Quem está no Barril da Cachoeira?


Não acredito em políticos. De forma alguma, depois de alguns anos votando os fatos noticiados mostram que não existe oposição ou situação, e a possibilidade de exceções na nossa política são cada vez menores, se é que existem.

Uma das primeiras coisas a me acordar foi quando entendeu-se que os partidos políticos (entidades privadas que se fantasiam de públicas, mas são verdadeiras caixas pretas) eram os donos de fato das cadeiras eleitas (e não quem foi eleito de fato pela população), a possibilidade de existência de exceções foi multiplicada por 0.  

A segunda foi o decorrer do governo Lula e os pormenores da crise do mensalão. Onde apesar da grande mídia querer colocar a culpabilidade da coisa no governo PT o fato em si tivera origem em governos de partidos declarados de "oposição" (isso para não relembrar o PC Farias, puxando lá no fundo do baú da nossa democracia recente).

Daí vamos descer Cachoeira abaixo.

Esse individúo faz parte (não necessariamente lidera, apesar da imagem que vendem) de um esquema de troca de favores ilícitos em escala nacional que envolve o que é de conhecimento de qualquer um que acompanha política: financio sua campanha (seja com dinheiro ou com, digamos, "serviços") e em troca você me favorece em licitações.
Veja, por exemplo, que o atual governador do Rio de Janeiro (e dono do PMDB local, um partido de situação) é padrinho dos filhos de um dos que está curtindo no barril do Cachoeira (1). Traço paralelo com Don Corleone (aquele mesmo, do filme O Poderoso Chefão) em que o ato de "apadrinhar-se" faz com que pessoas estranhas tornem-se parte da grande família (e que não é a do programa de TV).

Daí, ciente que dentre os políticos envolvidos nas denúncias divulgadas existem inimigos declarados unidos por um bem maior (o dinheiro) voltemos olhos para a CPMI (ou CPI, sei lá que batismo deram para isso). Pontuando (do que divulgou-se na imprensa) compreende-se melhor:
  1. Os dados da investigação envolvem muitos mais políticos do que os divulgados e de todos os partidos (2);
  2. Os dados correm em segredo de justiça e apenas comissões teriam acesso a essas (3);
  3. Dentre um dos elementos participantes está um que tem experiência collorida nessa área da troca de influências (4).
Com base no divulgado, tudo leva a crer que O objetivo da CPI é apenas um: descobrir quem são os investigados.

Eles não querem julgar ou condenar seus pares, não almejam melhorar ou hgienizar o legislativo, o único e verdadeiro objetivo é obter as informações que possuem dificuldade para obter sem gastar muito. Evidentemente sai caro subornar/coagir a esmo funcionários e membros do STF para acesso aos documentos sigilosos quando a lei dispõe de mecanismos que permitem oficializar tal prática e de "graça".

Porque quando o rio que alimenta a cachoeira tiver secado e a barragem da memória brasileira garantir que ninguém se lembrará é certo que os que encheram seus copos da agua dessa fonte de dados obviamente as utilizarão pelos próximos anos uns contra os outros para perpetuarem seus esquemas.

Ou os muitos envolvidos as usarão para fugir para (insira o país de preferência).

E você ainda acredita em partidos?

Referências e Fontes:
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Barcas S/A: muda a teoria, permanece a prática.



Existe algo no Brasil que funciona. É nosso principal produto e praticamente uma instituição com poder similar ao da Igreja Católica na idade média. Pensa que falo de corrupção?

Falo do "jeitinho". 

Seja para o lado "bom" ou, principalmente, para o lado ruim da coisa. Ele está sempre ali, do seu lado, nos dando bom dia e indo dormir conosco diariamente. Você pode não praticá-lo, mas indiretamente colabora, mesmo quando pensa que está fazendo tudo certo em geral do outro lado há alguém dando um "jeitinho" para que você consiga o que quer.

O "jeitinho" é o sujeito praticante no ditado popular "toda regra tem sua exceção". Utilizado quando as regras não são benéficas ao indivíduo, não dispomos de dinheiro para tal (o mais comum) ou quando o procedimento correto é considerado trabalhoso demais. Por exemplo, quando ao invés de trocarmos uma mangueira furada optamos por emendá-la com qualquer coisa (não necessariamente o material adequado).

E quando falamos da Barcas S/Ao "jeitinho" não pode faltar. Porém, para essa empresa a cada notícia que surge no jornal (e olha que os jornais falam muito pouco, dado que os incidentes são diários) percebe-se que o uso desse artifício não é exceção, é a regra.

Vide vídeo (curto) abaixo:


Se não pode assistir, descrevo.

Hoje peguei a barca Paquetá/Rio de 7hs da manhã, com o nome irônico Boa Viagem. Enquanto a barca veleja com ritmo de lesma observo uma movimentação interessante. Um marinheiro e alguém que usa macacão (que julgo ser do setor de manutenção) pegam fios e amarram parte dos dispositivos de segurança da embarcação.

Em 2012 isso significa sacar o celular e filmar.

Não sei o motivo, pode ser qualquer coisa, mas o equipamente obviamente está fora do ideal (senão deixariam quieto). Depois de realizado o jeitinho eles voltam a seus afazeres. O dispositivo em questão é uma alavanca com uso de roldanas e cabos libera fileira de coletes salva-vidas. Nada justifica a gambiarra, já que em caso de acidente as pessoas dependem desse equipamento (a tripulação não, eles tem seus próprios coletes, porque não confiam nos das embarcações).

Indago então: se essa é a manutenção que a empresa pratica aos olhos de seus consumidores/clientes/vítimas (prefiro o terceiro termo), imaginem que tipo de consertos praticam onde os olhos comuns não podem ver?

É. Pensar nisso te faria optar por outro meio de transporte público (ou por comprar um carro). E pensar que que a barca mudou (teoricamente) de dono, preocupa ainda mais.

Só que em Paquetá a opção é não ter opção.
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Sobre Greve Geral e o Serviço Público



Para quem não sabe e de alguma forma precisará utilizar de algum serviço público não essencial no dia 25 de Abril de 2012 informo que neste dia está agendada uma paralisação em caráter nacional de todas as carreiras do serviço público federal.

E se existe uma coisa que a imprensa  gosta de fazer é jogar povo contra povo visando a alienação social, ou seja, informando apenas no dia da greve para que os prejudicados sintam-se mais prejudicados porque teoricamente "não foram avisados". Isso funcionava antes da internet.

Em suma, se tem algo para fazer nesse dia envolvendo servidores federais, confirme. Melhor do que dar com o nariz na porta.

Vejam informações aqui nesse PDF no site da Confederação dos Servidores Federais:
http://www.condsef.org.br/portal3/images/stories/file/texto25abrilcomadequacoes%5B1%5D.pdf


Dentre alguns motivos apresentados, está o que é uma unanimidade - e até uma incoerência legal - que é a definição de uma data-base para essa categoria de trabalhadores e a garantia de percentual mínimo de reajuste seguindo os moldes da CLT. 

E olhem o que diz a nossa Constituição Federal a respeito:
 
Constituição Federal
Art 37 (...)
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices;

Hoje em dia, apesar de ser previsto (ou "assegurado", vide trecho acima) na prática isso não acontece. Não existe uma "mesma data", o que acontece na prática é:
- Greves anuais organizadas pelos sindicatos exigindo reajuste;
- Cálculos mirabolantes e tabelas equivocadas de ambos os lados;
- Partidos políticos que se utilizam dessas greves para ganhar voto e trair o trabalhador (todos os partidos, principalmente o PT que se presupunha ser diferente). 

Quem é o maior prejudicado com isso?

Eu, você, sua mãe, seu vizinho, seu filho, o "carinha" que está escutando funk no celular e até seu papagaio. Quando uma determinada categoria entra em greve porque o poder executivo não fez seu dever de casa e ocasionou perdas salariais. Cito como exemplo as anuais greves de faculdades, bombeiros, policiais e até mesmo de hospitais. Quando determinada categoria sofre de escassez de bons funcionários porque eles migraram para outros setores (nao necessariamente públicos) em busca de melhores condições de trabalho. Você percebe isso principalmente nas escolas estaduais e municipais, onde o baixo salário associado as péssimas condições de trabalho faz com que professores gabaritados fujam dos governos (o que nem sempre acontece, vide a greve da Univercidade) e fiquem apenas aqueles que estão começando ou que são poucos capacitados para conseguir algo melhor (o que implica em má vontade ao lecionar e outros problemas).

E quem sai ganhando com isso?

A turma do Mensalão, a galera do Barril na Cachoeira, a patota do Dirceu, a Famiglia Cabral, a Famiglia Maia, a Famiglia Garotinho, a Famiglia Zito, a Famiglia Maluf e tantos outros feudos políticos que se apropriam dessas lutas para ganhar votos em cima de promessas vagas, porque é muito mais lucrativo politicamente usar os sindicatos (e os que sofrem as consequências) para ganhar eleições nas greves do que em fazer leis de modo que seja justo para ambos os lados.

A eles interessa que nada seja devidamente regulamentado, pois o poder deles advém do caos e, principalmente, da falta de memória do brasileiro.

Até quando?

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Univercidade em Greve

A Univercidade está em greve.

O dinheiro do salário, ó...

Mas pelo silêncio da imprensa sabemos bem onde esse dinheiro foi investido.

Ela não paga salários, não paga direitos e com isso os professores fingem que ensinam, os alunos fingem que aprendem e o governo finge que engana as entidades internacionais com dados de formandos...


