Dando sinal de vida na frigideira.


Estou vivo.

Até quando não sei.

Está tão quente que não consigo pensar...

Alguém informa aos capetinhas que se eu bater as botas frito não vão ter mais piadas comigo. =/
Leia o Restante.

Os capetinhas do final de semana destruindo encontros.


Diário de Bordo Inferno, dia 30 de Outubro do ano de 2009.

Ainda são sete horas da manhã no inferno. Três capetas (dois estagiários e um diagramador) avançam pelos corredores dos saguões do inferno apressados e quase soterrados por relatórios. Um deles quase tropeça quando um quarto capeta, esse já funcionário há anos, coloca o pé na frente só pela diversão. Os papéis não caem, e ele consegue chegar a sala do chefe.

O chefe dos capetas, que parece um gremilin, observa um enorme telão e toma um copo de coca-cola (quente). Na programação passa "O Casamento do Meu Melhor Amigo, estrelado por Rob Gordon.". Ele lê uma mensagem em um lugar chamado "Championship Chronicles" e gargalha.
- Senhor, os relatórios. - Diz o que entra primeiro, com a mão trêmula.
- Cale a boca, estágiário. - Responde o Gremilin. - Hoje é um dia especial!
- O que fazemos? - Pergunta o segundo estagiário.
- Chamem o diagramador! - Berra o Gremilin.
- Já estou aqui.
- Eficiente. Sempre que falo em Rob Gordon vocês aparecem...
- O sindicato é dedicado ao objetivo. - Ri o diagramador, pensando em quantas noites de sono de Rob Gordon já destruiu.
- Temos que executar o plano 314R-3-BA, da Divisão 12, Parágrafo 35.
- Qual plano é esse? - Pergunta o capeta.
- Chegou o dia esperado, o do casamento!

O diagramador corre junto com os estagiários. O alarme é ativado. A Fundação Única de Desastres Especulares Únicos (o F.U.D.E.U.), imediatamente inicia o procedimento de atraso de vôos. Nada pode sair errado para os capetas. Apenas para os capetas.

Para ver o que aconteceu com Rob Gordon, basta ler aqui e a continuação aqui (até o momento).

Em outra sala um pequeno capeta dorme enquanto as tragédias ocorrem em série no planejamento de Rob Gordon. Ele sonha com lasanhas, fogo e pele, rindo a cada instante. É o capeta de Rob Gordon responsável pelo departamento do C.U. (Comunicação Universal). No oitavo sono o alarme soa e ele intercepta uma mensagem rápida entre Rob e Dragus.
- Eles estão marcando um café!

O alarme soa novamente. Um telefone rosa é puxado, ligando diretamente para os capetas do Dragus.
- Capetas do C.U. do Dragus, péssimo dia. - Responde o outro capeta.
- Você viu a mensagem? - Pergunta o capeta do C.U. do Rob Gordon.
- Já.
- Chamamos o F.U.D.E.U, eles providenciaram um temporal, mas a chuva veio cedo demais e ele acabou fugindo de ônibus. Já conseguimos contornar com a ajuda da Fome e da Peste, mas nao esperávamos que marcasse um encontro com Dragus.
- E o que quer que eu faça? - Pergunta o capeta.
- Sei lá... Tem curry aí?
- Nem, o Dragus está fazendo dieta... Curry de novo só ano que vem. - Responde, enrolando o dedo no fio.
- O que o F.U.D.E.U pode fazer?
- Não muita coisa... Já fizemos chover a semana toda, já fizemos ele perder todas as roupas encharcado, já fizemos a mochila dele estragar na chuva e as receitas dos remédios que está tomando, temos poucas opções.
- E o engarrafamento?
- Só se o F.U.D.E.U. agir junto com o seu C.U. e o nosso C.U. para agirmos.

O plano é arquitetado. Diversos capetas de ambos os lados agem e em pouco tempo o Rio de Janeiro está preparado para o caos do trânsito. Alheio a tudo Dragus fecha a empresa. Recebe uma ligação de um cliente, pedindo atendimento para o mesmo dia ou no seguinte.
- Vamos, marque pro final de semana! - Berra o capeta.
- "Pode ser no final de semana?" - Diz Dragus, guiado novamente pela voz que vem do C.U.

É nessa hora que tudo se explode e o mundo dá seu recado pra mim.

FINAL DE SEMANA PROLONGADO DESTRUÍDO, acende a placa de luz vermelha em todos os setores do Inferno Pessoal de Dragus. Fogos são atirados por todo o inferno, comemorando o fim do que seria a oportunidade de Dragus em descansar. Com os próximos três dias de descanso garantidos para os capetas, podem se concentrar na sexta.

Dragus recebe uma ligação e um comando de última hora da esposa: pagar a conta de celular. Precavido e sabendo que poderia perder tempo, faz o trajeto mais rápido entre sair do trabalho, pegar a segunda via da conta, pagar e o ônibus para a rodoviária. Mal sabe ele que tudo estava escrito e a piada era velha.

Do alto de um prédio um capeta com um rádio faz contato com o irmão metros atrás. Ele vê o exato momento em que Dragus se dirige para pegar o ônibus no ponto. Enquanto Dragus atravessa a rua 1º de Março, até o ponto, o capeta pelo rádio dá o sinal para um capeta dentro do ônibus que imediatamente coloca o dedo na goela. O ônibus está lotado, mas o cenário está armado.

Na altura da Central do Brasil o ônibus esvazia. Dragus, espremido e depois de quase cair no colinho do motorista duas vezes, escuta um som divino em sua mente e vê um banco livre. Vai direto, senta e só percebe quando sente o cheiro característico. Olha para o piso ao seu lado e vê, a poça deixada pelo capeta. Em meio a nojeira tem certeza que lê "curry" nos flocos de arroz (ou algo assim). Prende a respiração como pode até chegar na rodoviária, olhando sempre para o teto do ônibus.

Finalmente chega na rodoviária. Certo de que seus problemas acabaram e que sobreviveu, pega o relógio. Ainda são 19:10. O ônibus de Rob Gordon chegaria em 35 minutos. Ele sente-se satisfeito por não ter contado nada a ninguém sobre o encontro. Mas ele esquecera dos capetas. E troca mensagens com Rob Gordon sobre pontos de encontro, fazendo planejamentos sobre onde se encontrariam e refletindo se teria tempo de depois do encontro de adiantar o atendimento do final de semana e ficar livre todo ele. Um pensamento que provocava gargalhadas coletivas e quase doentias em todos os capetas responsáveis por guiar os acontecimentos da vida de Dragus.

19:45.

19:50.

20:05.

As mensagens são trocadas. Rob Gordon além de estar atrasado está completamente perdido. Nem ele e muito menos Dragus conseguem entender onde está o ônibus da 1001 de São Paulo para o Rio de Janeiro. Por sinal, Dragus pensa que Rob Gordon vem de Vitória, e passa informações completamente erradas a Rob Gordon, que a cada minuto de desespero apenas provoca mais risadas nos capetas de ambos os infelizes.

20:10.

20:30.

Nada. Os pés de Dragus doem de tanto ficar em pé. Agora ele tem a certeza que não poderá nem pegar a barca de 21:00 e nem mesmo atender o cliente naquele mesmo dia. A única esperança de Dragus para não tornar o dia completamente perdido está no encontro - histórico - com Rob Gordon.

Mas é na esperança que reside a diversão dos capetinhas do final de semana.

Exatamente 21:00 ocorre finalmente o encontro da Lua com Júpiter (respectivamente Rob Gordon e Dragus). Os dois trocam olhares, e imediatamente Rob Gordon diz sua primeira frase diante de Dragus:
- Viagem da porra! - Fala Rob.
- Fala. - Responde Dragus.
- Tinha uma menina que me encheu o saco a viagem toda fungando... Onde fica o guichê da Águia Azul? O ônibus sai 21:10.
- Vamos perguntar.

Correm e encontram o terminal. Não sem perder tempo. Rob Gordon planeja trocar a passagem, já reservada, de 21:10 para o horário seguinte. Conseguem encontrar o guichê da Águia Azul. São 21:04, o ônibus sai as 21:10 e tem fila. Precisamente 10 pessoas entre Rob Gordon e o atendente.
- Caralho, vou perder o ônibus. - Reclama Rob Gordon, lembrando que deixara a educação no ônibus da 1001 e a menina da sinusite a usara para limpar o nariz.
- Vou dar um jeito.

Dragus corre, fura a fila - mostrando todo o jeito "carioca" de resolver as coisas. - e consegue dar a Rob Gordon a chance de falar com o atendente.
- Qual o próximo ônibus? - Pergunta.
- 23:45. - Responde o atendente, parecendo um robô.
- Tenho reserva de 21:10, dá para trocar?
- Dá. - Responde o robô, emitindo o bilhete.
- Não, eu quero saber se tem como trocar o de 21:10 por de 23:45.
- ... - O robô silencia, processando informação.
- Tem?
- Não, está em cima da hora, já são 21:07, se tivesse chegado antes...
- Eu estava em um puta engarrafamento... Me dá o bilhete.
- Assine aqui.

Rob Gordon recolhe o bilhete e corre. Os capetas que o guiam também. Há muito que se fazer e não podem deixar Rob Gordon ter a boa noite de sono que planeja. Dragus deixa o amigo em frente a entrada do setor de embarque, se despendem e o encontro que prometia ser histórico se transforma em tema de aulas do "F.U.D.E.U.", sobre como destruir planejamentos. Pelo menos o final de semana de descanso planejado e sonhado por Dragus estava completamente arruinado.

E no inferno, mais um final de semana prolongado dos capetas será regado a champagne.

Enquanto isso o setor responsável por 2010 já começou a escolher o tema do ano que vem.
Leia o Restante.

FORJANDO UM GUERREIRO - MARTELO E BIGORNA PARTE 7

O Culto


Assim que as trombetas da alvorada soaram Ignus já estava de pé, mesmo confuso sobre seu futuro ele foi até o pátio para receber as instruções da manhã. Assim que chegou e entrou em forma junto com os outros um superior anunciou que naquele dia todos os que haviam estado no campo de batalha estariam livres de seus afazeres durante dois dias, outros deveriam retomar suas tarefas imediatamente. A maioria recebeu a notícia com alegria, afinal, depois de estarem lutando e fora de casa por algum tempo, um descanso a mais sempre era bem vindo.

