Crítica: Avatar (o último dobrador de ar).


Para quem no passado tinha as manhãs livres e nenhuma televisão por assinatura, um dos poucos prazeres que eu dispunha era assistir a saga de Aang e seus amigos no desenho animado Avatar. Apesar de ter passado na TV Globinho e/ou na Nicklodeon, Avatar carrega muitos questionamentos da transição "criança-adolescente-adulto" e de peso de responsabilidades que por muitas vezes não foram resolvidos por muita gente barbada (eu, incluso) e que dão um tom muito menos infantil do que se pressupõe os canais/horários de origem (como um Rei Leão ou alguns desenhos mais atuais).

O desenho fez um enorme sucesso, e foi uma exceção a regra de produções norte-americanas: tinha final. Como de se esperar não tardou a virar filme, mas no meio do caminho a produtora deparou-se com um problema que seria o estopim de diversos outros que mesmo que sendo de fora acabaram afetando o filme.

Para começar a adaptação não poderia carregar o nome do desenho. Avatar estava registrado pelo James Cameron e o uso implicaria ter que dar algum $$$ a mais para o cara. No mínimo. A solução foi mudar o nome, mas quando você faz isso pode acabar acontecendo o pior: na tradução do mesmo para outros países ocorrem distorções que podem fazer o público não identificar o filme como sendo adaptação. E é uma coisa séria, onde por exemplo, ainda mais pressupondo que desejam fazer continuações (são mais duas, segundo a série).

Falando do filme em si...

The Last Airbender começa quando os irmãos Sokka e Katara encontram Aang preso em uma redoma de gelo no meio da terra dos mestres da água do sul. Aang livre é levado para a tribo da água e apresentado a população de lá. Depois a tribo do fogo (Zuko) chega e levam o Aang embora e a história segue seu rumo.

Salvo adaptações é praticamente igual ao desenho animado (tem até a abertura). Mas para quem assistiu o desenho é extremamente corrido e raso. Não sei se foi problemas de roteiro ou pressão da produtora em querer apenas 2 horas de filme, mas o filme termina com a sensação de que falta algo. É como se o Shyalaman tentasse construir uma parede de pedra sem cimento. Os elementos do desenho estão ali, mas falta algo que os ligue.

Não me cativa a relação entre Katara e Aang, por exemplo. No desenho, só no primeiro episódio, pelo menos dez minutos são gastos para mostra o casal protagonista passeando e conversando. Nesse perde-se mais tempo explicando o mundo e coisas que se descobre no transcorrer da série do que fazendo os personagens conversarem sobre trivialidades. Há apenas a história em si, a única exceção a isso é o tio de Zuko, que pelo menos no pouco que aparece está bem fiel ao original.

Outro personagem que decepciona é o Sokka. Interpretado por um dos vampiros Cullen o personagem perde justamente o seu diferencial: o humor. Poucas palavras engraçadas e não é controverso como o do desenho. Não dá para rir porque não investiram nisso. Cai no que citei acima, de falta de convívio dos personagens.

Os efeitos especiais estão muito bem feitos, entretanto não vale a pena ver em 3D, apenas dói a vista ainda mais se for a versão legendada. A conversão forçada não vale a pena o dinheiro que eles gastaram. Em alguns momentos até atrapalha, quando a tela chega a desfocar.

No fim é um filme bom, fiel dentro das limitações (o que aparece é praticamente igual), mas que se comparado ao desenho fica medíocre. Minha esposa, que não assistiu a série, disse que é bom. Acredito nela, mas para quem viu o desenho fica a sensação de "algo está faltando".

Mas mais uma vez M. Night Shyamalan se destaca como ótimo tecnicamente, mas péssimo quando faz o roteiro. Um dia ele aprende que ou faz uma coisa ou outra, até lá vai colecionar críticas negativas.

Dou um sete pelo que vi, mais pela parte técnica da coisa.

Informações técnicas:
Direção e Roteiro: M. Night Shyamalan
Estréia: 20/08/2010
Elenco (parte):
- Noah Ringer, interpreta Aang;
- Dev Patel, interpreta Zuko;
- Nicola Peltz, interpreta Katara;
- Jackson Rathbone, interpreta Sokka;
- Shaun Toub, interpreta Tio Iroh.

Maiores informações IMDB: The Last Airbender (2010).
Leia o Restante.

Motorola, Milestone e uma gigante em cima do muro.


Recentemente adquiri um Motorola Milestone junto com minha operadora de celular, a claro.

Uma odisseia que durou uma semana entre idas, vindas e finalmente a compra. Vou ser sincero, é um celular fantástico, e o único empecilho é não possuir teclas dedicadas a sua função básica: ser telefone.

De resto, depois de personalizar, usar e abusar digo que foi o celular/sistema o qual aprendi a fuçar mais rápido desde que comecei a mexer com celulares (meu primeiro foi um Samsung Voicer). Pesou também o fato de minha cunhada ter um e meu cunhado um Iphone. Manipulando ambos, como bom prolixo que sou, tive a certeza de que precisava de um teclado dedicado e não aquele de telas sensíveis ao toque para escrever.

O único problema agora é que descobri que a Motorola Brasil não pretende atualizar o sistema operacional do aparelho. Não é apenas uma atitude infantil (pois prefere que o cliente compre aparelhos atualizados ao invés de ampliar a margem), mas uma atitude BURRA. Incrivelmente BURRA.

Vamos destrinchar porquê...

Ele utiliza hoje um Android2.1 instalado e nos EUA saiu a versão 2.2 onde para quem curte aplicativos no celular surgiu uma função fantástica: a possibilidade de instalar aplicativos no cartão SD. Considerando que o cartão padrão tem 8gb de espaço e o celular tem de memória interna 512mb basicamente um aumento de 16 vezes na capacidade de instalar aplicativos.

Se considerar que o concorrente direto do sistema operacional, a Apple ganha MUITO, mas MUUUUUUITO com venda de aplicativos no Apple Store, fazendo um paralelo com a Android Market (que no Brasil só tem aplicativos grátis ou gratuitos, sem opção de compra) essa ampliação de espaço aumentaria em 16 vezes a lucratividade do aparelho.

Ou seja, ao invés da Motorola Brasil querer ganhar seu dinheiro na venda de aplicativos (ok, seria um pequeno percentual, mas dinheiro é dinheiro... e um prato cheio de migalha enche a pança tanto quanto um com pão inteiro) ela opta por desprezar o segmento. Enquanto Steve Jobs gargalha com os lucros da Apple Store, no mercado brasileiro a Google do Brasil não vai ganhar um tostão furado se depender de nossas operadoras e dos fabricantes de celular.

E daí pergunto: se a Motorola Brasil não pretende fazer essa atualização, porque a Google Brasil não se posiciona? A Motorola com essa atitude displicente não está favorecendo a fornecedora de sistema operacional, está pensando apenas como vendedor de peça.

O Google Android fatura JUSTAMENTE na venda de aplicativos, e quando a Motorola diz que vai deixar de fazer atualizações e impedir terceiros de fazerem ela está literalmente puxando o tapete da Google e aumentando os cofres do Steve Jobs porque o pessoal insatisfeito com o Android Market vai pro concorrente. E não volta.

Google, fica de olho aberto que estão puxando seu tapete e levando seus caraminguás. Daqui a pouco o Jobs lança um Iphone com teclado e f*deu Android. Seu único diferencial se foi, já que você deixou a Motorola Brasil queimar seu filme ao manter celulares sem atualizações e com bugs que queimam a marca (e filme queimado não se regenera). Um aplicativo da própria Google para atualizar o sistema operacional do celular é o mínimo.

Porra, para ganhar dinheiro até Windows INSTALA em iMac, porque não ter como fazer isso com o celular no conforto do lar?

PERDEM os executivos da Motorola Brasil ao ignorar um segmento de mercado importante, PERDEM os executivos da Google Brasil ao deixar isso acontecer e GANHA Steve Jobs, cujo Iphone4 vem chegando por aí no final do ano e é para onde irão os usuários INSATISFEITOS com essa molecagem de ambas.

Só não comprei Iphone porque uso teclado QWERTY (mas tudo tem limite). Senão já tinha migrado há tempos...
Leia o Restante.

Pior que tá não fica... e ele está errado?

Com a aproximação das eleições, logo vieram os vídeos dos candidatos mais inusitados do horário eleitoral, uma ótima oportunidade de pessoas que não lembram em quem votaram postarem comentários no YouTube pedindo seriedade.

Em época de censura ao humor, em rádio ou TV, envolvendo candidatos, logo um deles ganhou destaque: Tiririca. O humorista é candidato a deputado federal, com piadinhas e um slogan de fazer inveja: "Vote Tiririca, pior que tá não fica".

A revolta (virtual) da população (Orkut) incendiou (flames) um movimento (#) por respeito (Xingar muito no Twitter).

Mas candidatos assim sempre tivemos, eles vêm, vão, e ninguém liga tanto assim pra eles. Tiririca, no entanto, permaneceu assunto, denotando algo incomum. Seu slogan estava ecoando, hora por revolta (puta falta de sacanagem), hora pelos risos que causava.

Dizem que as melhores ofensas, assim como as melhores piadas, são as que dizem a verdade. Teria Tiririca pisado no calo que nosso senso comum nos impede de ver? A lógica de Sherlock Holmes dizia que uma vez analisados os fatos, eliminando-se o sobrenatural e o impossível, o que sobrasse provavelmente seria a verdade.

Há quanto tempo temos eleito pessoas ditas sérias para cargos onde tomam decisões pelas nossas vidas? Considera que algo melhorou? Quantas leis trouxeram benefícios reais? Quantas trouxeram malefícios? É bem possível que o placar esteja negativo do seu ponto de vista.

Em sua propaganda, Tiririca diz: "O que é que faz um Deputado Federal? Na realidade eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto". Obviamente Tiririca não tem conhecimento sobre questões técnicas, logo não está qualificado para o cargo. Mas será que alguém está?

Quando dizem que de boas intenções o inferno está cheio é porque constantemente uma boa idéia é distorcida até se tornar algo prejudicial ou simplesmente seu conceito inicial era falho e suas consequências trazem problemas.

Passagens gratuitas, meias-entradas para estudantes, cotas nas universidades, são alguns exemplos fáceis de citar. Gratuidades e descontos normalmente vêm com as eleições, mas nunca é explicado para os empresários como manterem-se no mercado visto a tamanha inserção de variável caótica. Hoje em dia defende-se limitação das gratuidades.