Enquanto isso os estudantes dessa universidade pagam pela incompetência administrativa delas. A mesma que fez de mim uma pessoa até 2010 sem notas (as minhas da Estácio de Sá, outra universidade particular, tinham sumido do meu histórico por mágica, igual a Mary Jane nos quadrinhos do Homem Aranha).

Vejam o panfleto que minha esposa pegou hoje:

É assim que querem formar o futuro da nação?
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A vitória do bom senso e da livre escolha. - Anencefalia.




Em 2008, o STF começou a discutir acerca de um tema complexo, se as mulheres teriam ou não o direito de escolher se abortariam um feto diagnosticado com anencefalia. Eu mesmo na época redigi algo a respeito com meu posicionamento sobre aborto de fetos acéfalos. E minha opinião não mudou.

Entretanto deve-se compreender Anencefalia.

O que é?  Trata-se de uma má formação do feto onde o mesmo apresenta além da má formação do cérebro uma má formação do encéfalo. E é necessário saber a diferença entre um e outro. O cérebro, como todo mundo sabe, é responsável pelo controle consciente das funções do corpo. Ele determina fala, locomoção, reações, enfim, determina o modo como uma pessoa reage ao ambiente que o cerca. 

O encefalo, porém, é um conjunto de partes do sistema neural responsável pelas funções voluntárias e involuntária do corpo, como por exemplo, os batimentos cardíacos, os movimentos peristálticos ou aquela corrida matinal que eu deveria fazer nas manhãs.

Um corpo consegue sobreviver sem partes do cérebro, entretanto quando o encéfalo é afetado o indivíduo morre em poucas horas. Por isso quando pessoas levam tiro na cabeça tem chances de sobreviver, enquanto tiros ou golpes na região da nuca são tidos como fatais (como um simples tropeção e uma pancada no meio fio).

E ao contrário que está sendo disseminado precoceituosamente no Facebook, a anencefalia devidamente diagnosticada não tem qualquer possibilidade de cura. Não tem espaços para milagres. O feto nasce e morre em questão de horas, ou morre até mesmo antes do nascimento.

Se o sistema encefálico não se desenvolve nos primeiros meses da gestação não será fora que isso vai acontecer. É diferente de outras patologias com tratamentos eficazes e que muitas vezes provam ser capaz viver (e não apenas sobreviver). Não existe ainda na medicina uma forma de manter o corpo vivo sem ser algo monstruoso, como o PK demonstrou em experimentos da época da segunda guerra.

Entretanto não foi isso o discutido no STF.

O que estava em discussão era se a mulher tinha ou não o direito de interromper uma gravidez fadada a tragédia. Independentemente de religão, moral pessoal ou qualquer outro valor social o que seria decidido era a liberdade feminina, o direito de escolha. Se o STF decidisse de forma contrária, a interpretação do aborto de fetos anencéfalos seria tida como crime e a única alternativa legal da mulher seria passar nove meses carregando algo na barriga, para umas algo divino, para outras uma tortura física e mental absurdamente traumatizante.

Mas o que foi decidido foi justamente o contrário. O STF julgou que a interrupção da gestação no caso de fetos anencéfalos é um direito de escolha da mulher.

É uma vitória sem precedentes. Mas não é completa.

Entenda, porém, que se a mulher decidir que vai ter o filho sob qualquer circunstâncias e riscos, ela vai ter. Autoridade político, religiosa ou social alguma a impedirá de ser mãe, mesmo que por cinco minutos. E se a mulher decidir que não quer continuar e prefere submeter-se a interrupção, nenhuma autoridade político, religiosa ou social a impedirá disso.

Por isso é uma questão de saúde pública.

A mulher com dinheiro que não quer ter um filho procura um médico qualquer em uma clínica qualquer e pronto. Resolvido. A de classe média vai em um médico qualquer em uma clínica qualquer (mas geralmente menos "preparada") e pronto. Resolvido. Já a pobre recorre a chás, coquetéis de remédios e até mesmo agressão física (como voadoras ou intrudução de objetos na vagina para provocar aborto).

E quando a mulher rica, a de classe média e a pobre notam que deu tudo errado (e quase sempre dá)? Recorrem ao hospital mais próximo, quando conseguem chegar vivas. Tal situação gera custos para a saúde pública e privada (sem contar as mortes decorrentes disso), que poderiam ser menores em caso de liberação do aborto.

Infelizmente ainda não avançamos ao ponto de considerar a mulher digna de tal decisão, mas espero que ao menos dessa vez a decisão do STF não seja o tradicional passo pra frente que antecede os dois passos para trás.

Mas se homem engravidasse o aborto seria sacramento, como dizem ditos populares.

Fontes:
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Assédio Moral no Serviço Público (UFRJ)



O mundo do serviço público transformou-se nos últimos anos em uma utopia trabalhista.

Se antes ser um servidor público era sinônimo de "vagabundear-se" ou se transformar em "mamador", hoje torna-se destino certo de vários profissionais dentre alguns grupos posso destacar:
a) Jovens que buscam muitas vezes um lugar onde começar sua vida profissional e não conseguem oportunidades porque estão fora da zona de conforto do Qi (quem indica);
b) Pessoas mais experientes, ansiosas por saírem do modelo cruel de gestão das empresas de hoje em dia e do fantasma do desemprego, ou que por causa da idade se tornaram "pesos mortos" e não conseguem realocação no mercado de trabalho;
c) Aqueles que vivem do passado e ainda acreditam que serviço público continua a mesma farra e se comportam como um câncer nas repartições;

Salvo os terceiros, que serão mal quistos em qualquer lugar (e terão comportamento execrível inclusive no mercado privado), os grupos A e B nutrem sempre esperanças e esperam encontrar um mundo perfeito para suas capacidades no serviço público.

Não é bem assim.

Antes de 1988 não existia concurso público. As pessoas ingressavam no serviço através dos chamados "conchavos" ou porque tinham um forte Qi. Muitos sequer sabiam ler e escrever, sendo utilizados em serviços braçais e sempre associados a "vagabundagem" ou fazendo as vezes de empregados domésticos daqueles que os convidavam.. 

O comando das instituições era feito pela "nobreza" de cada. Na UFRJ, onde trabalho, existia uma enorme cratera de saber (e vinda desde a fundação da instituição) entre professores e funcionários. Cientes de sua superioridade intelectual os então mandatários da UFRJ transformaram-na em uma superioridade de fato, tornando-se "donos" da instituição. Por padrão o funcionário era tido como o "incapaz", o "burro" e por isso sendo tratado como tal e resignando-se devido a própria pressão do meio. Muitos sofriam as consequências físicas disso sofrendo de males que hoje em dia são associados ao assédio moral.

Com a promulgação da constituição de 1988 esses funcionários foram absorvidos pela administração pública e uma nova leva de funcionários emergiu. A obrigatoriedade de realização de concursos públicos para preenchimento de vagas trouxe um novo tipo de candidato. Até mesmo as nomenclaturas dos cargos sofrem alteração, reflexo dessa mudança.

Eram pessoas mais capacitadas, que possuíam um nível de escolaridade mínimo (a grande maioria estrapolando-o). Essa diferença gerou um conflito inicial. Os funcionários antigos haviam absorvido de seus superiores o vício da posse, considerando donos de seus lugares. Não aceitavam que pessoas desconhecidas ocupassem cargos que antes eram ocupados por seus "amigos". Até mesmo mobiliário de uso comum possuía um "dono".

Além disso haviam adquirido o vício do destrato.Repassam para os novos modo de interagir de seus superiores. Não aceitavam de forma alguma que uma pessoa "de fora" soubesse mais do que eles que "construíram a instituição", quando, pelo contrário, deveriam somar suas experiências para fortalecer o trabalho.

Com o passar dos anos esse clima de inimizade diminuiu. As leis que estimularam o ensino com o condicionamento de ganho salarial atrelado ao engrandecimento profissional e educacional fez com que o abismo de conhecimento entre funcionários diminuísse, ficando algumas vezes restrito ao plano de carreira e ao cargo concursado. Hoje em dia o convívio entre servidores das áreas administrativas, pelo menos na UFRJ, é predominantemente saudável. 

Entretanto, na UFRJ, o abismo entre servidores professores e servidores administrativos não diminuiu. Se antes os professores se valiam de seus canudos para literalmente humilharem os funcionários, agora justificam essa posição no estatuto da universidade. Para uma maioria (ou uma minoria que detém o controle da instituição a base do grito) a coisa não mudara. Era um comportamento social.

Assim que um servidor administrativo novo chega a instituição percebe que existe uma diferença gritante no tratamento. Enquanto percebe que está cercado de regras sempre inflexíveis vê que para os do outro lado do abismo as regras mudam com o sabor dos ventos (ou gritos), apesar de serem todos servidores. 

Choca-se inicialmente com o sistema vigente, tenta algumas vezes modificá-lo, mas não consegue. Com o passar do tempo ou muda de setor ou desiste de nadar contra a correnteza e se apaga. Se torna uma pessoa assustada, que não participa nem de comemorações, evita se misturar. Os mais capacitados desistem e partem para outros concursos. 

Os mais fracos aceitam e muitas vezes para evitar novas agressões fazem o que seus superiores mandam (e essas ordens sempre são verbais). Tornam-se propensos a corrupção (seja para apressar as coisas ou para tirar algum proveito já que nao nutrem mais apreço pela instituição que os castiga), tratam mal o usuário e companheiros ou cometem outros erros.