Todos foram ao refeitório e tiveram um farto desjejum, ao menos era o que lhes parecia depois de alguns dias sem comer nada direito. Um mensageiro adentrou o salão onde os soldados se fartavam como se nunca tivessem visto comida quente em suas vidas, mas ignorou a balburdia. Após um tempo olhando atentamente os que estavam presentes encontrou quem queria, foi se esgueirando, desviando das cadeiras e de alguém mais exaltado que encontrava pelo caminho até chegar a mesa de Ignus.

Ao ver o rolo de pergaminho que surgira em sua frente, Ignus mesmo surpreso engoliu o pedaço de ave assada e leu o seu conteúdo. Rãs uma mensagem de Haldar, mas não uma mensagem qualquer, era uma mensagem oficial, pois na parte inferior havia o seu brasão pessoal, mas não apenas este havia outro que ele desconhecia. A mensagem parecia urgente.


Após engolir sua refeição e por uma roupa mais "apresentável" Ignus foi até onde Haldar queria se encontrar com ele, segundo as instruções da mensagem. Era um local distante dali, uma ruína de um antigo palácio, a primeira vista parecia um local vazio, já que a vegetação crescia em abundância nos arredores, mas os sentidos de Ignus alertavam para a presença de outras pessoas por ali.

Depois que deixou o cavalo amarrado em uma árvore Ignus caminhou em direção a ruína. Não tardou muito e um ser coberto com um manto marrom e capuz surgiu por de trás de umas das muitas árvores. Ignus instintivamente levou a mão em direção ao punho da espada mais rápido do que pode pensar. O ser pareceu notar, mas não se importou. Com um gesto curto com o braço esquerdo chamou-o e foi em direção a ruína, Ignus permaneceu onde estava. Alguns passos a frente o ser chamou novamente fazendo o mesmo gesto outra vez, Ignus caminhou lenta e cautelosamente, mas não tirou a mão do punho da espada.

Havia um grande portal de pedra todo coberto de musgo e algumas plantas, o ser parou em frente a ele e fez um gesto longo indicando que Ignus entrasse. O interior do ambiente parecia escuro, um cheiro de umidade veio com uma lufada forte e junto um cheiro que não conseguiu distinguir. Um novo convite para que entrasse foi feito e desta vez Ignus aceitou.

O lugar era repleto de poças d'água, muito musgo, plantas, insetos. Parecia abandonado há anos, quem sabe décadas. Havia buracos no teto o que providenciava uma fraca iluminação, o que aumentava o tom sombrio do lugar. O corredor levava até uma escada em espiral que descia, a escuridão era ainda maior. Junto a escada outras duas pessoas trajando o mesmo tipo de montavam guarda, ambos armados com lanças, mas Ignus não soube dizer o estado em que se encontravam, mas duvidava que não estivessem prontas para matar qualquer um.

Um dos guardas fez sinal com a lança para que Ignus descesse, ele o fez, mas não sem antes olhar para o fundo e constatar o que imaginava, não conseguia ver absolutamente nada. A descida em espiral era longa e estreita, os degraus estavam mal conservados, muitos faltavam algum pedaço, outros estavam cobertos de limo tornado-os escorregadios.

Alguns minutos depois Ignus chegou ao fim da escadaria, um corredor se estendia bem a frente, ele não soube precisar o quão longo seria, mas duvidava que fosse curto. Logo que adentrou nele um estranho e forte cheiro penetrou em suas narinas, causando irritação imediata. Seguiu em frente, passos curtos, bem calculados e muito cautelosos. A mão esquerda teimava em não desgrudar do punho da espada, a outra tateava a parede com avidez a busca de qualquer coisa que pudesse indicar perigo. Seus olhos mesmo sem enxergar um palmo a sua frente dançavam de forma frenética em suas órbitas como que a busca de algo, porém nada viam a não ser profunda penumbra.

Algum tempo depois uma estranha e fraca luminosidade avermelhada surgiu a frente, não parecia muito distante, nem tão próxima quanto ele gostaria que estivesse. Acelerou o passo, sem diminuir a cautela, seus ouvidos se apuraram para captar qualquer som, seu olho já acostumado a escuridão via o estreito corredor quase com perfeição devido a luminosidade que tinha agora.

O corredor terminava em um grande salão, não podia ser ver muito bem o que havia nele, Ignus conseguia apenas distinguir uma espécie de trono ao fundo e uma espécie de poço no centro. Haviam também tochas, muitas espalhadas por toda a parte, nelas queimavam uma chama avermelhada que Ignus nunca havia visto. Antes de entrar no salão ele ficou na borda do corredor e analisou bem o espaço interno, viu, agora, vários vultos estáticos espalhados pela sala, poderiam ser estátuas, mas alguns dos vultos tinham emanações discretas de shii, até onde Ignus sabia estátuas não emanavam shii.

Ao primeiro passo que deu dentro do salão, um dos vultos peou uma das tochas e jogou no poço que imediatamente se incendiou com intensidade, a luminosidade repentina e intensa feriu os olhos de Ignus que instintivamente cursou-se para trás e protegeu os olhos com as mãos. Porém esse ato instintivo fez com que Ignus caísse em uma armadilha, vindo do seu lado esquerdo um dos vultos atacou Ignus sacando uma espada de dentro de seu manto, o golpe veio de cima para baixo, com violência e precisão assombrosas, entretanto mais uma vez Ignus foi auxiliado pelo seu instinto e esquivou-se do ataque mortífero no último instante rolando para dentro do salão. Assim que se recuperou sacou sua espada a tempo de bloquear outro golpe, embora com alguma dificuldade devido a grande força do seu oponente, mesmo este segurando a espada com apenas um das mãos.

Depois de conseguir desviar a espada adversária e se posicionar adequadamente para o combate ele olhou a sua volta rapidamente, havia uma pessoa no trono, alguém que emanava uma força incomensurável e parecia olhar para ele com grande interesse. Esse momento ínfimo de distração custou caro para Ignus, pois seu oponente conseguiu atingir-lhe um golpe perfeito que abriu um grande rasgo profundo em seu abdome. Ignorando o sangramento e a dor que agora surgia Ignus avançou com fúria em direção ao seu oponente, o mesmo bloqueou o golpe com a mão que estava vazia, o que surpreendeu Ignus não pelo fato de simplesmente ter bloqueado, mas sim pela facilidade e a calma com que o fez. Com a outra mão ele fez um corte transversal que penas feriu o ar, pois Ignus já estava ao seu lado atingindo com poderoso e violento golpe com o cabo da espada no flanco de seu atacante, que mal teve tempo de se recuperar para desviar do outro golpe, mas desta vez feito com a lâmina da espada que após fazer seu percurso mortal voltou banhada com o sangue de seu inimigo.

O homem de manto marrom fez um sinal de positivo para Ignus e assumiu ou postura visivelmente mais agressiva, o que indicava que aquele seria o golpe derradeiro. Ignus assentiu, assumiu também uma postura que seria seu golpe definitivo, a espada posta para traz, toda a tensão posta em suas pernas e braços para garantir a eficácia do golpe. Observou atentamente cada parte do corpo de seu adversário, mas a postura assumida não dizia muita coisa, não que isso significasse algo para Ignus, pois este já sabia bem como atacaria seu oponente. Os dois investiram um contra o outro exatamente no mesmo instante, a vontade de matar o outro era exatamente a mesma. O homem do manto quando estava a poucos centímetros do corpo de Ignus desferiu-lhe uma estocada, furiosa, violenta e mortal. O ar parecia ser dilacerado pela lâmina enquanto ia em direção ao corpo de Ignus, sedenta pelo seu sangue.

Ignus veio desenhando um corte que vinha de cima para baixo a esquerda de seu corpo, mas quando a espada chegou à metade de sua trajetória ele segurou o movimento, toda a força e tensão do golpe contida repentinamente. Valendo-se desse artifício Ignus saltou, passou por cima de seu adversário justo no instante em que este desferia-lhe uma estocada mortal. Ainda no ar ele girou seu corpo e fazendo uso da força desse impulso e pondo toda força e peso em seu braço Ignus fez com que sua espada atravessasse o corpo de seu oponente, fazendo que com parte de seu tronco fosse dividido. O braço que segurava a espada pendeu para o lado, preso ao corpo com a parte que ainda restava do tronco que não havia sido tocada pela espada de Ignus, seu grito de dor foi intenso e preencheu toda a sala com seu horror.

Vendo seu inimigo caído no chão debatendo-se, sangrando e agonizando, Ignus deixou-se deliciar mais um pouco com aquele momento, cortou a mão que ainda teimava em segurar a espada, arrancando mais um grito de dor e terror de seu inimigo. Só depois de observá-lo por um tempo Ignus resolveu retirar seu capuz e ver seu rosto. O rosto estava contorcido pelo ódio e pela imensa dor que sentia, devido a iluminação fraca do ambiente Ignus não pode ver detalhes do rosto, mas soube que não era ninguém que conhecia. Contente em ao menos saber a fisionomia de seu adversário Ignus decapitou-o com um golpe preciso, a cabeça rolou alguns centímetros a frente e parou com o rosto virado para chão, o que para o morto significava desgraça total, segundo as crenças locais.

Ele apanhou a cabeça de seu oponente pelos cabelos e mostrou para os vultos e para o ser que estava no trono, o mesmo pareceu se contentar e aprovou o ato de Ignus com um levo aceno de cabeça. A cabeça foi atirada do poço em chamas e foi consumida lentamente pelo fogo, os vultos ergueram os punhos fechados e deram um grito de vitória, Ignus não compreendeu, mas percebeu que não corria mais perigo.

Imediatamente após o urro de vitória outras tochas se acenderam, agora Ignus podia ver a ambiente com perfeição e distinguir as figuras que lá estavam, todos vestiam o mesmo tipo de manto com capuz marrom, todos pareciam satisfeitos com o que vieram, foi o que Ignus pensou, ainda mais quando retiraram seus capuzes e pode ver o rosto de cada um. O último que pode ver o rosto foi o do que se aproximou dele e segurou-lhe pelos ombros por um momento, quando este retirou o capuz viu a face contente de Haldar e também se alegrou ao ver o mestre.


