O Chocalho do Governador.

Antes da leitura, aconselho essa música tema:


Nunca saímos da ditadura, isso é fato.

Seja na forma de militares, de um "suicida" que beneficiou trabalhadores ou de imperadores mulherengos, sempre vivemos de alguma forma tolhidos da liberdade mínima necessária para dizer "somos livres". Até mesmo o primeiro presidente eleito foi tirado do poder de forma estranha (na época pareceu correto, hoje em dia vê-se que não foi bem assim como venderam na televisão).

Porém nenhum político se saiu tão bem no exercício da ditadura democrática quanto os do clã (ou seria melhor dizer família?) que atualmente domina os quatro poderes do Rio de Janeiro. Com controle quase total no executivo, legislativo, judiciário e na imprensa, esse clã pode literalmente fazer o que bem entender que nada cola.

Somado a isso, utilizaram das técnicas de controle do povo criadas pelo PT (as mil e umas bolsas), algumas suspeitas de compra de votos e as levaram a um patamar nunca antes imaginado de alienação do povo que os permite fazer tudo.

Ou melhor, quase tudo.



Há meses a trupe tenta - ainda sem sucesso, mas isso vai acontecer. - expulsar de um pequeno terreno uma comunidade indígena sitiada em um dos muitos prédios abandonados pelo poder público (abandonados para serem vendidos, e barato, diga-se). Para atender a interesses ocultos e temporários (porque depois dos eventos internacionais o abandono tradicional vai retornar) querem demolir o prédio para construir algo que agrade aos amigos que financiam eleições.

Aliás, o prédio e uma escola municipal de alto padrão. Vergonhosamente geram um dano permanente na comunidade do entorno para atender desejos temporários de quem só quer tirar o seu dinheiro e sumir.

Porém, estão esbarrando em uma notória resistência por parte de índios, moradores da região e estudantes.

Nessa, qual seria a posição da maior emissora no momento? Nada. Apenas silêncio. Uma penosa omissão vergonhosa em que apenas as notícias sobre fatos que beneficiam o poder dominante são veiculadas. Vê-se nas entrelinhas das notícias uma insatisfação dos profissionais, vítimas de uma censura pior que a censura da ditadura, uma censura invisível aos olhos, mas que todos sentimos dia a dia.

A emissora que gosta de bradar - ainda que indiretamente - seu grande poder político se apequena diante do que está acontecendo na cidade de sua sede. Não se manifesta quando índios e estudantes apenas lutam pelo pouco que lhes resta, enquanto o estado dá como alternativa o distanciamento social.

A escola querem mandar para São Cristovão, local bem distante e de mais difícil acesso para seus estudantes. Sendo que o espaço escolhido nem sequer foi reformado, o que implicaria em aulas improvisadas por anos em espaços aleatórios pela cidade implicando, obviamente, na queda da qualidade de ensino.

Os índios? Bem, o governo do estado não se importa com eles. Se pudesse os teria estirpado esse final de semana, mas não conseguiram porque chegaram a tempo para impedir.

Se acha que isso é novidade, em 2008 o mesmo aconteceu no Matogrosso, sendo que como era longe do grandes centros a polícia pode largar o dedo sem muito alarde da população local.

Como resolver isso? Bastaria não votar nesses, mas não é bem assim.

Anos atrás fizeram o recadastramento das pessoas humildes na justiça eleitoral. Em seguida veio o governo federal e o estadual e enfiaram projetos sociais e bolsas nessas regiões. E nas eleições seguintes (2010 e 2012) pessoas circularam por essas comunidades disseminando o medo da mudança, ameaçando que se não votassem nos candidatos do governo tudo ia acabar, os projetos seriam encerrados e todos sofreriam.

Sei porque vi acontecer em Paquetá. E vimos o que Zito fez ao não ser eleito, algo que obviamente utilizarão em 2014

Dirão "Lembra de Caxias? Melhor votar no PMDB senão vão fazer isso de novo.". E as pessoas votarão.

É uma versão século XXI do voto de cabresto, onde ele é oficializado.

E que sofram os índios.

Em tempo: "Maracanã" significa "semelhante a um chocalho", do Tupi-Guarani.

Informe-se mais em:
JORNAL DO BRASIL. O que move Sérgio Cabral contra os índios, Editorial, disponível em http://www.jb.com.br/coisas-da-politica/noticias/2013/01/13/o-que-move-sergio-cabral-contra-os-indios/, acesso em 14/01/2013.

JORNAL DO BRASIL. Perseguição Política: Empresa demite operários por apoio a índios no Maracanã", disponível em http://www.jb.com.br/rio/noticias/2013/01/14/perseguicao-politica-empresa-demite-operarios-por-apoio-a-indios-no-maracana/

SUDERJ. Maracanã, disponível em http://www.suderj.rj.gov.br/maracana.asp, acesso em 14/01/2013.

Fonte da Imagem:
LANCENET, Índios optam por resistência pacífica, mas clima é tenso no Museu do Índio, http://www.lancenet.com.br/minuto/Indios-resistencia-pacifica-Museu-Indio_0_845915473.html, acesso em 14/01/2013.

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