Forjando Um Guerreio: Aço e Fornalha - Sexta Parte

Justiça


– Meus filhos, não sabem o quão satisfeito estou em vê-los aqui.

O Deus da Guerra, Paia, estava de pé dando sua bênção aos seus seguidores que acabaram de retornar de uma missão bem sucedida, embora o mesmo soubesse que o êxito seria muito difícil, entretanto tal adversidade não impediu a todos retornar com vida. Quando designou Ignus para o comando da missão em seu intimo o deus torcia pelo fracasso do guerreiro, mas agora, mesmo ainda desgostoso com seu servo, sentia certo orgulho dele e dos demais.

– Agora vão, descansem, meus filhos, pois hoje a glória é toda de vocês!

Após reverenciarem o deus e serem novamente abençoados por ele, os guerreiros se retiraram do salão principal e foram guiados até a sala de banhos, onde algumas criadas banharam-nos em águas mornas. Ali permaneceram por quase uma hora e depois foram tratar dos ferimentos, alguns tinham cortes e perfurações mais profundos, mas nada de muito grave, apesar da grande quantidade.

Só depois de se fartarem em um banquete digno de um nobre é que eles finalmente foram descansar, alguns quiseram aproveitar uma pequena celebração que estava sendo em sua homenagem, enquanto outros preferiram dormir para recobrarem totalmente as forças.

– Muito obrigado, Ignus, por me conceder a chance de alcançar tamanha glória. – Cumprimentou um de seus companheiros.
– A honra foi minha por ter lutado ao lado de guerreiros tão valorosos. – Agradeceu Ignus em resposta.

Passar por está provação havia deixado Ignus satisfeito consigo mesmo, o tempo todo estava ciente de que tudo não passava de uma armadilha, Paia não contava com êxito da missão que havia lhe incumbido. Nem mesmo seus companheiros no início demonstravam confiança na vitória, mas ela veio, e agora o nome de todos estava sendo glorificado, haviam se tornado heróis, seus nomes protagonizariam versos e canções, tudo com que muitos guerreiros sonham.

Mesmo satisfeito com o resultado e sabendo de sua importância, a única coisa com que Ignus não contava era o pedido feito por seus companheiros, todos desejavam lutar sobe seu comando novamente, mesmo em outra missão como está.

– Você se tornou um ótimo comandante, Ignus. – Elogiou Haldar enquanto ambos aproveitavam os festejos.
– Fiz apenas o que considerei certo, Haldar. – Respondeu Ignus sem falsa modéstia.
   
   
O dia seguinte amanheceu escuro, uma fina chuva caia constante, mas o animo local ainda permanecia o mesmo do dia anterior, o clima de celebração continuava a pairar pela cidade. Assim que soou o aviso da troca de turno da manhã todos já estavam de pé, nenhum dos guerreiros agora tidos como heróis demonstrava o menor sinal de cansaço, alguns já estavam treinando, outros ajudando na reconstrução da muralha, apesar das ordens de não serem perturbados por pelo menos três dias.
   
As notícias sobre a vitória dos seguidores de Paia correu rápida por todas as partes, chegando até seus ouvidos com detalhes que os próprios desconheciam. Da mesma forma que os rumores e a suposição do combate correram rápido os rumores de uma retaliação também não tardaram a chegar. Viajantes contavam que por toda a parte os rumores de que seguidores de Valum estariam tramando algum ataque se multiplicavam, enquanto outros diziam que após a humilhante derrota de seu principal reino, muitos temiam qualquer reação contra os protegidos por Paia.
   
Como rumores não nascem do nada o Deus da Guerra designou um grupo de espiões para averiguar sua veracidade, embora o deus não aparentasse estar nem um pouco preocupado com tais boatos. Mas ainda assim, eles precisavam ser investigados, em tempos de guerra, nada poderia ser deixado de lado.
   
Em pouco tempo foi descoberto que alguns seguidores de Valum realmente planejavam um investido contra algum dos reinos protegidos por Paia, mas nada ainda estava totalmente definido. Porém nesses casos, somente a intenção já bastava para inflar a irá, e Paia não era conhecido por sua compaixão por seus inimigos.
   
   
– Meus filhos, agradeço por terem atendido ao meu chamado.
   
O deus havia convocado novamente os guerreiros que haviam sido vitoriosos na última missão, como todos se mostram mostravam bem dispostos e se mostraram valorosos, Paia decidiu convocá-los mais uma vez.
   
Pelo que havia descoberto um levante de forças de seguidores de Valum iria se reunir em alguns dias em uma cidade menor em relação última, também não muito distante desta. Segundo as informações, no local estava sendo produzido grande número de armamentos, um dos espiões disse ter visto um imenso armazém onde era depositado o material produzido, além de um espaço muito bem equipado onde vários ferreiros trabalhavam juntos.
   