A figura que estava sentada no trono se levantou, imediatamente todos olharam para frente e se curvaram e depois ficaram de joelhos e cabeça baixa, Ignus começou a imitar os demais, mas o homem do trono fez um gesto para que parasse.

- Meus filhos! - Começou indicando com um gesto amplo todos os que estavam presentes, sua voz era grave e muito potente, o que inspirava um grande respeito - Hoje u novo irmão se junta a nossa ordem! Hoje ele nos provou sua honra e valor. Um filho meu morreu, mas morreu em um combate justo e honroso, morreu pelas mãos de alguém que se mostrou melhor do que ele e, por tanto, merecedor de pertencer ao meu séquito.

Ignus não estava compreendendo direito o que se passava, na verdade sabia do que se tratava, mas não conseguia reunir as idéia em sua mente.

- Aproximem-se, Haldar e Ignus. - Chamou o homem.

Haldar se levantou calmamente e este foi seguido por um Ignus ainda confuso.
- Meus filhos, hoje seu irmão Haldar nos seu mais jovem pupilo, Ignus, ao qual nos provou sua força, habilidade e valor.

Todos ergueram as cabeças com sincronia perfeita, e com a mesma perfeição ergueram os punhos esquerdos e deram um urro de batalha.

- Ignus, pelo que vejo estás confuso, deixe-me explicar. Seu mestre, Haldar, acha que você é capaz de adentrar em meu séquito, que és merecedor de fazer parte de minha ordem, então lhe propus que um teste fosse feito, teste o qual você passou com louvor.
- E você quem é? - Perguntou Ignus sem saber quem estava se dirigindo a ele.
- Paia, Deus da Guerra! - Disse fazendo um gesto efusivo.

Junto com o nome veio a lembrança, Ignus se lembrou do dia em que foi a uma cidade com Haldar e onde viu a imagem de Paia pela primeira vez, era uma estátua grandiosa que mostrava o deus coberto por uma armadura suntuosa. Não teve duvidas, aquele realmente era Paia, o Deus da Guerra, não apenas porque o próprio havia dito tal coisa, mas por ele transmitir tal coisa, Ignus sentia a aura divina que dele emanava, isso explicava a grande força que sentia emanar dele.

Após seus pensamentos se reorganizarem Ignus ajoelhou-se perante o deus, quase que imediatamente todos os outros abaixaram as cabeças outra vez.

- Agora eu o recebo, Ignus, como um de meus servos e seguidores, como um de meus filhos! - Disse erguendo a mão direita e com a esquerda apontando para Ignus - Ergam-se meus filhos e saúdem Ignus, seu mais novo Irmão.

Em uníssono todos saudaram Ignus com um urro de vitória, agora ele fazia parte da ordem do Deus da Guerra, uma ordem que reunia os mais habilidosos guerreiros. Tal demonstração de contentamento em tê-lo com eles fez Ignus se sentir satisfeito consigo mesmo. Foi também uma das poucas vezes que lembrou ter experimentado a sensação de ser realmente aceito em algum lugar.


O céu ainda estava escuro e muitas estrelas o preenchiam, uma tímida luz começava a ameaçar rasgar o horizonte e tingi-lo com outros tons. Muito longe de qualquer cidade ou vilarejo um grupo de pessoas trajando mantos marrons cruzava as estradas a passos largos e rápidos, pareciam decididos a alcançar algo, ou alguém, cada um tentando superar o outro, mas um não estava tão distante do outro. Todos corriam muito decididos, parecia uma espécie de competição, e na verdade era. Fazia duas horas que estavam na estrada e o ritmo se mantinha o mesmo, já nem faziam idéia do quanto haviam corrido, mas sabiam que já tinham percorrido uma distância considerável.

Quando finalmente o sol despontou no horizonte chegaram ao alto de uma íngreme colina e lá se encontrava Paia, o Deus da Guerra. Estava com um traje de combate e empunhava sua espada ainda embainhada apoiado no solo, ao seu lado havia um assecla portando seu estandarte que tremulava com o vento matutino. Assim que chegaram entraram em formação e reverenciaram a seu deus com perfeito sincronismo, isso deixou Paia satisfeito.

- Meus filhos, hoje começa o treinamento de seu mais novo irmão, Ignus. Por tanto, vamos ajudá-lo para que ele possa o mais rápido possível despertar seu verdadeiro potencial, para que mais cedo ele se torne um de nós.

Com um gesto ordenou que todos tirassem os mantos cerimoniais, menos Ignus, que deveria permanecer com ele todo o tempo para simbolizar sua posição de iniciante na ordem. Por baixo dos mantos todos utilizavam pesadas placas de metal nos braços e pernas, também havia um pesado e grosso cinturão metálico o que dificultava ainda mais seus movimentos e aumentava-lhes consideravelmente o peso. Ignus também utilizava tais acessórios, embora os dele fossem mais rústicos e pesados. Todos retiraram os pesos do corpo para poderem ter seus movimentos livres, apenas Ignus deveria permanecer com eles e por tempo indeterminado.

- Fazer parte do meu culto não é apenas me venerar e seguir minhas ordens, meu culto visa o crescimento físico, mental e espiritual do ser, pois é daí que vem a verdadeira força. Todos aqui, Ignus, devem conhecer a si mesmos de forma plena, para que possam, assim, ter total domínio de seu corpo, da mente e da alma, para que ambas trabalhem em conjunto. Quando corpo, mente e alma trabalham em conjunto nosso desempenho é pleno.

Enquanto ouvia tudo atentamente Ignus lembrava de seu antigo treinamento com Haldar quando ainda era apenas uma criança e não era mais do que um escravo, agora tato tempo depois as memórias daquelas lições voltavam a sua mente, embora não lembra-se exatamente das palavras ditas por Haldar na ocasião o conceito do que foi aprendido naqueles dias, agora tão distantes, nunca foi esquecido.

- Mostre-nos o que sabe sobre o Shii. - Ordenou o Deus da Guerra.

Atendendo a solicitação Ignus concentrou-se um momento manifestando seu Shii da melhor forma que conseguia, era uma energia que não fluía de uniformemente, mas impressionava pela intensidade. Podia-se olhar para seu Shii e ver o quanto era forte, mesmo sendo tão inconstante ainda transmitia certa imponência. Com um gesto simples reuniu aquele massa energética que transbordava de seu corpo, juntou-a em suas mãos e arremessou com voracidade contra o paredão rochoso. O impacto fez o paredão estremecer, todos puderam sentir a forte vibração que veio até eles pelo chão e pelo grande deslocamento de ar. No local do impacto agora havia um buraco do tamanho de um homem adulto, porém não muito profundo, mas grande o suficiente para deixar Haldar satisfeito por ver o progresso de seu antigo pupilo.

A primeira coisa que Ignus aprenderia era a controlar seu fluxo energético para que o mesmo saísse uniforme e, tive melhor aproveitamento. Para isso Ignus deveria primeiro aprender a focar toda sua concentração em si mesmo, tentar fazer com que seu corpo, alma e mente trabalhasse em perfeita comunhão. Mesmo para alguém treinado como ele fazer isso não era uma tarefa simples, normalmente leva-se algum tempo até que a união dessas três partes seja feita de forma satisfatória. Ele deveria se desligar totalmente de eventos externos, olhar, ouvir e sentir apenas seu interior, anda mais. Porém é que havia interferência e muita, sem nenhum aviso ou padrão os companheiros de Ignus gritavam em seu ouvido, batiam em alguma parte de seu corpo, emanavam grandes quantidades de Shii, apenas com o intuito de atrapalhá-lo.


O dia chegava ao seu fim, a marcha dos guerreiros rumo ao seu lar agora seguia em ritmo mais lento, porém ainda assim intensa. Ignus estava esgotado tanto físico como mentalmente, nunca antes havia feito tamanho esforço mental, mantivera seu shii ao máximo o tanto que pode, mesmo tendo que resistir aos freqüentes ataques de seus companheiros, mas não imaginava que isso lhe desgastaria tanto. Entretanto tal esforço foi satisfatório, pois mesmo destreinado e sem a devida orientação descobriu que seu nível energético era acima do de muitos de seus companheiros, o que não lhe dava muita vantagem já que todos ali deveriam ser bem mais experientes do que ele.

Assim que chegaram fizeram um rito de agradecimento e partiram cada um para sua casa com a exceção de alguns que viviam lá mesmo e agora Ignus que ficaria lá por um tempo, só não saberia dizer quanto. Tratou logo de arrumar um canto para si e se largou na cama improvisada e caiu em um sono profundo e pesado, nada seria capaz de acordá-lo pelas próximas horas.

Leia o Restante.

Dilemas de 2016: Segurança Pública. - A arte da prevenção.



Fato: o Rio de Janeiro não tem uma política de segurança pública dentro do exigido pelo COI.

Fato: o Rio de Janeiro não terá. E nem o Brasil.

Fato: Segurança pública será apenas proteger o turista. E quem more perto deles, por sorte não por objetivo.

Desde o final da ditadura e o advento das políticas de "peninha" social, combater o crime se tornou um dilema político-eleitoral. A maior parte dos votos não estão nas áreas mais pobres da cidade, e a fonte da violência é também nessas áreas. Dessa vez nem falarei de leis que fomentam impunidade, isso vemos todo dia no jornal.

O plano do governo de Sérgio Cabral ao implementar as chamadas Unidades Policiais Pacificadoras (UPP) ainda que consiga combater o crime a curto prazo, ele não combate a longo. Não adianta colocar a autoridade policial em uma comunidade. O morador que já foi abraçado pelo crime vai continuar praticando crimes, por um motivo muito simples: é fácil.

Não escola ou qualquer outra coisa que consiga vencer a facilidade. Ainda que venham ministros, presidentes, Unesco, Buda e Cristo, quando uma pessoa consegue ultrapassar a linha do "ganhar 450 em um dia" para "ganhar 450 em um assalto" não tem mais volta. Não tem escola que resolva, as vezes piora.

