Forjando Um Guerreiro: Aço e Fornalha - Quinta Parte

DETERMINAÇÃO


Mais tarde naquele dia o próprio Deus da Guerra foi informado da vitória de seus homens no campo de batalha, satisfeito, resolveu pessoalmente parabenizá-los por sua grande atuação. O salão principal da cidadela foi preparada para receber o deus, todos os presentes vestiam roupas cerimoniais em sinal de respeito, até mesmo os prisioneiros, trajavam vestes mais adequadas.

Assim que o deus adentrou o salão, mulheres trajando apenas finos véus brancos transparentes começaram a dançar reverenciando e guiando-o até o trono, que foi especialmente preparado para ele, enquanto músicos tocam uma melodia suave e agradável especialmente composta para a ocasião. De forma pomposa o deus se sentou e dispensou as dançarinas e os músicos, todo o resto o reverenciou profundamente enquanto se ajoelhavam perante ele. Haldar e Ignus também estavam presentes.

– Estou realmente satisfeito com vocês hoje, meus discípulos. – Disse o deus deixando transparecer sua satisfação.
– Não fizemos mais do que nossa obrigação, meu senhor. – Disse Haldar que estava de cabeça baixa, assim como os demais.
– Haldar, você como sempre me presta um bom trabalho.
– Mas a glória de hoje não é só minha, meu senhor, mas também de todos aqueles que lutaram ao meu lado.
– Sim, eu sei, meu filho. Sei também que o plano de ataque foi obra de Ignus. – Disse o deus mostrando certo desconforto. – Levante-se.

O guerreiro ergueu-se e deu um passo a frente.

– Você hoje provou seu valor, guerreiro. Mas não deixe a soberba lhe subir a cabeça, a glória é apenas momentânea, nunca permanente.
– Sim, obrigado pelo reconhecimento e pelo conselho, meu senhor. – Disse Ignus sinceramente fazendo uma reverência, mesmo percebendo a irritação do deus ao tratar com ele.



Os festejos continuaram e todos beberem e comeram fartamente, com seu deus ali, não haveria com o que se preocupar, ao menos não aquela noite. Pela manhã os mortos fora cremados de forma cerimonial, glórias foram entoadas em seus nomes, pois morreram de forma honrada durante o combate. Os feridos estavam sendo tratados da melhor forma possível, mas nunca havia pessoal suficiente para cuidar disso por menor que fosse o número de feridos.

A reconstrução da muralha já tinha começado, uma parte teve de ser destruída para que o reparo fosse feito de forma adequada, mas nada que prejudicasse mais a defesa do local. Lenhadores forma mandados às florestas próximas para trazerem novas toras, vários carros também foram mandados para que pudessem auxiliar no transporte do material.

No início da tarde Paia convocou uma reunião com os mais importantes membros de seu séquito que estavam presentes, como ele queria urgência, não fez questão que se apresentassem com roupas cerimoniais, pois se trataria de uma reunião militar, como deixou bem claro.

– Meus filhos, ontem fomos vilipendiados pelo inimigo. Nossa terra foi invadida, nossos companheiros mortos e nossa segurança violada. Porém, graças a sua bravura eles foram derrotados e mortos. – Disse o deus em tom afável.
– Agradecemos mais uma vez, senhor, pelo reconhecimento e a glória que nos presta. – Disse o líder local reverenciando o deus profundamente.
– Alguns de meus agentes descobriram com os prisioneiros que fizeram a localização de uma reino pertencente ao nosso mais novo inimigo.

Uma certa apreensão percorreu a sala perante o anuncio do deus.

– Vocês deverão ir até eles e dar-lhes um pouco de sua própria lição.
– Assim será feito, meu senhor! Reunirei imediatamente meus homens e partiremos em direção a eles, e os esmagaremos. – Disse o general local bastante empolgado.
– Não, meu filho. – Respondeu o deus deleitando-se com a nítida surpresa e irritação do general. – Não haverá necessidade para tanto.
– Mas, meu senhor, eu...
– Silêncio! – Interrompeu-lhe o deus.

Sua voz ecoou fortemente pelo salão e se fez ouvir não apenas ali, mas por toda a cidadela. O general se encolheu de vergonha e medo, recuando de cabeça baixa.

– Segundo soube, o senhor achou absurdo o plano que se mostrou vitorioso na batalha de ontem, então por que devo honrá-lo com a liderança de hoje?
O general apenas se ajoelhou e encostou a cabeça no chão, permanecendo calado.
– Não há necessidade que um contingente tão grande vá até eles, além do que, este local ficaria desprotegido. Pelo valor demonstrado ontem eu designo você, Ignus, para que lidere um contingente de ataque. – Anunciou o deus indicando o guerreiro.
– Muito obrigado, meu senhor, fico imensamente honrado. Juro que não falharei. – Disse Ignus imensamente satisfeito consigo mesmo.
– Contudo, deverá escolher apenas cinqüenta homens que deverão seguir-te. Matem todos, destruam tudo, mas tragam-me o rei local vivo. – Anunciou o deus satisfeito ao ver a irritação de seu vassalo.
– Sim, senhor. Será feito. – Disse Ignus agora descontente por perceber que havia sido posto em uma armadilha.