Os responsáveis por essas leis estavam preparados para os seus cargos? Qualquer um que entenda de economia pode prever as consequências de gratuidades e descontos, mas os políticos envolvidos não o fizeram.

Constantemente pedimos por redução de impostos, mas quantos de nós sabem que nossa economia poderia quebrar mediante tal ato? Como podemos conviver com um sistema onde exigimos líderes que nos digam o que queremos ouvir mas são obrigados a tomar decisões contrárias pela nossa sobrevivência?

Por esse pressuposto, todas as boas intenções dos políticos que elegemos são como se debater na areia movediça, para não falar das más intenções. Seria tão difícil assim fazer um trabalho melhor nessas condições?

Tiririca é nordestino, trabalha como palhaço desde a infância, um ser humano com seu valor com certeza mas que não tem preparo para o cargo, sequer sabe a função que exerceria. Mas não estaria ele sendo um reflexo mais convincente do Brasil do que outros candidatos?

Um homem que trabalhou a vida inteira dignamente, se fosse eleito, poderia vir a ser corrupto? Teria competência para tal? Acredito que assim como ele não tem capacidade técnica para ocupar o cargo, também não teria para distorcê-lo a seu favor. Pelo menos sabemos que se elegermos uma mulher fruta e ela estiver envolvida em escândalos de lavagem de dinheiro, será fácil pegá-la em flagrante quando for estender pra secar.

Seriam os inelegíveis tão inelegíveis assim? Dá pra ficar pior do que está?
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Crítica: A Origem.


Imagine que um mundo onde uma pessoa pode invadir sua mente durante seu sono e roubar suas idéias na sua origem. Pior, imagine alguém invadindo sua mente e mudando suas idéias na origem. Essa é a premissa do filme.

Leonardo DiCaprio consegue provar que com a idade e as rugas deixou de ser apenas um rosto bonito para ser um ator e Christopher Nolan prova mais uma vez por A+B porque é um dos mais bem sucedidos diretores de Hollywood da atualidade.

Pra começar, apesar de TODO o enorme blábláblá que existe em torno dessa produção ser ou não um novo "matrix" quem assistir esperando isso vai ficar decepcionado. Não há pretensão em nenhum momento do filme em fazer algo desse tipo. Apesar de sutis, não existe alguém dizendo "olha, isso é um sonho, blábláblá pílula do sonho blábláblá". Não a história é simples.

Cobb (DiCaprio) vive de roubar idéias em sonho até que algo dá errado e uma de suas vítimas (Saito, vivido por Ken Watanabe) se o persegue e exige em troca de não matá-lo que ele faça um serviço. Como Codd não se importa em morrer (por não acreditar ter uma vida, como será explicado durante o filme) ele então oferece a Codd a chance de redenção em troca do serviço.

O serviço é inserir uma idéia na mente do maior concorrente de Saito. E só.

O filme, pelo menos do meu ponto de vista, segue o mesmo desenrolar de Onze Homens e Um Segredo onde Cobb vai selecionando entre outros invasores de sonhos sua equipe para realizar o golpe perfeito. E Christopher Nolan prova ser um exímio diretor ao conseguir fazer isso sem fazer o espectador se sentir idiota, exceto se ele tentar tirar sentido do nome nacional do filme, que NADA tem a ver com o foco do filme em si (tem a ver, mas não é O motivo, apenas parte dele). Chamar apenas de "Origem" seria mais de acordo com a idéia e com o próprio entendimento da palavra no filme.

Durante o tempo todo do filme pensei no termo "família Nolan" (ou em Tim Burton), trazendo atores de suas outras produções fazendo pontas ou mesmo papéis chave no filme. Alguns deles, inclusive, livrando-se de estigmas (ou seriam espantalhos?) criados pelos sucessos do diretor. Por sinal, é interessante ver atores tidos como "de filme de super-herói" interagindo com os do "de filme de cinema-pipoca-de-mulherzinha", quebrando paradigmas do comportamento dos produtores de cinema de Hollywood em que determinados atores só servem para determinados filmes.

(admito que quebrei a cara com Leonardo DiCaprio, pois gostei da atuação dele, e estou até o momento colhendo os cacos disso)

O final do filme é aberto. Causa, sim discussões, mas nada com a petulância de Matrix ou de outros que tentam nos induzir a questionar onde vivemos. É um final que, infelizmente, dará margens a continuações como se o filme precisasse de uma.

Resumindo, um puta filme que vale cada centavo caro do cinema. Não muda a sua vida, não faz uma revolução na sétima arte, mas entretém em cada segundo e não saio do cinema com a sensação de que sofri um assalto. E não seria esse o objetivo do cinema?

Nota 9.

Maiores informações em:
- A Origem - IMDB.


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A fábula dos 4 anos.


Era uma vez em uma terra distante chamada blogosfera...

Um (nada) poderoso e isolado dragão rosa decide que é tempo de descer de sua distante montanha. Para não assustar os moradores, assume uma forma humana que hoje em dia seria confundida com uma jabulami. Mas uma ENORME jabulami. E rosa. Junto com Nínguém parte em busca de novas aventuras.

Sem querer mostrar sua face o dragão percorre incógnito por entre as ruas das terras de blogosfera. Pensa não chamar atenção até que sente uma lança cutucar sua calça.
- Quem ousas? - Ruge o dragão rosa.
- Eu, sir Arthurius, de UATI! Vim enfrentar o dragão da corrupção!
- Não sou o dragão da corrupção... Mas...
- Como não? Não tem asas?
- Tenho.
- Não solta fogo?
- Na verdade gás...
- Gás?
- Deixa pra lá.
- Sim, entendo - protege o nariz sir Arthurius enquanto desde de seu cavalo de onde tem uma visão panorâmica.
- E além disso, sou rosa. O dragão da corrupção é vermelho-sangue-de-contribuinte.
- Pensei que tivesse desbotado.
- Vou te ajudar a procurar esse dragão.

Juntos o cavaleiro e o dragão seguiram para uma vila próxima. Na comunidade chamada Blogger Brasil encontraram inúmeras figuras interessantes. Um jogador de futebol mostra suas habilidades cômicas com a pelota enquanto tenta estimula-las a pensar quando dão gargalhadas.
- Porque tenta usar do humor para isso? - Pergunta o dragão rosa.
- Porque o céu é azul? - Pergunta o jogador de futebol.
- Porque sim.
- Está respondido, oras.
- Sou Dragus e procuro o dragão da corrupção, sabes onde o encontro?
- Sou Sir Deschart, e aqui na comunidade chamada Blogger Brasil só encontrará calotes em jogos, você é o primeiro dragão que vejo. E estranhamente rosa... De qualquer maneira os ajudarei em suas buscas, sempre encontramos assunto para blogar nessas buscas sem fim.

A dupla que agora é um trio caminha até que depararam-se com uma estranha movimentação. Diversas pessoas com roupas multicoloridas entravam em uma pequena rua.
- Onde vai dar esse caminho? - Pergunta sir Arthurius a um transeunte, um rapaz de pele negra e vestindo um terno, roupa incomum naquelas terras.
- Vai dar no Ghetto, onde estão fazendo um pequeno inventário de algumas coisas impróprias... - Responde.
- Obrigado, qual seu nome?
- Sou apenas um Negão Internauta de terras bem distantes... Da comunidade de EUTB.
- Será que encontraremos o dragão da corrupção por lá? - Pergunta sir Arthurius ao dragão rosa.
- Talvez. - Responde.
- Posso ir com vocês? Uma parceria é sempre bom... - Pergunta o Negão Internauta.
- Claro.

Ao chegar no local encontram um enorme teatro onde uma pessoa faz um enorme monólogo enquanto se trasforma em diversos personagens num piscar de olhos. Após merecidos aplausos ele pega um papel enorme e começa a discursar sobre preconceito. E nesse momento poucos ficam no teatro, mas ainda assim o homem não desiste e lê todas as palavras.
- ... Não importa que eu grite sozinho, mas ao menos gritei. - Concluí.
- Pelo espetáculo, e belo discurso. - Elogia o dragão rosa.
- Ninguém quer encarar os problemas. - Diz sir Arthurius. - Quanto mais seus preconceitos. Viste o dragão da corrupção?
- Não, apenas combato o dragão do preconceito, uma luta por vez.
- Quem és cavaleiro?
- Sir Max, de além do arco-íris.
- Gostaria de nos ajudar em nossa viagem contra esses dragões? - Pergunta o dragão rosa.
- Porque não?

Quando estão saindo de no Ghetto o dragão rosa sente bater em alguma coisa. Ele olha para os lados e não encontra nada.
- AQUI EMBAIXO! - Berra.
- Nossa! - Espanta-se o sir Negão Internauta.

É um pequeno homem, pouco mais alto que um hobbit, careca e de cavanhaque. Sobre sua cabeça há uma nuvem de chuva que relampeja sem parar, fazendo o careca sempre pegar um guarda-chuva. Ao lado dele está uma pessoa igual, mas com quase o triplo de altura.
- Quem sois? - Pergunta o dragão rosa.
- Eu sou... Porque deveria te responder? - Pergunta o baixote, enfurecido. - Você pisou no meu pé!
- O que posso fazer para que me perdoe?
- Está vendo aquela padaria ali? - Aponta o nanico, saltitando. - Mandei meu estagiário escudeiro comprar café ali e carolinas, não trouxe uma coisa nem outra. Aliás, meu, ele comeu tudo. Se me trouxer carolinas, café e um cd do heavy metal está perdoado.
- Mas para quem peço essas coisas?
- Para você mesmo, se pedir para o pequeno grande homem, o serviçal do mal vai sorrir e não vai entregar o que pedir. - Avisa o acompanhante.
- Prazer, Dragus. - Diz o dragão rosa, apertando a mão do acompanhante.
- Varotto.
- Sir?
- Ainda estou treinando... Falta muito para isso. Mas eu me esforço! Agora sou apenas um pistoleiro.
- E minhas carolinas? - Cobra o pequeno.
- Vou buscar.

O dragão rosa vai até a padaria e volta com o pacote. Entrega-o ao nanico, que olha voraz para a combinação de café e carolinas. Quando está para colocar o doce na boca ele tropeça - sem andar. - cai, e os doces rolam pelo chão enquanto o café artente lhe dá um banho doloroso que o faz gritar e correr em torno dos presentes, atraindo uma multidão de pessoas que apenas divertem-se com seu sofrimento.
- Ô FASE! - Berra cheio de dor.
- O Sir Rob Gordon é assim mesmo. - Explica "Quase"-sir Varotto.