– Desta vez, meus filhos, temos a chance de acabar com as forças do inimigo sem que o sangue de nossos companheiros seja derramado. – Disse o Deus o olhando nos olhos de cada um de seus servos. – Vão e destruam suas armas e suas forjas, desarmem-nos, para que não possam sequer levantar uma adaga contra nós.– Assim será feito, mestre. – Disse Ignus reverenciando o Deus.
– Confio plenamente em ti, meu emissário. Seja minha imagem perante o inimigo e que seu punho mostre toda minha irá! – Disse o deus gesticulando enfaticamente.
– Agradeço o voto de confiança em mim depositado, juro por minha honra que terei êxito novamente. – Respondeu Ignus.
– Destruam tudo e todos, mostrem a força da Guerra e façam com temam nosso nome!
   
As palavras do deus foram recebidas com grito de guerra, feliz por ver que seus servos estavam motivados, Paia os abençoou e mandou que partissem. Estava nitidamente satisfeito com todos, inclusive com Ignus, por quem já não tinha tanto rancor quanto antes.
   
Tão logo seus servos partiram um mensageiro adentrou o salão portando consigo uma carta, após receber a mensagem Paia dispensou o mensageiro que saiu imediatamente da sala. O rolo de pergaminho tinha o selo real do reino de Miliris, o reino a qual Haldar servia e que Ignus havia intermediado a aliança com o Império de Artan. Curioso o deus rompeu o lacre e leu a mensagem com atenção, nela dizia que o rei de Miliris desejava uma audiência com Paia.

   
– Como agiremos desta vez, Ignus? – Questionou Rulgam.
– Desta vez creio que não teremos tanta dificuldade como antes, mas todo o cuidado se fará necessário.

Já havia se passado um dia e meio de viagem, nenhum deles parecia cansado, apenas ansiosos pelo próximo combate. Diferente da última vez, nenhum deles conhecia nada sobre a cidade que atacariam, a única coisa que possuíam era um tosco mapa feito por um dos espiões. Nele só era descrito a posição do armazém de armas e de duas grandes forjas, além de um amontoado de rabiscos que deveriam ser meras casas.

O plano era tão ou até mais simples que o do último ataque, porém desta vez seriam três e não apenas dois grupos. O primeiro deveria invadir o armazém e destruir as armas, o segundo ir até as forjas, destrui-las e matar os ferreiros. O terceiro deveria arrasar a cidade e exterminar a população local.

– Me parece um bom plano! – Disse Aldo enquanto se acomodava na relva.
– Tem que ser. – Disse Ignus com um sorriso animado.
– Mesmo sendo apenas um local que só serve para a fabricação de armas, temos que ter cuidado. – Alertou Haldar. – Por ser uma cidade pequena e termos pouca informação, qualquer coisa pode acontecer, já que não sabemos ao certo o que nos espera.
– Você parece a minha mulher, Haldar! – Caçoou Rulgam – Pare de dar sermões pessimistas!

Todos riram quando viram Rulgam imitando os trejeitos de Haldar de forma caricata, mas todos sabiam que o companheiro tinha razão, eles não sabiam o que poderia lhes esperar, o que não os impedia de rirem uns dos outros.

Devido a tranqüilidade de todos a viagem fluiu bem e levou um dia a menos do que aviam calculado, de onde estavam já conseguiu avistar as pequenas construções ao longe e a fumaça que subia das forjas. O lugar era um pouco maior do que eles imaginavam, mas ainda assim não era um lugar muito grande.

O armazém se destacava mesmo a distância que se encontravam, era de longe a maior construção de todas e a mais longa. As forjas ficavam fora do perímetro das casas, mas não muito distante do restante da pequena cidade, de onde eles estavam pareciam mais com imensos buracos com telhado, que exalavam muita fumaça.

A medida que foram se aproximando o som dos golpes dado no metal eram nítidos, o vai e vem de trabalhadores era intenso, muitos traziam materiais e outros levavam o produto para outras parte. No total eram cinco postos onde as armas eram construídas, cada qual com sua etapa, era uma grande linha de produção em massa.

Do outro lado da cidade escudos e outros objetos feitos de madeira eram produzidos com o mesmo método da produção de armas, cada setor tinha uma atribuição e tão logo estivesse pronto, partia par ao setor seguinte para dar continuidade a confecção até chegarem ao produto final. Também viram mais quatro locais responsáveis pela produção de armaduras, igualmente organizados e velozes, assim como todo o resto. Todos ficaram impressionados como a coisa funcionava de forma rápida e prática, tudo muito bem organizado.

A proteção do local era feita por guardas armados e muito bem protegidos, cada zona de produção tinha pelo menos dez soldados tomando conta, o que tornaria difícil um ataque surpresa. Na cidade guardas patrulhavam as ruas o tempo inteiro. Ao que lhes pareceu, cada cidadão local estava envolvido na produção dos armamentos, já que aparentemente ninguém ali estava envolto em tarefas mundanas do dia a dia.