Como tinha conhecimento das habilidades de muitos dos que faziam parte do séquito de Paia, Ignus não teve dificuldade em reunir os cinqüenta que iriam com ele, Haldar, obviamente, eram um deles.

Os outros quando souberam ficaram imensamente surpresos e honrados, mas preocupados em saber que apenas ele deveriam dar conta de tamanha responsabilidade, ainda mais sem ter conhecimento do tamanho do exército local, mas nenhum recusou a oferta.

Rapidamente prepararam equipamento e mantimentos, a viagem seria um pouco longa, segundo informações levariam por volta de três dias para chegarem ao seu destino. O local era uma fortificação que ficava enraizada ao pé de uma montanha, alguns já tinham ouvido falar nessa cidade, entretanto não a conheciam pessoalmente, então a estratégia não poderia ser outra senão invadir a cidade e fazer o uso de suas habilidades ao máximo apara destruírem tudo no menos tempo possível.

Com tudo pronto eles aguardaram o anoitecer para só então seguirem viagem, concordaram que não seria bom serem vistos durante o dia, isso poderia gerar rumores indesejados, coisa que uma cavalgada noturna evitaria. Durante o dia descansariam nas matas que beiravam a estrada, turnos de vigília seriam feitos para que não ficassem totalmente vulneráveis, quando estivesse próximo de escurecer seguiriam viagem novamente, retornando a estrada quando não houvesse mais a luz do sol.

Tão logo anoiteceu eles partiram em disparada, embora não tivessem pressa para chegar ao destino e executar missão, sabiam que viajar apenas pela noite os retardaria muito. Cada um tinha seu próprio cavalo e sua própria carga, que ia desde armas e armadura, até provisões e alguns outros tipos de artefatos. O ritmo da cavalgada era apressado, mas não muito, até mesmo durante a noite deveria se cavalgar com cautela caso não quisesse chamar a atenção, mesmo estando em número reduzido, um comboio de cinqüenta cavaleiros era algo que levantava suspeitas.


– Como será a abordagem, Ignus? – Perguntou um dos homens.

O céu já não estava mais tão escuro e eles resolveram fazer a primeira pausa, seguiram a estrada até encontrarem um ponto de mata mais densa onde puderam se ocultar com facilidade. Estavam próximos a um pequeno curso d’água, lá poderiam encher seus odres, se refrescar e seus cavalos saciar a sede, além de não estarem muito distantes da estrada.

– Vocês devem ter notado que fui posto em situação bem delicada, por mais fortes que sejamos nossa investida não será fácil. – Disse Ignus olhando seriamente para seus companheiros.

Virando-se para sua mochila o atual líder do comboio pegou um mapa que conseguirá com um dos mensageiros da cidade onde estavam. O mapa mostrava os arredores do local onde invadiriam e detalhava um pouco do relevo.

– Como podem ver não será simples, sua frente é protegida por uma muralha e sua retaguarda é uma grande montanha. – Disse enquanto indicava os desenhos rústicos no mapa.
– Sei que lá é um local de grande movimentação, parece haver uma grande concentração de comerciantes e também de viajantes, logo creio que não teremos problema em adentrar. – Disse um dos homens que estava sentado ao lado de Ignus.
– Por aqui podemos ver que a estrada, mais a frente, irá se bifurcar, um dos caminhos nos levará até a cidade, o outro no sentido da montanha, já que existem vilarejos por aquela região. Sugiro que nos separemos...
– Atacaremos por cima também? – Questionou um dos que estava mais afastado, interrompendo Ignus.
– Sim, dessa forma não terão como reunir forças para impedir o avanço de quem for pela entrada principal, além do que, eles não devem estar protegidos por ataques vindo das montanhas. – Concluiu Ignus e todos concordaram com ele.
– Como será o ataque? – Perguntou Haldar.
– Os que forem pela entrada principal não devem ir todos juntos, após nos separarmos andem em grupos de no máximo quatro. Rulgam, você é capaz de controlar o fogo, entre por último, depois incendeie um telhado, mas de forma discreta, isso será o sinal para avisar os que estiverem na montanha que todos já estão dentro.
– E como saberemos que vocês já estarão na montanha? – Questionou Rulgam um guerreiro de expressão pesada e carrancuda.
– Faça isso apenas um dia depois da chegada de vocês, circulem pela cidade, observem cada guarda, cada ponto de vigia, é lá que nossos ataques devem se concentrar, entenderam? – Perguntou Ignus olhando nos olhos de seus companheiros e todos concordaram. – No dia seguinte pouco depois do meio-dia dê o sinal, esperaremos mais um dia, só então começaremos o ataque.
– E como vamos saber quando deveremos começar? – Questionou um que estava ao lado de Haldar.
– Eu irei liderar o grupo de ataque que seguirá pela montanha, lhes garanto que saberão quando iremos começar.


Durante o dia eles descansaram, revezaram-se em turnos regulares de vigília, mas nada de alarmante ocorreu. Quando o sol começava a se por eles retomaram a cavalgada em ritmo forte. No dia seguinte chegaram a divisão da estrada, os que seguiram direto para a cidade cavalgavam em pequenos grupos e de forma alternada, para não chamar a atenção, como Ignus havia planejado. Os que foram em direção a montanha seguiram juntos e cavalgaram mais rápido.