O enorme grupo passeia por inúmeras comunidades da blogosfera. Juntos arregimentam prêmios e disputas com outros cavaleiros. E mais cavaleiros se juntam a busca de mais dragões.

- Vamos embora, companheiros? - Pergunta sir Arthurius. - Não vejo mais nada que possamos fazer aqui nas comunidades de blogosfera.
- O que faremos?
- O mundo da blogosfera foi tomado pelo dragão da discórdia e do plágio. - Discursa Sra Izaberun, uma das cavaleiras que juntou-se durante as viagens. - Que cada um de nós siga seu caminho para destruir seu dragão...
- Mas sempre juntos. - Fala sir Negão Internauta. -Porque juntos somos invencíveis!
- Claro. Sempre juntos. - Concorda Sir. Tyler, que carrega em seu corcel sua princesa Marcela, resgatada do Dragão Prolixo.
- Para onde então? - Pergunta o dragão rosa.
- Para a internet! - Berra sir Arthurius, enquanto abre um portal e galopa para dentro dele.

Os cavaleiros um a um partem, mas sempre juntos. Enquanto cavalga Dragus olha para trás e espanta-se ao ver que diversas outras pessoas agora estão ao lado deles.
- Quem são? - Espanta-se o dragão rosa.
- Nossos seguidores. - Explica o Negão Internauta. - Parcerias trazem seguidores, que trazem parcerias.
- Mas...
- São nossos leitores, o que temos de mais precioso. - Diz Sir Rob Gordon, galopando com seu pequeno pônei. - Sem eles o que somos?
- Verdade... Só somos o que somos por causa deles.
- Sim. - Concordam os cavaleiros.
- Quatro anos de luta! - Espanta-se Dragus, olhando para trás mais uma vez.
- E é apenas o começo. - Diz Ninguém, montado em seu corcel negro ignusrante.
- Sim.

E os cavaleiros seguem suas lutas pessoais. Sempre juntos. Aonde daria? Isso é outra história...
Leia o Restante.

Posso não ser um polvo...

.. Mas faço boa paella.

Eis as previsões:

- Alguém vai lembrar a Marina que ela não aguentou a pressão quando ministra e fugiu;
- Alguém vai lembrar que Dilma foi criminosa;
- Alguém vai cutucar o buraco do Serra (o do metrô, heim);
- Alguém vai perguntar "Quem é Dilma?";
- Alguém vai lembrar das greves da USP e das surras que a PMSP deu nos grevistas;
- Alguém vai criticar o posicionamento pessoal de Marina em relação aos homoafetivos;
- Alguém vai criticar o sucateamento da educação tanto no país quanto no estado de SP;
- Ninguém vai tocar em temas como aborto, porque é um ganha-perde votos tremendo;
- Alguém vai falar de coisas que não sabe e vai parecer que é verdade.

E acertei:

- Alguém vai lembrar a Marina que ela não aguentou a pressão quando ministra e fugiu;
- Alguém vai criticar o sucateamento da educação tanto no país quanto no estado de SP;
- Ninguém vai tocar em temas como aborto, porque é um ganha-perde votos tremendo;
- Alguém vai falar de coisas que não sabe e vai parecer que é verdade.

Além disso, quando disse: "Veja SE entre eles algum tem mais do que um plano de mídia, se eles dispõe de PLANO DE GOVERNO. Até o momento a única coisa que foi trocada entre os candidatos foram acusações.", infelizmente ficou comprovado que eles só tem plano de mídia.

Como disse no Twitter, apesar de uma EXCELENTE infraestrutura da Band e uma organização IMPECÁVEL os atores do debate comprovaram mais uma vez a carência política brasileira.

Não temos um equivalente a Obama, sequer arremedo de Bush... Temos como opção apenas restolhos políticos sem nenhum carisma. Se o Serra falando parece um psicopata a Dilma respondendo parecia um 386 com Windows Vista instalado. Enquanto isso a Marina parecia vítima de escola infantil e o Plínio Arruda o tradicional comunista que repete o discurso de Fidel e mal consegue caminhar sem andador.

O debate se resumiu ao que foi o Brasil X Portugal da copa: jogo de comadres. O melhor questionamento do Plínio foi equivalente a um bom dia de Brizola gripado.

Não há uma via independente até o momento. Os quatro melhores colocados das pesquisas fizeram as piores colocações possíveis e perderam TEMPO. Tanto deles, quanto de quem trocou o futebol pelo debate.

Sim, não bastasse candidatos ruins, ainda marcam no mesmo dia do Futebol. E depois a imprensa quer negar que manipula eleições...

Estamos perdidos.
Leia o Restante.

Teoria do sucesso em pequenas empresas.


Vou falar de mundo real (?) agora.

Ano passado fui dono de uma empresa. Peguei ela em um estado X de faturamento e consegui passar adiante com faturamento 2x. Muito para apenas oito meses administrando. Atualmente sou administrador de uma sede da UFRJ. Não existia uma política administrativa onde estou, existia apenas o método do tapa-buraco.

Ainda estou engatinhando, afinal de contas, sou uma formiga contra o incêndio, mas vou tentando. Quando técnico, assumi empresas que estavam a beira do caos de TI e consegui minimizar esses problemas. Não resolvi (até porque a solução correta em TI é cara ou tida como "inútil" por alguns empresários quando avaliam custo-benefício imediato).

Não sei se é dedo verde para administração ou sorte. Acredito mais na segunda, com uma salpicada de muito esforço. Mas existem algumas experiências que considero injusto não compartilhar num universo em que desde a aprovação da regulamentação do micro-empreendedor individual se expandiu muito.


Aspectos importantes para obter o sucesso:
Existem diversos livros que abordam o tema. Sem no entanto querer citar um ou outro, prefiro listar alguns desses aspectos com a minha visão. Até porque o material didático utilizado em geral baseia-se na experiência estrangeira, logo, não inclui o fator tupiniquim de gerir as coisas. E existe uma diferença ENORME entre ser dono de pequena empresa e ser diretor ou gestor de uma enorme.

Seguem abaixo os tópicos que julgo serem interessantes citar, se você, leitor, tiver algum outro ponto sinta-se livre para deixar nos comentários, havendo como até os incluirei (com créditos, óbvio).

Sacrifício:
Vida pessoal, amigos, família, sexo? Esquece. Você quando assume uma empresa, ainda mais pequena, você é o contador, o fiscal, o faxineiro, o manobrista, o carregador, o encarregador e dependendo do desespero até o faz tudo. No início a batalha é árdua e como numa guerra você vai deixar algumas coisas para trás, mas relembrando delas a cada batalha vencida.

Atendimento:
Atendimento é tudo. Se você tem uma empresa, você tem um cliente. E se tiver funcionários, ele também é cliente. Trate bem sem olhar a quem. Mesmo que seja um completo filho-da-puta e você queira matá-lo com o olhar, respire fundo, tente relaxar ao máximo e sorria. Já conquistei clientes assim. Mas se sentir que não vale a pena, não tenha receio de perder esse cliente. Cliente-problema-sem-solução só vai desestimular ainda mais, a não ser que ele pague suas contas TODAS. Pense como parte do sacrifício.

Qualidade do serviço:
Não adianta nada sorrir e o cliente encarar seu serviço como uma porcaria (e até você considerar assim). Especialize-se ou a sua empresa. Forneça um serviço que faça o cliente querer voltar por mais. Cliente que só fica pelo atendimento só fica por pena, não pela empresa. Se for atendido melhor em outro lugar ele vai embora sem dar tchau.

Capital:
Nunca gaste mais do que tem. Nunca gaste menos do que tem. Não tire lucros. Lucro é uma ENORME ilusão. É o lucro de hoje que paga o prejuízo de amanhã. Não perca o controle do fluxo de caixa, do que entra, do que sai. Não confie completamente em ninguém para fazer as SUAS contas, porque não será essa pessoa no final das contas que terá que arcar com os prejuízos. Mantenha sempre um dinheiro reservado para problemas. SEMPRE existem problemas, e em empresas TODOS envolvem dinheiro.

Conhecimento:
Tenha domínio daquilo que faz. Não dependa do conhecimento alheio, porque ele induz a relação de dependência e no dia que um lado roer a corda a casa cai. E mais do que isso: conhecimento não se resume somente a conhecer o produto, o concorrente, o cliente, etc. Saia da empresa, socialize-se com todos a sua volta. Trate bem tanto o dono da sapataria quanto o camelô que grita na sua frente.

Do mesmo jeito que na vida NUNCA sabemos quando vamos precisar de ajuda e ser mal falado pela vizinhança apenas fecha portas. E não tenha um bom relacionamento esperando algo em troca, só não ter problemas já é uma ENORME vantagem. Já escapei de muitos problemas só de dar bom dia a todos por perto. E conhecimento também inclui, por exemplo, saber quando vai entrar dinheiro no ano e quando vai se perder, coisa que só se obtém com o passar dos meses/anos, dependendo do seu segmento.

Objetividade:
Não adianta dizer que vende frutas e ter carne-seca na sua feira. A não ser que seu objetivo seja abraçar o mundo comercial com as pernas você não pode fugir do objetivo. Quando você abre uma empresa você diz qual é a função básica e quais são segmentos secundários. E só. Foque naquilo em que você é bom, não naquilo que deseja fazer para aprender.

O mundo dos negócios está cheio de empresas que experimentam e que ficam só nisso. Se o cliente não souber o que encontrar quando for na sua loja ou te chamar, ele não vai repetir o erro. Salvo raras exceções, em geral ninguém gosta de encarar o desconhecido ou o instável. A não ser que ESSAS sejam seu objetivo. Tenha uma missão clara, e agarre-se nela como Moisés agarrou-se aos mandamentos.

Público-Alvo:
Qual seu público alvo. Para quem você quer vender, e porque? Sério, muita gente abre empresa pensando em atender pessoa X ou Y apenas pelo fator "grana" ou "moda". Se você vai para o mundo dos negócios sem saber porque determinado segmento/nicho de público é seu alvo, você vai falhar. Se o público-alvo não se identifica com a empresa que o atende, ele vai embora para outra. E se você não souber como é seu público alvo, você não vai perceber, por exemplo, a hora de mudar para minimizar esse efeito.