Nesses dois anos de UFRJ testemunhei e ouvi relatos de terrível assédio moral. Colegas eram agredidos verbalmente (por sorte não escutei relatos de violência física, mas considero a violência mental ainda pior) e eu mesmo sofri com essas agressões. Tive minha capacidade profissional não apenas questionada, mas jogada no lixo em determinada oportunidade. Senti na pele a dor dos relatos, mas consegui com muita sorte me reerguer, fugir de algum modo.

Por isso, quando fizer concurso, além de todo o lado bom que existe, sempre existe algo obscuro. Não seja pego de surpresa e, principalmente, não se deixe levar pelo assédio moral.

Sempre existe a opção de mudar de setor, ou mesmo projetos em algumas repartições que visam auxiliar o funcionário vítima (e o algoz) a superar esse momento. A divisão de saúde da UFRJ, inclusive, tem projetos nessa área. 

O que não se pode deixar acontecer é eternizar o erro. 

E onde você trabalha, como é?
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Forjando Um Guerreiro - Aço e Fornalha - Quarta Parte

Mestre e mestre


Fazendo com que seu cavalo corresse o mais rápido que podia Ignus seguiu como uma flecha cortando a escuridão das estradas, quem o via se escondia de pavor pensando ter visto um espectro maligno, alguns guardas de cidades e vilarejos chegaram a emitir alertas ao verem o suposto espectro que passava em disparada.

A cada duas cidades que passava fazia pausas regulares para que seu cavalo pudesse descansar, sabia que ele pertencia a uma raça treinada a suportar longas cavalgadas em ritmo extremo, mas mesmo assim sabia que o animal precisaria descansar para ter o seu melhor rendimento. Seu objetivo ainda estava há horas de distância de onde se encontrava e o tempo não estava a seu favor.

No ritmo em qual estava chegaria pelo menos uma ou duas horas antes do tempo normal, horas esses, que ele sabia muito bem, fariam toda a diferença na hora do combate, caso as tropas inimigas chegassem antes do previsto.

Já havia passado da metade do caminho e a lua avançava cada vez mais para seu ápice no céu, que para sua sorte não apresentava uma nuvem sequer, fazendo com que a luz irradiada por ela iluminasse seu caminho facilitando o reconhecimento do trajeto.

Fez mais duas pausas e no trecho final fez com que o cavalo fosse o mais rápido possível. Minutos depois já conseguia avistar a muralha de madeira que cercava a primeira cidadela.


– Abram o portão! Eu, Ignus, Emissário de Paia, o Deus Guerra ordeno que abram o portão imediatamente. – Disse com sua imperiosa voz.

No instante seguinte o portão começou a se erguer, quando teve espaço suficiente ele atiçou o cavalo e entrou rapidamente correndo em direção o palácio. Os guardas espalhados por toda a parte estranharam ao ver o estranho correndo velozmente entre eles, mas nada fizeram, sabiam que o inimigo estava por vir e como não houve qualquer tipo de alerta, então ele deveria ser um aliado, ao menos todos queriam acreditar que sim.

Os sentinelas do portão principal do palácio se assustaram ao ver a figura de Ignus surgir ameaçadoramente em meio as luzes bruxuleantes das tochas, rapidamente se colocaram em posição defesa. Ignus viu o desespero nos rostos dos guardas, mas alheio a isso parou imediatamente o cavalo e saltou de sua sela em direção aos guardas que ainda estavam perplexos demais para fazer algo.

– Sou Ignus, Emissário de seu Deus, agora abram caminho!

Os guardas sem hesitar abriram passagem para ele, mais pelo medo que sentiam ao ver a figura de Ignus, do que pela vontade de abrir. Antes mesmo de eles terminarem, Ignus escancarou as portas e seguiu em disparada ao salão central. Depois de passar velozmente por várias guarnições que sequer tentaram impedi-lo, ele chegou ao salão principal, vendo o rosto perplexo do regente local e dos outros presentes.

– Justo o rosto que esperava ver logo neste salão. – Disse Haldar visivelmente contente ao ver o antigo aluno.
– Qual é a situação atual? – Questionou Ignus.
– Até agora tivemos notícias de dois pelotões inimigos vindo do leste e do oeste, o avanço é rápido, pelo previsto chegaram amanhã no início da tarde. – Respondeu um dos homens do reino local, parecia um mensageiro.
– Eles têm um contingente significativo, estimamos quinze mil para cada uma das tropas. – Disse outro que parecia ser um estrategista.
– Pretendem nos flanquear, mas aqui o terreno é plano em todas as direções, e as estradas ficam a norte e sul. – Disse Haldar em seguida.
– Querem dar uma opção desmotivatória. – Concluiu Ignus. – Flanqueando, mas dando opções de fuga, fazem com que os soldados se desmotivem e optem pela opção mais fácil, fugir. Assim ganham no campo de batalha sem muito esforço, mesmo com um contingente pequeno.
– Acha que trinta mil é um contingente pequeno? – Questionou furioso um homem que parecia ser de alta patente.
– Se eles têm trinta mil homens que podem lançar, assim, ao campo de batalha, é sinal de que dispõe de muito mais em sua zona de conforto. – Respondeu Ignus olhando severamente para seu questionador. – Arrisco até a dizer que provavelmente eles devem ter pequenos grupos movendo-se ocultamente para o sul e norte, a fim de apanhar de surpresa os futuros desertores.

Assim que Ignus terminou seu discurso, Haldar ordenou que batedores fossem enviados para ambas as estradas e verificassem qualquer tipo de movimentação. O rapaz que falou primeiro, informando uma possível previsão de chegada dos inimigos, saiu da sala imediatamente após a ordem.

– O que pensa que está fazendo, Haldar? – Questionou novamente o mesmo homem que havia questionado Ignus.
– General, respeito sua patente, mas este reino está sobe a proteção de meu deus, e tanto Ignus quanto eu somos seus mais altos representantes aqui, então, devo lembrá-lo de que temos tanta ou mais autoridade que vós. Fui claro? – Disse Haldar bem rispidamente fazendo com que o general engolisse sua irritação e se calasse.
– O que sugerem, senhores? – Perguntou o regente local, diretamente a Haldar e Ignus.
– Parte de nossas tropas estão aqui, outra parte deverá chegar amanhã, logo pela manhã, assim que chegarem montaremos grupos em cada lado de onde o inimigo virá, os portões da cidadela serão fechados, ninguém entra ou sai. Haverá soldados suficientes para impedir uma invasão, e soldados postos estrategicamente para impedir um futuro cerco, caso nossas defesas falhem. – Explicou Haldar.
– Sugiro que haja arqueiros nas duas últimas fileiras de nossos destacamentos, o inimigo sempre espera que estes estejam na linha de frente. Entretanto fazer isso é suicídio, uma linha de arqueiros é facilmente destroçada por lanceiros, mesmo os mais destreinados. – Disse Ignus.
– Então como faremos com os arqueiros recuados? – Questionou o regente duvidoso.
– Esperaremos que o inimigo avance, não terão outra opção, pois apenas verão uma primeira linha de lanceiros, e sem arqueiros para lhes “saudar”, virão com mais sede de sangue, então quando estiverem bem próximos, formaremos uma parede de escudos, e quando as lanças baixarem os arqueiros da penúltima fila dispararão a primeira saraivada, seguidos pelos da última, então repete-se a ação. E o mais importante é que a linha de frente em momento algum avance, só quando as flechas terminarem. – Concluiu Ignus.
– E como os que estão na frente saberão disso? – Perguntou o general em tom de deboche.
– Os arqueiros deverão soar trombetas, fazendo com que o sinal sonoro reforce a inatividade visual. Como as linhas intermediárias inimigas estarão abaladas pelas flechas e as de frente estarão um pouco cansadas por tentarem penetrar em nossas defesas, não conseguirão resistir uma incursão repentina, não por muito tempo. – Explicou Ignus com um sorriso malicioso em direção ao general.


– É realmente muito bom tê-lo por aqui.

Absorto em seus pensamentos enquanto observava o futuro campo de batalha, Ignus fora puxado de volta a realidade pela voz de seu antigo mestre. Estava em um dos postos de observação aproveitando para tomar um pouco do ar frio e tranqüilo da noite, além de poder analisar ao menos um pouco, o terreno em que lutaria dali a algumas horas.

– É sorte que a noite seja de lua cheia, Se não fosse por isso não teria chegado tão rápido. Mas também é uma desvantagem, pois permite que o inimigo se mova mais rápido pela noite. – Disse Ignus.

Agora olhando o horizonte Haldar tentava em vão vislumbrar a batalha vindoura, mentalizava combates individuais, ações de tropa e muitas outras coisas. Entretanto, mesmo com sua estratégia formada e contando com o auxílio que não tardaria a chegar, ele mal conseguia ver uma possível vitória, isso o irritava, e muito.

Questionado sobre por onde havia estado Ignus contou sobre seu encontro com o Oráculo e, também, seu encontro com Hatsunei, ocultando, porém, o fato a identidade do mesmo, referindo-se a ele sempre como “ferreiro”. Na parte do combate substituiu Hatsunei por Schineider, dizendo que o mesmo havia procurado o ferreiro para reparar uma de suas espadas.

Mesmo achando a história um tanto estranha Haldar preferiu nada comentar, apenas disse estar satisfeito pelo antigo pupilo ter aprendido mais sobre sua nova arma.

Após mais alguns minutos de conversa e planejamento para a batalha vindoura, Haldar sugeriu que ambos se recolhessem e repousassem o máximo possível, afinal, no dia seguinte não haveria tempo para descanso, muito menos uma previsão de quando terminaria.