Para a surpresa do grupo que foi com Ignus o caminho até a montanha não foi tão longo quanto imaginaram, chegaram ao seu destino ainda no meio da noite e de lá puderam ver os pequenos focos de luz vindos da cidade abaixo. Lá puderam montar um acampamento mais decente, pois presumiram que ninguém viria incomodá-los por ali.

Tão logo amanheceu e eles puderam ter uma noção mais exata da cidade, ela não se estendia montanha à cima como chegaram a imaginar, apenas de elevava um pouco mais do que o habitual. Na parte mais elevada ficava um suntuoso castelo, que deveria ser muito bem protegido pela frente.

Olhando com atenção o relevo montanha a baixo até a cidade todos notaram que a descida seria difícil, mas como eles não eram pessoas comuns o obstáculo do relevo e da altura não seria um grande empecilho. Em um levantamento rápido Ignus descobriu que além de Haldar mais dois dos presentes sabiam voar, os outros garantiram que saltar mesmo daquela altura não seria problema para eles, isso o deixou satisfeito.


– No que tanto pondera?

O sol estava próximo de seu ápice no céu, enquanto a maior parte do grupo descansava Ignus olhava a cidade, pensativo. Haldar notou que Ignus tinha algo em mente, mas não conseguia saber o que. Sentado ao seu lado ele tentava vislumbrar o mesmo que sue ex-pupilo na tentativa de ver o mesmo que ele.

– Acho muito estranho essa missão que Paia me deu. – Disse Ignus em meio ao seu aparente transe.
– Também acho, ele te pôs em uma armadilha onde as chances de falhar são muito grandes. – Disse Haldar cm sinceridade.
– Eu sei, e isso me anima! – Respondeu Ignus com um sorriso quase sádico no rosto.
– Pelo visto os rapazes ainda não chegaram. – Comentou Haldar após uma breve pausa para contemplar a paisagem.

De um salto Ignus se levantou e foi em direção ao seu cavalo e começou a aprontá-lo.
 
– Onde pensa que vai? – Questionou Haldar.
– Preciso ver algo. – Respondeu Ignus enquanto montava no cavalo.
– Isso irá retardar o ataque, não conseguirá ir e voltar a tempo de executar seu plano. – Vociferou Haldar preocupado.
– Não se preocupe, Haldar, estarei aqui antes do que pensa.

Os protestos de Haldar de nada adiantaram e Ignus saiu em disparada, alguns de seus companheiros que ainda estavam acordados não puderam deixar de notar a estranha retirada do líder do grupo no meio do dia, nem mesmo Haldar sabia explicar os motivos de Ignus, mas de alguma forma conseguiu tranqüilizar os outros.


Cavalgando o máximo que podia Ignus ia cortando estradas, se embrenhava por entre a mata, para atalhar com o objetivo de chegar à cidade o mais rápido possível. Mesmo o deus Paia afirmando ser aquele um local regido pelo deus que os havia atacado, o guerreiro tinha suas dúvidas. Sabia que Paia não mais o via com bons olhos desde o incidente com Yurian, desde então desconfiava de suas atitudes.

No meio da noite Ignus conseguiu chegar à cidade, seu cavalo estava exausto depois do grande esforço que havia feito. Para sua sorte o portão da cidade estava aberto e pode perceber que mesmo àquela hora a movimentação na cidade era intensa, ao menos para o horário.

Sua entrada foi fácil e sem chamar muito a atenção, apenas perguntou aos sentinelas locais onde havia um estábulo onde pudesse guardar seu cavalo, eles o indicaram um próximo de uma estalagem e permitiram sua passagem.

– Que Valum o proteja, viajante. – Saudaram os guardas.

Ouvir isso o deixou satisfeito, Valum era o nome do deus que havia mandado seus seguidores atacá-los dias antes, saber que os soldados locais eram seus seguidores o deixava animado por começar logo o ataque, mas ainda precisava saber mais.

Assim que acomodou o animal Ignus começou a vagar pela cidade, não demorou muito e ele encontrou diversas estátuas que eram atribuídas a Valum, cada casa exibia uma gravura do mesmo no alto da porta.

Mesmo durante a noite o comércio funcionava de forma intensa, como a quantidade de viajantes que chagava tarde era grande os comerciantes não descansavam. A vida noturna da cidade também era me agitada, as tavernas ficavam abertas e tocavam música animada, pessoas riam, conversavam e bebiam despreocupadas.

Enquanto andava pelas ruas e alamedas, Ignus pode ver o quanto a devoção por Valum era forte naquele local, em praticamente cada esquina havia alguma representação de sua imagem, além de frases supostamente atribuídas a ele. Porém o que mais lhe chamou a atenção foi um culto que estava sendo realizado em praça pública, as pessoas falavam alto e o tempo todo, ficando até difícil de entender o que se dizia. Todos os presentes estavam muito bem trajados, até demais, pensou Ignus, todos se vestiam como nobres, mas ele duvidava que apenas nobres participavam daquele estranho culto, até mesmo o sacerdote estava vestido como os demais, diferenciando-se apenas por estar atrás de um púlpito.

Era um culto fervoroso e o fanatismo era visível na forma como era conduzido, o sacerdote berrava palavras de ordem, que eram respondidas pelos seguidores em tom ainda mais alto. Algumas pessoas se balançavam para os lados, saltavam, berravam clamores, era um espetáculo bizarro de fanatismo, que impressionava, também, pelo número de integrantes, mesmo sendo tarde da noite o número de pessoas que participavam era muito grande, até mesmo crianças participavam do culto e pareciam tão fanáticas quanto os adultos.