Sorte.
Sem sorte nada anda. Nada. É um dos fatores fundamentais. Competência é bom para lidar com os problemas que surgem, mas a sorte é aquele tempero a mais da vida que impede as grandes merdas de chegarem no seu precioso traseiro empresarial. Como eu, que em ano de crise internacional consegui lucrar em 2009 (mesmo com uma série de problemas).


Enfim, acredito que levando em consideração esses pontos (e outros, porque cada realidade é independente da outra) talvez ajude um pouco alguém que esteja com dificuldades em gerir sua empresa ou mesmo querendo arriscar-se no meio empresarial.

E, lembre-se, por menor que seja sua empresa, ela sempre será a maior do mundo para alguém: você.

Tenha sempre isso em mente.
Leia o Restante.

Previsões para a Rinha de Galos.


Para quem não sabe, amanhã, dia 05 de Agosto de 2010, uma quinta-feira quatro dos candidatos a presidência vão ser colocados em uma rinha da Rede Bandeirantes de Televisão.

Estarão na rinha Dilma, Marina, Plinio e Serra (ordem alfabética), todos ansiosos para trocar ofensas cientes de que no Brasil a população não quer ver propostas, mas sim palavrões e barracos.

Alguns "fatos efadonhos" que serão tema do debate:
- Alguém vai lembrar a Marina que ela não aguentou a pressão quando ministra e fugiu;
- Alguém vai lembrar que Dilma foi criminosa;
- Alguém vai cutucar o buraco do Serra (o do metrô, heim);
- Alguém vai perguntar "Quem é Dilma?";
- Alguém vai lembrar das greves da USP e das surras que a PMSP deu nos grevistas;
- Alguém vai criticar o posicionamento pessoal de Marina em relação aos homoafetivos;
- Alguém vai criticar o sucateamento da educação tanto no país quanto no estado de SP;
- Ninguém vai tocar em temas como aborto, porque é um ganha-perde votos tremendo;
- Alguém vai falar de coisas que não sabe e vai parecer que é verdade.

Mude você essa realidade. Não leve em consideração nenhuma ofensa que qualquer um fizer ou algum dos pontos acima. Se você assistir só pela pancadaria vai PERDER a oportunidade de ver se EXISTE alguma opção.

Avalie OPORTUNIDADES, avalie as PROPOSTAS, avalie o COMPORTAMENTO. Veja SE entre eles algum tem mais do que um plano de mídia, se eles dispõe de PLANO DE GOVERNO. Até o momento a única coisa que foi trocada entre os candidatos foram acusações. Não discutiram nada de importante para a nação e até alguns fizeram declarações com as quais terão que arcar se eleitos (como ofender países da américa latina acusando-os sem prova de serem narcotraficantes... algo muito sério).

Eu, mesmo optando pelo voto nulo, não posso me privar de ASSISTIR. Porque uma coisa é optar por votar nulo por convicção após constatação política (meu caso, que perdi a fé na política), outra muito diferente é votar nulo por preguiça, só pra poder ir para a praia mais cedo ou tomar a cervejinha do dia depois de fuder com a nação.

Não sejamos imbecis... Não dessa vez.

Debate entre presidenciáveis:
BAND, 22hs, Quinta-Feira - 05/08/2010.

Leia o Restante.

Pelo direito da abstenção.

Esse ano vou abster meu voto.

Simples assim, que nem digitar 00 na urna eletrônica e sair com a consciência tranqüila sabendo que não colaborei na eleição de um "menos ruim" na falta de bons.

Nos primórdios desse portal, 2007, quando ainda engatinhava nos corredores sem fim (e sentido) da blogosfera, fiz um artigo sobre a democracia brasileira. Por incrível que pareça esse artigo fez três anos.

Hoje, enquanto transitava até meu trabalho, me deparei com a propaganda eleitoral de um elemento cuja candidatura até semanas atrás estava impugnada (segundo a imprensa), famoso por ser o "coroné" de Campos, e o qual não cito o nome por saber que nesse período de ditadura (fica para outro artigo) não quero ser eu o queimado na fogueira dos processos das vaidades.

Daí veio minha constatação.

Não existem candidatos que vejo até o momento que amparem meus anseios morais, não consigo aceitar nosso modelo democrático onde vou enfiar um qualquer no poder e passarei quatro anos (no mínimo, se for senador são oito anos) me lamentando de minhas escolhas. Não sou o tipo de pessoa que se perdoa por errar, imagina então votar?

Votar é como assinar um cheque em branco, mas ao invés de unidades monetárias, o que está em jogo são vidas humanas. Quando você vota é moralmente RESPONSÁVEL por tudo que o seu escolhido fizer. E pelo que não fizer idem.

É uma responsabilidade ENORME para ser tratada como é tratada.

Isso me remete ao meu passado. Quando era mais novo e recebi um documento para assinar onde nele exigia um compromisso com o qual não me considerei apto, que o diga capaz, de honrar. O que fiz? Não assinei. A reação de espanto das pessoas em minha volta foi grande, porque infelizmente "é hábito no Brasil assumir responsabilidade sem honrá-las". Algo que me disseram, não que eu tenha concluído. É certo ser errado e é errado ser certo. Sou errado então.

Do mesmo modo lido com o voto.

Enumero dentre eles os motivos pelos quais anulo meu voto:
1. Sou obrigado a votar e não concordo. Ao escolher alguém - só por isso - estarei sendo hipócrita comigo mesmo;
2. Não sou apolitizado, sei que não existe político santo, mas entre escolher o menos pior ao pior prefiro não escolher;
3. Falta um mecanismo que permita ao povo fazer mais do que apenas sentar o dedo de quatro em quatro anos, mas de REMOVER aquele considerado inapto. Ou ao menos um compromisso legal do candidato ser OBRIGADO a seguir o plano de mandato ou ser expurgado dele como um cravo dolorido (pior do que impedir a merda de chegar ao rabo é ser impedido de limpá-la quando esta surge sem avisar);
4. Não acredito na nossa classe política, já me decepcionei muito. Se um dia houver uma revolução diferente da de 1964, como disse Cazuza, quem sabe... Agora não;
5. Prezo demais a liberdade individual para sacrificar o pouco que resta da minha proibindo-me de abster-me porque maior que a obrigação de se deslocar para votar existe uma pressão para ter que escolher.

Parafraseando Pôncio Pilatos, Ecce hommo.

Que aqueles que querem escolher Barrabás que escolham Barrabás. Não vejo motivo para crucificar cristo (o povo) ao escolher Barrabás.

E que cada um arque com suas conseqüências.

Leia o Restante.

Dez mil é pouco... Um mil então...




Artigo irônico, só para avisar. E dependendo de quem ler, até cruel. Mas aqui não tem papas na língua.

Durante o final de semana em uma situação típica de filmes de humor negro a colisão de três elementos completamente errados culminaram em uma vítima fatal, um assassino confesso e na participação de dois burros. Não vou me alongar comentando a espetacularização seguida de evangelização do morto e (enoja-me de pior modo) do assassino, porque isso já foi muito bem feito pelo Arthurius em seu portal (não leu? veja aqui). É chover no molhado, como diziam os antigos.

Vou falar da burrice de alguns envolvidos.

Sou adepto daquela velha frase "não sabe brincar, não desce pro play". Se você, seja policial ou não, quer ser corrupto na falta de conseguir o sucesso honestamente saiba que não é fácil ser corrupto em país de malandros. E para piorar, ainda falha absurdamente em fazer a coisa errada. Isso só alimenta ainda mais a minha convicção de que quando o bandido é burro não merece apenas uma pena criminal. Merece duas.

Uma pela corrupção, e a outra pena pela capacidade de fazer tudo errado do jeito errado e no momento errado, e tudo isso por nada (ou quase). Essa maior.

"Eu posso ser maluco, mas burro não sou!"
(Louco)


Por modestos (pra não dizer míseros) mil reais os policiais vão ter que gastar muito mais que isso para conseguirem minimizar os danos legais da encrenca em que se envolveram. Para piorar a imprensa carioca está NITIDAMENTE favorecendo o assassino e fazendo dos policiais os únicos culpados, ou seja, mesmo que sofram exoneração e passem umas férias na cadeia fazendo pós-graduação em bandidagem, a m... já está feita.

A vida deles sempre será marcada pela burrice que cometeram, sempre existirá alguém para lembrá-los e apontá-los. Afinal de contas, qualquer pessoa com mais de um neurônio (ou dois, se um deles se chama tico) sabe que o mundo só lembra de nossas falhas, ainda mais no Brasil onde o resultado é mais importante que o meio. E nesse caso os policiais erraram em TUDO.

Querer dinheiro quando o veículo está com sinais claros de que sofreu acidente com vítima em plena zona sul do Rio de Janeiro é no mínimo prova de estupidez. Se um carro em áreas nobres de uma cidade transita com marcas de sangue e amassados é porque algo de MUITO GRAVE ele fez. E se fez onde fez, no mínimo as MILHARES de câmeras de segurança que sempre existem nessas regiões filmaram em algum momento. E nas áreas nobres o risco de atropelar alguém com mais azul no sangue do que caneta BIC é ENORME. Logo...



(Entendam, um policial faz CURSO nessa área, a não ser que tenha DORMIDO nas aulas do curso da polícia ou não converse com colegas de trabalho, ele SABE POR OBRIGAÇÃO disso)

Não adianta fazer concurso, estudar no curso da PM, ser goleiro do flamengo, ou ser guiado por feras da bandidagem como os que praticaram chacinas no Rio de Janeiro. Com pérolas como essas não serve nem para tentar comer sorvete pela testa.

Desiste e pede pra sair antes que sua burrice vire motivo de piada... Ops!

(não vou nem comentar sobre andar num túnel interditado de skate na madrugada e as circunstâncias que fizeram não escutar o ronco do motor ecoando, esse já foi pago com a vida)

Fonte da imagem: aqui.
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Relação de trabalho e o serviço público estatutário.


Essa é dedicada pra você que pensa em fazer concurso para servidor estatutário para a área de educação e acha que vai ser uma maravilha, um desabafo a respeito de como algumas coisas funcionam e o que tenho visto nesses meses. Em tempo, esse artigo contém palavrões.

Não é apenas relato de situações que vivencio, mas também de coisas que vejo.