Após mais um tempo de observação segura a distância o grupo recuou e se reuniu uma última vez para discutirem a abordagem, a posição dos guardas foi estudada com cautela e atenção, já sabiam exatamente de quantos eram e seus postos. A presença de soldados disfarçados entre a população era uma possibilidade que não se podia descartar, então todo o cuidado seria pouco e o plano de ataque deveria ser seguido a risca, nenhum cidadão deveria ser poupado.


O ataque veio repentino e devastador, enquanto os trabalhadores seguiam sua árdua rotina sem nada desconfiar, no instante seguinte toda sua atenção fora desviada pelos novos sons que rapidamente começaram a tomar conta do local, sons de batalha.

O primeiro grupo furou a defesa inicial facilmente e partiu em direção ao armazém, a ação fora tão rápida e precisa que não houve sequer chance de aviso, pegos de surpresa os soldados que mantinham guarda na parte externa do armazém foram facilmente dominados e mortos quase que imediatamente. Já dentro o número de soldados era grande, mas isso não impediu que fossem pegos também de surpresa e tivessem muitas baixas rápido demais, entretanto estes estavam oferecendo mais resistência, gerando uma batalha feroz.

O grupo que estava encarregado das forjas se subdividiu para acelerar a ação, mesmo com contingente reduzido a ação nas forjas estava sendo rápida e eficaz, os soldados não foram capazes de resistir muito tempo ao repentino assalto, a força dos invasores era nitidamente superior.

O último grupo que estava encarregado da população era o menor, este se espalhou e foi se infiltrando em cada rua, cada beco a busca de quem quer que fosse. Encontraram dificuldade, pois rapidamente sua a ação foi notada e imediatamente os soldados que circulavam pelo local começaram a atacar, também. Como haviam especulado antes, soldados disfarçados estavam misturados a população e logo isso ficou evidente, quando estes se juntaram a guarda local.

Liderando o grupo que atacava o armazém Rulgam se deparou com um obstáculo inusitado, magos. A descoberta veio em forma de um poderoso ataque, que arremessou dois de seus companheiros violentamente para o lado de fora. Rulgam era conhecido por sua grande resistência e logo isso ficou evidente, tão logo identificou os magos lançou-se ferozmente contra eles, mesmo sendo atingido por dois fortes ataques mágicos, o mesmo seguiu como se nada lhe tivesse acontecido. Surpreso um dos magos foi presa fácil para o guerreiro, que esmagou seu crânio contra uma parede.

Em uma das forjas Aldo matava o último soldado atravessando-o com uma peça de metal ainda incandescente, logo que confirmou a morte do último trabalhador ordenou que seus companheiros seguissem até a próxima forja, enquanto tratava de destruir o local com o uso de seu shii.

Na região onde eram produzidas as armaduras Ignus não encontrou maiores dificuldades, sua abordagem era bem simples, exterminar primeiro os soldados, depois os trabalhadores. No entanto seu plano sofreu uma repentina mudança, quando se preparava para matar os trabalhadores um deles gritou, chamando a atenção de Ignus, irritado com a interrupção o guerreiro resolveu que começaria pelo que lhe havia interrompido. Como já esperava, este implorou pela vida, mas Ignus não atendeu seu pedido e sua morte foi lenta, dolorosa e cruel, todos foram obrigados a assistir.

– Mais alguém que queria implorar pela vida? – Perguntou Ignus olhando para cada um presente.
– Não penso que vá adiantar, mas gostaria de saber apenas porque irá nos matar. – Disse um dos trabalhadores.
– Se faz questão de saber, lhe direi. Seu deus, Valum, iniciou uma cruzada contra nosso deus, era problema apenas deles, mas ele escolheu atacar primeiro nosso povo, então antes que ele ouse nos ameaçar novamente, iremos enfraquecer suas forças. – Respondeu Ignus olhando diretamente para o aldeão que se pronunciou.
– Mas não somos seguidores de Valum! – Disse uma mulher em meio aos prantos.
– Então o que fazem trabalhando para ele sobre a supervisão de guerreiros que portam seu símbolo, e o que faz a bandeira dele tremulando em sua vila? – Questionou Ignus visivelmente irritado
– Fomos forçados por seus servos. – Respondeu o primeiro aldeão que havia se pronunciado.
– Explique-se. – Ordenou Ignus firmemente.
– Nós nunca fomos seguidores de Valum, nenhum de nós, até um grupo de sacerdotes dele veio e tentou nos converter a todo o custo. Ficavam horas pregando na praça, berrando coisas sobre seu deus e o que aconteceria conosco se não o seguíssemos, ficaram assim por dias. Mas chegou um momento que nenhum de nós suportou e os expulsamos daqui, foi então que tudo mudou. Um pequeno exércitos de soldados carregando a bandeira de Valum, liderados pelos mesmos sacerdotes que estiveram aqui, invadiram nossas casas, nos retiraram a força e nos torturaram. Fizeram com que jurássemos serventia a Valum, os que se recusaram foram novamente torturados e mortos, alguns foram levados presos. Nós que ficamos fomos obrigados e construir essas forjas e a produzir armas e armaduras, nosso armazém que antes era apenas depósito de comida e de algumas ferramentas, virou depósito daquilo que produzíamos nas forjas.