Ignus ainda permaneceu assistindo o culto por alguns minutos, até que se cansou daquilo, não conseguia compreender como alguém seguia tão cegamente a uma divindade, mesmo ele antes do incidente com Paia, não era tão devotado assim a ordem. Porém quando estava saindo algo lhe chamou a atenção, um homem apresentando muitos curativos sem um dos braços subiu ao púlpito a pedido do sacerdote, era um dos soldados sobreviventes que havia lutado na batalha de dias atrás, como ele havia conseguido fugir nesse estado Ignus não conseguiu imaginar, mas deveria ter algum valor se resistiu até agora no estado em que estava.

Seu discurso começou dizendo que se ele ainda permanecia vivo era por causa de sua devoção ao seu deus, que não permitiu sua prematura morte para o inimigo. Segundo sua narrativa o exército que eles enfrentaram era um amontoado de servos de entidades malignas, possuídos por forças demoníacas, extremamente violentos e numerosos, por conta disso, a derrota veio de forma rápida e devastadora.

Após ver a explosão de apoio dos presentes quando o sacerdote anunciou que uma nova investida seria feita, Ignus se deu por satisfeito, voltou até onde havia visto uma estalagem e lá passou a noite para não levantar suspeitas. Assim que o dia amanheceu apanhou seu cavalo e retornou ao acampamento o mais rápido possível, sempre que lembrava olhava para a cidade esperando ver o sinal indicador da chegada de seus companheiros, mas não conseguiu ver nada.

Já havia escurecido há muito quando Ignus finalmente chegou ao acampamento, seu cavalo estava exausto, não havia feito uma pausa sequer e logo foi recebido com bastante água e muito capim. O guerreiro também estava um pouco cansado e com bastante fome, mas não teve tempo para descansar e comer, seus companheiros logo começaram a questioná-lo sobre seu paradeiro, no entanto ele só respondeu após abocanhar o primeiro pedaço de carne que tinha sido posto na fogueira alguns minutos antes de sua chegada.

– O sinal foi dado? – Perguntou enquanto ainda mastigava a carne que não tinha sido cozida o suficiente.
– Foi, pouco depois do meio-dia. – Respondeu um de seus companheiros. – Agora explique por onde esteve. – Perguntou duramente.
– Fui até a cidade, precisava ter certeza de que não atacaríamos sem um bom motivo. – Respondeu após engolir a comida.
 – Eles terem nos atacado não é um motivo bom o bastante? – Perguntou um de seus companheiros.
– Se puder esperar que termine minha refeição lhes explicarei com mais clareza.

Não vendo alternativa todos acabaram acatando e aguardaram que Ignus terminasse de se alimentar, mas seus ouvidos não foram poupados dos resmungos de duras críticas ao seu ato. Mal terminara de engolir a última parte de sua refeição e novamente ele fora bombardeado por uma avalanche de questionamentos, pedindo ordem e compreensão ele explicou com calma tudo o que fez, viu e ouviu na cidade. Disse considerar necessário constatar que aquela cidade realmente estava sob o domínio do tal novo deus, já que eles poderiam apenas ser mais uma cidade dominada pela força, não tendo o apoio da população.

Contou sobre o culto fanático, sobre o modo como o deus era adorado por todos naquele local. Falou também sobre a disposição de guaridas e postos de observação e como era feita a segurança local.

– Esperaremos até amanhã, quando estiver próximo do meio-dia atacaremos com tudo!

Ouvir aquilo deixou seus companheiros muito mais animados, chegaram a pensar que Ignus os abandonaria, mas quando o viram voltando e agora que acabaram de ouvir seu discurso tinham certeza de que seu líder os levaria a vitória.

– Não se animem muito, por mais poderosos que sejamos, nosso número é reduzido demais. – Alertou-os Ignus – Teremos de agir de forma rápida e devastadora.


O vento soprava leve naquele momento, enquanto a cidade lá embaixo estava seguindo sua rotina, no alto do monte um grupo de guerreiros se reunia na parte mais alta prontos para lançarem-se contra ela e devastá-la. Nenhum deles demonstrava o menor sinal de nervosismo.

– Diga-nos Ignus, como deveremos proceder? – Perguntou um dos guerreiros.
– Ao meu sinal vocês deveram saltar em direções diferentes, iniciaremos ataques dispersos para neutralizar suas defesas. Ao chegarem próximo do solo explodam seus shiis e destruam tudo o que puderem.
– Há algo que não devamos fazer? Algum grupo que devamos poupar? – Questionou Haldar.
– Matem todos que se interporem em nosso caminho, mulheres ou crianças. – Respondeu Ignus secamente – Porém, somente só matem aqueles que tentarem atrapalha-lhos.

Seus companheiros olharam bem para ele e viram sua expressão decidida, embora suas palavras fizessem parecer tudo muito simples, todos sabiam que não seria. Nenhum deles poderia contar com o apoio de seus companheiros devido ao seu número reduzido, mas isso só os deixava mais animados e ansiosos, prontos para demonstrarem sua força e seu valor.

– Creio que esse seria um excelente momento para que aprenda como voar. – Disse Haldar distraidamente para Ignus rindo da expressão do antigo discípulo.