Você sentar em uma cadeira escolar e aprender pode ser mais revoltante que conhecer. Vou traçar um paralelo mostrando a lógica do porque escola não resolve:

João é casado com Maria. A ama mais do que tudo, e a considera a mulher mais fiel do mundo e se considerada estupendamente feliz com o que tem. Mas quando vai trabalhar, Maria recebe o Mário, o Fábio e o Sávio. Um dia alguém consegue fotos da festinha de Maria. João, enquanto ignorante de sua situação, é feliz. Um dia alguém bate na sua porta e entrega as fotos. Agora, João conhece a vida como ele é. Independentemente do resultado (ele pode ter um acesso e matar a esposa, ser corno manso o resto da vida ou simplesmente terminar), nunca mais verá Maria do mesmo jeito. E a felicidade? Se for masoquista sentimental gostará de ser corno.

Trace um paralelo com a ignorância. Uma pessoa que não conhece as mazelas da vida que leva não pode ficar feliz quando conhece. Você, só por estar aqui, já está fora da maioria da população miserável culturalmente (até porque mesmo que venha dessas áreas, você correu atrás). Não serve como exemplo ou regra, é exceção. Para falar em valores numéricos, segundo dados do IBGE 25% de todo o dinheiro do País está concentrado em 9 cidades, e isso se reflete em tudo.

Estudar dá trabalho. Trabalhar dá trabalho. Levar uma vida decente, e simples, dá MUITO trabalho. Ser honesto então? Impossível na terra do jeitinho. E assaltar? Claro que dá trabalho, mas se der errado, ele morre. E morrer é mais fácil que viver com a conseqüência. Se F. (assaltante de menor) rouba a bolsa de Maria com todo seu salário e morre cheirando esse dinheiro, ainda assim a maior prejudicada será Maria. Por mais vítima da sociedade que você possa considerar F., quem vai ter que rebolar para pagar as contas e sobreviver por um mês (sem contar o trauma) será Maria. F. já morreu, adeus.

Colocar uma UPP em comunidades carentes só vai fazer os antigos traficantes de hoje virarem os assaltantes violentos de amanhã. A "molecada" já se acostumou com a grana fácil e a andar armada, a comer todas as menininhas do baile funk porque tem um "38tão" na mão e granadas no pescoço como se fosse um colar de pérolas. Ainda que um ou outro queira realmente sair da vida fácil (e existem, claro), os que não querem é o maior problema.

E não é porque tem droga. O que move é poder. O criminoso tem um poder em sua comunidade que não terá em nenhum outro emprego tradicional. O cara, que geralmente tem simplesmente um séquito (leia-se: puxa-sacos, servos e, principalmente, "cocotas"), nunca em sã consciência vai aceitar se submeter a um emprego normal. Ainda mais levar bronca de "engomadinhos metidas a besta" só porque tem a alcunha de "patrão". Nunca.

O criminoso violento não tem apego a vida, mas tem pelo poder pela violência concedido, ele sabe que não tem futuro. E esse é o maior problema. Como resolver?

Dando futuro pegando no futuro. Toda criança saudável mentalmente é um diamante bruto, basta apenas lapidar. Ensinar a procurar esperança e opção quando essas parecem sumir. Escolas no modelo atual não dão mais do que informação.

Tem que criar esperança e fazer a molecada, ainda no berço, em acreditar que existe uma vida melhor e mais recompensadora. O governo do estado deveria construir ao lado das UPP algumas creches, essas mantidas e geridas pela própria polícia militar (isso não apenas diminui o preconceito contra a polícia, como humaniza-a, criando vínculos maiores entre o corpo policial e a comunidade), ensinando desde pequenos valores éticos e morais até a certeza de que obterão um emprego se eles se esforçarem. E ensinar que o esforço compensa. Colocar de volta no currículo pré-escolar disciplinas como Moral e Civíca ajudaria.

Também tem que estimular o crescimento do comércio dentro das próprias comunidades (como já ocorre na intenção em menor grau com o Portal do Empreendedor - que por sinal, está parado há quase dois meses). Já existem ONGs sérias que fazem esse serviço, tem que estimular as empresas a contratarem, mas não com incentivos fiscais ou coisa assim. Tem que incentivar formando bons profissionais, porque se quem sair dos cursos das ONGs tiver QUALIDADE ninguém deixa de CONTRATAR. Incentivo fiscal é paliativo, quando acaba a empresa demite.

E claro, tem que dar a escola não apenas a responsabilidade. Tem que dar também o poder, como era antigamente em que escolas formavam pessoas e não apenas estudantes. Criança que faz besteira tem que ser punida. Pixou a mesa? Vai lavar TODAS as mesas da sala para dar valor ao trabalho da faxineira. Fez xixi fora da tampa? LAVA o banheiro. Pichou a parede do muro? PINTA o muro. Isso significa, claro, investir também na capacitação do profissional de ensino.

E tem que ser rápido. Cada criança sem perspectiva que hoje tem 6 anos, será soldado do tráfico em 2016 com 13 anos. Se não fizermos algo HOJE, em 2016 será tarde demais.

Isso sem contar a criminalidade entre a classe média que tem aumentado porque os pais não educam por serem ausentes (fato) e não deixam as escolas ou professores educarem (fato) por medo de perder autoridade (como se tivessem).

De lambuja um pequeno vídeo, de uma realidade que não mudou até hoje, trecho de Falcão, Meninos do Tráfico:


Se conseguir assistir a seco, sem se emocionar com a história pessoal dos futuros "Beira-Mar" e "Marcola", vai entender que a coisa vai muito além de enfiar a criança na escola, como disse o artigo inteiro.
Leia o Restante.

O irritante hábito brasileiro de não ler.

Obs:
1. Se você tem o costume de ler, obviamente esse artigo não é para você.

2. Se não compreende ironia, não continue.






Essa é a página do Google. Legal, não? Branquinha, poucos ícones e pouca letra... Contando, tem 46 palavras (ou posso ter errado). Exceto por ©2009 o resto é link ou parte de formulário, ou seja, só esse parágrafo já tem mais palavras comuns do que a página acima.

Se não é a mais, é com certeza uma das mais simples páginas da internet.

Todos os dias passo por isso:
- Pode vir aqui um instante.
- O que foi?
- Como pesquiso no Google?
- Só digitar o que quer e clicar em "Pesquisa Google".
- Você é um gênio (!!!), eu nunca saberia...

Ou nem tão educados:
- ESSE COMPUTADOR É UMA MERDA! NADA FUNCIONA!
- O que está havendo? - Pergunto.
- EU QUERO ENCONTRAR ALGO E NÃO DIZ PRA MIM!
- Basta clicar aqui.

Clico em "Pesquisa Google" e pronto! A mágica acontece!
- Você saca muito de computador! - Diz feliz.

E ainda tem isso (retirado do cotidiano de Telemarketing de Suporte, já escutei várias variantes dessas):

- Atendimento XYZ, meu nome é (insira o nome), boa tarde.
- ESSE SERVIÇO DE VOCÊS É UMA MERDA.
- Bom dia para o senhor também, em que posso ajudar?
- ASSINEI ESSA PORRA DE "XYZMAIL" E NÃO CONSIGO ACESSAR ESTA PORRA!
- Tudo bem, vamos começar o procedimento? Qual navegador o senhor usa?
- Meu computador...
- Qual seu Windows?
- Não sei.
- Onde está o botão iniciar?
- Não estou achando.
- O botão iniciar fica do lado inferior direito da tela.
- Achei.
- Clica nele, e vai aparecer o Internet Explorer, abra-o.
- Peraí... PORRA ABRIU O WORD.
- Vamos de novo, procure um íco...
- Achei! Abriu, e agora?
- Está em que site?
- Site? Que porra é essa?
- Página da internet.
- Eu to no computador! Se eu quisesse ler ia na "bibrioteca!"
- O que aparece na sua tela?
- Internet Explorer.
- Não tem uma área para digitar?
- Tem.
- Digita ali o endereço de nosso webmail, "aga te te pê, dois pontos, barra barra, dabliu dabliu dabliu...
- Desisto. É complicado demais, nem meu filho de seis anos conseguiria...
- O senhor tem um filho de seis anos?
- Tenho.
- Posso falar com ele?
- Duvido que o moleque consiga...

Cinco segundos depois o e-mail está aberto. Pelo garoto de seis anos.
Outra, parecida:
- Atendimento XYZ, meu nome é (insira o nome), boa tarde.
- Não consigo entrar no meu e-mail. Eu fiz tudo certo e não entra.
- Tem alguma mensagem de erro?
- Onde?
- No seu navegador.
- Tem que ler?
- (silêncio do operador de quase dez segundos - ou xingou ou colocou no viva-voz para compartilhar com a equipe, mas o momento de rir se foi)...
- Responde, tem que ler tudo isso?
- Tem, senhor.
- Peraí... "Internet Explorer"... "XYZMail..."... Aqui está escrito "sua tecla CapsLock está ativada".
- Tente apertar a tecla "Caps Lock", localizada ao lado da tecla "A" de seu teclado.
- Um momento... Peraí... Vamos... Foi! Foi!
- Tenha uma boa tarde.

Ou até algo mais simples, essa acontece comigo todo santo dia:

- Bom dia. - Digo ao entrar alguém.
- Bom dia, quero acessar a internet.
(procedimento de identificação e/ou pré pagamento)
- Agora... Só precisa escolher a máquina e ligar o monitor (hoje nem falo mais "monitor", falo televisão... e dá no mesmo). - Respondo.

A pessoa caminha, vai até o computador, senta-se e desliga a torre.



Não adianta.

Uma das prerrogativas principais para o acesso a internet (ou acesso a vida?) é: tenha consciência que vai ter que ler. E muito. Demais. Absurdamente. Não é porque a ferramenta da moda (e da qual a televisão só fala de uns tempos para cá) só permite escrever 140 caracteres que você vai conseguir escapar disso, muito pelo contrário.

Penso, mesmo com controvérsias de conhecidos, que o mínimo que uma uma pessoa teria que fazer para ter o direito de acessar a internet deveria ser : Ler um livro. Por qualquer que seja. E "ler" quer dizer não apenas "virar páginas" mas absorver algo da leitura. Até um livro de tiras da Turma da Mônica serve.