Pouco antes do sinal que anunciava a alvorada o exército a serviço de Paia chegou, não havia sinal de grande cansaço em nenhum de seus membros e todos pareciam muito dispostos a encarar o inimigo que se aproximava. Era um contingente significativo, mas não o bastante para se igualar aos números de seu oponente.

Assim que chegaram e foram formalmente apresentados aos dois altos representantes de Paia e aos líderes locais, o exército foi dividido em duas partes, cada uma enviada para um dos flancos e ao chegarem  rapidamente assumiram suas posições. O contingente local se uniu a eles pouco depois, aumentando as fileiras e dando mais ânimo aos homens.

Enquanto aguardavam tomaram conhecimento da estratégia elaborada por Ignus, ambos os lados pareceram gostar do plano e logo combinaram entre si a melhor distribuição interna de acordo com o planejado. O próprio Ignus passou os dois lados em revista, para certificar-se de que estavam bem organizados, Haldar e os comandantes locais o acompanharam.
Um ajuste foi feito de última hora, todos os arqueiros locais deveriam se por a mostra no alto da muralha, de forma que o inimigo tivesse como visualizá-los sem dificuldades, isso faria pensar não haver arqueiros nas fileiras de campo, tal fato ajudaria no engodo tramado por Ignus.

Horas depois batedores voltavam apressados, as notícias era de que o inimigo estava próximo, pelo que reportavam chegariam em menos de uma hora de acordo com sua velocidade de avanço.

Imediatamente todos ergueram e se prepararam, começaram a apertar os cintos, afivelaram melhor os escudos nos braços, ajeitaram as armaduras, conferiram pela última vez suas armas e se colocaram em posição.

A cada minuto que passava a tensão só aumentava, cada um tentava se manter o mais calmo possível para se controlar quando chegasse a hora, embora soubessem que isso nunca dava certo. Todos tentavam aguçar sua visão no intuito de ser o primeiro a ver a chegada do inimigo, não deixavam escapar um detalhe sequer do terreno a sua frente, até mesmo os que estavam mais recuados e tinham a visão bloqueada pelos capacetes dos companheiros tentavam ver algo.

O silencio era mortal e parecia eterno, cada som, por menor que fosse, lhes puxava a atenção, mas nada que realmente denunciasse a presença inimiga. Os soldados no lado de dentro da muralha também estavam tão tensos quanto os que combateriam antes deles, ou até mais. Eles também estavam com os ouvidos e olhos atentos, porém até o momento nada novo havia acontecido.
Responsável pelo flanco esquerdo Ignus compreendia bem a ansiedade que os soldados sentiam, até mesmo ele sentia-se um pouco ansioso. Enquanto o inimigo não surgia imaginava como Haldar estava se saindo à frente do flanco direito, provavelmente da mesma forma que ele, pensava, se algo estivesse ocorrendo de diferente ele já saberia.


A trombeta do flanco direito soou uma vez, era um toque alto e longo, o inimigo havia chegado. Logo o flanco esquerdo deu o mesmo sinal, o eco do alerta ainda pairou pelo ar por alguns instantes. Ao mesmo tempo em que o alerta anunciava o perigo vindouro, para os soldados aquilo também significava o fim de uma espera, isso os aliviava imensamente.

O exército inimigo era numeroso e bem organizado, vários blocos enfileirados avançavam em marcha cadenciada, o movimento em uníssono era perturbador e belo ao mesmo tempo. Pelo que calculavam deveria haver no mínimo o dobro do contingente que fora previsto, o que só tornaria a batalha mais sangrenta e ainda mais interessante.

Quando estavam há pouco mais de cem metros de distância o avanço inimigo parou, três figuras montadas em belos cavalos protegidos com cotas de malha avançaram seguidos por outro com um cavalo sem proteção adequada carregando um estandarte do novo deus.

Fazendo sinal a um dos líderes locais Ignus foi em direção aos líderes inimigos, só que ao invés de um, havia dois homens portando estandartes, um do reino local, outro do Deus da Guerra.


– Estes são domínios sobre a proteção do Deus da Guerra. – Anunciou Ignus – Se seu assunto é pacífico teremos o prazer de abrirmos passagem a sua comitiva, além de que, todos serão muito bem tratados. Porém, caso não deseje um diálogo civilizado, pedimos que saia destas terras pelo bem de vossas almas. – Concluiu.
– Nosso Deus reivindica esta terra, todo aquele que se opor a sua vontade sofrerá castigo severíssimo. – Retrucou um homem que parecia um sacerdote.
– E onde está teu “deus”, agora, que não aqui, junto aos seus seguidores? – Questionou Ignus elevando bem a voz para que fosse ouvido por ambos os lados.
– Nosso Deus está a tratar de assuntos mais importantes no momento...
– E que assunto pode ser mais importante do que apoiar seu séqüito em uma campanha iniciada pelo teu “deus”? – Retrucou Ignus interrompendo o sacerdote e elevando mais uma vez a voz.
– E o vosso “deus”, onde está, guerreiro? – Questionou um líder inimigo que parecia um pouco abalado pelos questionamentos de Ignus.
– Meu deus não precisa dar prova de coisa alguma, por isso não se encontra aqui. Diferente do teu, que manda seu séqüito em uma campanha para provar-lhe o valor, mas ao invés de estar, aqui, presente, se esconde como um covarde.

Ao ouvirem a provocação o exército aliado explodiu em um urro de apoio, enquanto os inimigos em revolta apenas gritaram imprecações contra Ignus.

Para completar a provocação, em um ato repentino Ignus sacou sua espada e decapitou o suposto sacerdote, foi um golpe rápido e bem executado. Chocados os companheiros do suposto sacerdote observaram atônitos enquanto o corpo caia para um lado e a cabeça para o outro, o cavalo que o desafortunado homem montava disparou assustado, quase pisoteando o corpo que apenas sangrava.

Logo após limpar rapidamente o sangue de sua espada e guardá-la, Ignus apanhou o estandarte de Paia das mãos do soldado e espetou a ponto do mesmo na cabeça do sacerdote, erguendo-a o mais alto que pode e exibindo para que ambos os exércitos pudessem ver. Mais uma vez o apoio de seus aliados veio em uma explosão sonora, isso mexeu muito com a moral inimiga, mais até do que as provocações de Ignus, que pelo visto surtiram muito efeito.

Maior provocação foi o fato de ele cuspir em direção ao inimigo e dar-lhe as costas, retornando a sua tropa com a o estandarte de seu deus erguido, só que agora com a cabeça do sacerdote inimigo como ornamento.

– Você só pode ter enlouquecido! – Disse um dos comandantes enquanto retornavam ao seu exército.
– A moral deles agora está abalada, Comandante. – Respondeu Ignus calmamente. – Agora eles virão descontrolados para cima de nós, é ai que acabaremos com eles.

Todos comemoraram efusivamente a chegada de Ignus com o mais novo troféu, que exibiu-o orgulhoso cavalgando rápido em frente as tropas para que todos pudessem ver a cabeça do inimigo derrotado.

Posicionando-se novamente pouco mais a frente do primeiro pelotão Ignus fincou o estandarte no chão com a cabeça voltada de frente para o inimigo, com o intuito de provocá-lo ainda mais.

– Se quiserem a cabeça de volta venham buscá-la! – Provocou Ignus em tom irônico. – Mas saibam que não daremos nosso troféu de vitória tão facilmente.

A provocação surtiu o efeito desejado, assim que terminou de falar o exército inimigo disparou contra Ignus furiosamente, ao que parecia contra as ordens de um de seus líderes.

Um sorriso malicioso se esboçou no rosto de Ignus, ele observou atentamente a aproximação inimiga enquanto ordenava que seus homens se mantivessem imóveis até o último instante, com esforço todos obedeceram. Quando o inimigo estava relativamente mais próximo Ignus disparou uma pequena rajada de fogo de sua espada, fazendo com que alguns soldados inimigos tentassem, em vão, se esquivar, fugir ou até mesmo defender o golpe. Alguns poucos até conseguiram escapar, mas não saíram ilesos, os que ficaram na direção do golpe foram consumidos pelas chamas, que tinham mais força do que o próprio Ignus poderia supor.

Entretanto isso não passava de um sinal para seus lanceiros, que logo abaixaram suas armas e formaram a parede de escudos, isso também significava que logo viria o ataque surpresa dos arqueiros. E este veio logo, poucos instantes após as lanças terem abaixado e o inimigo vir com ainda mais sede de sangue a chuva de setas mortais tomou conta do ar. Muitos soldados inimigos caíram contorcendo-se de dor, outros mais afortunados não foram atingidos, apenas um pequeno número morreu instantaneamente.

A segunda saraivada veio ainda enquanto a primeira terminava de cair, desta vez mais mortal do que a primeira, mesmo já não sendo um ataque surpresa. Foi um total de quatro turnos de disparos, dois para casa fileira. Quando todos os arqueiros terminaram de atirar as trombetas soaram e toda a primeira fileira irrompeu em um ataque devastador, o inimigo não conseguiu segurá-los por muito tempo e logo todo o contingente liderado por Ignus já estava infiltrado no meio do exército inimigo minando sua força sem nenhuma piedade.

Em poucos minutos o que parecia uma batalha perdida se tornou um combate feroz de iguais, mas era nítido que o lado invasor começa a ficar em desvantagem. O ataque dos arqueiros causou um número razoável de baixas, o ataque repentino e decidido das primeiras fileiras e a facilidade com que penetravam entre os pelotões, fez a moral decair e alguns já começavam tentar fugir.

Em cima de seu cavalo Ignus com sua espada em chamas ceifava a vida de seus inimigos de forma rápida e impiedosa, abrindo caminho para que seus comandados passarem e continuar o serviço.