– Se isso é verdade, que estão sendo escravizados, por que não vejo correntes ou açoites por perto? – Questionou Ignus, visivelmente duvidoso.
– Creio que isso possa provar nossa versão, guerreiro.

O aldeão ergueu a camisa e mostrou seu tórax a Ignus e seus companheiros, em seu peito a marca de Valum se mostrava marcada em sua pele, como gado que havia sido marcado por seu dono. Sob ordem os demais repetiram o gesto e Ignus pode ver claramente em todos a mesma marca, em todos ela parecia recente. Afim de confirmar o fato um Ignus ordenou que seus companheiros fossem a procura dos outros, todos deveriam cessar a investida e caso houvesse algum soldado vivo que fosse levado até sua presença o mais rápido possível.

– Acredita que eles possam estar falando a verdade? – Perguntou um dos que ficou com Ignus.
– De certa forma sim. Durante a última missão pude ver de perto como os devotos de Valum se comportam, são um grupo de fanáticos, parecem não ter discernimento e o tempo todo estão louvando o nome dele. Esses não, veja a face deles, parecem fanáticos para você?

Seu companheiro olhando para os aldeões mais uma vez, nada respondeu.

– Além do mais, não lembro de ter visto nenhum de seus seguidores marcados como gado. – Concluiu Ignus.
– Também não lembro disso, e olhe que matamos muitos, saberíamos se tivéssemos visto algo desse tipo.

Pouco tempo depois seus companheiros retornaram e outros vieram com eles, Rulgam estava logo a frente e arrastava sem muita preocupação um dos magos que havia enfrentado. Os outros traziam alguns representantes locais e alguns dos poucos soldados que ainda estavam vivos.

– Teve sorte que não matei esse aqui a tempo. – Respondeu Rulgam atirando o mago violentamente no chão.
– Não gosto de sua expressão, Ignus, diga o que está acontecendo. – Questionou Aldo que também estava junto.
– Antes quero que os aldeões que trouxeram levantem as camisas, agora!

A ordem foi imediatamente obedecida, também neles a marca de Valum se mostrava da mesma forma que nos outros que se encontravam ali.

– O que significa isso, Ignus? – Questionou Aldo – Responda!

O mago que se encontrava inerte foi atingido com força no estômago pelo chute de Ignus, a reação de dor foi imediata e começou a se contorcer no chão como um verme. Furioso pela demora da resposta, o guerreiro ergueu o mago pelos cabelos, fazendo com que o mesmo soltasse um gemido agudo de dor.

– Não creio que meu companheiro lhe bateu tanto a ponto de lhe deixar surdo, muito menos mudo, então trate de falar, antes que eu perca minha paciência. – Ordenou Ignus com sua voz imperiosa.
– Não sei... Do que está falando... – Respondeu o mago com grande dificuldade.
– Diga o que significa isso. – Questionou Ignus virando a cabeça do mago em direção a um dos aldeões que exibia o peito marcado.
– Essa... Essa é a marca de nosso glorioso... Glorioso Deus! – Respondeu demonstrando certa alegria, mesmo tendo dificuldade para se expressar.
– E por que eles foram marcados dessa forma? – Questionou Ignus outra vez.

O tom de voz do mago era baixo e ininteligível, irritado por não conseguir compreender e com as constantes pausas que fazia, Ignus esmagou o pescoço do mago e atirou-o dentro de uma das fornalhas. Olhando ameaçadoramente para os soldados, um deles começou a explicar. Segundo ele todos os que não seguiam Valum e blasfemassem seu nome eram marcados com o sinal, para no futuro arrepender-se e verem o erro que cometeram no passado, entretanto carregariam a marca de sua descrença anterior para sempre. Estes também eram forçados a trabalhar em nome do deus para redimirem-se de seus pecados, somente se livrando de tal fardo quando finalmente aceitassem seguir cegamente a Valum e prestar honras a ele.

– Mudança de planos, exterminem todos os soldados, destruam as armas e as forjas, mas não toquem em nenhum dos habitantes daqui.

Nenhum dos companheiros de Ignus tentou questionar sua ordem, seu olhar e seu tom de voz pareciam tão decididos que todos se sentiram intimidados. Imediatamente recomeçaram a agir, em pouco tempo todos os soldados de Valum foram mortos e as armas inutilizadas, as forjas foram destruídas, a população local tratou de destruir os símbolos do deus que foram colocados a força em suas casas. Já não havia mais nada que lembrasse que um dia houve a presença de invasores, a não ser pela destruição deixada pela recente batalha.