Aliás, a leitura deveria ser um hábito adqüirido desde a infância e repassado de pais para filhos do mesmo modo que os pais passam aos filhos seus vícios. Obter o hábito da leitura é algo fundamental a vida, ainda que não goste. Algumas vezes sua vida (ou sua moral, vide a placa ao lado) pode depender disso.

Uma pessoa que queira obter o sucesso só consegue lendo (antes que falem: ser Gari ou P*ranha não é um modo de ganhar dinheiro a longo prazo, e depois que a gravidade age, já não serve pra muita coisa).

É um fato atual, livro na sua concepção como palavra (a grosso modo: um conjunto de papéis unidos por um tema em comum), e não na idéia atual que se tem (enorme bloco de papel escrito por um "zé qualquer", tipo Paulo Coelho). Até o manual do PC serve. Para ter uma idéia, um dos manuais mais completos que li na minha vida, tem 206 páginas, do Dell OptiFlex 330.

Aliás, até para viver temos manual de instruções (o que seriam "leis" senão um manual de instruções da vida adulta?). Para poder sobreviver, assinamos contratos de trabalho, contratos de aluguel, contratos de operadoras de telefonia... Enfim, palavras, que muitas vezes são abusivas e que ignoramos o perigo nelas só porque "ler é chato". aliás, eu leio, você ignora e depois? chora.

E por mais chato, desinteressante e boçal que considere, lá estão as letras, dominando tudo a sua volta. Não dá para fugir da realidade. Ou você domina, senta a bunda na cadeira e lê ou vai continuar levando a mesma vida medíocre de sempre.




Livros, e letras, só vão te devorar se você deixar.

Por sinal, se você chegou até esse ponto e leu, você não é regra, é exceção.

E guarde sempre a resposta certa:


Se vier aqui na Rio Cyber e acertar, ganha balinha... =)
Leia o Restante.

Ética, Comunidades e uma Explicação.


Ontem fiz um artigo jogando a merda no ventilador otaku.

Reiterando o que disse aos envolvidos, quero esclarecimentos, não necessariamente julgar ou qualquer coisa. Como já li, quem julga é juiz (ou Deus, se você tiver fé). A minha basta apenas entender.

Tudo tem duas moedas, dois lados e pontos de vistas muitas vezes tão distintos quanto água e óleo, mas ambos os lados tem que ser respeitados enquanto houver das partes educação.

Não obtive respostas do William, dono da comunidade da qual fui expulso. No entanto, o Alcides me respondeu, como esperava que fizesse. Como em nossa relação de amizade (e profissional, diga-se de passagem) nunca houveram máculas, acredito no que ele me disse e como me pediu segredo do motivo de seu sumiço vou respeitar.
1- Porque já sabia disso, ele me contara ano passado sobre isso;
2- Nunca me deu motivos para desconfiar.

Entrei em contato com o jovem prejudicado e até agora não li a versão dele dos fatos (orkut é um meio vago, e não considero, afinal de contas "é o orkut"), mas li relativamente a respeito de uma outra ex-colaboradora do evento.

Não citei valores ou outras coisas porque não convém, o objetivo é obter respostas.

Acusações já tiveram bastante
.

Também já tive o prazer de receber nos comentários alguém que é extremamente ligado ao Alcides, inclusive nesse ato, e visando a transparência, copio e colo o comentário que ele deixou:

William é irmão do Acides, que organizava as caravanas antigamente, e até hoje ainda ajuda a organizar, porque nem sempre era o Alcides que fechava com os hotéis e as empresas de ônibus, embora o William só tenha ido conosco na AF2007. (O William agora é evangélico e não vai mais em eventos nem aparece pessoalmente. Eu o vi em 2007~2008 e nunca mais desde então.)

Eu continuo na comunidade, e o tópico continua lá, trancado. O motivo que o William me deu é que ele expulsou as pessoas que estavam xingando o Alcides, como também os outros que estavam no tópico mas não causavam mal nenhum tal como o Ricardo (Nota do Autor: Dragus) e a Mayu.

Eu RI ALTO quando percebi que nas três primeiras páginas só haviam xingamentos contra o Cid e a maioria deles começava com ou havia uma das seguintes frases no corpo da mensagem:

"Pô nem sou da comunidade mas o Cid é um ladrão."
"Nem sou do RJ, moro em SP e eu sabia que isso ia dar merda."
"Conheço o cara não, nem ninguém da comunidade mas esse cara tem que ir pra cadeia junto com os organizadores!"


Eu sempre me pergunto se esse tipo de comentário é realmente necessário.... como eles chegaram na comunidade, no exato ponto do tópico? Óbvio que alguém fica spammando no msn "AE COMENTA AQUI" para um assunto que não tem nada para com quem não faz parte da comunidade e da caravana em si.

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Enfim, meu parecer:
- William está errado em expulsar, porém acho correto o expulsamento das pessoas que eu citei com comentários acima.
- Alcides deve uma grana arrombada, sim. Deve pagar? Sim. O último contato que eu tive com ele foi de que ele iria cancelar a caravana para Oktoberfest porque menos de 1/5 das pessoas confirmadas havia pago, nessa mesma conversa ele ainda estava desesperado atrás de dinheiro.
Cid ia se mudar para a Lapa, para parar de morar no Realengo.. sabe onde o cara mora agora? BigField, em um quadrado menor do que a minha casa (Quem já viu aonde eu moro, sabe.) e tem uma banca de jornal que nem mesmo é dele, era do pai, na castelo branco.
Em suma, ele não tem dinheiro para pagar agora nem muito em breve. Se ele ralar muito até o final do ano ele paga, com certeza.

Só acho chato mancharem o nome dele assim, de como se ele fosse um ladrão de caixa de supermercado. Eu quero que ele volte a fazer caravanas, e afirmo que se ele voltar, as mesmas pessoas que sempre vão, vão estar lá.


Essa é a posição de Rafael.

Havendo novidades e mais respostas transcrevo aqui.

Reiterando o que disse antes: os que vierem fazer dos comentários um picadeiro serão tratados como palhaços.

Ambos os lados tem como falar, basta apenas disposição.
Leia o Restante.

Comentando comentários... Idiotas.

Não sou de fazer isso, acho que é até ofensivo certas vezes, mas tem gente que pede, parece implorar para ser sacaneado publicamente, não é possível.

Uma coisa que acho legal aqui no pensamentos é que volta e meia alguém comenta em algum artigo antigo, é legal ver que as pessoas leem nossos textos mesmo os mais velhos.

Em maio do ano passado fiz um artigo sobre a memória do povo brasileiro, pois bem, na época todos entenderam, porém 1 ano e 5 meses depois eis que me surge este comentário que ponho a seguir em forma de printscreen no caso de tentarem apagar o comentário futuramente:

O ser humano autor dessa... Desse comentário é o típico exemplo de analfabetismo funcional, ou seja, até sabe reconhecer as letras de nosso alfabeto, entretanto não consegue formar palavras e frases. A prova disso se dá pelo fato de não ter entendido absolutamente nada do que escrevi, isso se é que se deu ao trabalho de ler até a terceira linha do que escrevi. Não acredito que meu artigo esteja tão confuso assim, já que oito pessoas antes dele que leram e comentaram pareceram entender muito bem.

Falando mais diretamente do comentário, o ser em questão alega não esquecer de nada. Ele só se esqueceu das regras de acentuação, pontuação... Duvido apenas que tenha esquecido da forma culta da escrita da língua portuguesa, pois tal ser sequer deva conhecê-la. Não satisfeito em comentar apenas uma vez, o ser repetiu o mesmo comentário mais duas vezes, ou seja, 3 comentários com o mesmo conteúdo. O festival de vandalismo para com nossa pobre língua pátria segue para o que se tornam longas quatro linhas de pura tortura, e finaliza tentando dar uma lição sobre espécies de peixes e fecha com a pérola:

"Eu nunca mais vou ver isso.thau.para sempre."

Só tenho a agradecer que nunca mais venha ver o artigo, ou qualquer outro, sinceramente dispenso comentários de pessoas que não têm a mínima capacidade de compreensão e desconhecem a interpretação de texto, coisa que, ao menos no meu tempo, era ensinada nas escolas.

Agora apenas espero pelo próximo corajoso que serão protagonistas de um futuro artigo, pois pelo visto eles não se cansam. Só dou uma dica para os próximos, aprendam a escrever antes e se deem ao trabalho de ler o artigo por inteiro, e releiam caso não tenham entendido da primeira vez.
Leia o Restante.

Assustando a raça humana com apenas 7 letras.

Se você não aguenta imagens fortes e sofre de problemas sérios a ponto de não poder levar sustos, evite essa postagem.








A imagem que verão abaixo mostra algo que é pavoroso para grande parte da raça humana nos dias atuais.







Algo que pode causar pânico na Revista Caras, na Contigo, na Isto É, na Veja, na Carta Capital, em telejornais e emissoras de rádio e televisão.






Não avance, eu estou avisando, você pode não aguentar... É algo pavoroso!





Eu avisei...


Vão negar que hoje em dia é "disso" que nossa sociedade mais tem medo?
Leia o Restante.

Ética, Comunidades e uma Expulsão.


Eu fui expulso da comunidade acima.

Claro, essas coisas acontecem. Já me removi de comunidades antes por questionar regras ou mesmo por discordar dos membros participantes (antes de ser removido delas, pois desde meus tempos de Fórum MAP não perco meu tempo com fóruns a esse ponto).

Sempre esbarramos ou teremos algum problema em comunidades (seja Orkut, FaceBook, Twitter, etc) onde seus donos/usuários, por falta de capacidade de argumentar ou de razão expulsam os membros sem qualquer chance de resposta (ou como apelidam atualmente: donos-trolls)

(isso é bem diferente do mimimi em torno do Porto Cai na Rede, diga-se de passagem).

Se (e somente se) você me conhece como moderador de comunidades sabe que qualquer ato que realizo é em cima de regras e me submeto a regras pré-estabelecidas por seus donos. Raramente me darei ao luxo de expulsar um membro sem ser pelas maneiras previstas (geralmente por spam ou por agressão verbal a outro membro, mas o comum mesmo é por spam).

E por uma questão de ética, eu aviso de alguma forma. É no mínimo educado. É aquela frase clássica "quem tem culhões que honre-os". Mesmo quando ofendido diretamente não costumo expulsar (não que não faça motivo de chacota).