Vamos começar pelo básico, apesar de a emenda constitucional nº 45 ter inserido entre as atribuições da justiça do trabalho o direito de um servidor usá-la para dirimir sobre questões trabalhistas, o entendimento do STF é que o servidor estatutário apesar de ser trabalhador não tem direito a justiça do trabalho.

Soa como uma piada de filme de terror, ainda mais depois de ter ido ao congresso do SINTUFRJ no mês passado e escutar das palavras de um representante da CUT que "somos todos trabalhadores". Oras, se todos são trabalhadores, porque o servidor estatutário não tem direitos iguais? Por acaso a má fama causada por alguns imbecis é justificativa para que joguem-se no mesmo cesto maças velhas e podres ao lado das novas ainda não consumidas pelo sistema?

Vou exemplificar com meu caso. Sou servidor em educação, Admnistrador de Edifícios, classe C, cuja remuneração é de 1264,99. Se eu sofrer assédio moral (ainda não sofri, mas tentaram) no trabalho terei que contratar um advogado e ir para brasília porque qualquer problema de relação de trabalho só pode ser resolvido pelos tribunais federais porque minha instituição é federal. Do mesmo modo se eu quiser reclamar das condições de trabalho (cadeiras irregulares, monitores com problemas, ar condicionados mofados, etc) quando minha própria direção não resolve tenho que torrar dinheiro. Ou abaixar a cabeça e aceitar. Ou, a mais utilizada hoje em dia: fazer concurso melhor.

Outra coisa que inexiste no serviço público estatutário: ascenção. Existe o clero, os nobres e a plebe. Você não muda jamais, sempre será plebe e mesmo que seja chamado para algum cargo comissionado (o que considero um erro, diga-se de passagem) é e sempre será o plebeu, ainda que fantasiado com roupas de nobreza ou clero.


Só sabe o quão humilhante isso é quando se escuta a seguinte frase: você fez concurso para isso, e será sempre isso.

Não existe nenhum incentivo para aqueles que querem contribuir ou que contribuem, apenas lambe-saco consegue algo. Vejo apenas quem trabalha sendo explorado como laranja no espremedor e aqueles que se transformaram no padrão-brasilis, sentados sem mover as bundas nem para colocar um computador na tomada.

O único estímulo que existe é o: se está insatisfeito faça outro concurso. Isso resolve a condição pessoal, porque farei outro concurso e mandarei esse as favas, fato. Solucionarei meu problema fudendo a nação, simples assim que nem um tchau. O que incomoda é ver que isso, em pleno século vinte e um, seja tido como solução quando na verdade é um enorme erro. E não falo isso apenas por mim, todos os novos concursados que entraram em 2010 com menos de 30 anos de idade já estão de saída visando outros concursos melhores ou condições de trabalho melhores.

Concurso na área de educação para atividade meio é considerado "trampolim" entre quem faz concurso hoje em dia, não como destino. Além de receber menos em comparação a carreiras de mesma exigência, você ainda tem condições de crescimento ou simplesmente local de trabalho (salvo se sua personalidade for de "um bolha", aí será um fracasso até pra vender picolé na praia em dia quente de verão).

Daí o que acontece? As pessoas dizem, com razão, que nada funciona no serviço público, e digo mais: nem vai.

É que nem ocorre com o telemarketing. A pessoa recebe mal, sofre com condições de trabalho odiosas (operador de telemarketing não tem sala, tem curral), não tem preparo das empresas (tem que dar solução a clientes sem nem sequer conhecer as soluções ou ter autonomia para tal), e é descartado na primeira gripe que pega devido as condições de trabalho e no mercado privado é considerado o trampolim de quem vai começar a trabalhar. Isso gera alta rotatividade, ou o que chamam de "turnover" (americanismo é horrível, eu sei).

Alta rotatividade em uma empresa privada já não é bom sinal, (pelo contrário, é sinal de péssima gestão e altíssimo descaso com cliente e funcionário) no serviço público é pior ainda, porque premia os que estão em posição de conforto.

Não tem como ter qualidade sem comprometimento, e comprometimento inclui obrigatoriamente por parte das chefias consciência de que além de dinheiro no bolso o funcionário que muito mais querer voltar no dia seguinte. Funcionário que se sente estimulado atende melhor ao público. Desestimulado se transforma em simplesmente um bebê, mamando nas tetas da fonte pagadora sem produzir nada mais do que o ocaso.

Mas a verdade é que não tem solução.

Como disse no início do artigo, estive no congresso do sindicato de funcionários da UFRJ, e quando tentei colocar a semente de políticas de estímulo a permanência de novos concursados (que mal entram já saem) o que vi foi uma enorme resistência. Se nem mesmo aqueles que deveriam defender o interesse de funcionários estão preocupados, porque deveriam os funcionários se importarem?

Pior do que o mal que vem de fora é o mal que vem de dentro. E quando pessoas como o Arthurius cometam sobre o hábito público de empurrar com a barriga, daí fica a questão: como discordar?

Mas isso vai mudar, em 2014 a maior parte desse pessoal estará aposentado por tempo de serviço. Mas também até 2014 a maior parte dos novos concursados - esses dispostos ainda a trabalhar, salvo visionários e relapsos. - também estarão fora. Esse é o futuro da educação federal.

E eu tenho medo do futuro.
Leia o Restante.

Análise rápida de candidatos a eleição 2010.

Hoje, quebrando um longo silêncio diga-se de passagem, vou tratar apenas dos candidatos que sei, outros que por ventura surjam farei em artigo posterior.

Sigo ordem alfabética, não de pesquisas.

De modo algum quero que sigam meu pensamento, pois é o de quem não tem mais esperanças. Queria mesmo é quebrar a cara e ver algo bom acontecer, mas está muito difícil isso... Pra não dizer que é quase uma missão impossível. E desse filme o Tom Cruise não participa.




Dilma, PT.
Quem é Dilma? O que é Dilma? A única coisa líquida e certa a respeito dela é que Lula indica. E só. De resto quando penso - sem fazer pesquisas. - vem coisas como currículo com exageros, algumas pessoas que reclamam dela ser autoritária (procuro mulher/homem que não seja com o poder sem responsabilidade). Soube que era militante de braço armado do combate a ditadura, o que não a torna menos importante que Caetanos e Gils que tem nas suas biografias uma luta pela pena (uma arma muito mais genocida que um revólver).

Por falta de informações, faltam parágrafos. Provavelmente faltará meu voto.





Marina Silva, PV.
Ex-Ministra do meio ambiente do governo Lula. Deixou um legado de desmatamento e saiu com o rabo entre as pernas incapaz de gerir a pasta ministerial, alegando que foi abandonada pelo Lula. Se foi, problema dela. Que ao invés de sair pelas portas dos fundos que fizesse coletivas e forçasse a situação a seu favor, em política não vence só quem rouba mais, vence também quem tem melhor assessoria de imprensa. O que fará se eleita e se perder o apoio popular? Renunciará para que a Natura (representa apenas o pecado favorito do capeta: a vaidade).

Sem esquecer que ela é militante contra direitos homossexuais, por questões religiosas e morais. E a própria religião prega o uso da natureza pelo homem, porque "assim deus quis"., logo é no mínimo irônica esperar que uma pessoa religiosa tenha compromissos com algo que deus criou para nos servir. Entretanto, diz que se eleita vai separar seus posicionamentos religiosos da política. Quem separa posicionamento religioso de política também pode fazer o mesmo com a ética pessoal.

Enfim, prefiro anular meu voto que matar o estado laico. Se quiser religioso controlando meus passos, prefiro que o religioso seja adepto do islã, ao menos lá eu sei o que acontece com quem rouba.



Plínio Arruda, PSOL.
Não me incomoda sua história política, mas sua postura como candidato a presidente. É um bom homem até que se prove o contrário, mas falta proposta. O papo de "reforma agrária", "adeus FMI" e outras coisas mais não colam. Ir contra a roda do mundo em 2010 só nos fará ser atropelado. Ninguém ganha nada no grito e não vai ser falando um discurso que colaria na URSS de 1920, na geração Ipod soa mais como piada, quanto não mais como ofensa a um povo que apesar dos BBBs hoje em dia por causa da internet já não acredita em história da carochinha ou do capitalista malvado (ele existe, mas está com dor depois das crises econômicas sucessivas).

Quem sabe com os programas se torne opção na falta de. O problema também é biológico, teria ele condições de seguir vivo (em 2016 ele teria 86 anos de idade) por todo o primeiro mandato ou estamos na verdade elegendo o vice? Não precisamos de um novo Sarney.




José Serra, PSDB.
Carece de simpatia, centralizador e gosta de conspiração. Foi o que li em diversas revistas e o que vejo. Apesar de se alegar experiente, nunca concluiu nenhum mandato. Sempre saiu pelas beiradas deixando legados desastrosos para seus sucessores. Saiu da prefeitura de São Paulo para ser Governador e no primeiro mês como governador a terra engoliu casas em uma obra não fiscalizada do metrô. Ele foi visitar as vítimas? Nem soube. Saiu do governo de São Paulo para se candidatar presidente e deixou a USP e a Unicamp com problemas graves financeiros e com falta de pessoal. E as enchentes em São Paulo? Onde ele estava? Nem eu sabia ou soube até hoje.

CPMF? Foi um de seus criadores quando ministro do Orçamento em 1996. Por sinal, se Lula inflou a máquina pública com cargos comissionados, Serra inflou com empresas terceirizadas sem licitação por falta de concursos (que ele era da pasta obrigada a autorizar), só quem viveu a "Era Fernando" como usuário/parte do serviço público sabe o quão humilhante foi essa época.

E quando ministro da saúde usufruiu dos recursos desse imposto. Viu alguma melhoria? Nem eu. Nem com ele, nem com Lula e nem com qualquer outro no poder, diga-se de passagem. Sem contar que se Aécio Neves se recusou a ser seu Vice, mesmo sendo do mesmo partido, é no mínimo sinal de que há algo errado. Se o PSDB internamente não compra o "bagulho" do seu candidato, porque nós, enquanto eleitores teremos que pagar esse preço?

Esse é lado o ruim de ter passado. Nem sempre vale a pena lembrar dele.



Pelas minhas análises, dá para ver muito bem qual será minha opção de voto em 2010...

* Dragus não citou ou usou fontes porque fez questão de (tentar) lembrar das coisas. Se errou em algo, corrijam. Se quiserem acrescentar, idem.
Leia o Restante.

