Sobre Mulheres, Feliciano e a Hipocrisia.


Feliciano recentemente passou essa mensagem: "Os direitos das mulheres atingem a família."

Certo dentro de sua lógica (a frase da imagem acima mostra qual a lógica que ele segue), mas não de fato sincero. Falta algo ao título da matéria, e em seu discurso (pelo menos no divulgado pela matéria), que tomo a liberdade de complementar e que proporciona a verdade:

"Os direitos das mulheres atingem a família, mas destroem a base subordinada da igreja."

E por que? Bem, principalmente se você que tem mais de trinta anos: quem lhe ensinou seus valores morais? Efetivamente, quem o educou? E, o cerne da questão, quem passou sua convicção religiosa inicial? Provavelmente sua resposta é “minha mãe”.

Desde a antiguidade sempre foi função das mulheres doutrinar as crianças, cuidar da casa e, principalmente, servir ao marido. Enquanto ao homem cabia somente prover a casa. As mulheres/mães repassavam aos filhos e filhas os valores iniciais, principalmente religiosos. Ao atingir certa idade os meninos eram levados pelos pais para os rumos da masculinidade enquanto que por sua vez, as mulheres recebiam de sua mãe o adestramento para a submissão.

Porém, diversos fatores afetaram esse equilíbrio, tendo início de fato a partir das revoluções sociais e industriais iniciadas por volta do século XVIII, principalmente na Europa e nos Estados Unidos (não que outras não existissem, mas eram exemplos isolados, como Joana D´Arc ou a lenda da única Papisa). Mas o que vejo como fator determinante para isso foi a escassez de homens ocorrida durante o período de guerras, entre o século XIX e até quase metade do século XX.

Durante essas guerras os homens foram deslocados para o front, enquanto nas cidades ficavam apenas os tidos incapazes de lutar, no caso: mulheres, crianças, influentes políticos, homossexuais confessos e deficientes físicos. Alguém tinha que fazer comprar, consumir, fabricar, educar, dirigir, enfim fazer a roda do mundo girar. E foram elas as escolhidas. Mas como muitas não tinham instrução adequada (algumas sequer iam para a escola, para evitar que aprendessem a ler e se tornassem independentes – e isso ainda acontece em algumas comunidades ciganas, por exemplo), foi necessário instruí-las.

E a educação fez sua mágica.

Quando os homens voltaram depois da guerra, por mais que tentassem fazer voltar ao que era antes (mostrado muito bem uma parte desse processo em um filme estrelado por Tom Hank, Genna Davis e Madonna, “Uma Equipe Muito Especial”), não dava mais. Elas haviam sentido o gosto de viver, e gostaram. O gosto de independência (ainda mais quando se compreende) infelizmente para alguns religiosos (e outros carrascos) é algo que vicia.



A independência feminina trouxe obviamente perdas significativas para as igrejas. Uma pessoa com pensamento livre, de posse com informações de diversas fontes, ela vai questionar. Pode estar completamente errada, pode estar equivocada, mas vai questionar. É um poder único, porque ao invés de aceitar a verdade de uma única fonte, você adquire (ou deveria) o dom de pensar. Vejo que boa parte dos movimentos de resistência e superação por grande parte das minorias deve, e muito, a batalha feminista tanto quanto as lutas raciais de Martin Luther King.

E quem pensa não aceita o que religioso, ateu, político, carrasco, militar, deus, deuses, deusas ou o diabo a quatro dizem ser verdade. Pode até mentir num primeiro momento para escapar da dor, mas vai se questionar. Vai procurar se informar. E uma mulher que questiona passa esse valor para seus filhos. E produz filhos que questionam. Isso quando quer se mãe e não leva esse valor questionador a amigas e amigos (ou aos filhos delas e deles).

Determinadas religiões e/ou religiosos (principalmente as que estimulam fanatismos do tipo da de Feliciano) procuram a procriação, a falta de qualquer questionamento, com a aceitação plena de ser verdade tudo aquilo que é dito no templo (ou equivalente). Querem que ajam de acordo com o que a autoridade superior define. Querem a submissão plena. E, bem isso não acontece mais. Ao menos não mais tão facilmente e cada vez mais se questiona. Exceto, claro, nos casos em que o fanatismo é tão impregnado, e a lavagem cerebral tão bem executada que nada fará a pessoa questionar.

E é por isso que Feliciano está certo, para os seus, quando diz essas coisas.

Porque no fundo sabe que os tempos mudaram. E que se algo não for feito pelo grupo que representa, muitas coisas vão mudar, não apenas com a plena liberdade da mulher (atualmente a meu ver é apenas parcial), mas também a igualdade das etnias, os direitos civis dos homoafetivos e tantos outros problemas da sociedade com os quais esses grupos se eternizam no poder.

Para isso, além de seus soldados (sempre dispostos a usar de toda forma de violência - física, religiosa, moral, espiritual, econômica, esquerda, direita, cima, baixo, ABC+start, etc), eles contam principalmente com seus fiéis eleitores. Silenciosos e os maiores dos hipócritas. Que mentem dizendo apoiar minorias e na calada da eleição manifestam seus desejos mais sórdidos escolhendo semelhantes e dando-lhes poder pela urna. Assegurando sempre que poderão dizer que apoiam uma ideia enquanto defendem a oposta. E não são poucos.

Basta lembrar da eleição para presidente e como muitos assuntos foram completamente retirados da pauta em prol de ganhar votos dessa enorme massa.

Enquanto esse tipo de gente existir, sempre existirão Felicianos, ainda que disfarçados de São Francisco.

E enquanto existirem aquelas e aqueles que questionam, eles jamais conseguirão o poder que tanto querem recuperar.

E, por fim, de que lado você (acha que) está?

Eu estou do lado da liberdade.


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