Só que pelas características misteriosas da expulsão e das circunstâncias em si, decidi jogar a merda no ventilador com o mesmo carinho com que fui expulso.

A Polêmica.
Uma das pessoas envolvidas é Alcides (Langley ou Cid, como é conhecido também). Ele organiza eventos Otakus no Rio de Janeiro e o conheci quando eu ainda era apenas um moderador de fórum Otaku, isso por volta de 2002~2002. É uma das pessoas mais legais e divertidas que conheci em minha vida. Tanto que até tinha feito propostas de ajudá-lo nesse sentido, e fui sei lá porque ignorado (colado abaixo o recado, para quem quiser ver ou duvidar).


Essa semana que passou entrei na comunidade porque ela apareceu em destaque. Ok. A comunidade tem fins comerciais, pois tecnicamente é uma comunidade criada pelo pessoal ligado a alguém que até que se prove o contrário considero como amigo.

Só que o motivo de destaque da comunidade não era esse. Era um tópico fazendo gravíssima acusação contra Alcides e sua equipe de organização (por tabela, claro). Vou resumir, porque como fui expulso da comunidade não tenho como "copiar e colar" o que foi dito - isso se é que ainda existe o tópico. - uma pessoa que participou da Caravana para a Anime Friends 2009 narrou um problema monetário que ocorreu na hora de pagar o hotel em que a caravana ficou hospedado.

Ao que disse o rapaz, por um problema bancário o Alcides não tinha realizado a transferência para o hotel pagando a diária dos que foram na caravana (um problema recorrente em caravanas cariocas, como sabe quem vai na Anime Friends desde que o evento começou). O pai do rapaz então se propôs a pagar o valor ao hotel e o Alcides se comprometeu a dar o dinheiro de volta quando voltasse para o Rio de Janeiro.

Isso não aconteceu.

Alcides por algum motivo desconhecido não pagou, seja lá qual for, e isso alimentou o tradicional burburinho e manchou com desconfiança a organização da Caravana. Pessoas foram cobradas, brigas aconteceram e de lá para cá, isso desde Julho desse ano, o dinheiro não apareceu na conta do jovem e Alcides até que se prove o contrário não manifestou-se a respeito.

O tópico, como de se esperar virou uma chuva de acusações e brigas, com antigos colaboradores da caravana manifestando-se a respeito e tomando posição a respeito, além da tradicional troca de acusações ou simplesmente aquilo que chamam "flame", em que alguns surgem e dizem "é bandido" e coisas do tipo.

E eu me manifestei no tópico.

Disse mais ou menos "o que quer que tenha acontecido o ideal era procurar a justiça. Havendo boa fé por parte do organizador da caravana, ou seja, teve problemas com o banco, ele pode comprovar com sua movimentação bancária e provar por A+B que não foi culpa dele. Se for, o Juiz vai determinar o que fazer. O que não podia é ficar a discussão no Orkut."

[Atualizando]Consegui a mensagem, graças a uma fonte dentro da comunidade, segue o que eu disse:
A mensagem redigitada:

1. Tendo comprovação da dívida, basta ir a Justíca;
2. Se ele não tiver como pagar com dinheiro, vão bloquear todas as contas que tiver, e se necessário leiloarão bens dele como pagamento.

O que não pode é postar no orkut.

Ele não pode ser preso.

O problema vai ser se ele tiver comprovantes de depósito (existe a possibilidade dele ter pago e não ter caído na conta), aí a responsabilidade é do banco, ou dele se digitou a conta errado.

Não se pode contar apenas com a má fé de alguém, pessoas erram de muitas maneiras.

Como não sei, não estive e não fui...

A propósito, é a segunda vez que vejo caravanas do RJ + Furto de dinheiro e hotel pressionando para pagar, na minha época teve um problema parecido e também ficou por isso mesmo. Determinados erros são cíclicos.


Coloquei a mensagem abaixo porque comenta de um fato ocorrido anos antes desse.[/Atualizando]

Hoje fui conferir se Alcides (ou alguém) tinha dado seu posicionamento e esclarecimento a respeito e não encontro a comunidade. Pesquiso no Orkut, pensando que fora excluída, e vejo-a por lá, com a mesma propaganda de antes (como vêem pelo printscreen que tirei e coloquei acima), mas agora moderada e com seu conteúdo oculto. Já sabendo o que me espera, clico em "participar", pensando ter sido removido, é quando vem a mensagem:


Agora, expulso, pergunto:
Que tipo de apoio pode querer alguém que retira veementemente das pessoas a oportunidade de argumentar? Aliás, que tipo de conclusão tiro quando rola uma acusação do tipo como a que aconteceu e a pessoa ao invés de responder expulsa membros e fecha a comunidade?

Quem não deve, não teme (e não esconde).
Procurando tentar esclarecer, entrei em contato hoje com os dois donos da Comunidade, o Alcides e um rapaz chamado Willian (de fato, o dono da comunidade). Como seu perfil é daqueles que não recebe recados por configurações de privacidade (mas ainda permite recebê-los), deixei uma mensagem.


Também mandei um recado ao Alcides por depoimento, esse não colado aqui por questões éticas (afinal de contas, depoimento é algo pessoal, e não convém colocar aqui), mas pedindo basicamente respostas.


Ok, eu fui expulso. O Orkut não é uma democracia.

Só quero saber porque.

Ainda me recuso a acreditar nas acusações que li no tópico, me recuso a crer no que foi dito, mas infelizmente os fatos contradizem minha crença. Se possuem a capacidade de expulsar membros por manifestarem opinião a respeito, o que mais pode ter sido feito (ou não)?

Ao contrário do que ocorreu na comunidade no Orkut, eu (por via de regra) não posso ser expulso de meu próprio site, logo, a merda está aqui, no ventilador, e quem quiser que deixe sua opinião ou relato nos comentários.

Claro que palavrões, acusações e xingamentos serão temas de piada... =)
Leia o Restante.

E-mail falso - Phishing.


Hoje recebi dois emails como o acima, de alguém se passando pelo setor financeiro de sei lá qual empresa, sempre com o endereço "financeiro@(algo.com)".

O link leva para uma página que pede os tradicionais dados bancários e sua senha para confirmar.

Não seja tolo e caia numa dessas, porque eu desconfiei de imediato, mas não deixei de pensar se seria verdade que recebi um depósito (pois tem poucos erros e parece realmente algo sério), imagino como seria em empresas com um fluxo de e-mails absurdos.

Se você quer saber se recebeu algo ou não vá ao site do seu banco e confira por lá, não é porque fulano mandou um comprovante com link que você precisa clicar nele.

Ninguém faz isso, exceto quando quer te dar golpe.

Fique esperto.
Leia o Restante.

Invadindo o Distrito 9.


Distrito 9 estreou essas semanas nos cinemas brasileiros, isso depois de já ter estreado há semanas (muitas mesmo) lá fora e, principalmente, depois de muita gente ter baixado o filme e assistido em casa.

Um dia, quem sabe, as empresas que controlam essa mídia vão entender que os tempos de estréias segmentadas já se foram, e ou fazem estréias mundiais ou vão fatidicamente perder receita porque meio mundo já viu o filme e a outra metade não viu porque a primeira metade chutou o pau da barraca.

O filme consiste basicamente em duas histórias paralelas e misturadas pelo preconceito. Na primeira, e também o pano de fundo, os alienígenas chegaram a Terra e pedem ajuda a raça humana. Nossa tão prestativa comunidade internacional, com suas tradicionais terceiras e infinitas intenções, não apenas deixam de ajudar como expulsam os aliens da própria nave e o enviam em um terreno, chamado Distrito 9. E ali eles ficam por vinte anos, sendo excluídos da sociedade com a qual foram forçados a conviver, desejosos a cada dia da oportunidade de ir embora.

A segunda envolve o drama pessoal de Wikus, um burocrata (que pertence a uma ONG que se supõe/apresenta para ajudar os camarões, mas a verdade aparece no filme) dos tipos que muitos habitantes de comunidades carentes conhecem - e odeiam. Uma pessoa como muitas que conhece, e que geralmente vê todo dia no espelho. Nada especial e, diga-se de passagem, irritante e chato (nos primeiros minutos do filme tenho vontade de socá-lo, se fosse possível). Só que ele é infectado com um produto feito pelos camarões e começa a se transformar em um deles, dando início a uma série de problemas pessoais e, óbvio com as perseguições que isso implica já que ele se transforma em um experimento ambulante.


Antes que cheguem ao cinema pensando que assistirão algo parecido com Jornada nas Estrelas ou uma versão mais barata de aliens, tirem os cavalos da tempestade. O filme apesar de seu forte apelo científico (afinal de contas, trata de um contato alienígena) o enfoque dele é de longe a ação, mesmo que presente nos minutos finais.

O filme não coloca a humanidade como vítima, pelo contrário. No enredo do filme os vilões são os seres humanos. Somos retratados, independente da cor, gênero ou opção, como mesquinhos, egoístas e temerários, fazendo experimentos cruéis com os camarões ou tratando-os como lixo social, quando na verdade eles só estão na Terra porque os obrigamos.

Nada mais do que a verdade. Só que ninguém gosta de verdade. E se duvida de nossa capacidade de sermos cruéis, e ainda alegando boas intenções, veja esse artigo do Pk: Atrocidades da Guerra.

É a humanidade, nua, crua e jogada na nossa cara da pior forma possível. Não dá para não se revoltar com o que acontece com Wikus e perceber/constatar que não seria muito diferente no mundo real.

Mas mesmo o mote, mesmo a verdade do filme não o livra de certos erros. Ele é confuso, tem uma edição que atrapalha mais do que ajuda em muitos momentos. Ele começa como um documentário do despejo dos camarões do Distrito 9 e em algum momento do filme deixa de ser um documentário, mas você não percebe essa mudança de forma clara.

O diretor tenta usar o recurso de passar o filme como se fosse narrativa de fatos passados, mas a ausência de alguns conectores ou um simples efeito especial resolveria o problema. Ele tenta usar recursos já usados, misturando idéias/técnicas de Tarantino (Pulp Fiction) com Matt Reeves (Cloverfield) e fica muito ruim, mas ruim mesmo.