Quando o desespero te torna ridículo.

Mulher: algo que aparentemente o presidente do PSDB não gosta.


Lendo alguns links que me mandam diariamente pelo twitter me deparei hoje com uma notícia que considerei no mínimo absurda, vejam o título da mesma: "PSDB pede proibição de música do Ultraje a Rigor por causa da expressão 'mulher pra presidente' ".

A música em questão é a famosa "Eu gosto é de mulher", escrita pelo vocalista e guitarrista Roger, e lançada no álbum "Sexo" de 1987. Para quem ainda não conhece, vai a dita cuja:



Agora a letra:

Vou te contar o que me faz andar
Se não é por mulher não saio nem do lugar
Eu já não tento nem disfarçar
Que tudo que eu me meto é só pra impressionar

Mulher de corpo inteiro
Não fosse por mulher eu nem era roqueiro
Mulher que se atrasa, mulher que vai na frente
Mulher dona-de-casa, mulher pra presidente

Mulher de qualquer jeito
Você sabe que eu adoro um peito
Peito pra dar de mamar
E peito só pra enfeitar

Mulher faz bem pra vista
Tanto faz se ela é machista ou se é feminista
'Cê pode achar que é um pouco de exagero
Mas eu sei lá, nem quero saber,
eu gosto de mulher, eu gosto de mulher
eu gosto de mulher

Ooo ooo ooo oo
Eu gosto é de mulher!
Ooo ooo ooo oo
Eu gosto é de mulher!
Ooo ooo ooo oo
Eu gosto é de mulher!
Ooo ooo ooo oo
Eu gosto é de mulher!
Ooo ooo ooo oo
Eu gosto é de mulher!

Nem quero que você me leve a mal
Eu sei que hoje em dia isso nem é normal

Eu sou assim meio atrasadão
Conservador, reacionário e caretão

Pra quê ser diferente
Se eu fico sem mulher eu fico até doente
Mulher que lava roupa, mulher que guia carro
Mulher que tira a roupa, mulher pra tirar sarro

Mulher eu já provei
Eu sei que é bom demais, agora o resto eu não sei
Sei que eu não vou mudar
Sei que eu não vou nem tentar

Desculpe esse meu defeito
Eu juro que não é bem preconceito
Eu tenho amigo homem, eu tenho amigo gay
Olha eu sei lá, eu sei que eu não sei,
Eu gosto é de mulher Eu gosto é de mulher

[Refrão]

Eu adoro mulher!
Eu não durmo sem mulher!

Como puderam observar é uma letra comum típica do rock irreverente feito pelo Ultraje a Rigor. Agora me digam, onde há qualquer tipo de propagando partidária nessa música? Devo lembra que ela tem mais de 20 anos de existência? O engraçado e ridículo é ver a que ponto s chega para se tentar ganhar uma eleição, pior do que isso é ver gente querendo censurar obras musicais com desculpas eleitoreiras.

Outra coisa que me chamou a atenção é o fato do PSDB simplesmente ignorar a candidata Marina Siva, que, segundo seu esdruxulo argumento, também estaria sendo beneficiada com tal campanha subliminar através da já referida música.

Atitudes desesperadas e ridículas a parte, esse é um mais um pequeno aperitivo do que virá na campanha eleitoral desse ano. Enquanto isso nós apenas observamos e rimos das palhaçadas e absurdos que os partidos são capazes de fazer para angariar nossos votos.

Segue o link com a notícia completa:
Fonte
Leia o Restante.

Forjando Um Guerreiro - Aço e Fornalha - Terceira Parte

Brasa Ardente - Parte 2


Enquanto aguardava Hatsu terminar seus afazeres como ferreiro Ignus aproveitava para esvaziar a mente e relaxar a tensão contemplando o céu, mas as reflexões sobre seus temores e traumas não permitiam que descansasse completamente. Por mais que tentasse não conseguia pensar em nada que temesse, desde que conseguiu sua vingança contra seu pai sentia-se plenamente livre e desde então nada o limitava.

Seu único trauma era ter sido rejeitado por tudo e por todos e ser tratado como um inferior sempre, mas isso também havia superado quando matou seu pai. Ignus não sabia o que poderia ser essa limitação que Hatsu disse, entretanto, não conseguia encontrar sequer uma pista do que poderia ser.


Mesmo absorto em seus pensamentos um som vindo de dentro da casa do ferreiro lhe chamou a atenção, pois esta estava vazia, já que seu dono estava na oficina. Assim que pôs o primeiro pé dentro da casa se deparou com uma figura conhecida, trajando uma calça de boca extremamente larga e folgada e uma camisa de mangas largas, além do estranho chapéu cônico, era Schneider.

– O que faz aqui? – Questionou Schneider visivelmente surpreso pelo seu tom de voz.

Ignus mal teve tempo de responder ou mesmo reagir, com a típica velocidade Schneider o golpeou jogando-o para o meio do quintal e saltando em direção a ele logo em seguida, mas Ignus prontamente rolou para fora do seu alcance assim que viu a investida de seu oponente.

Agora de pé novamente e olhando rapidamente seu adversário viu que Schneider, ao contrário dele, estava desarmado. Aproveitando-se dessa desvantagem Ignus rapidamente começou a desembainhar sua espada para golpeá-lo, mas Schneider era muito mais veloz do que Ignus e com um chute impediu-o de desferir o golpe, atingindo a mão que segurava a arma.

Perplexo com a rapidez e a força de Schneider Ignus não conseguiu esquivar do chute que Schneider desferiu usando a própria mão de Ignus como apoio e tomando impulso com a outra perna, a mesma que usou para golpeá-lo.

Quando preparava o próximo golpe e Ignus tentava um contra-ataque, ambos foram impedidos por Hatsu que com sua potente voz ordenou que parassem.

– O que pensam que estão fazendo? – Vociferou Hatsu.
– Ele estava... – Começou Ignus.
– Sabe quem é... – Disse Schneider quase ao mesmo tempo.
– Calem-se! – Ordenou o ferreiro interrompendo ambos. – Onde estão seus modos, Schneider, ele é um convidado meu. E quanto a você – disse olhando para Ignus – Ataca todo aquele em que vê pela frente assim?
– Sua casa estava vazia, então ouvi um ruído e quando fui ver lá estava ele, pensei que fosse um invasor...
– Pensou errado. – Interrompeu Hatsu visivelmente irritado. – E quanto a você? – Perguntou a Schneider.
– Sabe quem ele é, mestre? – Questionou Schneider.
– Ignus, Emissário do Deus da Guerra. E só por isso atacou-o deliberadamente?

Mestre? Aquele ferreiro era mestre de Schneider, Ignus se questionava, mas em meio a confusão daquela afirmação tudo se clareou em sua mente. Agora entendia como aquele velho ferreiro podia ser tão habilidoso, ele na verdade era o lendário mestre Hatsunei, do qual já ouvirá falar tantas vezes.

A perplexidade daquela revelação era visível em seu semblante, Ignus ainda parecia não acreditar que estava perante Hatsunei, já que muitos rumores sobre o mesmo diziam que estava morto.


Quando os ânimos se acalmaram os três estavam sentados a volta da pequena mesa na varanda, degustando mais uma xícara de um chá calmante preparado por Hatsunei, para que seus visitantes se acalmassem um pouco.

Questionado por Ignus pela sua identidade real, ele confessou ser Hatsunei, mas preferia não alardear quem era para não chamar a atenção, pois segundo ele eram muitos os que o procuravam buscando ensinamentos e mesmo o desafiando para tentarem se mostrar mais fortes que ele.

A identidade de um velho e habilidoso ferreiro, apesar de um pouco óbvia não lhe chamava nenhuma atenção e garantia seu anonimato, mesmo usando parte de seu nome, muitos não faziam idéia de que isso não passava de um mero embuste. Até aqueles que de alguma forma desconfiavam eram logos encorajados a não crer em tal coisa pelo próprio, dizendo que se ele fosse o famoso e lendário mestre, o que fazia em um pequeno vilarejo trabalhando como um simples ferreiro.

Após revelar seu disfarce, Hatsunei quis saber como seu antigo pupilo e seu novo e temporário aluno se conheciam. Ignus contou-lhe da vez em que montava guarda e se deparou com Schneider que se preparava para fugir do castelo, falou também seu segundo encontro pouco tempo depois, quando também foi derrotado por ele. Schneider apenas confirmou, mas disse embora tivesse saído vitorioso das duas vezes Ignus era um oponente valoroso e honrado, diferente de muitos que já havia enfrentado antes.


– Pelo que entendi você também não usou seu shii contra meu antigo discípulo.
– Não seria justo, ele estava apenas lutando com a espada. – Afirmou Ignus.
– Acho que descobri onde está o seu bloqueio. – Disse Hatsunei.
– Não entendo. – Disse Ignus visivelmente confuso.
– Você se prende muito a esse seu senso de “justiça”, não que seja errado, muito pelo contrário, mas é isso que o limita.

Minha doutrina prega: “supere seu oponente onde ele é mais forte”, mas certas vezes temos que transgredir algumas regras para obtermos uma vitória. – Está última frase Hatsunei disse repleto de pesar.

– Mas isso seria desonroso! – Disse Ignus com certa indignação.
– A vida não é justa nem honrada com muitas pessoas, diversas pessoas também não são, mas cabe a você decidir o que é certo de acordo com o momento. Como poderia saber se Schneider tinha capacidade ou não de controlar o shii se apenas viu sua habilidade com uma espada? Entenda, Ignus, não disse que o que fez foi errado, mas a decisão que tomou pesou para a sua derrota, enquanto continuar a agir assim nunca conseguirá dar tudo de si, muito menos de sua arma.

– Então o que devo fazer? – Perguntou Ignus.
– Saber o momento certo onde se deve transgredir suas próprias regras morais.


– Quando quiser.

O ferreiro, ou melhor Hatsunei olhava atentamente para Ignus que estava parado a sua frente, Schneider apenas observava de longe. Ambos estavam imóveis, nem mesmo seus olhos se moviam.

Ao perceber um mínimo movimento na mão do oponente Hatsunei investiu contra ele de forma violenta, Ignus só o notou quando este já estava a meia distância dele, não teve tempo de evitar o golpe dado com o punho da espada dado na altura de seu fígado. Mesmo o golpe sendo muito forte ele conseguiu resistir e revidou em seguida com o soco, mas Hatsunei percebeu o movimento antes dele ser completamente executado, foi para trás de Ignus e antes que este pudesse fazer algo fora arremessado para frente, devido a força de um golpe recebido pelas costas.