Tudo parecia muito fácil e simples demais, nunca antes Ignus havia visto um exército tão grande ser tão mal comandado. Não havia carros de combate, muito menos outros acessórios de guerra, apenas o contingente humano em campo, que pelo que podia constatar era muito mal preparado.

Em meio a turba da batalha muitos evocavam o nome do deus para lhes dar forças, esquecendo-se momentaneamente do combate, o que lhes custava a vida. Os seguidores de Paia não eram conhecidos por sua piedade e os discípulos desse novo deus estavam conhecendo isso da maneira mais cruel possível, em pouco mais de duas horas o combate já estava definido e os invasores estavam sendo aniquilados.


Muitos começavam a comemorar a vitória enquanto terminavam de massacrar o inimigo, mas outros ainda se mostravam preocupados, pois tudo havia sido muito fácil até o momento.

Após dar ordens que terminassem logo o combate Ignus cavalgou mais a frente para pegar alguns soldados inimigos que tentavam fugir, foi quando algo chamou-lhe a atenção, sentiu uma grande concentração de shii vindo do lado norte que crescia rapidamente. Sem pensar duas vezes repetiu a ordem a seus comandados e foi o mais rápido que pode naquela direção.

Horas antes havia designado alguns batedores para que fossem vigiar e avisar de qualquer movimentação de tropas, mas nenhum deles retornou e isso também não era um bom sinal. A preocupação aumentava na mesma velocidade em que aumentava a concentração energética, mas não conseguia identificar o que poderia ser a fonte.

Pouco antes de chegar ao portão norte sentiu que a massa energética agora vinha contra a muralha com uma velocidade impressionante, por mais que incitasse seu cavalo ele não conseguia ir mais rápido. Em um ato desesperado saltou do animal e começou a correr o mais rápido que pode, não soube como nem porque, mas ele estava indo muito mais rápido do que poderia imaginar, tudo passa por ele como se fosse um borrão.

Mas não conseguiu evitar o pior, a grande quantidade de energia concentrada atingiu a muralha causando um intenso clarão que foi seguido de uma explosão devastadora, Ignus foi arremessado a metros de distância com facilidade pela força da onde de choque. Para sua sorte seu shii protegeu-o de se ferir pelo impacto da explosão, mas mesmo isso não evitou sua perplexidade.

Muitos soldados assustados correram em direção ao ponto de impacto e quando lá chegaram viram o cenário desesperador, quase toda aquela face da muralha havia sido desintegrada ou transformada em escombros. Uma parte do contingente que ficou dentro da muralha estava morto ou mutilado, embora não fossem muitos, a surpresa e o pavor repentino foram inevitáveis.

Agora de pé e mais atento que antes Ignus vislumbrou quatro seres que caminhavam calmamente em direção a cidadela, que agora estava parcialmente desprotegida. Alguns soldados que estavam mais próximo e agora viam os novos inimigos, fora em direção a eles ferozmente, mas a investida de cada um que se atreveu a tentar atacá-los foi frustradas quando os mesmo varreram qualquer vestígio destes da existência utilizando seus poderosos shiis sem se conter.

Para impedir o avanço dos quatro e chamar a atenção para si, Ignus sacou sua espada e desferiu um corte flamejante na direção dos inimigos, que pararam subitamente ao ver a onda de fogo passar a sua frente. Ao procurarem a fonte do ataque viram Ignus caminhando em direção a eles, sua espada ardia em chamas e seu shii fluía violentamente, chegando opressor até os quatro.

Enquanto Ignus ia à direção aos novos oponentes Haldar também se aproximava seguido de vários outros soldados, que só não seguiram a diante devido a uma ordem explícita e ríspida do mesmo. Os quatro permaneceram parados vendo que alguém ia tentar dialogar com eles, embora cada um deles soubesse que o combate seria algo inevitável, mas tanto Haldar quanto Ignus não partilhavam desse pensamento.

Vendo que os quatro mantinham a atenção nele não hesitou, disparou uma rajada energética contra eles que imediatamente se esquivaram do ataque. Haldar mesmo perplexo pela atitude precipitada do ex-pupilo resolveu atacar um dos mais próximos dele, que foi atingido em cheio por uma esfera energética.

Sem esperar algum tipo de reação Ignus saltou com toda a força que pode reunir em suas pernas, utilizou, também, seu shii para impulsioná-lo ainda mais alto. Ao atingir a altura máxima repetiu o movimento que vira Hatsunei executar, girou sua espada para o alto e concentrou toda a força que foi capaz de reunir enquanto descia em queda livre. No derradeiro momento antes de atingir o solo golpeou o chão com toda a força que pode, direcionou todo o shii que havia concentrado para espada. O efeito do golpe fora devastador, uma violenta e intensa onda de fogo se espalhou rapidamente pelo campo de batalha, atingindo todos os inimigos ao mesmo tempo. Até mesmo Haldar foi atingido, mas este conseguiu se proteger, de alguma forma, mas nem ele conseguiu evitar a onda de choque da explosão, sendo arrastado alguns metros por ela

Três dos quatro novos inimigos estavam no campo de visão de Ignus, todos vestiam mantos sacerdotais e tinham a cabeça raspada, a única coisa que os diferenciava era a cor do manto. Quando pensou em se virar para procurar pelo quarto sentiu uma presença poderosa vindo por trás, rapidamente se virou e viu o mesmo voando em sua direção a uma velocidade bem alta, pronto para atacá-lo, mas antes que pudesse fazer algo Ignus agarrou-o pelo pescoço e ergueu-o o mais alto que pode.

– Quem são vocês e o que pensam que estão fazendo? – Questionou Ignus deixando transparecer sua raiva.
– Somos os avatares do Deus Barzam. – Disse o homem de manto vermelho enquanto tentava se livrar de Ignus.
– E o que pensam que farão aqui? – Questionou outra vez apertando mais ainda o pescoço do avatar.

Os outros nada fizeram se não observar.

– Viemos conquistar este reino... Em nome de nosso senhor... – Disse com certa dificuldade.

O avatar de manto vermelho tentou usar seu shii para livrar-se da mão de Ignus, mas nada que fazia surtia efeito, parecia que quanto mais lutava, mais o guerreiro apertava. Além do aperto sentiu a mão de Ignus começar a arder intensamente, seu desespero aumentou, mas nada conseguiu fazer a não ser se debater e tentar se livrar inutilmente de seu captor.

Outro dos avatares que vestia um manto cinza lançou contra Ignus uma esfera de energia também cinza, entretanto, Haldar, que também observava atentamente a tudo usou seu shii para destruir o ataque com facilidade, chamando a atenção dos outros para ele, mas estes continuaram sem ação.

Pouco depois sua atenção se voltou novamente para Ignus, quando ouviram uma forte explosão vindo de sua direção, viram que no lugar onde seu companheiro e o guerreiro inimigo estavam, agora havia uma grande bola de fogo escuro envolvendo toda a área e se espalhou rapidamente. Seu companheiro surgiu instantes depois sendo arremessado para fora da nuvem de fumaça que se formou logo que o fogo se extinguiu, seu manto estava completamente chamuscado, algumas partes haviam sido consumidas pelas chamas. Várias marcas de queimadura intensa estavam visíveis por toda a parte.

O que trajava um manto branco se precipitou e voou em direção a Ignus com tudo, Haldar seguiu, mas não para impedi-lo, mas para impedir que os outros dois o seguissem e quando passou por estes, se virou para eles e disparou dois raios energéticos com as duas mãos, atingindo-os em cheio.

O avatar de branco golpeou o local onde Ignus estaria com uma grande quantidade de shii que disparou de suas mãos, como havia ainda muita fumaça no local e não tinha certeza da posição exata de seu alvo resolveu disparar o raio mais amplo que conseguiu criar. Mas Ignus percebeu toda a ação e já não estava mais lá, vendo seu pretenso atacante disparar sua energia às cegas, teve tempo necessário para arquitetar um ataque surpresa.

Mais uma vez imitando o que vira Hatsunei executar, reembainhou sua espada e girou seu tronco todo para trás, concentrou todo o shii que conseguiu reunir de sua espada e combinou-o com o seu. No instante seguinte desfez a tensão de seus músculos, girando em direção ao seu oponente e sacando sua espada o mais rápido que pode, um corte flamejante se desenhou no ar e foi em direção ao avatar que sequer percebeu. O avatar sentiu seu corpo ser cortado pela lateral, de um lado a outro, ao mesmo tempo em que sentia algo queimando-o intensamente, cauterizando o ferimento, mas consumindo-o furiosamente e parecendo se alastrar por todo seu corpo.

O avatar de manto vermelho ainda se recuperava e apenas pode assistir impotente o companheiro ser atingido pelo ataque do guerreiro defensor, caindo no chão e contorcendo-se de dor. Vendo a oportunidade única, concentrou-se rapidamente, apontou as mãos para o alto, depois direcionou-as para Ignus e disparou um poderoso relâmpago avermelhado, o guerreiro conseguiu perceber o ataque mas não teve como evitá-lo, muito menos defendê-lo, sendo jogado para longe depois de atingido. O clarão gerado pelo ataque cegou a todos no local repentinamente e o estrondo causado atordoou-os ainda mais.