– Nunca esqueceremos o que fez por nós, guerreiro. – Disse um dos habitantes.
– Nossa missão era acabar com os seguidores de Valum, vocês são apenas vítimas dele. – Respondeu Ignus.
– Mas e se eles voltarem? – Questionou outro cidadão em tom de grande preocupação. – Certamente irão nos punir...
– Eles não ousarão. – Disse Ignus interrompendo o homem. – Eles saberão que fomos nós.


– Tem certeza de que agimos direito, Ignus?

A cavalgada de volta foi silenciosa, todos estavam pensativos e ninguém expressou a menor vontade de verbalizar o que pensava. Ignus ia à frente guiando o grupo com sua dura expressão, tomado pela raiva que sentia pelos atos de Valum, a visão da marca deixada nas pessoas, forçadas a trabalhar em seu nome o deixou com um ódio profundo do deus, aumentado ainda mais por este nunca aparecer, o que considerava um ato de extrema covardia.

Estavam parados para que os cavalos descansassem, até aquele momento nenhum deles havia dito uma palavra sequer. Aldo resolveu quebrar o silêncio, sabia bem que a autoridade de Ignus na missão era indiscutível, mas a ordem de Paia deveria ser obedecida à risca, o que não ocorreu.

– Algum problema com isso, Aldo? – Questionou Ignus visivelmente irritado com a duvida do companheiro.
– Não me entenda mal, Ignus, mas as ordens de Paia foram diretas, deveríamos ter matado todos, inclusive os habitantes. – Respondeu olhando firme para o companheiro.
– Por acaso considera que ele agiu errado? – Perguntou Rulgam olhando nos olhos de Aldo.
– Eu sou o líder e responsável pela missão, tudo o que aconteceu lá é de total responsabilidade minha, vocês apenas cumpriram minhas ordens! – Vociferou Ignus mais irritado do que antes.
– Não se preocupe, Ignus, não considero que agiu errado. – Tranqüilizou Rulgam e viu que muitos concordavam com ele. – Nosso principal objetivo foi cumprido, matamos os soldados de Valum, destruímos suas armas e acabamos com as forjas. O que mais havia de ser feito?
– E você, Haldar? O que pensa disso? – Perguntou Ignus.
– O que quer que eu diga? – Perguntou Haldar em tom se surpresa.
– Você é o mais antigo daqui deve conhecer a mente de Paia...
– Nunca se conhece plenamente a mente de um deus. – Respondeu Haldar interrompendo Aldo. – Conheço tanto dele quanto qualquer um de vocês.
– De qualquer forma o que está feito, está feito. – Disse Ignus tentando finalizar o assunto. – A decisão foi tomada por mim e nenhum de vocês tinha o direito de me contrariar. Espero ter sido bem claro.


Tão logo os guardas reconheceram o grupo de Ignus que se aproximava, trataram de abrir os portões para lhes permitir a passagem. Nenhum dos guerreiros mostrava o menor sinal de cansaço, até mesmo os sinais de batalha eram mínimos, ainda mais se comparados à última missão. Por onde passavam eram recebidos com grande animação, pois sabiam que seus defensores havia sido vitoriosos em mais uma batalha contra o inimigo.

Os cavalos foram guiados até os estábulos onde seriam alimentados e tratados. Ignus ordenou que todos fossem se banhar e trajar roupas mais apresentáveis, pois em pouco tempo se reuniriam com Paia para relatarem tudo o que ocorreu durante a missão. O deus assim que soube da chegada de seus guerreiros se mostrou satisfeito com a eficácia de seus servos.

Não tardou muito e todo o grupo estava reunido a frente do salão aguardando permissão para que entrassem, todos usavam seus melhores trajes e sua aparência não demonstrava que acabaram de chegar de uma batalha. Assim que as portas foram abertas Ignus entrou altivamente a frente do grupo, com passos largos, olhando diretamente para o deus. Quando estava exatamente a cinco passos do trono Ignus parou e se ajoelhou perante Paia sendo imitado pelos demais.

– Meus filhos! – Cumprimentou-lhes o Deus fazendo um efusivo gesto para todos. – É com grande alegria que os recebo de volta a nossa morada.

O regente local e seus líderes também estavam presentes, todos também se mostravam satisfeitos com o êxito do grupo, mesmo alguns deles não tendo muito apreço pelas grandes interferências que estavam sendo feitas em sua cidade.

– Agora contem-nos como tudo ocorreu, meus filhos.
– Tudo foi feito de acordo com o ordenado. – Disse Ignus. – Os soldados de Valum forma mortos, as forjas e as armas destruídas, nenhuma peça foi preservada.
– Uma excelente notícia! – Respondeu o deus deixando demonstrar toda sua satisfação. – E quanto aos habitantes?
– No início alguns foram mortos, mas uma parte da população foi poupada.