Rapidamente o guerreiro conseguiu se recuperar e assim que tocou o chão usou toda a força de suas pernas se impulsionou na direção de seu oponente, Hatsunei bloqueou o golpe dado com a espada no último instante, mas sem muitas dificuldades, apenas expondo uma parte da lâmina de sua arma. Agora estava cara a cara com o guerreiro, ambos medindo forças.

– Quando irá lutar a sério? – Perguntou Hatsunei.
– Sempre dou o máximo de mim. – Respondeu Ignus, afastando o ferreiro.
– Se esse é o seu máximo, fico muito decepcionado.

Após dizer isso o velho mestre olhou nos olhos de Ignus por um instante, como se tentasse ler seus pensamentos através do olhar, pode apenas captar toda a determinação que aquele olhar severo e atento carregava e atacou sem piedade. Com um movimento repentino arremessou a bainha de sua espada contra o guerreiro que rebateu-a para o lado sem muito dificuldade, mas isso era apenas um embuste para distraí-lo, quando percebeu já era tarde demais e Hatsunei já estava desferindo um ataque diagonal perfeito em seu corpo. A força do golpe foi tamanha que além do corte profundo, Ignus fora arremessado alguns metros.

Sem dar tempo de seu pretenso oponente se recuperar o mestre saltou tomando um impulso extraordinário. Assim que atingiu a altura máxima ergueu a espada e desceu violentamente em direção ao guerreiro que ainda se recuperava do golpe anterior. Ignus notou a investida furiosa do velho mestre e pulou para trás evitando ser atingido em cheio pelo ataque, mas a força do mesmo foi tamanha que ao tocar o solo o impacto gerou uma onda de choque que atingiu-o em cheio jogando ainda mais longe.

– Não se surpreenda apenas com isso. – Disse Hatsunei olhando a face incrédula de Ignus que se levantava rapidamente olhando para ele. – Se não usar seu shii, nunca me vencerá.

O Emissário do Deus da Guerra ouviu aquelas palavras como um desafio e mesmo tentado decidiu que não usaria seu shii contra Hatsunei, já que este estava apenas atacando usando técnicas comuns. Tentaria superá-lo também usando apenas técnicas de espada, embora soubesse que seria algo muito mais difícil do que imaginara inicialmente.

Vendo que seu oponente estava hesitando Hatsunei preparou o próximo golpe, pôs a espada para trás como se ela ainda estivesse embainhada, e contorceu todo seu corpo para usar toda a força de impulso que pudesse gerar. Ignus reconheceu a pose e lembrou-se de quando enfrentara Schneider, desta vez não seria surpreendido pelo mesmo golpe. Ele elevou seu shii para que com isso tentasse ver algo de diferente, mas nada viu nem mesmo quando o golpe foi desferido e ao invés de tentar bloqueá-lo apenas saltou para evitar ser atingido. Porém enquanto ainda ascendia sentiu sua perna ser atingida violentamente e foi derrubado, quando olhou para a perna viu o talho na calça e o sangue escorrendo do corte.

– Pelo visto já viu esse ataque antes, provavelmente executado por meu ex pupilo, Schneider, mas como viu, minha velocidade não é a mesma que a dele. – Disse Hatsunei olhando severamente para Ignus.
– Apesar de poder estar muito tempo parado a sombra da identidade de um velho ferreiro, sua habilidade é impressionante. – Elogiou Ignus com sinceridade.
– Se acha que palavras doces me farão poupá-lo, está engano, rapaz.
– Ótimo!

Mesmo sendo derrotado Ignus parecia estar ficando mais empolgado, havia tempo não encontrava algum adversário ou desafio que não tinha certeza se conseguiria superar.

Levantando-se de um salto pôs-se em posição ataque e correu velozmente em direção a Hatsunei, o velho mestre imediatamente armou a posição de defesa, satisfeito em ver que seu oponente estava decidido a continuar o combate em pé de igualdade. Quando estava frente a frente com o ferreiro Ignus saltou para o lado, repetiu o salto outra vez logo que seu pé de apoio tocou o solo, com esses dois simples e rápidos movimentos ele já estava atrás do ferreiro e golpeou-o com toda a força que foi capaz de reunir naquele momento. Porém mais rápida foi a reação de Hatsunei que logo notou a ação de Ignus, girou na direção oposta rápido o suficiente para bloquear o golpe.

Impressionado com a força e a velocidade do velho mestre, Ignus permaneceu imóvel por alguns instantes, mas assim que recobrou sua atenção seus olhos se voltaram para as espadas que estavam igualmente imóveis. Viu claramente que havia uma fissura na espada de seu oponente, isso o animou, então fez um movimento rápido forçando Hatsunei a girar sua espada e empurrou-a com força para tentar desarmá-lo, mas a última parte da ação não foi bem sucedida.

Agindo rapidamente Ignus atacou novamente, desta vez com um corte frontal, não muito veloz, porém forte o suficiente para aumentar a ferida na lâmina, assim que se chocasse contra ela. O plano dera certo, Hatsunei defendeu o golpe sem muita dificuldade, mas o que Ignus não fora capaz de prever é que ao mesmo tempo em que defendia o golpe de seu oponente, o ferreiro preparava um contra golpe e assim que as lâmina se chocaram o guerreiro foi atingido por dois chutes seguidos, um atingindo suas genitálias e o outro em sua abdome empurrando-o para trás e fazendo-o cair de forma cômica.

Até mesmo Schneider que observava seriamente o combate não segurou o riso ao ver a cena.

– Dificilmente um homem suporta a dor de um golpe em sua virilha. – disse Hatsunei olhando para Ignus que se levantava aos poucos visivelmente furioso. – Estou impressionado que não esteja se contorcendo como uma lagartixa nem chorando como uma menina.
– Realmente, por isso eu não esperava. – Respondeu Ignus, seu tom de voz demonstrava bem sua profunda irritação.
– Que bom, ao menos não veio choramingar que isso foi desonesto ou covarde da minha parte. O fato de usar uma espada não significa que a usarei sempre. Aprenda isso, todo seu corpo deve trabalhar como uma arma de múltiplas faces, se lutar sempre com as mãos será derrotado por quem sabe usar as pernas, se só usar as pernas perderá para quem usa os braços melhor do que você. Mas se souber usar ambos de forma satisfatória, você será um oponente difícil de ser superado.

Mais uma vez o ferreiro pôs-se em posição de ataque, e pela postura Ignus presumiu que seria uma estocada. Assim que o golpe veio ele apenas se esquivou o suficiente para poder contra atacar. Primeiro golpeou a espada fazendo com que a arma de seu oponente ficasse fora de seu alcance, ao menos por alguns instantes, em seguida, usou o punho da espada para acertar a cabeça de Hatsunei, que contra golpeou com a mesma como uma forma de defesa, já que até mesmo para ele esquivar seria muito difícil. Porém o ataque de Ignus foi mais bem sucedido, fazendo com que o mestre recuasse alguns passos.

– Muito bem, fico feliz quer esteja raciocinando, ao menos um pouco e sendo mais criativo. – Elogiou Hatsunei com sinceridade.

Vendo que seu oponente estava levando o combate mais a sério Hatsunei decidiu testar os limites de Ignus e forçá-lo a usar seu shii. Agora que estava novamente um pouco mais distante dele relaxou seus músculos, para aliviar-lhes a tensão e respirou fundo. O guerreiro vendo a oportunidade aproveitou-a, valendo-se do fato que se aquele fosse um combate entre dois verdadeiros inimigos, seu oponente não o pouparia caso ele fizesse o mesmo.

O ataque desta vez foi visando as pernas do velho mestre, mas Ignus manteve-se atento ao seu rosto e braços, estranhamente Hatsunei permaneceu imóvel até que Ignus estava a pouco centímetros de distância deles, mas no último instante ele hesitou e parou o golpe, isso exigiu-lhe um grande esforço. Assim que olhou para baixo novamente viu que seus instintos haviam lhe ajudado, pois o punho de Hatsunei havia se movido discretamente pondo a lâmina em sua direção. Se tivesse continuado o ataque agora, certamente, estaria com a espada atravessada em seu abdome.

– Velha raposa astuta! – Disse rindo para o ferreiro que esboçou um sorriso cínico em resposta.

Ambos se olharam por mais um breve momento, então Hatsunei saltou por cima de Ignus e tentou golpeá-lo pelas costas enquanto
ainda estava no ar, mas o guerreiro se jogou para frente rolando no chão assim que viu o ferreiro saltar, temendo não ter velocidade suficiente para contra atacar ou defender o golpe. Mas logo que se voltou para seu oponente enquanto levantava, viu que sua espada vinha descrevendo uma trajetória mortal no ar enquanto vinha em sua direção, após ser atirada por Hatsunei. Com habilidade de um mestre Ignus rebateu a espada de seu oponente com a sua, jogando-a no chão, mas tardiamente notou que Hatsunei havia se lançado contra ele, logo atrás da espada, o golpe inicial não passava de um embuste.

Atingido por um poderoso soco em seu tórax Ignus foi arremessado violentamente para trás, só parou quando se chocou contra uma das árvores do jardim, fazendo a mesma chacoalhar bastante derrubando diversas folhas. Sem dar tempo do guerreiro se recuperar Hatsunei correu em direção a ele novamente, pronto para acabar com o combate de um vez, mas rapidamente Ignus conseguiu se recuperar, apesar da forte dor no peito. Com o braço direito bloqueou o primeiro ataque, que veio por cima, o segundo ataque veio por baixo e conseguiu bloqueá-lo com a mesma destreza com o outro braço.

Vendo a oportunidade o guerreiro não hesitou, enquanto o ferreiro estava com a guarda aberta Ignus concentrou rapidamente seu shii e golpeou-o rapidamente, sem dar-lhe chance de esquiva.

– Finalmente decidiu lutar a sério... Bom! – Disse Hatsunei visivelmente satisfeito enquanto se levantava a metros de distância de Ignus.
– Não era exagero quando diziam que era impossível vencer Hatsunei e seus discípulos em combate justo de espadas. Logo, se eu quiser te vencer, não posso me prender ao orgulho e a vaidade e usar tudo que tenho.