As pessoas na cidade seguiam sua rotina sem perturbações externas, pessoas iam e viam para todos os lados preocupados apenas com seus afazeres diários, crianças brincavam tranqüilas, era apenas mais um dia comum, não fosse o clima nebuloso que anunciava uma vindoura chuva.

Toda a normalidade de um dia qualquer foi quebrada no instante que um intenso clarão tomou conta da cidade, no instante seguinte um estrondo fortíssimo encheu os ouvidos de todos, fazendo, inclusive, estremecer todas as construções. Muitos ficaram perplexos sem entender o ocorria, guardas e soldados corriam em direção do provável ponto de origem do clarão, rapidamente os que estavam mais próximos se aglomeraram e assustados viram a destruição que originou o estrondo.

O rugido das nuvens que pairavam sobre a cidade deixava claro que haviam sido atingidos por um relâmpago, embora nunca antes tivessem sofrido com tal coisa, aquilo não era um bom sinal. Algumas pessoas tentavam retomar suas vidas enquanto as autoridades locais avaliavam o estrago, grupos religiosos se aglomeraram no local e começaram um culto fervoroso pedindo a proteção de seu deus, entretanto, mais uma vez suas atenções foram desviadas.

Sucessivas explosões foram ouvidas vindas da parte de trás da cidade, a onda de impacto veio rápida e devastadora para os que se encontravam mais próximos dos epicentros das explosões, o pânico logo se instaurou na cidade. Enquanto muitos tentavam se abrigar e até mesmo fugir da cidade, uma onda de gritos de pavor e algumas outras explosões foram ouvidas vindo, agora, de variados pontos. O ataque havia começado.

Os companheiros de Ignus que já estavam na cidade, assim que ouviram o relâmpago tiveram certeza de que aquele era seu sinal, cada um tentou ao máximo ficar misturado a multidão e se afastarem um do outro. Tão logo perceberam que seus companheiros começaram a atacar, eles também deram início a sua investida e em poucos minutos, a cidade havia se tornado um mar de caos e pânico generalizados. Nem mesmo os protetores locais sabiam o que estava acontecendo, não demorou para que o alarme de invasão soasse, mas em meio a balburdia causada pelo pânico da população, nada foi ouvido, não que fosse necessário.

Todo aquele que tentava impedir o avanço dos invasores era brutalmente assassinado, isso se tivesse a oportunidade de vê-lo antes de morrer. Pouco tempo depois pequenas tropas estavam reunidas e partiram para tentar identificar e impedir os ataques, o que não tardou muito.

Uma das tropas localizou um dos seguidores de Paia enquanto este acabava de matar cinco soldados com um único disparo de seu shii, os mais exaltados não suportaram ver a cena e avançaram contra ele, mas estes também foram subjugados com facilidade, após serem divididos ao meio por ondas de shii disparadas pelo braço do guerreiro. Mas havia ainda mais inimigos vivos, ele sabia que não seria fácil.

– Ordeno que pare, invasor, ou então...
– Irão me matar? – Interrompeu completando o que o líder da tropa inimiga iria provavelmente dizer. – Venham logo e poupem-me do trabalho de caçá-los.

A provocação teve efeito imediato e todos avançaram juntos, porém, antes que fosse atingido ele saltou evitando o choque direto, deixando alguns soldados perplexos com sua habilidade. Pouco antes de atingir o ápice de seu salto girou o corpo, apontou as mãos para baixo e disparou uma grande esfera energética, que pouco antes de atingir o solo, ou algum inimigo, foi destruída por filete energético, gerando assim uma intensa explosão e matando os soldados mais próximos e ferindo gravemente os outros.

Os outros começaram a ter problemas semelhantes, mas todos conseguiam sair-se bem na medida do possível, mas ambos notaram, a sua maneira, que poucos soldados iam até eles. Alguns perceberam algo mais estranho, ao invés de atacar, alguns seguiam em direção aos fundos da cidade, onde ficava o palácio, Ignus também notou isso e desconfiou, aquilo não deveria ser apenas para proteger o regente local, havia algo a mais.

Decidido a saber o que havia por trás daquela estranha movimentação, Ignus liquidou rapidamente a tropa que enfrentava gerando uma intensa onda de fogo. Após ver que estava livre, por enquanto, disparou um relâmpago para o alto, na esperança que seus companheiros o vissem e compreendessem seu sinal.

Enquanto dava cabo dos soldados que apareciam e dos cidadãos mais corajosos, seus companheiros foram chegando, a maioria exibindo alguns ferimentos, mas nada muito grave. Pouco tempo depois quase todos já estavam reunidos.

– O que houve, Ignus. – Perguntou um que acabara de chegar.
– Há algo no palácio, eles estão reunindo um contingente muito grande lá. – Anunciou sua suspeita.
– Alguma idéia do que possa ser? – Perguntou Haldar.
¬– Sei tanto quanto qualquer um de vocês, mas duvido que estejam fazendo isso apenas para proteger o líder desta cidade.
– Então sugiro que entremos lá e descubramos o motivo por nós mesmos.
– Sugestão aceita! – Anunciou Ignus com um sorriso malicioso.