O deus ordenou que Ignus repetisse o que acabara de dizer e assim ele o fez, a irritação no semblante divino de Paia era evidente. As expressões de contentamento logo deram lugar a preocupação assim que todos sentiram a aura do deus, ela transbordava intensamente enfatizando ainda mais toda a irritação que o mesmo sentia naquele momento.

– Lhes ordenei que todos, inclusive a população local fossem mortos. Por que descumpriram minhas ordens? – Questionou Paia em tom nitidamente ameaçador.
– Descobrimos que a população não era serva de Valum, mas sim que o mesmo os escravizava. Por conta disso resolvi poupá-los, já que não prestavam devoção a nosso inimigo e por considerar, que tal fato seria um golpe ainda mais humilhante, além da destruição de suas armas.
– E como sabe que eles não eram servos de Valum? Como pode garantir isso? – a irritação de Paia era cada vez maior.
– Todos os habitantes estavam marcados com o símbolo de Valum no peito, como gado. Além disso, um dos soldados nos disse que assim eram tratados todos que não serviam ao seu deus.
– Você descumpriu uma ordem minha, soldado! Isso é imperdoável! – Vociferou Paia e sua voz ecoou por toda sala.

O grupo permaneceu imóvel enquanto o deus repreendia Ignus duramente, nenhum deles demonstrava o menor sinal de abalo, o mesmo não ocorria com os demais presentes todos se sentiam extremamente acuados e oprimidos pela fúria do deus. Ignus que era o alvo de toda a ira de Paia não demonstrava nenhum tipo de reação.

– Sei que sua ordem foi clara, porém considerei não haver motivos para matar a população local quando estes não nos representavam perigo. – Retrucou Ignus, seu tom de voz era calmo, mas firme e decidido.
– Ordens são ordens, vocês falharam comigo...
– Não! – Disse Ignus interrompendo o deus, deixando-o ainda mais irritado. – A decisão foi tomada por mim, eles apenas cumpriram o que determinei.
 – Realmente, como líder do grupo eles lhe deviam total obediência. – Concluiu o deus soando um pouco mais calmo. – Contudo, ainda assim deveriam ter interferido ao ver que seu líder transgredia ordens superiores. Sintam-se satisfeitos por receberem apenas está advertência, quanto a você Ignus...

Repentinamente o deus desapareceu de seu trono surgindo quase que instantaneamente a frente de Ignus, todos ficaram surpresos com tamanha velocidade, ninguém foi capaz de acompanhar o movimento. Absorto Ignus nada fez a não ser olhar fixamente para Paia, enquanto este agarrava seu ombro fortemente. No instante seguinte ambos desapareceram da sala, sem deixar o menor vestígio. Todos os presentes ficaram se entreolhando, sem saber o que havia ocorrido.


Como num piscar de olhos Ignus se viu no alto de uma colina, sua mente ainda tentava desfazer a confusão da mudança súbita de ambiente quando avistou, ao longe, o local de onde a pouco executaram a missão dada por Paia. Em uma rápida olhada viu o deus ao seu lado, de braços cruzados, imponente, olhando fixamente para a pequena cidade, seu olhar era pura raiva.

– Devo admitir que invejei-te por conseguir uma arma tão magnífica quanto a que porta agora. – Disse o deus referindo-se a Yurian. – Me frustrou muito saber que eu, um Deus, não poderia portar tal artefato, enquanto um mero humano poderia.

Observando atentamente o deus, Ignus nada comentou.

– Você é um servo muito útil, valoroso, hábil, porém é arredio e teimoso. Por muitas vezes não me presta o devido respeito, mas deixo passar por sempre se mostrar um lacaio leal. Porém, desta vez você passou dos limites.
– Nossa missão era enfraquecer as forças de Valum, foi o que fizemos, aquelas pessoas são vítimas dele, não podem ser punidas por isso. – Respondeu indignado.
– Ouvir isso de um guerreiro impetuoso e cruel como você, é uma ironia sem tamanho.
– Posso ter prazer no combate, me deleitar ao retalhar um inimigo, mesmo que momentâneo, porém não mato quem para mim é inocente. – Concluiu Ignus friamente.
– Inocentes... – Riu o deus. – Não há inocentes numa era como essa! – Vociferou e sua voz se fez ecoar por todos os lados.

O deus olhou fixamente para os olhos de Ignus, o olhar do guerreiro era frio e inabalável, era o olhar de alguém que não hesitaria em momento algum. No entanto, o dono deste mesmo olhar foi capaz de poupar a vida de muitos, unicamente por considerá-los inocentes, mesmo a revelia de ordens superiores.

– Observe atentamente, Ignus, isso é o que você deveria ter feito.