Enquanto acabava de defender um golpe de cada um de seus atacantes, Haldar que pretendia contra atacá-los também foi surpreendido pelo repentino clarão e o estrondo que veio em seguida. Os outros dois também foram igualmente afetados, porém Haldar conseguiu em meio ao atordoamento, usar seu shii para afastá-los dele. Sua visão demorou menos a se recuperar do que sua audição, o que lhe garantiu uma vantagem sobre seus dois oponentes, ambos ainda permaneciam de olhos fechados e tapando os ouvidos. Olhou rapidamente para trás para garantir que não fosse atacado de surpresa, mas o outro avatar ainda estava preocupado demais com Ignus, sequer lembrar da existência de Haldar.

Vendo que seus inimigos permaneciam atordoados Haldar disparou mais uma rajada energética em direção aos dois avatares, desta vez muito mais forte que as lançadas antes. Um dos avatares vendo o ataque decidiu contê-lo, seu companheiro percebendo que não teria tempo para tal reação resolveu esquivar saltando para o lado, observando o amigo ser carregado enquanto tentava bloquear o poder de seu adversário. Porém seu esforço foi inútil, como não estava totalmente recuperado do atordoamento causado pelo relâmpago do outro avatar, não conseguiu se concentrar o suficiente para segurar o golpe, tendo sua defesa desfeita e sendo atingido completamente.

Sem esperar dar tempo para que Haldar pudesse tomar qualquer ação, imediatamente o avatar que trajava manto verde reagiu, fez um movimento como se estivesse dando um tapa no ar, entretanto o que parecia um simples gesto causou uma intensa ventania que jogou Haldar a uma considerável distância.

O antigo mestre de Ignus demonstrando grande habilidade girou no ar e parou flutuando, avatar de manto verde prontamente lançou um projétil energético semelhante a uma lança. Como estava distante, Haldar teve tempo suficiente para conseguir desviar do golpe apenas planando para o lado. Sem perder tempo ele mergulhou em direção ao avatar com uma velocidade impressionante, como se algo tivesse lhe dando um grande impulso inicial, ainda no ar ele abriu seus braços e envolveu-os com seu shii, deixando por onde passava um rastro energético belo de se ver, porém mortal. O avatar por mais rápido que fosse não foi capaz de superar a velocidade de Haldar, mesmo criando uma poderosa parede de vento para evitar que o golpe. O ataque rompeu a barreira com facilidade, atingindo em cheio a cabeça do inimigo, fazendo-o girar do ar antes de cair.

O outro avatar, que estava mais distante viu a aproximação rápida e violenta do servo do deus da guerra, que investia como um falcão contra a presa. Reunindo todas as forças que conseguiu nas pernas saltou para o lado, escapando de Haldar, mas não do rastro de seu shii, que acertou seu ventre em cheio, cortando-o profundamente.

Assim que tocou o chão novamente Haldar permaneceu com a energia de seu shii concentrada em seus braços, apenas reuniu e moldou-a formando uma espécie de lâmina energética. Vendo que seu inimigo pretendia dar um fim ao combate, o avatar de cinza concentrou toda a energia que pode em suas mãos, criando uma imensa esfera de puro shii. Ambos se jogaram um contra o outro, o avatar segurando a frente sua esfera energética e Haldar com suas lâminas de shii.

Uma coisa era certa, poder de nada vale sem experiência e isso, Haldar tinha muito mais do que o jovem avatar. Ainda no ar Haldar expandiu ainda mais seu shii, fazendo com que as “lâminas” chegassem o mais próximo do avatar e então golpeou com tudo sua esfera energética. A explosão causada pelo choque dos dois poderes e a destruição do ataque do avatar foi tão devastadora, que até mesmo os soldados que observavam tudo de longe foram jogados para trás, devido a força da onde de choque.

O avatar cinza agora jazia agonizante no fundo da cratera que a explosão causou, instantes depois Haldar estava de pé na borda da cratera, também havia sido afetado pela força da explosão, mas não tanto quanto seu desafortunado adversário. Sem nenhuma piedade destruiu por completo o corpo do avatar com seu shii.

– Como foi capaz de fazer isso? – Questionou incrédulo o avatar de manto verde.
– Da mesma forma que serei capaz de matar você, também. – Respondeu Haldar seriamente.
– Não pense que seu êxito sobre meu companheiro lhe garantirá o mesmo resultado.
– Que assim seja. Venha e me mate! – Desafiou Haldar abrindo os braços.

Não suportando a provocação aliado a frustração de ver o companheiro ser morto, o avatar lançou-se contra Haldar como uma flecha, ele mal teve tempo de esquivar tamanha era a velocidade de seu atacante. Haldar foi arrastado por metros até erguido e depois arremessado violentamente contra o chão.

Sem esperar que seu inimigo tivesse tempo para reagir o avatar imediatamente após jogar Haldar contra o chão mergulhou contra ele, aumentando ainda mais sua velocidade. Ainda tentando se levantar Haldar viu a investida de seu atacante, não teria tempo para desviar, então criou, no momento exato antes de ser atingido, uma barreira de shii, que foi capaz de suportar o ataque, mesmo tendo afundando um pouco devido a potência do golpe.

– Agora é você quem está por baixo e quem irá morrer. – Disse o avatar com um sorriso sádico no rosto.

Apontando suas mão em direção a cabeça de Haldar o avatar concentrou uma grande quantidade de energia, tanto quanto seu companheiro que havia sido morto a pouco, talvez até mais. Porém, Haldar não era conhecido como um grande mestre à toa, valendo-se de sua grande habilidade, ele criou instantaneamente uma explosão saindo de seu corpo. O avatar pego de surpresa perdeu sua concentração, fazendo com que boa parte da energia que havia concentrado se dispersasse, o que foi mortal para ele. A força da explosão além de abrir uma imensa cratera, atingiu em cheio o avatar, causando-lhe sérios ferimentos e arremessou-o a metros de distância.

Mesmo sendo um avatar, alguém próximo de um deus e com um poder extraordinário, seu corpo ainda era o de um ser comum, e como tal poderia sofrer das mesmas mazelas que uma pessoa qualquer. Quase todos os seus ossos haviam se partido, havia várias feridas expostas e ele sangrava por todos os orifícios visíveis. Já não podia escutar nem sentir nada, além da dor, sua visão piorava rapidamente. A última coisa que pode ver foi seu inimigo de pé perante ele. Olhou atentamente para seu rosto e jurou para si mesmo que clamaria vingança ao seu deus, tão logo ele o visse quando estivesse no outro mundo. Haldar matou-o simplesmente disparando um pequeno raio energético que atravessou seu crânio, depois decapitou-o e atirou sua cabeça longe do corpo.


Após ter sido atingido pelo relâmpago criado pelo avatar de vermelho Ignus se levantou rapidamente e pôs-se em posição de defesa, olhou rapidamente para os lados e viu que o avatar de branco o cercava. Os dois avatares ficaram imóveis esperando uma reação de Ignus, mas este apenas olhava apreensivo de um para o outro, estudando ambos. Não suportando aguardar mais, o avatar de vermelho disparou outro relâmpago contra Ignus, só que desta vez ele estava mais preparado, seus reflexos foram tão rápidos e tão precisos que ele conseguiu segurar o relâmpago, para no instante seguinte direcionar aquele poderoso ataque contra o outro avatar, que perplexo pela habilidade do guerreiro foi atingido em cheio pelo golpe do amigo.

Tendo sido bem sucedido Ignus correu para recuperar sua espada, que havia caído a alguns metros dali. Com sua arma novamente em mãos arremessou-a contra o avatar vermelho, que com grande maestria conseguiu escapar de sua lâmina, mas não da explosão causada pela mesma quando esta tocou o solo. Seu corpo foi coberto pelas chamas furiosas da espada, fazendo seu corpo inteiro arder intensamente.

Antes mesmo que atingisse o solo, devido a força da explosão, uma segunda onda de choque o atingiu jogando-o ainda mais longe. O avatar branco e Ignus também foram atingidos pela mesma explosão, que havia sido causada segundos antes quando Haldar destruiu a imensa esfera energética do avatar cinza.

Ainda no chão e com a visão prejudicada, Ignus pode sentir onde estava sua espada e seus dois inimigos diretos, sentiu também os outros dois avatares que Haldar enfrentava e soube exatamente quando seu ex-mestre matou um deles.

Mesmo ferido o avatar vermelho não parou, viu que Ignus permanecia no chão e se jogou contra ele, concentrou em seu corpo toda a energia possível e direcionou-a para seu punho esquerdo, envolvendo-o de uma poderosa energia que brilhava intensamente com um vermelho da cor de sangue. Ignus percebeu a investida, mas não se moveu, ao invés disso evocou sua espada que imediatamente veio voando em sua direção.

O avatar já estava prestes a acertar Ignus, porém seu corpo foi atravessado violentamente por Yurian. Mesmo tendo o corpo quase dividido conseguiu de alguma forma manter a energia concentrada em seu punho, mas a cada momento parecia-lhe que seu punho seria esmagado por sua própria energia.

– É admirável sua persistência. – Reconheceu Ignus que agora estava de pé.
– Eu... Não serei... Morto por você... – Respondeu com grande dificuldade.

Mesmo enfraquecido e sentido uma dor mortal o avatar tentou se erguer, seu companheiro, de longe, apenas assistia, sabia que amigo não teria mais chances de vencer seu adversário, mas sabia que ele teria sua chance de vingar o companheiro e decidiu aguardar. Por fim o avatar conseguiu ficar apoiado sobre um dos joelhos, isso era o máximo que seu corpo suportava no estado atual. Ignus reconhecendo sua bravura guardou sua espada e reverenciou o avatar.

– Aceite sua derrota e poderá viver. – Disse olhando para o inimigo que lutava para se erguer.
– Nunca... Nunca irei me render... – Falou furiosamente.