Uma verdadeira barricada humana fora formada na frente do palácio, um incontável número de soldados estava enfileirado em uma linha de defesa praticamente impenetrável, todos muito bem armados e protegidos. Tão logo avistaram os invasores rapidamente todos se colocaram em posição defensiva, todos ficaram surpresos ao verem que o contingente inimigo era tão pequeno, porém mais surpreso ainda ficaram quando alguns de seus companheiros mais afoitos foram praticamente desintegrados pela demonstração de poder de apenas um dos invasores. Naquele momento todos os seguidores de Paia já estavam reunidos.

– Invasores, seus atos infames foram longe demais. Em nome do Todo Poderoso Valum, eu vos ordeno que recuem e desistam de tua investida. – Anunciou um líder do exército local. – Mesmo tendo sido um ultraje sem precedentes, caso se rendam seremos piedosos e pouparemos suas vidas.
– Sua falácia tem tom de anedota! – Debochou Ignus. – Falas de ultraje? Pois ultraje maior foi o que vós fizerdes a nossas terras, isto nada mais é do que uma singela retribuição.
– Seja como quiseres, que Valum tenha piedade de vossas almas.

A um sinal do líder as primeiras fileiras e as duas últimas empunharam seus arcos e prepararam as flechas, uma última tentativa foi feita, mas os homens liderados por Ignus recusaram a rendição. Então veio a chuva mortal, uma incontável quantidade de flechas que desenharam sua mortífera trajetória no ar, apenas uma salva foi disparada, pois apenas uma seria necessária para aniquilar o diminuto grupo de invasores. Entretanto aqueles invasores não eram homens comuns e, não à toa, eram os melhores servos do Deus da Guerra.

Assumindo a frente do grupo Haldar olhou as flechas que se aproximavam rapidamente, de seu corpo saiu uma intensa onde de choque que atingiu as flechas como se tivessem chocado contra um rígido obstáculo. Uma a uma elas foram se partindo, se desfazendo e jogadas para longe, tornando o que seria uma ameaça inevitável em um mero blefe.

A perplexidade fez com que muitos recuassem alguns passos, até mesmo o líder estava atônito perante tamanha demonstração de poder, porém, aquilo havia sido nada mais do que uma simples defesa. A demonstração real de poder veio em seguida quando algumas colunas de soldados foram instantaneamente carbonizadas por Ignus, as chamas disparadas por ele assumiram a forma de uma imensa serpente, avançando furiosamente contra o inimigo e devastando tudo o que tocava, criando assim uma perfeita passagem até a entrada do palácio.

O pavor tomou conta de alguns soldados que abandonaram as fileiras defensoras e fugiram, outros tomados por uma coragem súbita se atiraram contra os invasores e foram imitados pouco depois. O restante do exército foi contido por seu líder que ordenou sua permanência onde estavam, eles apenas puderam observar o massacre.

O próprio Ignus matou friamente os primeiros que chegaram até ele, o primeiro fora facilmente vencido após ter o corpo dividido pouco acima da cintura, o seguinte tentou golpeá-lo com uma estocada, no instante seguinte fora desarmado, teve a garganta atravessada pela própria espada e por último decapitado. Outros também tiveram o mesmo destino, todos de forma semelhante, a habilidade de Ignus era incomparável naquele momento. O restante do grupo também não teve dificuldade para com seus pretensos atacantes, também os matando de forma rápida e violenta.

Vendo que não havia mais nenhum soldado querendo provar seu valor eles avançaram calmamente, o exército inimigo se pôs imediatamente em posição defensiva, fechando o corredor que fora aberto à força e recuando aos poucos à medida que os invasores avançavam, tamanho era seu temor. Mesmo o fato de estarem em maior número parecia não fazer a menor diferença, passo a passo eles foram avançando até o exército local não poder recuar mais, muito menos demonstrar o menor sinal de que os impediriam. Um único soldado que ensaiou um avanço teve a lança partida e o crânio esmagado em seguida, nenhum mais ousou fazer nada que não observá-los.

O general defensor não vendo outra opção foi até os invasores, atravessando lentamente suas fileiras enquanto sentia a tensão de seus homens. Agora cara a cara com Ignus ele pode sentir toda a determinação que transbordava dele e de seus companheiros.

– O que querem? – Questionou o general olhando nos olhos de Ignus.
– Seu regente. – Respondeu o guerreiro secamente.
– O que lhe faz pensar que entregaremos nosso rei, assim de forma tão simples? – Questionou outra vez o general enquanto apertava o punho da espada.
– Deixando-nos passar evitaria um combate desnecessário e pouparia a vida de seus homens.
– Seria um bom argumento, guerreiro, caso não estivéssemos em uma superioridade numérica tão notória. Por mais fortes e poderosos que vocês sejam, ainda assim, não conseguiriam dar conta de todo o meu exército. – Disse o líder dando uma gargalhada forçada.

De certa forma Ignus sabia que o líder defensor tinha alguma razão, mas isso não o impediu de começar a esmagar sua traquéia perante o claro deboche. No mesmo instante todo o exército reagiu, no entanto foi impedido de agir por outros líderes que também observavam toda a ação.