Uma energia extremamente poderosa surgiu de repente saindo do corpo do deus, todo o ambiente a volta pareceu sofrer anomalias e se alterar constantemente devido a imensa força divina. O vento começou a soprar fortemente em todas as direções, a terra tremia violentamente e relâmpagos a golpeavam, aumentando ainda mais o caos.

Instintivamente Ignus usou seu shii para proteger-se, sabia que se não fosse tão forte seria completamente esmagado pela energia de Paia. Olhando na direção da pequena cidade viu o alvoroço de seus habitantes perante o caos que a natureza exibia, mas pouco se podia fazer naquela circunstância.

O Deus da Guerra agora era um ser mais etéreo do que físico, embora ainda mostrasse uma aparência definida, Ignus teve certeza de que pela primeira vez estava diante do verdadeiro Deus da Guerra.

Com um simples gesto de mão Paia ergue a porção de terra abaixo da pequena cidade, mesmo em meio a toda turba Ignus pode ouvir claramente os gritos de pavor e desespero dos habitantes. Pouco a pouco as casas foram se desfazendo, tudo que não tinha vida foi sendo destroçado e desfeito, lentamente. As pessoas começaram a ser mutiladas, uma a uma, sem nenhuma chance de defesa, em pouco tempo todas estavam completamente desmembradas, porém vivas.

Um turbilhão energético envolveu-os, lentamente aumentando sua intensidade e velocidade, fazendo que todas as pessoas se misturassem e se chocassem, aumentando ainda mais a tortura. A poderosa energia divina foi pulverizando tudo e todos que estavam no turbilhão, um processo que foi realizado de forma lenta e dolorosa. Por fim, o deus reuniu toda a massa em um único ponto e arremessou-a contra a terra, causando uma imensa explosão que devastou o que restou ao seu redor.

O espetáculo destrutivo findou-se repentinamente, Paia voltou ao seu estado físico e toda a sua energia se dispersou de forma rápida. Ignus estava a vários metros do deus, a intensidade da energia foi tamanha que arrastou o guerreiro sem muita dificuldade, embora ela nada tivesse sofrido.

Ainda perplexo com o que acabara de presenciar ele olhou mais uma vez, porém apenas viu uma imensa cratera onde antes havia uma pequena cidade. Sua mente relutava em acreditar no que presenciou a pouco, nunca havia visto tamanha demonstração de poder, muito menos a real demonstração do poder de um deus. Olhando para as próprias mãos questionou se teria capacidade para tal, mas não conseguiu obter uma resposta.

– Esta foi a última vez que me desobedeceste, guerreiro.

Com essas palavras, Paia olhou Ignus uma última vez e desapareceu, exatamente como havia feito minutos antes no palácio. Ignus permaneceu ali, olhando para a desolação causada pelo deus. Não sentiu raiva nem pena, muito menos revolta. Na verdade, não sentiu nada.


Horas depois Ignus retornava para a cidade de onde havia sido levado por Paia, perplexos e confusos os guardas relutaram em abrir o portão, pois não haviam visto Ignus sair, muito menos haviam recebido qualquer aviso de tal fato. Após ter sua passagem garantida o guerreiro calmamente foi caminhando até seu alojamento, entretanto havia algo de errado na cidade, todos pareciam tensos e preocupados, provavelmente pelo que ocorrera a pouco, pois não se comentava outra coisa se não a estranha e colossal manifestação energética.

Pouco antes de chegar ao alojamento viu um pequeno comboio militar de Miliris parado e estranhou tal fato, ainda mais por não ter notícias daquele reino há bastante tempo. Assim que se aproximou saudou os soldados e estes retribuíram friamente e cochicharam algo entre eles. Já dentro salão do alojamento ficou surpreso ao ver o Rei de Miliris junto com sua guarda de honra ao lado de Paia.

– Vejo que conseguiu retornar, Ignus. – Disse secamente o deus.
– Foi uma longa caminhada, já que estava a pé, mas não trabalhosa. – Respondeu reverenciando o deus, apenas.

Percebendo tal fato o rei se mostrou bastante incomodado e olhou para Paia, como se fizesse um sinal. O mesmo retribuiu o olhar e balançou a cabeça positivamente.

– Por que desrespeita um convidado meu? – Questionou o Deus demonstrando grande irritação.
– Desculpe-me, senhor, mas devido a fatos do passado não reconheço nada neste homem que mereça o mínimo de respeito.

Aquela declaração chocou a todos os presentes, inclusive a Paia. Os olhos do Rei se encheram de ira e revolta.

– Ignus, sempre reconheci seu valor como guerreiro e como meu servo. – Disse o Deus com um tom extremamente calmo na voz. – No entanto há deveres que independente de nossa posição devem ser cumpridos, você faltou com o respeito devido há um soberano, não apenas hoje, mas também há algum tempo e o mais grave, em seu próprio território e perante seus súditos!