Em um esforço incrível, para ele, tentou atingir Ignus com seu punho envolto em energia, mesmo boa parte já tendo se perdido. O guerreiro sem nenhuma dificuldade agarrou fortemente o braço do avatar e começou a esmagá-lo devagar, fazendo com que o avatar se curvasse e urrasse de tanta dor.

– Tolos como você me enojam e me dão ódio.

A aura de Ignus transbordava toda sua ira devido ao gesto do avatar, mesmo a energia acumulada de seu oponente parecia não afetá-lo, pelo contrário, parecia que estava se alimentando dela. Uma estranha sensação tomou conta de seu ser, por um instante sentia-se capaz de controlar a energia do inimigo. Agindo de forma rápida e sem pensar muito Ignus torceu o braço do avatar, fazendo com que o mesmo fosse deslocado, causando ainda mais dor em seu adversário, porém não foi apenas isso que fez, a energia do braço do avatar mudou repentinamente de vermelha para preta. O avatar não compreendia como aquilo era possível, mas sabia, aquela energia que estava em seu braço não era mais sua.

Aquela energia negra que agora possuía seu braço parecia se alastrar por seu corpo inteiro, não sabia como nem se havia alguma forma de impedir, mesmo que houvesse já era tarde demais, seu corpo havia sido tomado por aquela estranha energia. No momento seguinte enquanto ainda tentava, em vão, compreender o que havia ocorrido, seu braço foi destruído, a energia que tomou conta dele explodiu, despedaçando-o por completo, a dor era tamanha que sequer conseguia expressá-la.

Ignus olhou atentamente para o avatar branco e notou sua serenidade, mesmo vendo seu companheiro contorcendo-se de dor e próximo da morte. Nem mesmo sua aura parecia perturbada, estava completamente serena.
   
– Me impressiona a forma como menospreza o sofrimento de seu companheiro. – Disse Ignus.
– Ele foi inferior, mereceu ser derrotado – Respondeu secamente.
– Se vocês quatro eram tão poderosos, por que não vieram junto com seu exército? – Questionou Ignus, que tinha essa duvida desde o momento em que viu a demonstração de força dos avatares.
– Eles eram meros peões, iscas para cansar vocês e torná-los presas fáceis para nós.
– Impressionante, mas seu plano falhou, nós fomos vitoriosos no campo de batalha e nossas baixas foram mínimas. – Disse

Ignus que parecia não se importar com a frieza do avatar.

– Tolo, nossa intenção não era causar baixas em seu contingente. – Disse o avatar gargalhando.

Ignus não compreendeu o que ele dizia.

– Sempre soubemos que vocês derrotariam nossos homens em batalha, não tínhamos um exército tão bem treinado quanto o seu, exatamente por isso mandamos um grande contingente contra vocês. – Explicou.
– Se tinha plena certeza disso, então por que enganou seus homens, mandando-os para a derrota certa? – Questionou Ignus.
– Eles não foram enganados, sempre souberam que morreriam, nunca os enganamos.
– Então...?
– Cada homem que seu exército matou, cada alma que libertavam nos serviu de alimento, cada um que morria em prol de nosso Deus estava, na verdade, se sacrificando para nos fortalecer.
– Então a força de vocês vem das almas de seus seguidores consumida por vocês? – Questionou Ignus.
– Exato.

Após ouvir a confirmação Ignus começou a gargalhar sonoramente, deixando o avatar confuso. No momento em que ia dizer algo outra explosão foi ouvida, ambos olharam na direção em que veio o som e viram o outro avatar ser arremessado no ar, até cair completamente ferido. Acompanharam, também, toda a movimentação de Haldar, até o momento em que pôs fim na agonia do desafortunado avatar.

Aproveitando-se de mais uma falha de um de seus companheiros o avatar restante tratou de consumir a energia de seu aliado recém derrotado, Ignus percebeu o que seu adversário fazia, mas preferiu não interferir.

– Me surpreende sua atitude, guerreiro. – Disse o avatar.
– Em que sentido? – Questionou Ignus.
– Não fez nenhum discurso moralista, pareceu nem se importar com os que sacrificamos.
– E não me importei mesmo, afinal, eles estavam cientes do que faziam, não eram inocentes. – Disse Ignus secamente. – Além do mais, achei interessante essa manobra de vocês.

Movendo-se rapidamente Ignus ficou bem na frente do avatar, que não notou sua repentina aproximação.

– O plano de vocês teria sido perfeito, caso não tivesse nos subestimado. – Disse Ignus olhando no fundo dos olhos do avatar.
– Você acha que pode me derrotar, guerreiro. – Questionou o avatar com um sorriso cínico.
– Não. Tenho certeza!

O avatar girou duas vezes no ar antes de cair no chão devido à força do soco dado com as costas das mãos por Ignus, sendo chutado ainda mais forte na cabeça tão logo tocou o solo.

– Acha mesmo que me importo com quem se sacrifica em prol de qualquer coisa? – Questionou Ignus erguendo o avatar pelo pescoço.

A pressão que o avatar sentia no pescoço era imensa, não conseguiu imaginar como alguém sem utilizar nenhuma técnica especial podia ter tanta força. Quando tentou golpear Ignus quase que imediatamente fora golpeado na barriga, depois jogado ao chão com facilidade.

Imediatamente o avatar se levantou disparando um esfera energética contra Ignus, com um tapa o avatar arremessou o ataque para longe, em seguida Ignus voou contra seu inimigo com um soco, o avatar defendeu o golpe com um dos braços, tentou contra golpear, mas também teve seu punho bloqueado. Com a mão esquerda aberta Ignus atingiu o ventre do avatar e ergueu jogando-o mais uma vez no chão, no instante seguinte disparou uma forte rajada de shii, atingindo em cheio seu alvo, que não teve tempo de sequer tentar defender.

Vendo a oportunidade Ignus sacou sua espada com a intenção de fincá-la no crânio do avatar, entretanto o mesmo conseguiu escapar, Ignus não parou, foi seguindo o avatar tentando matá-lo enquanto ele rolava pateticamente pelo chão. Ainda deitado, quando se virou e viu a lâmina inimiga se aproximar ameaçadoramente, o avatar criou uma pequena explosão com suas mãos, direcionando a contra Ignus, mesmo não sendo um ataque muito poderoso, foi forte o suficiente para impedir a conclusão do movimento do guerreiro e fazê-lo recuar alguns passos.

Novamente de pé o avatar decidiu que acabaria a luta naquele momento, começou a concentrar toda a energia que podia, sabia do risco, mas tinha de tentar. Ignus notando o que o avatar pretendia guardou sua espada e começou a se concentrar, a quantidade de energia reunida por ambos era impressionante, a cada instante ela só aumentava mais e mais. Haldar ficou impressionado não apenas com o poder que avatar havia conseguido à custa dos companheiros, mas principalmente com a capacidade de seu companheiro. Os efeitos de tamanha concentração energética começavam a se tornar visíveis, o chão começava a rachar e a tremer, até mesmo os soldados comuns mais próximos da batalha se sentiam oprimidos, além de serem capazes de enxergar a imensa aura energética que se aumentava mais e mais.

Tomando a iniciativa o avatar disparou contra Ignus toda a energia que havia concentrado, a intensidade do raio foi tamanha que mesmo sem tocar o solo foi capaz de criar um rastro profundo. No instante seguinte Ignus estava sendo atingido em cheio pela imensa carga energética, sendo arrastado por metro de distância enquanto tentava bravamente proteger-se com os braços cruzados a frente corpo. A armadura que o protegia já havia sido completamente destruída e estava praticamente nu, entretanto seu corpo permanecia intacto devido ao seu shii. Em meio ao turbilhão energético ele pode perceber um momento ínfimo de hesitação, aproveitando-se do descuido Ignus abriu os braços rompendo o grande fluxo energético e lançando vários fragmentos deste para longe, Haldar conseguiu criar uma barreira para se proteger, mas que não tinham tal capacidade tiveram que fugir, mesmo assim alguns foram atingidos e mortos, inclusive alguns com capacidade para manipular o shii.

Perplexo e completamente sem forças o avatar apenas observou enquanto seu inimigo saltou e disparou contra ele um poderoso relâmpago, mesmo quem não observava o combate diretamente teve a visão ofuscada pelo intenso clarão que se formou, sem contar que o estrondo foi muito mais alto que o relâmpago que outro dos avatares havia criado.

A área próxima do impacto estava devastada, só havia restado uma larga cratera, embora não muito profunda, além dos pedaços que sobraram do avatar. A aura de Ignus ainda fluía intensamente, parecia querer mais, como se aquilo não fosse o suficiente, mas estava acabado, o inimigo, por fim, havia sido completamente derrotado.


– Você está bem?

Ainda parcialmente ofuscado Haldar viu o vulto do companheiro erguido a sua frente, enquanto este lhe estendia a mão para ajudá-lo a se levantar. Quando sua visão melhorou viu que Ignus trajava alguns trapos que escondiam precariamente poucas partes de seu corpo, seus músculos estavam tensos, mas ele não parecia nenhum pouco cansado, nem mesmo sua aura transparecia tal coisa.

– Quando aprendeu a disparar relâmpagos? – Questionou Haldar se ajeitando.
– Assim que dominei o shii de um dos avatares compreendi em parte como ele usava aquela técnica, então resolvi imitar. –

Explicou como se tivesse sido algo simples. Além do mais, você nunca me disse que sabia voar.

– Quando era meu discípulo ainda não sabia, aprendi há alguns anos.
– Isso farei questão de aprender!

Haldar concordou balançando a cabeça positivamente.