– Nunca mais me provoque outra vez. – Disse Ignus em tom ríspido enquanto olhava furioso nos olhos do inimigo subjugado perante sua força.
– Solte-o. – Ordenou um dos outros líderes que percebeu que seu companheiro estava prestes a morrer.
– Por qual motivo, deveria ouvi-lo? – Questionou Ignus que continuava segurando o desafortunado oponente.
– Se continuar e matá-lo isso só incitaria a fúria de nossos homens que se atirariam contra vocês sem pestanejar. – Disse rapidamente esperançoso que seu superior fosse solto.

Por alguns segundos Ignus permaneceu segurando firmemente a garganta do general inimigo, ponderando o pedido feito, decidiu que sua morte não seria vantajosa e o libertou atirando-o no chão. Assim que foi solto o general começou a respirar fundo tentando recuperar o ar, alguns soldados o ampararam e o levaram para um ponto mais recuado e seguro. Por muito pouco ele não teve seu pescoço esmagado, mas alguns soldados notaram que sua garganta estava levemente queimada.

– Estou ficando impaciente, assim como meus companheiros. Entreguem logo seu rei e partiremos, caso contrário terão mais baixas em suas fileiras. – Disse Ignus em tom ameaçador.
– Infelizmente o que pede não podemos lhe dar, guerreiro. – Respondeu um dos comandantes mesmo sabendo do risco que corria, porém confiante da vitória em caso de um segundo combate.
– Pois saiba que desta vez não iremos parar até que encontremos seu rei e levemos como nosso cativo.

Sem o menor aviso os companheiros de Ignus se infiltraram no meio das fileiras inimigas e começaram o massacre, cada movimento que executavam ceifava pelo menos três vidas de uma vez, a reação só veio quando muitos já haviam sido brutalmente exterminados.

Entretanto por mais poderosos e velozes que fossem eles não conseguiam lidar com tantos ao mesmo tempo, logo começaram a sofrer os primeiros ataques que eram prontamente respondidos com um golpe mortal. Porém, enquanto matavam muitos outros atacavam ao mesmo tempo, tornando as chances de defesa, mesmo para eles, bem pequenas.

O uso do shii era constante e fazia a diferença, visivelmente, entretanto mesmo com suas proteções e o auxilio da energia, não conseguiam se proteger totalmente. Os ferimentos se multiplicavam rapidamente, quase na mesma velocidade em que exterminavam seus oponentes.

Cercado e sem muito que pudesse fazer um dos companheiros de Ignus foi derrubado, imediatamente os soldados que o rodeavam tentaram matá-lo a todo custo. Para sua sorte, tamanha era turba que o máximo que conseguiram foi apenas feri-lo, além de atrapalharem-se uns aos outros. Não vendo outro recurso ele expandiu seu shii rapidamente, criando uma intensa explosão que matou instantaneamente todos os soldados em um raio de vinte metros.

Em outro ponto Ignus estava completamente banhado com o sangue dos inimigos, a cada um que matava sentia-se mais satisfeito. Mas algo chamou sua atenção, sua espada, Yurian, parecia ficar mais poderosa a cada vez que sentia o sangue de um inimigo morto, a energia que transbordava dela era tal que, muitas vezes, pareceu a Ignus que ela matava o inimigo antes mesmo de atingi-lo. Até mesmo a aura do seu shii estava tão intensa que afetava fisicamente os que estavam a sua volta, tamanha era a quantidade de energia agressiva liberada.

“Liberte-me”, ouviu Ignus enquanto matava um soldado, mas ele não notou. “Use-me”. A voz estranha parecia um sussurrar distante e abafada devido ao som do escudo se partindo perante a fúria de Yurian. “Pare de perder tempo e destruá-os logo!” Desta vez a voz soou mais nítida e impaciente, Ignus não pode ignorá-la dessa vez, mas continuava sem saber a sua origem.

“Está se cansando à toa, tolo. Com nosso poder poderíamos devastar tudo!”. Foi o que Ignus ouviu enquanto se esquivava de uma lança e cortava o braço de seu atacante, isso começava a desconcentrá-lo.

“Até quando vai usar esses métodos inúteis? Só conseguirá fatigar-se e tombar perante o inimigo!”. Mais uma vez a estranha voz manifestava-se deixando Ignus mais irritado e mais desconcentrado, um soldado atingiu-o no ombro, mas para sua sorte sua proteção de couro absorveu o golpe, que não havia sido executado com perfeição.

“Avisei-lhe, tolo, isto só te guiará para a ruína. Abra sua mente e use tudo o que tem e destruá-os de uma vez!”. A frustração de Ignus por não saber a origem da misteriosa voz, nem o que ela dizia deixa Ignus cada vez mais desconcentrado no combate, irritando-o. Já havia sido atingido por vários golpes por conta da misteriosa voz que sempre clamava para ele usar outro método, mas Ignus não conseguia entender do que se tratava.

Os soldados defensores como que tomados por um animo súbito começaram a atacar com mais ferocidade, os servos de Paia estavam cada vez mais acuados, mesmo com suas extraordinárias habilidades, estavam começando a ceder perante a notória superioridade numérica.

O próprio Ignus estava com mais dificuldade de dar conta de tantos inimigos atacando ao mesmo tempo, sua velocidade não era suficiente para lidar com um número tão grande. Golpeava praticamente às cegas, nem mesmo sentia mais quando atingia um obstáculo mais rígido ou atravessava a carne inimiga, tão menos sentia quando era atingido, seu corpo e mente estavam em um êxtase completo.