Se você se distrai com a pipoca no início do filme (ou aquele casal tarado do banco de trás) vai ter que assistir de novo para compreender a narrativa porque vai perder o tino. Outro fator que pega negativo é que o filme enfatiza tudo. Se Wikus solta um "pum", a imprensa noticia que ele soltou um pum. E a cidade inteira de Joanesburgo parece um Big Brother.

Detalhe: leiam a sinopse no final do artigo e descubram que não NADA a ver com o filme.


Outro lado ruim é que os camarões são mal explorados como raça e como personagens.

Não dá para conceber e aceitar que uma raça que viaja pelo universo, que possui as armas que possui no filme, fique tanto tempo subjugada ou que se comporte de maneira tão selvagem. Ainda que tenham dito que estavam doentes, vinte anos se passaram de humilhações e privações e tendo o arsenal deles (apresentado e usado no filme) seria suficiente para impor respeito -pelo medo - a qualquer nação. Isso sem contar que seus corpos são mais fortes e resistentes que os nossos.

Os camarões, como sociedade e indivíduos, são retratados como criaturas sem organização central, sem capacidade ou desejo de eleger um representante para negociar em nome deles como a nação que são.

Não existe isso. O tempo todo os apresentam como pobres coitados, revirando o lixo no entorno do distrito 9, procurando - provavelmente pelo fluido (o combustível de sua nave-mãe) -, perseguidos por homens que eles dividem em dois com tapas. Que tenham chegado doentes, como diz logo no início do filme, tudo bem, mas ainda assim são uma espécie superior tecnologicamente, ou seja, deveriam o ser também em comportamento e diplomacia.

Uma pergunta (senão "A") é: se a nave está sem energia a vinte anos, como consegue flutuar?

Para mim são os pontos negativos mais gritantes. Existem outros, como seu final em aberto, mas hoje em dia é tradição no cinema de Hollywood, já que filmes "populares" não são mais do que séries televisivas para telas grandes e continuações eternas. Não que Distrito 9 se encaixe nessa temática, mas pelos comentários que escutei de "vai ter continuação" mesmo que a intenção não seja essa dos produtores e roteiristas, ficou a brecha.

Pelo que faturou, realmente pode ter continuação, mesmo sendo o ideal ficar sua conclusão apenas no imaginário das pessoas.

Para constar, o filme custou aos cofres da TriStar Pictures o valor arredondado de 30 milhões de dólares, na primeira semana faturou 37 milhões (em setembro já recebera mais de 100 milhões), e continua faturando pelo mundo, dado que, por exemplo, só estreou aqui agora.

Ainda assim, com esses erros bobos, é a ficção científica mais coerente dos últimos tempos, pois mostra algo do ser humano que sempre fingimos não ser e algo distinto, nosso lado como algozes e não como eternas vítimas de visitantes do espaço.

E de uns tempos para cá tem faltado um pouco dessa verdade na raça humana.

Trailer:


Ficha (Fonte: IMDB - District 9):
Diretor: Neill Blomkamp;
Roteiro: Neill Blomkamp e Terri Tatchell;
Produção: Peter "SdA" Jackson;
Estrelando (basicamente): Sharlto Copley (Wikus Van De Merwe) e Jason Cope (Grey Bradnam).
Estreou EUA: 14/08/09;
Estreou BR: 23/10/09.

Sinopse (Fonte: Severiano Ribeiro):
Alienígenas chegam a Terra como refugiados e se instalam em uma área da África do Sul, o Distrito 9, enquanto os humanos decidem o que fazer com eles. A Multi-National United (MNU) é uma empresa contratada para controlar os alienígenas e mantê-los em campos de concentração e desejam receber imensos lucros para fabricar armas que tenham como "matéria-prima" as defesas naturais dos extraterrestres. Mas a MNU falha na tentativa de fabricação das armas e descobrem que para que elas sejam ativadas, o DNA dos aliens é necessário. A tensão entre humanos e aliens aumenta quando Wikus van der Merwe espalha um misterioso vírus que modifica o DNA das criaturas impedindo a poderosa MNU de colocar em prática seus planos de exploração sobre as criaturas de outro planeta.
Leia o Restante.

Monólogo de uma madrugada chuvosa.

Em uma noite fria uma mulher caminhava, só, sem rumo. Sua mente vagava por dimensões inimagináveis, seu corpo seguia sem rumo. Cansada, senta em um banco, observa a paisagem e descansa. Chove, as pequenas e frias gotas caem, uma a uma, sem cadência, vagarosamente, até aumentarem seu ritmo e dar início a caótica sinfonia criada pela natureza. Ela parte a procura de abrigo, anda corre, mas não encontra. Finalmente encontra, um banco sobre a proteção de uma bela cobertura, esta escuro ali, mas tudo que importava era o abrigo, mais nada.

Alguém se aproxima, apressado, também procura abrigo. A mulher o olha rapidamente, mas não o noto por completo, sua cautela a impede.

Homem: Boa noite! - Cumprimenta o homem percebendo a mulher solitária e acuada.

Ela nada responde, olha de relance, é um homem bem vestido, de boa constituição física, não nota muito seu rosto, mas parece belo. Sua voz era agradável, tinha um tom sedutor e ela sentiu um arrepio subindo-lhe a espinha.

Mulher: Eu não quero falar com Ninguém. - Disse tentando fazer com que o homem se calasse.

A mulher se assustou, ele chegava cada vez mais perto. Ela olhou rápido, ele estava sorrindo, um sorriso malicioso, se sentiu acuada. Tentou se afastar, mas ele já estava ao seu lado.

Homem: Tudo bem, não fale nada, então serei seu Ninguém.

A voz do homem era forte e seu tom imporioso era sedutor.

Mulher: Mas Ninguém me atrai.
Homem: Por que? - Questionou. - O que te atrai a Ninguém?
Mulher: Porque talvez seja alguém.
Homem: Ou talvez um ser abstrato intangível.
Mulher: O intangível pode ser abstrato, mas não por isso incompreensível.

Mesmo com medo ela não conseguia fugir. Ela se sentia cada vez mais atraiada por aquele estranho que para ela era Ninguém.

Homem: Para se estabelecer um diálogo é preciso duas partes: um locutor e um ouvinte, mas quando uma das partes é Ninguém, não seria um monologo? Há um diálogo com Ninguém? - Provocou.
Mulher: Talvez o monólogo de uma madrugada chuvosa me atraia. - Respondeu pela primeira vez olhando nos olhos do homem.
Homem : A madrugada é escura e chuva oculta o som dos que se ocultam nas sombras, quem sabe o inimigo não esteja próximo.

Seu olhar era penetrante, quase hipnótico, ela se sentiu anda mais atraída.

Mulher: Acredito que o inimigo sejam os pensamentos que nos inquientam, talvez esses que não te deixaram dormir até agora.
Homem: Ou talvez esteja apenas acordado aguardando minha presa que se aventura na penumbra de uma noite chuvosa.
Mulher: O que espera de aventura nessa noite? - Disse ela tentando demonstrar coragem.
Homem: Algo que preencha o vazio de meu ser, para saciar momentaneamente minha vontade insaciável. - Disse enquanto se levantava.

O homem sumiu, ela olhava para os lado mas não conseguia vê-lo.

Mulher : Vai sair? - Perguntou alto ansiosa pela resposta.


Silencio.


Ela ficou apreensiva, não sabia o que viria a seguir.

Homem: Aqui permanecerei enquanto minha caça não aparece. - Sussurrou no ouvido dela.

De um salto a mulher se ergueu, mas o homem já não estava mais atrás dela.

Mulher: Se propõe ser o caçador, mas nesse jogo quem faz as regras é a caça. - Disse tentando mais um vez demonstrar coragem,mas agora mesclada a um pouco de sua raiva.
Homem: Que regras pode ditar a caça que caminha pelo vazio da escuridão? - Caçoou observando-a atentamente.
Mulher: Pode dizer quando o jogo termina.
Homem: Mas como há de saber que o jogo começou?
Mulher: Começou... - Anunciou olhando atentamente para onde o homem estava.

Ele a encarava, seu olhar era puro desejo, ela lhe retribuiu o olhar, o sentimento era quase mutuo.

Homem: Então corra, encontre abrigo, pois o manto diáfano de tua vã segurança pode não te proteger dos olhos que te espreitam. - Disse gesticulando expansivamente tetando amedrontá-la
Mulher: Não tenho medo já que você é Ninguém. - Mentiu, mas o temor se misturava com o desejo. - Afinal, como correr de Ninguém?
Homem: Então te entregas as presas de teu algoz?
Mulher : Se meu algoz for ninguém, me entrego.

O homem estava agora ao seu lado. Era alto. Ele sentia a respiração ofegante da mulher, estava tão próximo dela que seus corpos quase se tocavam, mas mesmo daquela distância, ele sentia seu coração bater acelerado.

Homem: Ninguém pode ser apenas um disfarce que oculta o derradeiro perigo, mesmo assim te entregas sem luta? - Disse enquanto caminhava para trás dela.
Mulher: Eu luto sim... Como será esse embate? - Disse virando-se para o homem. - Será fácil, um disfarce é sempre vulnerável à primeira mentira.
Homem: A vontade sera minha arma, se fordes capaz de superá-la deixa-te-ei partir sem te causar mal algum.
Mulher: Sua vontade conquistara o que nessa noite?

Ela agora se sentia mais confiante confiante. Encarava o homem nos olhos.

Homem: Tudo aquilo que desejo! - Disse com convicção.
Mulher: O que é?
Homem: O cálice da vida e da sabedoria, o cerne da existência de quem for minha presa.
Mulher: Suas vontades são ordinárias! - Provocou-o
Homem: E suas palavras são vagas! - Rebateu
Mulher: Seus desejos também! - Provocou outra vez.
Homem: O que sabe de meus desejos, ó débil ser que vaga pela noite? - Questionou elevando sua voz como um trovão.
Mulher: Diga-me o que desejas... - Disse se aproximando dele e tocando seu peito.

Por um instante os dois trocaram olhares, como iguais.