– Você está com uma aparência horrível! – Riu Haldar ao observar melhor o ex-pupilo que além dos trapos tinha o cabelo totalmente desgrenhado e estava completamente sujo.
– Oh, me perdoe, meu mestre, se esse humilde vassalo se apresenta de forma imprópria. – Disse Ignus ironicamente fazendo uma tosca reverência como se estivesse embriagado.
– Já não sou mais seu mestre há muito, além do que, você não necessita mais de meus ensinamentos. – Falou com sinceridade. – Você não é mais um aprendiz, e sim um mestre!


Pouco tempo depois os soldados já estavam recuperados e começaram a gritar em sinal de vitória, logo a euforia tomou conta de todos. Ainda havia alguns soldados caçando inimigos que tentaram fugir, mas estes já estavam retornando, alguns com trazendo consigo prisioneiros, outros trazendo cabeças dos que se recusaram a se render.

Alguns minutos depois as fileiras foram refeitas e as baixas começaram a ser contabilizadas, havia mais feridos que mortos, o que era um bom sinal. O número de prisioneiros também era grande e dentre todos dois eram especiais, dois generais inimigos, que certamente teriam muita informação a ser extraída, mas não naquele momento, agora era hora de reorganizar tudo.
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O "futuro" da literatura - Tablets (e similares) e Livros.


Sou ávido leitor de livros e também sou um consumidor de tecnologia daqueles que se não fossem minhas limitações financeiras trocaria minhas bugigangas como troco de roupa.

Eu adoro meus livros. Construí minha parca biblioteca (e com ela meu vocabulário) com o passar dos anos e tenho orgulho de ter lido cada um dos livros de minha estante e apenas lamento hoje, em minha vida adulta, ter muito trabalho e pouco tempo para desejar ler (prefiro usar meu tempo livre em atividades que não envolvam pensar, porque a cabeça tem andado desgastada).

Mas não posso negar a vantagem dos argumentos daqueles que defendem os tabletes (como diazem alguns). De fato, em tempos que está na moda preservação da natureza argumentar que em um tablet cabem mais livros que em uma estante e que livros consomem árvores é um argumento válido. Mas por trabalhar na área sei também que esse argumento cai por terra porque:
1. Lixo tecnólógico dos tablets (aparelhos e baterias) não é biodegradável;
2. Materia-prima não é renovável (não se plantam tablets), que o diga sua extração que é estupidamente danosa ao meio ambiente;
3. A reciclagem ainda é cara e pouco difundida, isso quando consegue gerar algo aproveitável.
4. Descartáveis - em pelo menos seis meses a tecnologia deles está ultrapassada, e você será forçado pela indústria/propaganda em algum momento a trocá-lo para poder adquirir novos livros, o que leva ao item 1 e faz disso um ciclo vicioso.

Logo, gosto não se discute. Ainda prefiro livro. Se me sinto culpado porque posso estar derrubando árvores para estar lendo Senhor dos Anéis de Tolkien ou a saga A Torre Negra do Stephen King, vou no quintal de casa e planto algumas árvores. Com relação ao lixo tecnológico que produzo, resolvo doando as peças velhas a pessoas com menos poder aquisitivo (e consequentemente tecnologia) que para ele será top de linha, e o que está acabado jogo no lixo.

"No Rio de Janeiro não existe política de reciclagem, e não há interesse de implementação de uma política disso. Apesar de nos condomínios haver a ilusão da separação do lixo reciclável, quando você entrega para a Comlurb vai pra mesma caçamba. Existem isoladamente algumas universidades (como a UFRJ que tem o Recicla CT) que fazem projetos isolados de reciclagem, mas..."

Enfim, acredito que o futuro seja pela convergência. Como já acontece com alguns artistas da indústria musical, quando você pode optar. Você pode simplesmente comprar o livro tradicional, ler e colocar na sua estante (ou dar, ou emprestar, ou colocar pra apoiar a mesa de jantar). Pode comprar apenas a versão digital e tê-la enquanto não apagar acidentalmente num bug qualquer (ou esquecimento de senha). Ou comprar o pacote completo e ter ambos. O livro em casa para a eternidade e a cópia digital para tê-lo sempre a mão quando quiser (seja no banheiro, no trabalho, no avião, no escritório, ou naquele momento em que alguém está conversando contigo um assunto chato e você finge que recebeu uma mensagem de texto e está lendo o livro).

E você, o que espera? O que prefere?
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Não existe oposição.

Ontem exercitei meu martírio semanal de assitir/ouvir um pouco do canal da TV Senado e do TV Justiça.

Na TV Senado vi a discussão em torno da aprovação de uma PEC que visa agilizar a tramitação das Medidas Provisórias dentro das casas (útil por sinal, quando você pesquisa a respeito).

E na TV Justiça vi o julgamento da extradição do Battisti, uma verdadeira troca de elogios entre nossos máximos representantes da lei e da ordem no Supremo Tribunal Federal (onde um dia espero trabalhar, não como juiz, claro).

Mas o que marcou meu dia foi o modo belo como oposição e situação lidam uns com os outros. Sou uma pessoa que definitivamente nasceu no ano errado. Vide que, por exemplo, meu gosto musical praticamente está situado nos anos 80 (considero pouca coisa de hoje em dia menos do que lixo), apesar de ter nascido em 1981 - ou seja, deveria gostar da música de adolecentes dos anos 90. Tenho uma moral arcaica, faço coisas estranhas aos habitantes da Terra como dizer o que penso e não me visto em casa como se estivesse na rua porque na televisão as pessoas se vestem como se estivessem num desfile de moda. E isso inclui minha visão política.

Ver oposição e situação trocando afagos ao invés de ofensas me faz temer pela nação. Você pode até querer e desejar que nossa classe política se comporte como se fossem lordes ingleses, mas na inglaterra o povo de lá possui discernimento e uma cultura tal que se um deles sai da linha o cara se não for preso no mínimo tem sua vida política/pública interrompida por um longo tempo (quando não tem que fugir do país porque lá só a religião perdoa).

Aqui vê-los em paz significa que ninguém ali está perdendo. E se no jogo nenhum deles está perdendo, adivinha quem está perdendo? Adivinha? Vai no banheiro, olha no espelho e você vai encontrar. Provavelmente vai notar que essa pessoa trabalha a maior parte do ano trabalhando para bancar os excessos dessa galera.

Quer ver? São Paulo é governado pelo PSDB, tecnicamente um partido de oposição, não é? Recentemente organizaram a Marcha da Maconha e como de se esperar o pessoal da marcha ficou de olhos vermelhos. Só que não foi de maconha. Foi do gás lacrimôgênio (e outros artifícios mais violentos) da polícia de São Paulo usado para dispersar a passeata para atender a vontade da justiça paulista sobre a tutela do governo PSDB. O mais irônico disso é que na mesma semana o Fernando Henrique Cardoso, um dos caciques do PSDB estava fazendo marabalismos justamente a favor da mesma causa. Basicamente o vento que venta no alto da torre não venta no chão da fábrica, né?

E do lado esquerdo da força? Lá onde a foice e o martelo se encontram? A mesma coisa. Quem disse que a esquerda pensa diferente? Enquanto estudante em São Paulo apanha porque quer regularizar seu baseado, os bombeiros do Rio de Janeiro são metralhados com balas de borracha pelo Governador Sérgio Cabral (ordens diretas, com direto a serem chamados de "vândalos") só porque estão pedindo o cumprimento de promessas eleitorais do Lula, Dilma e do Cabral quando ganharam a olímpiada e disseram que iam criar um piso nacional para a segurança pública, visando Copas e Olímpíadas, coisa que está parada lá no congresso.

Daí eu te pergunto, você que defendeu o PT com unhas e dentes... Você que interrompeu aulas na faculdade pelo PSTU e vê seu candidato indo pro PSD se juntando ao cara que xingava... Você que brigou com seu vizinho sobre a bolinha do Serra... Você que briga por seu partido e perde amigos por gente que efetivamente só se importa com o imposto que você/nós paga/pagamos para bancar seus aumentos... Vale a pena perder tempo por essa gente?

Eu creio que não.

Só se fosse para tirá-los de lá.

Na porrada.
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Ah o Brasil... Sempre o Brasil.


- Demolir o maracanâ e dar um olé no Iphan em obra que já passou de 1bilhão: pode.
- Segurar o Palocci ad eternum que enriqueceu com informação quente: pode.
- Devolver esse mesmo Palocci pra voltar a enriquecer com novas informações quentes depois que tudo que poderia ser feito para investigar sua condutada foi arquivado: pode.
- Transformar as UPP em enormes milícias do PMDB: CLARO QUE PODE.
- Fazer recadastramento de eleitores as vésperas de eleições em comunidades com UPPs para forçar manipulações de votos como ocorreu em 2010: pode.
- Atrasar a estréia do filme Tropa de Elite 2 para ninguém perceber que é idiota e traçar paralelo entre as eleições de 2010 e o filme: pode.
- Votar o próprio aumento em sessão extra na calada da madrugada: pode.
- Fazer da multa uma fonte de renda: pode.
- Impor restrições no direito de ir e vir em comunidades isoladas ou com UPPs: pode.

Porém...

- Fazer a Emenda Constitucional do Piso Nacional da Segurança Pública cumprindo promessa de campanha: Não pode.
- Bombeiro, médico, professor ou qualquer outro profissional de qualquer área que seja "mão na massa" protestar por seus direitos: não pode.
- Profissional de área "mão na massa" fazer greve: não pode, se fizer é vândalo.

Santa hipocrisia Batman!

Alguém para o mundo que eu quero descer...
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