lugar do mundo. Dispomos de infraestrutura legada/tercerizada e o tamanho dos arquivos de e-books é ínfimo. Também não existem custos de logística, almoxarife, salário de vendedor, aluguel de loja dentre outros."

    Completamente errado. Amazenar, gerir, manter, tudo isso custa grana. Pode não haver custo para loja fisica e vendedores, mas tem que ter o departamento de TI pra manter o site no ar, um bom servidor, a gestão de pagamentos não se faz sozinha, setor de suporte ao usuário etc.

    A Amazon (ao menos a americana) entre outras coisas investe em excelencia de comunicação (e eu sou testemunha disso). Montar uma empresa séria na internet não é "de graça" nem "muito mais barato que uma empresa de rua". Os custos são diferentes e pode sim aumentar sua margem de lucro ou te possibilitar cobrar mais barato por um protudo que tem custos mais elevados pra ser adquirido na rua, mas não é por isso que podemos considerar "praticamente de graça" o custo de vender algo online.

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  2. "Não é a Amazon maligna manipuladora mega corporação que quer explorar os pobres coitados Brasileiros, a Amazon oferece um serviço, que infelizmente a mentalida corporativa brasileira de livros não está pronta para implementar."

    Eu não falei mal da Amazon. Falei das editoras mesmo. A Amazon, de certo modo, foi vítima do custo brasil.

    E o custo brasil não é limitado a imposto somente. Tem as maracutaias e nossos cartéis que também influenciam no todo.

    Por sinal, ela queria inserir aqui o modo de operação dela no mundo, onde ela adquire enormes quantidades de livros (mediante um enorme desconto com as editoras) e vende pelo preço que quer (geralmente colocando preços baixos nos livros da moda), porque ela quer lucro nos resultados gerais não no de um item/livro.

    Além disso a Amazon também é editora. Pequenos autores (ou grandes) nos EUA publicam direto pela Amazon, quebrando o elo "autor-atravessador-livraria". Da mesma maneira que ocorre com apps de celular.

    Ambos modelos que as editoras e as grandes redes daqui temem.

    "Completamente errado. Amazenar, gerir, manter, tudo isso custa grana. Pode não haver custo para loja fisica e vendedores, mas tem que ter o departamento de TI pra manter o site no ar, um bom servidor, a gestão de pagamentos não se faz sozinha, setor de suporte ao usuário etc."

    Não é bem assim.

    Sai muito mais em conta manter apenas um departamento de TI (com desde vendas, suporte, P&D, etc) que gerencie o mundo todo do que manter uma loja física, claro, se souber gerir e a Amazon e o Google sabem.

    Uma empresa como a Amazon teria - em tese - um organograma enxuto, com ênfase no TI e logística (centros de distribuição, entrega, etc) e a parte administrativa (que toda empresa possui ou deveria possuir).

    Se ela atuasse também fisicamente (como lojas americanas, saraiva), além do investimento em TI teria que agregar a gestão de lojas, de equipes de vendas, gestão de público presencial, etc.

    E lojas físicas possuem pessoas lidando diretamente com o cliente. Comunicação entre pessoas possuem mais falhas do que um copiar-colar-encaminhar nas máquinas. E como você mesmo disse, uma empresa que presa informação não pode se dar ao luxo de criar pontas soltas.

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