Homem: O que me pedes não queres realmente saber, então por que me questionas? - Disse se afastando.
Mulher: O que sabes sobre o que quero ou não saber? - Questionou com raiva.
Homem: Sei que sai a noite, só, e indefesa, sei que não queres saber a verdade, pessoa alguma quer. - Respondeu retomando as rédeas do embate.
Mulher: Não me importo muito com a verdade, as ilusões me alegram.

Mais uma vez ela se aproximou do homem e olhou em seus olhos, mas ainda não conseguia distinguir sua face.

Homem: Vê! - Exclamou afastando-a. - Admite que não gostas da verdade. A verdade dói, fere, como um cravo fincado em teu peito que te faz sangrar até que vejas o fim, mas nunca te deixa partir por completo, sempre a te atormentar. Então o que realmente queres, a dolorosa e impiedosa verdade, ou a doce ilusão que te mantém segura?

A mulher se afastou e sumiu nas sombras da noite, caminhando lentamente.

Homem: Por teu silêncio tomo minha vitória, e agora partirei triunfante em busca de outra presa que assim como tu há de sucumbir a minha vontade! - Disse bem alto para que ela, mesmo longe pudesse ouvi-lo.

Com isso ele, partiu. Vagou só, mas não estava satisfeito. Sentia-se frustrado.

- Sentiu minha falta?

Era a voz da mulher. Tinha vontade de olhá-la, mas não o fez. Apenas manteve-se calado.

Mulher: Não se cale, sinto que tem muito a dizer.
Homem: Então és minha presa que se calou. Iludiu-me fazendo pensar que tinha em mãos o cálice da vitória, quando apenas saboreava uma doce mentira.
Mulher: A mentira é agradável, tens que acabar o preconceito para com a mentira doce.
Homem: Bravo! - Disse ele voltando-se para ela e aplaudindo. - Devo me prostrar perante ti e admitir minha derrota perante tamanha sagacidade que sobrepujou minha vontade.

Ele humildemente se ajoelhou perante a mulher, pegou sua mão, acariciou-a por um instante e depois deu-lhe um beijo.

Mulher: Assim a caça determinou o fim do jogo, como antes já havia previsto. - Disse sentindo-se triunfante.
Homem: Apenas porquê o caçador julgou valorosa a caça e não desejas mais que sua existência tenha fim nesta noite, para que em outra possa ter o prazer de caçá-la outra vez.
Mulher: Empate?
Homem: Empate!

E assim os dois seguiram juntos noite a dentro, sem rumo, mas não mais sós.
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Pensamentos agora com lojinha.

Submarino.com.br


Depois de quase um mês na lista de espera do Submarino, o Pensamentos Equivocados segue sua caminhada e agora coloca também uma lojinha em parceria com a rede.

Ainda estou implementando as coisas aos poucos, criando algum material com o tempo que disponho e dar uma carinha "fofa" a coisa.

Obviamente só coloquei o Submarino.com porque sou comprador da rede e até o momento não me decepcionei com a rede de entregas dele, mesmo morando em Paquetá.

Aliás, Paquetá é um dos maiores testes para empresas de entrega online. Se uma empresa entrega em Paquetá, a empresa faz juz ao termo "no Brasil todo" enquanto algumas redes de renome anunciam "entregamos no Brasil inteiro" mas colocam Paquetá em outro país, porque nunca entregam (Não é, Casas Bahia? Não é Ponto Frio?), e quando entregam, não fazem montagem.

Para visitar a página inicial da lojinha você tanto pode clicar aqui, na imagem aqui do post ou pode ver lá em cima, no menu aqui do blog, o link para a lojinha.

Divirta-se e boas compras, afinal de contas nunca se sabe quando se pode pensar em comprar algo... =)

A propósito, está ocorrendo uma ótima promoção por lá... Tomei um choque ao conferir durante os testes.
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Diário de Guerra: Um sábado, uma guerra, uma rotina.

Mais um dia amanhece na cidade do Rio de Janeiro.

Tudo aconteceu em um sábado na cidade olímpica...

08h00min:
O despertador não tocou, aliás, não acordei com o despertador. Ao contrário da classe privilegiada eu pertenço a classe trabalhadora, trabalho de domingo a domingo faça chuva, sol ou qualquer coisa semelhante.

A noite tinha o aniversário de 15 anos de minha irmã. No dia anterior cancelei o trabalho e passei para segunda a tarde (ontem), dia em que teoricamente teria folga. Precisava comprar as roupas que usaria na festa e os presentes e para isso dormi na minha sogra de sexta para sábado ciente que dormir em Paquetá seria oneroso demais.

9h30min:
Tomei banho, vesti a roupa e fui para a luta. Não vi telejornais, e os jornais da banca falavam das futilidades de sempre. Surpreendentemente o metrô da Saens Pena está deserto, nem sei porquê.

Chego no Centro da Cidade, pego parte do material de trabalho e saio na mesma velocidade, direto para um dos meus clientes. Chego e vejo que faltam alguns CDs para reinstalar um notebook, ligo para o responsável e ele fica de me entregar o CD. Sabem quando? Isso, segunda-feira.

11h30min:
Escuto o burburinho na empresa. Vou até uma televisão e vejo uma cena de guerra. Um helicóptero está pegando fogo. Imediatamente imagino serem cenas do Afeganistão ou do Iraque, lá são locais em guerra. Não é.

Um helicóptero foi abatido em combate no Rio de Janeiro, aliás, a cidade-sede da Copa do Mundo 2014 e das Olimpíadas 2016 teve um helicóptero abatido por forças para-militares. Estava ali, na tela, o aparato policial em chamas, com policiais morrendo no exercício do dever a troco de nada.

A raiva que dava enquanto via a cena era impressionante. Como diria Lula: nunca na história desse país um ato de guerra foi tão e completamente ignorado.

Sim, porque logo depois o Rubinho tinha que disputar a posição na corrida - que perdeu, diga-se de passagem. - de interlargos e era muito mais importante isso do que transmitir informações sobre o estado de guerra que se instalou na cidade. Em suma, acabou o jornal, acabou a guerra ao menos na Rede Globo.

13h00min:
Saio do cliente. Vejo na Rua Humaitá o reflexo nas ruas. Sabe quando é véspera do ano novo, depois do meio dia? Aquele período em que as empresas já fecharam e as pessoas estão em casa preparando-se para festejar?

Rua Humaitá no Sábado. E eu desarmado. =(

É igual, mas não existe festa, apenas medo.

Me senti em um faroeste, mas eu não era o pistoleiro, era mais a mocinha indefesa.

Está parado, no ponto de ônibus recebendo ligações constantes. Na última fora informado que não tinha mais ônibus porque alguém falou em algum lugar que as empresas de ônibus estavam recolhendo os veículos e trancafiando as garagens. Até então tinham queimado cinco ônibus (e o meu podia ser o próximo).

Felizmente o ônibus apareceu e consegui ir para a segunda parte das compras pré-festa.

13h50min:
Cheguei ao Shopping Tijuca. As lojas estavam cheias, mas não parecia um dia de sábado, e sim uma quinta-feira. Poucas pessoas transitavam.

Fui no banheiro e escuto uma funcionária do shopping lamentando com outras funcionárias que não tinha como voltar para casa e dormiria no ali mesmo, no Shopping Tijuca. Motivo alegado: não tinha van, não tinha ônibus e havia um novo boato, o metrô fecharia as 21h00min (o que nem sei se aconteceu ou não).

A cada loja em que parávamos uma nova série de perguntas.

16h30min:
Sempre perguntavam como estavam as ruas e como chegariam em casa. Quem trabalha no Shopping tinha medo da hora de ir embora e perguntava a colegas que moravam próximo se podiam dormir em suas casas naquela noite. Tinham medo de voltar para casa.

Fui informado na última loja então que não eram cinco ônibus queimados, mas dez. Voltei para casa da minha sogra, fazendo um percurso de quatro quadras de táxi, pois era sabido também que a polícia estava no Morro dos Macacos, ou seja, o resto da cidade estava deserta.

20h30min:
Retorno ao Shopping Tijuca.

Dessa vez vou acompanhar minha esposa no encontro de aniversário com meu sogro. Se existe um termômetro do caos do Rio de Janeiro, um deles fica no Outback.

O lugar tem fila todo dia, ainda mais o do shopping tijuca. Em um sábado e as 20h30min provavelmente meu sogro ainda estaria esperando vagar lugar e teriam umas 45 pessoas na nossa frente.

Mas era dia de tiroteio no velho sudeste.

Meu sogro e os outros presentes já estavam acomodados no estabelecimento e para meu espanto tinham mesas vagas. Nunca em minha vida conseguira entrar tão rápido em um Outback. A situação para a loja estava tão ruim que até fomos bem tratados pelos atendentes (coisa que hoje em dia é uma exceção no Outback, e não mais a regra), tendo recargas rápidas de nossos refis de refrigerante e reposição ainda mais rápida de cerveja.

21h10min:
Pego um táxi para o aniversário de minha irmã.

Ela faria sua festa em um salão alugado no Clube Mackenzie no Méier. Um clube muito bom e em um bairro tranqüilo, não fosse ter um Morro dos Macacos entre a Tijuca e o Méier.

Policiais fazendo patrulha na zona norte.


O o taxista relutou muito em seguir pela rua 24 de Maio até nosso destino. Ele estava nitidamente apavorado e quando nos deparamos com caravanas de policiais e guardas municipais fazendo a vigília dos acessos e comunicações entre o Jacarézinho e o resto ele segurou o choro (mas não o tom de voz choroso).
- COMO VOLTO PRA CASA! - Lamentou o taxista, sem saber que a Marechal Rondon estava livre, seus acessos que não.

Chegamos a festa.

Obviamente a festa sofreu os ocasos da violência. Só foram os convidados que não cruzam o Morro dos Macacos e poucos corajosos - ou tolos. - como eu. De resto a maior parte preferiu ficar quietinha em suas trincheiras de casa.

E com o final da festa, terminou meu dia.

Um dia tenso.

A cidade segue se preparando para os ataques terroristas de 2014 e 2016, jogando panos quentes em tudo, e agora até helicópteros quentes... Do jeito que está nossa criminalidade não precisaremos de terroristas, teremos nossos próprios.

E por motivos fúteis.


Fonte da foto de capa: http://www.brinquedos.faroeste.nom.br
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