Os companheiros de Ignus que estavam presentes pareciam surpresos, todos olharam para ele que mantinha uma expressão serena, mesmo após a acusação.

– Quando se uniu ao meu séqüito você ainda estava sob o juramento de lealdade para com o Reino de Miliris. – Continuou o Deus. – Como não havia sido oficialmente dispensado, foi considerado desertor, somando isso com o desrespeito e humilhação pública ao Rei, você, Ignus, foi condenado e deverá ser preso por desacato e deserção.

Era visível a satisfação do Rei ao fim do anuncio da sentença, até mesmo o Deus demonstrava certo contentamento, porém Ignus se mantinha com a mesma expressão imutável, seu rosto não demonstrava a menor emoção. Seus companheiros pareciam chocados, mas nenhum teve qualquer atitude que não observar.

Dois soldados de Miliris foram ordenados a acorrentarem Ignus e retirarem sua espada, receosos devido à fama do guerreiro ambos foram até ele, com cautela, pois mesmo estando cercado, não tinham garantias de que não reagiria. Para a surpresa de todos o guerreiro não ofereceu resistência, deixou-se acorrentar sem nem mesmo protestar, mantendo sua expressão séria e inabalável, olhando constantemente para o Deus e para o Rei.

– Não toque nela.

Espantado com a severidade das palavras de Ignus, o soldado que deveria retirar sua espada se afastou lentamente, temendo ser atacado repentinamente. Os outros soldados que se reuniram a sua volta a fim de evitar qualquer tentativa de reação também recuaram, por mais numerosos que fossem, todos conheciam a fama da força de Ignus, nenhum deles estava disposto a conhecê-la pessoalmente.

Visivelmente irritado com a hesitação de seus próprios subordinados, o Rei ordenou sonoramente que desarmassem Ignus e ameaçou-os caso desobedecessem, imediatamente um soldado se apressou a foi tentar retirar a arma da cintura do guerreiro.

Assim que tocou na bainha de Yurian, a mesma se incendiou, carbonizando o braço do soldado em poucos instantes. Em choque, nenhum dos soldados conseguiu esboçar a menor reação, apenas observaram a agonia do companheiro que se contorcia no chão, lutando para que as chamas não se alastrassem pelo seu corpo.

Em meio a sua perplexidade o Rei conseguiu apenas bradar desesperado que imobilizassem Ignus, mesmo este já estando totalmente acorrentado. Os soldados como se estivessem em uma espécie de transe custaram a compreender a ordem, somente depois ouvir os berros desesperados do Rei pela terceira vez é que se deram conta do que estava sendo dito. Imediatamente começaram a golpear Ignus, mas este se mantinha praticamente imóvel, até mesmo os golpes que tinham a intenção de derrubá-lo se mostravam inúteis.

Vendo que as forças de Miliris não conseguiriam conter um dos seus, Paia ordenou que seus servos presentes contivessem seu então ex-companheiro. Relutantes eles obedeceram, afastaram os soldados e imobilizaram Ignus eles mesmos.

– Entregue sua espada, Ignus, sem resistência. – Disse Rulgam que se aproximou calmamente a frente do companheiro.
– Sabe que a entregaria de bom grado, mas quem a tocar sofrerá o mesmo que ele. – Disse Ignus indicando com a cabeça o soldado que ainda jazia no chão contorcendo-se de dor.
– Resistência a prisão! Mais um crime! – Disse o Rei com grande satisfação.
– A espada rejeita todo aquele que não for seu dono. – Disse Rulgam em defesa de Ignus. – Ele não pode ser culpado por isso.
– Rulgam, por acaso ousa desafiar a soberania de um Rei? – Questionou severamente Paia.
– De forma alguma... Meu senhor. – Respondeu Rulgam fazendo uma reverência, mas visivelmente transtornado.

Não vendo outra opção o próprio Paia retirou a espada de Ignus, no instante que a tocou a mesma inflamou-se novamente, a força das chamas era algo impressionante, mesmo já tendo sentido seu poder antes, parecia que era a primeira vez que sentia a fúria do fogo gerado pela espada. Utilizando de seu poder divino a espada desapareceu, mas suas chamas continuaram ardendo mesmo depois de um tempo, até serem dispersas pela aura do deus.

Até então Ignus se mostrava inabalável, porém o desaparecimento de sua arma o deixou visivelmente surpreso, mesmo utilizando seu shii não conseguiu senti-la, era como se a mesma tivesse deixado de existir, sem deixar um rastro sequer.

Sem nada poder fazer os guerreiros apenas observaram seu companheiro ser levado, assim como Rulgam, todos consideravam a prisão injusta, mas não ousaram impedi-la. Paia parecia satisfeito ao ver o servo ser levado como um prisioneiro comum, entretanto tentava não demonstrar demais tal sentimento, diferente do Rei que gargalhava sonoramente.

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