Em meio ao caos da batalha sua mente teve um lapso, repentinamente as palavras da misteriosa voz que o perturbava começaram a fazer um estranho sentido. Uma imensa coluna de energia negra envolveu o corpo de Ignus que no instante seguinte expandiu-se violentamente, vários soldados que estavam próximos a ele foram esmagados uns contra os outros enquanto eram arremessados para longe. Uma clareira havia se formado no mar de soldados e no centro estava Ignus, empunhando Yurian em chamas, enquanto a estranha energia negra transbordava de seu corpo.

Naquele momento ele parecia imponente. Todos olharam a figura do guerreiro com sua expressão feroz e cruel, enquanto ele, com sua espada flamejante golpeava o chão com sua ponta e libertava um devastadora torrente de chamas e que transformou em cinzas tudo o que tocou enquanto avançava voraz. A fúria das chamas só poupou os que estavam mais distantes e os que conseguiram de alguma forma se proteger, os companheiros de Ignus mais próximos dele, mesmo utilizando seus respectivos shiis tiveram dificuldade de se protegerem.

Tal ato havia dado um novo rumo a batalha e mudado a balança drasticamente a favor dos seguidores do Deus da Guerra, o contingente inimigo agora não era mais tão numeroso, os que não haviam morrido neste último ato de Ignus, ou antes, haviam fugido depois de verem sua devastadora demonstração de poder.

Aproveitando a distração e a perplexidade dos demais Haldar tratou de tornar o general inimigo seu cativo, fazendo questão de que todos notassem tal fato. Seus companheiros logo se recompuseram e conseguiram capturar mais três líderes inimigos, como muitos ainda estavam de olho em Ignus, o ponto onde ele estava serviu para reuni-los.

 – Agora nossa vitória não é mais uma questão de sorte, General. Está disposto a negociar agora, ou teremos que exterminar todos os seus homens? – Questionou Haldar com o olhar fixo nos olhos do general.
– Não há motivos para negociarmos, Haldar, a vitória já é nossa! – disse um de seus companheiros.
– Paciência, Aldo. – Disse Ignus ao companheiro. – Nada está definido ainda, a vitória só será nossa quando estivermos partindo daqui a salvo com o rei deles.
– Então, está disposto a nos guiar até seu rei? – Perguntou Haldar em fingido tom gentil.
– Malditos, nosso Deus irá aniquilá-los por essa afronta... – Disse o general antes de ser interrompido por Haldar que deslocou seu braço com violência.


A tensão era grande no salão principal, o rei e seus conselheiros estavam aflitos, não tinham nenhuma notícia de como ia o combate do lado de fora há algum tempo, nem mesmo o homem enviado para averiguar havia retornado. Os soldados que montavam guarda também se mostravam apreensivos e impacientes, preferiam estar do lado de fora combatendo a estarem servindo de babás para a nobreza.

Quando o rei pensou em mandar um dos guardas verificar a situação algo atravessou a porta violentamente escancarando-a, imediatamente os soldados se colocaram em posição de defesa, pois achavam que poderia ser um dos invasores, no entanto o que quer que fosse agora estava atirado ao chão. Não foi necessário muito para descobrirem, as vestes deixaram claro que se tratava do general local, seu rosto estava imóvel em uma expressão desfigurada de pavor, mas havia poucos ferimentos.

Rapidamente os soldados se colocaram em posição a frente da porta e viram um pequeno grupo de apenas cinco homens se aproximando calmamente, todos mostravam sinais que estiveram combatendo recentemente, mas nenhum demonstrava estar cansado. Ignus liderava o grupo, sua expressão dura e decidida fez com que os guardas recuassem sem sequer ameaçá-los. Indignado com a atitude de seus servos o rei ordenou que matassem os invasores, porém no instante em que os guardas esboçaram uma mínima ação, foram rapidamente mortos, sem ter a menor chance de se defenderem.

Um mago que estava presente ensaiou a evocação de um de seus poderes, mas no instante seguinte um dos seguidores do Deus da Guerra já estava esmagando seu pescoço, para logo depois arremessá-lo contra a parede, fazendo-o desmaiar.

– O que querem? – Perguntou o rei nitidamente apavorado.
– Apenas que vossa majestade nos acompanhe. – Disse Ignus calmamente.
– E por que deveria? – Questionou o rei, mesmo sabendo que não teria alternativa.
– Nosso Deus deseja uma pequena audiência convosco, prevendo que ele não seria benvindo aqui, pediu-nos encarecidamente para lhe transmitir seu pedido e para que o escoltasse até onde ele se encontra. – Respondeu Ignus com um sorriso malicioso.
– Maldito seja tu e tua corja, meu Deus irá puni-los por essa afronta...
– Já ouvimos isso diversas vezes hoje, majestade, então trate de se calar e nos acompanhe, antes que tenhamos de ser mais enérgicos! – Disse sonoramente Aldo interrompendo o rei.
– Vocês não podem fazer isso, é um ultraje! – Disse um dos nobres locais.
– Então nos impeça. – Disse Ignus secamente enquanto um de seus companheiros agarrava o rei pelo braço e se retiravam calmamente do palácio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Cuidado com sua postura ao comentar:
A responsabilidade pelas opiniões expostas nessa área é de de seus respectivos comentaristas, não necessariamente expressando a opinião da equipe do Pensamentos Equivocados.