Ele sabia que Hatsunei mesmo lutando a sério não estava dando tudo de si, sabia que se quisesse poderia ter acabado o combate com apenas um golpe. Sabia também que quando começasse a dar o máximo de si, o velho ferreiro também elevaria seu nível e o combate se tornaria ainda mais difícil. E isso o dava ainda mais animo para continuar, mesmo sabendo que sua derrota era uma possibilidade bem provável.

Pondo-se novamente em posição de combate Ignus começou a concentrar todo o seu shii para atacar Hatsunei e desarmá-lo, pois acreditava que seria mais fácil enfrentá-lo dessa forma, além de distraí-lo e ter tempo de recuperar sua arma que havia caído no chão depois de ser arremessado pelo golpe de Hatsunei.

O mestre recuperou a espada e a colocou embainhada em sua cintura enquanto aguardava a ação de seu oponente, que não tardou a vir. Ignus disparou contra ele uma pequena quantidade de shii que assumiu um formato oval pouco maior que seu próprio braço, o ataque veio rápido e violento, porém Hatsunei rebateu-o para o lado usando apenas suas mãos.

– Você veio aqui para aprender sobre sua espada, então use-a! – vociferou Hatsunei em tom de comando.
– Preciso consegui-la antes. – Disse Ignus sem tirar desviar o olhar de Hatsunei por um instante sequer.
– Então pegue-a! – Rebateu Hatsunei indicando a espada com a mão, mas sustentando o olhar de Ignus.

Sem pensar duas vezes Ignus saltou em direção a espada estendendo uma das mãos para pegá-la, mas Hatsunei assim que viu seu movimento, sacou a espada e desferiu o corte no ar. Ignus que estava extremamente atento ao ferreiro pode ver o arco mortal desenhado no ar pela espada e viu, também, o ar se deslocando até ele. Sabia que teria poucas chances de não ser atingido, mas mesmo assim não hesitou, muito menos tentou se defender.

Quando estava quase atingindo o solo e tocando em sua espada sentiu seu abdome ser cortado de um lado ao outro de forma quase instantânea e caiu no chão contorcendo-se de dor, mas com sua espada novamente em mãos.

Imediatamente levantou-se e viu que Hatsunei não estava mais a sua frente, olhou para o alto e viu-o descendo violentamente em sua direção com a espada erguida acima da cabeça. Ignus decidiu que não esquivaria do golpe, sabia que a força do impacto o atingiria, então decidiu bloqueá-lo, segurou a espada com as duas mãos, virando a lâmina, para deixar o lado largo e sem fio bloquear o ataque.

O velho mestre mesmo vendo que seu ataque seria parado, continuou sua trajetória e golpeou a espada de Ignus furiosamente, o impacto foi tal que fez o Emissário do Deus da Guerra se ajoelhar, mas ainda assim resistindo bravamente. Mesmo agora que Hatsunei estava no solo, a pressão que exercia ainda era imensa, entretanto Ignus ainda resistia e segurava sua espada evitando que a lâmina inimiga corresse livremente para dilacerar seu peito.

Em um ato repentino Ignus concentrou-se em sua espada e evocou as chamas que ela produzia, só que desta vez, elas surgiram com muito mais intensidade do que antes. Aproveitando de um momento de hesitação de Hatsunei, ele se levantou, girou o braço que segurava a espada, fazendo que seu oponente abrisse a guarda e em seguida golpeou seu abdome com um corte lateral bem sucedido.

O ferreiro agora sentia sua barriga queimar de forma dolorosa, com a mão livre tocou o ferimento e pode sentir a profundidade do corte, se não houvesse recuado a tempo estaria no chão com o ventre aberto. Também não havia sangue, graças as chamas que cauterizaram o ferimento imediatamente, porém a dor causada por elas adicionadas a dor corte era imensa, mas ele conseguia suportar de forma extraordinária.

Vendo que agora tinha uma vantagem, por menor que fosse, Ignus continuou atacando, desta vez usou sua espada para conduzir sue shii, mas o que deveria ser um simples ataque veio em forma de uma onda flamejante. Ao ver o arco de chamas negras vindo rapidamente em sua direção Hatsunei saltou para o lado, em seguida aproveitando-se da força do impulso inicial deu um segundo assim que tocou o solo, pondo a espada a sua frente. Ignus defendeu o ataque com sua espada por puro reflexo.

Agora ambos se olhavam nos olhos tentando quebrar em vão a concentração do outro, tentando fazer com que cedesse por um instante. Porém nenhum conseguiu suplantar a vontade do outro.

– Sua persistência é louvável. – Elogiou Hatsunei.
– Sua força e habilidade são impressionantes, mesmo para um velho. – Disse Ignus retribuindo de forma irônica o elogio.

Ambos gargalharam sonoramente, mas nenhum cedeu um momento sequer. Ignus expandiu seu shii abruptamente fazendo com que o mesmo golpeasse Hatsunei e o jogasse para longe. Aproveitando-se do instante em que o velho mestre estaria vulnerável ele reuniu seu shii de volta, concentrou-o todo em sua espada e golpeou o ferreiro impiedosamente.

As espadas se chocaram no ar produzindo algumas faíscas, mas ambos conseguiram sustentar a arma do outro. A tensão nos músculos de ambos era tamanha que parecia que explodiriam a qualquer momento. Schneider não lembrava de ninguém que fora capaz de medir forças com seu mestre de tal maneira.

Mais uma vez as chamas escuras de surgiram na espada, Hatsunei sem esperar o que viria deu um pequeno passo na direção oposta a qual Ignus forçava sua arma, fazendo com que ele se deslocasse para frente devido a pressão feita. Agora podendo-se lado a lado passou sua perna por trás de Ignus, entrelaçando-as, finalizou a manobra com um soco, fazendo com que Ignus caísse no chão. No momento em que pensava em revidar o ataque Ignus teve que rolar par o lado e por pouco não foi atravessado pela espada do ferreiro que afundou no chão alguns centímetros.

Novamente de pé Ignus iniciou uma seqüência de ataques elevando ainda mais a intensidade das chamas de sua espada, Hatsunei defendia cada ataque com maestria e contra atacava a cada chance que vislumbrava, porém diferente do experiente mestre Ignus não conseguia evitar todos os golpes, mas sabia que suas chamas o estavam ferindo de alguma forma devido a sua potência.

Em meio a frustração da derrota vindoura Ignus soltou um urro enquanto erguia sua espada e enviava todo o shii que podia para ele, em seguida golpeou Hatsunei com toda a força que fora capaz de reunir. O ferreiro escapou do golpe, mas não da coluna de fogo que se formou após a espada tocar o chão, que impressionou até mesmo o próprio Ignus. Instantes depois Hatsunei surgiu rolando no chão tentando evitar que sua roupa continuasse a ser consumida pelas chamas.

Vendo a oportunidade Ignus se lançou contra o oponente caído, notando a investida, Hatsunei ajoelho-se, desviou a espada com a mão esquerda e com a direita golpeou fortemente o rosto de Ignus que foi ao chão no mesmo instante. O ferreiro ainda golpeou o guerreiro na linha de cintura antes de saltar em direção a sua espada que ficara no chão. Ignus levantou em seguida e novamente se atirou contra hatsunei valendo-se da vantagem de seu oponente ainda estar de costas para ele.

O que o servo do Deus da Guerra não contava era que Hatsunei tivesse habilidade suficiente para apanhar sua espada e mesmo agachado, se virasse contra ele e defendesse magistralmente seu ataque. Os dois começaram novamente a medir forças e Ignus viu que a espada de Hatsunei estava ainda mais danificada, mas ela ainda resistia a tudo que era submetida, um verdadeiro trabalho de um mestre, reconheceu para si mesmo.

Ambos continuaram a medir forças, os músculos dos dois parecia que explodiriam a qualquer momento, o guerreiro começou a elevar seu shii instintivamente, mas a medida que sua energia se elevava sentia como se a força do velho mestre aumentava na mesma proporção.

Até que Ignus finalmente relaxou a tensão em seus braços, jogou sua espada longe e dispersou seu shii. Schneider que só observava de longe teria estranhado a rendição caso não tivesse visto seu antigo mestre sacar a outra espada que ainda estava embainhada e colocá-la perigosamente no ventre de Ignus.

– Você poderia ter me esmagado com seu shii, porque não o fez? – Questionou Hatsunei enquanto guardava suas espadas.
– Mesmo que tentasse, no instante que meu shii se elevasse de forma mais ameaçadora, você me dividiria em dois. – Reconheceu Ignus.
– Minha espada não é capaz de romper uma barreira energética criada pelo shii, ainda mais um shii tão grande e intenso como o seu.
– Não minta pra mim, velho, você teve todas as oportunidades para me matar e mesmo que sua espada seja comum, com a habilidade que tem romperia meu shii facilmente, mesmo com a mais comum e simples das armas. Sei também que só consegui resistir a um de seus ataques graças a minha espada, se ela fosse uma arma comum , você a teria destruído com facilidade logo no primeiro impacto.
– No entanto foi você que por pouco não destruiu a minha, terei de reformá-la o quanto antes.


Satisfeito consigo mesmo, ainda que derrotado Ignus agradeceu os ensinamentos do mestre e partiu, prometeu que não revelaria ao mundo que o lendário Hatsunei estava vivo, nem sua localização. Compreendeu que a única coisa que o velho mestre desejava era seguir sua vida em paz, não a sombra de uma lenda do mestre invencível, nem ser desafiado a todo o momento por aventureiros em busca de fama instantânea.

Agora sabia como conseguiria dominar melhor sua espada, sentia que poderia ir muito além daquilo que havia imaginado inicialmente e de alguma forma, os breves ensinamentos de Hatsunei lhe deram uma segurança que poucas vezes sentira antes.


No caminho de volta foi abordado por um mensageiro de sua ordem, este tinha um comunicado urgente de seu deus que convocava todos os membros que pudessem ser localizados em tempo.

A mensagem que fora redigida há um dia, dizia que ele teria mais um dia para chegar a um reino que ficava a algumas horas dali. Segundo informações seguras um contingente significativo de seguidores de um novo deus estava indo em direção a este reino com o objetivo de tomá-lo para provar sua força. Era justamente o maior reino sobre a proteção de Paia.
Assim que terminou de ler a mensagem e confirmar a direção que deveria seguir, Ignus partiu em disparada. Era tarde, o sol começava a se por, mas ele não poderia esperar pelo dia seguinte.

Leia o Restante.